quarta-feira, 29 de abril de 2009

Um novo fôlego


Mais notícias dos protestos universitários franceses enviadas pelo Zé Carlos Santos. De Estrasburgo, com amor.

«Um resumo, e um novo fôlego..
Hoje deu-se uma manifestação do sector hospitalar em França, embora apenas em Paris tenha sido realmente forte, mas também, foi o 1º dia..Contra a reforma "Bachelot" que o governo pretende aplicar. Em Paris, 8000 pessoas segundo a policia e 20000 segundo os organizadores (a policia nunca soube fazer contas..). Segundo o Ministério da Saúde, em cerca de 40 estabelecimentos de saúde parisienses houve uma taxa de greve de 50% entre os médicos, e de 10% entre os outros salariados. E se não fosse o serviço minimo, as taxas elevar-se-iam a 73% e a 18% respectivamente. Apesar de ser 1 dia de acção nacional, houve à mesma manifestações em cidades como Marselha, Lion, Lille e outras. Com cartazes que diziam por exemplo "Contra os Hospitais-Empresas".O cortejo dos médicos e do restante sector hospitalar uniu-se ao cortejo dos estudantes, investigadores e outro pessoal das universidades, "eco duma convergência de lutas que parece uma evidência colectiva", como disse um camarada aqui da faculdade.Hoje foi outro dia de manifestações estudantis em toda a França, em Estrasburgo fizemos uma manifestação de Direita, todos @s outr@s manifestantes vestiram-se portanto a preceito (pois eu estou sempre) para a ocasião. Neste momento não tenho fotos nem vídeos, portanto não posso enviar.Ainda há 46 faculdades bloqueadas e/ou ocupadas em França, há mais de 3 meses já, e com a ainda não resolução do problema das avaliações, muita gente com medo de não passar o 2º semestre começa a fazer trabalhos e a estudar, o que se reflectiu no número dos manifestantes de hoje. No entanto, todos os trabalhos deverão ser entregues até o meio de Maio, logo, a partir daí o numero de manifestantes aumentará, seguramente. Juntamente com as lutas do sector fabril/industrial (cada vez mais há patrões a serem sequestrados) e agora com este novo fôlego do sector hospitalar, algo de muito lindo pode acontecer outra vez em Maio, 41 anos depois. O risco revolucionário está lá, segundo o ex-primeiro-ministro (aquele que tentou implementar o CPE, o contracto do primeiro emprego).
Ah, ainda uma curiosidade, em Toulouse, já não sei em qual faculdade, os estudantes entraram no gabinete da presidência e queimaram todos os documentos que lá encontraram..>Em Estrasburgo votou-se fazer algo um pouco diferente, em vez de queimar os documentos, atirá-los pelas janelas, parece-me que a nivel estético será mais belo.»


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