Amanhã é o dia do regresso às aulas. As faculdades que estiveram ocupadas estão a ser pintadas e reconstruídas pelo Governo, que tenta apagar as marcas da revolta. Para amanhã, estão marcadas várias assembleias, que decidirão como vai continuar o protesto. Para já, está também agendada uma manifestação em toda a Grécia para sexta-feira. No fim do ano, quando começaram as férias de Natal, os estudantes despediram-se do poder com o seguinte slogan: Merry Crisis and a Happy New Fear. Amanhã veremos se tinham razão. E qual o impacto do que aconteceu anteontem. O policia assassinado e as expectativas para dia 9 Anteontem, um policia de 21 anos foi alvejado por uma metralhadora MP5 e uma Kalashnikov. Diz-se que a acção foi perpetrada por um grupo chamado Luta Revolucionária, mas na verdade não foi reivindicada por ninguém. Do que nos disseram, trata-se de uma acção isolada e feita por um grupo sem nenhuma ligação ao movimento. A esquerda radical, nomeadamente a SYRIZA, que tem estado com a revolta dos jovens, já condenou o ataque. Ontem, alguns milhares de pessoas concentraram-se em frente ao hospital onde está o polícia. A Igreja recebeu palmas na visita que lhe fez. O Governo deve estar contente: agora é muito mais fácil justificar uma onda repressiva sobre os que protestam contra a precariedade e contra a violência policial que assassinou o jovem Grigoropoulos. As expectativas em relação à manifestação são assim condicionadas por este episódio. Pode acontecer que a policia tenha uma acção mais violenta e repressiva. Pode acontecer que uma parte dos manifestantes, que tem sido alvo de buscas e intimidação nos últimos dias, tenha uma reacção mais violenta na manif. Pode acontecer que haja mais gente, também contra a manipulação. Pode acontecer que haja menos gente, pelo isolamento da revolta ou por temerem que a tensão degenere em violência. Quem não tem cão, caça com gato No ano passado, um enorme protesto que atravessou as universidades gregas conseguiu derrotar o governo e fazer recuar a proposta de revisão constitucional que previa a possibilidade de ensino privado na Grécia. Neste país, o ensino superior é público e gratuito. Face à força da mobilização estudantil, essa reforma que abria as portas da educação aos privados não passou. Mas a luta mantém-se. A estratégia do negócio percebeu que se não podia caçar com cão, podia caçar com gato: o que agora acontece é que há uma espécie de “franchising” de Universidades privadas de outros países europeus que abrem filiais na Grécia e que, depois, certificam os estudantes com os diplomas desses países. Ainda que o ensino privado não exista na Grécia, quem frequenta estas escolas pode depois ter um diploma de outro país e trabalhar com essa qualificação na Grécia, uma vez que assim prevêem as leis europeias. Dessa forma, contorna a lei grega que protege a educação da invasão do mercado. Por isso, também os estudantes terão de arranjar formas criativas – e preferencialmente à escala europeia – para manter o conhecimento na esfera não mercantil dos direitos. Eles lá é mais bombas...
Do Zé Soeiro, que está por lá:
Dia 1
Regresso às aulas ou “ninguém nas aulas, todos na rua”?
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Diário de Atenas
Etiquetas: Ana Bastos, Educação, Grécia, Internacional
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3 comments:
Ah granda Zé.
Deviamos era ter ido todos!
Cumprimentos.
Tens toda a razão!
Resta-nos acompanhar à distância...
Mas fica o repto.
110€. Porto - Milão - Atenas e volta.
Quem quer ir?! :D
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