terça-feira, 1 de dezembro de 2009

patavina

quem é que acompanhou a tristeza do evento de assinatura do Tratado de Lisboa? e quem é que acompanhou a cobertura da Sic?
os meus momentos favoritos são:
1. discurso do primeiro-ministro termina assim: "...afirmar uma europa unida na união europeia."
2. o jornalista da Sic pergunta ao analista de serviço: "Martim, o taxista perguntaria para que é que estas cimeiras servem?" resposta: "é sempre melhor falar do que andar aos tiros"
3. o jornalista da Sic pergunta: "Martim, o que é que este tratado significa para os 500 milhões de europeus?" resposta: "no imediato absolutamente nada."

Patavina portanto.

domingo, 29 de novembro de 2009

referendum ou não referendum suiço

Era melhor não. Desculpem mas esta não aceito. Os Suiços acabaram de votar SIM à proibição de existência de minaretes em território Suiço. Querem saber quantos minaretes existem em território Suiço? 4. Sim quatro, e apenas dois são construções de raiz. No entanto a propaganda da direita xenófoba Suíça fez uma campanha em que apresenta uma bandeira suíça minada por minaretes e defendida por uma mulher de burka com olhos ameaçadores... 57,2% de 53% da população recenseada, ou seja, a maioria não quer expressões culturais e religiosas islâmicas em território Suiço. Estes cartazes deviam ter sido proibidos ponto final.
A democracia ocidental está a desarmar e desconstruir os consensos da segunda metade do séc. XX. Pacheco Pereira que tenha juízo, não temos de oferecer o debate de ideias a quem não quer debater mas sim fazer medo. A história ainda serve para alguma coisa.

the meaning of life

D. José Policarpo diz que a sociedade precisa de "reencontrar o sentido da vida"

Nós bem tentamos, mas só nos sai disto:

sábado, 28 de novembro de 2009

O despertar angolano

[texto de Reinaldo Miranda]

É na frescura do cacimbo que se dão os primeiros passos numa nova manhã na capital angolana. O cheiro do mar, o calor característico dos trópicos, a distinta luz daquele Sol tão único, tão sinónimo dos países africanos, parecem ser sinais de um paraíso que me espera mal saia de casa. Mas esse Paraíso não existe, a realidade é bem diferente.

Logo que meto os pés na rua, parece que acordei para um pesadelo que me envolve. A cidade já acordada reflecte ainda os vestígios de uma desorganização, fruto do imenso período de guerra civil. Para as Zungueiras, mulheres que deambulam pela cidade tentando “vender o seu peixe”, o dia começou há muito. Levam consigo as suas criancinhas às costas, na cabeça vai a mercadoria, quanto ao coração, bem, esse só leva a esperança de poder sobreviver a mais um dia nessa metrópole que é moeda de dupla face. E as crianças esfarrapadas que encontro no meu caminho, quem são? Onde estão os seus pais? Coitadas, brincam à beira estrada correndo atrás de rodas de latas, como se não tivessem preocupação, esquecendo-se que foram esquecidas pelo País. Este é o bairro suburbano que me cumprimenta pela manhã. Ainda mal acordei. Na estrada que me leva ao centro de Luanda intensifica-se a minha revolta ao deparar-me com um imenso musseke, onde as casas não são mais do que blocos de cimento organizados e protegidos por um suposto tecto de chapa, preso por calhaus para que não voe ao sabor do vento. Junto às casas encontram-se entulhos, lixo e mais lixo, e mais lixo ainda, e valetas, e enormes poças de águas paradas, tão propícias à malária ou paludismo, como bem entenderem, que é a enfermidade mais notória no país. Esta é a Angola injusta que eu conheço e tão bem merece a distinção de 5º país com maior fosso social entre ricos e pobres, um país com uma larga percentagem da população a viver com menos de 450 dólares por mês. Quem aqui nasce e nestas condições, dificilmente ultrapassará a barreira dos 46.5 anos de idade (esperança média de vida). São estas e muitas mais as questões que me envolvem durante as duas horas de viagem que faço para percorrer não mais do que 30km. No centro da cidade deparo-me com uma Luanda completamente diferente; um canteiro em obras, como alguns já a ousaram chamar. No meio destas grandes construções está uma oportunidade para muitos imigrantes alcançarem uma vida melhor, ou pelo menos, escapar a algo bem pior. Chineses, brasileiros ou até mesmo portugueses procuram em Angola uma nova oportunidade de vida, uns sujeitando-se a mais sacrifícios do que outros, explorando uns, explorados outros. Um ciclo vicioso onde a exploração já vem bem de trás. Assim é o gigante africano que despertou para o mundo, menos para si próprio. Um país que não é nem de perto nem de longe um mar de rosas, e vermelha é somente a cor da terra que é pisada diariamente. Um inferno quotidiano principalmente para os milhões de excluídos e excluídas sociais: mutilados, invisuais, meninos de rua, todos eles subjugados aos interesses de uma minoria que detém a maior parte da riqueza nacional.

Por vezes gostava de que tudo isto fosse um pesadelo, que tivesse um fim e pudesse acordar. Mas quando durmo e desperto, acordo para a verdadeira realidade que é o próprio pesadelo. Tudo isto corrói-me por dentro, tudo isto é falta de escrúpulos, nada é humano, tudo é selvagem.

Tomara amanhã despertar numa outra dimensão.

sábado, 21 de novembro de 2009

Foi bonita a marcha, pá




Desde 2005 que se dizia: o movimento estudantil no Ensino Superior estava morto. Desde esse Novembro, em que a manifestação com dois mil estudantes, mais coisa, menos coisa, se tinha partido em Entrecampos, não se ousava convocar uma manifestação à escala nacional, com as AAEEs zangadas, o movimento estudantil descredibilizado e os estudantes desmoralizados.

Nestes 4 anos muitas foram as vezes em que teria sido necessário juntar esforços para contestar as medidas que foram sendo tomadas: a plena (e errada) implementação de Bolonha, o novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior, os cortes no financiamento público das instituições, os inúmeros casos de abandono por falta de meios económicos e as  propinas a chegarem perto dos 1000€, os estudantes a passar fome e a Acção Social tão escassa. 

Em 4 anos... nada. Ou umas tentativas muito tímidas (por exemplo no RJIES) de mobilização estudantil, com concentrações mal organizadas e tão pequenas que quem ia mal tinha vontade de repetir. Nada, ou ainda pior. 

A Marcha pelo Ensino Superior, de dia 17, não foi grandiosa nem parou a vida das faculdades, mas foi o despontar de qualquer coisa, um grito de quem já estava farto de aguentar tanto e calar sempre. 

Neste Novembro, alguns milhares de estudantes vieram de quase todo o país - Coimbra, Minho, Lisboa, Porto, Trás-os-Montes.

Neste Novembro, muita gente marchou, gente que nunca tinha estado em qualquer manifestação, gente que nunca tinha pensado "vale a pena estar lá", gente que de sorriso nos lábios gritava bem alto "Ensino universal, direito fundamental". Gente que no final dizia "foi lindo".

 Finalmente exigimos a uma só voz um financiamento público adequado às necessidades das faculdades, uma Acção Social à medida das nossas vidas: um real investimento na educação universal, como base de uma sociedade mais qualificada, mais crítica e informada.
Neste Novembro abriu-se uma nesga para o movimento estudantil. Agora é preciso rasgá-la.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

se foi a sogra que indicou então tudo bem

Entrevista à nova coqueluche do CDS hoje no i. Ela é católica. Ela é casada mãe de 3 filhos. Ela é professora na universidade de direito. Ela foi aluna brilhante e professora assistente aos 27 anos. Ela é Assunção Cristas, o modelo da mulher portuguesa dos anos 60, directamente saída de uma revista da união nacional. Destaco a seguinte frase: "Na altura tinha 27 anos e a carreira académica era a minha prioridade. Mas um dia, a Dra. Celeste Cardona telefonou a convidar-me para fazer parte do seu gabinete no Ministério da Justiça. Conhecia-me, não do CDS, mas porque era amiga dos meus sogros e sabia que eu era boa aluna e estava a terminar o doutoramento."
Se foi a sogra que a indicou ficamos todos mais descansados.

Marcha pelo Ensino Superior



Os motivos são mais do que conhecidos. Amanhã, às 15h, na Alameda da Cidade Universitária, marchamos.

venham as purgas, from russia with love

Agora que acabaram os actos eleitorais PS, PSD e CDS entraram em purificação. E sendo naturalmente mais papistas que o papa meteram na cabeça que todos aqueles que apoiaram listas alternativas às do partido vão borda fora. É um bom exercício imaginar quem são os inquisidores de respectivo partido, José Lello deve andar de pistola no cinto, e Sarmento foi buscar as luvas de boxe, já estou a imaginar execuções de julgamento sumário directamente saídas de Soljneitsin.
No entanto há alguma reflexão a fazer sobre a vida jurídica de um partido e a sua relação com a sociedade. De momento, pelo que eu entendo, os regulamentos internos funcionam necessariamente como um sistema paralelo. Tem de ser assim? De facto não sei. A notícia de hoje no Público apresenta uma caixa com a posição de Carlos Abreu Amorim, que enquanto militante do CDS foi alvo de um processo disciplinar por delito de opinião (não era à esquerda que estas coisas deviam acontecer?) há cerca de seis anos. Diz ele: "Juridicamente os partidos funcionam em autogestão, como ilhas e com lógicas totalitárias, longe da apreciação eficaz dos tribunais". Por isso defende uma "tutela jurisdicional efectiva dos partidos políticos (...) por parte dos tribunais administrativos com toda a panóplia de meios contenciosos que a recente reforma que entrou em vigor em 2004 colocou à disposição".

Não sou jurista, mas não deixa de ser uma hipótese interessante.

sábado, 14 de novembro de 2009

H2O



Foi descoberta água na lua.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

quietos que quem manda aqui somos nós

“Todos os homens e todas as mulheres têm um direito fundamental ao casamento, mas apenas se e só se quiserem o que o casamento é na realidade.” Frase do texto de opinião do padre (católico) Gonçalo Portocarrero de Almada, hoje no Jornal de Notícias. A retórica saloia tem características muito bem definidas: 1. por um lado tem objectivos políticos evidentes e predatórios sob um véu de boa vontade; 2. acha que nós, as ovelhas, somos parvas.
Na maioria das vezes a igreja, pródiga nesta retórica, é suficientemente inteligente para construir um edifício de falsas realidades e simplesmente não dizer parvoíces. De vez em quando lá aparece um zelota furioso em toda a sua glória, que nos relembra a origem “natural e primordial do casamento, uma instituição matrimonial..." de que aparentemente já Deus terá imbuído Adão e Eva. A estes zelotas deixo este vídeo: