
De acordo com um estudo da ONU, cerca de 300 mil pessoas morrem todos os anos devido às alterações climáticas que já se têm vindo a fazer sentir. O mesmo estudo aponta para 3 milhões de pessoas afectadas pelos seus efeitos, seja diminuição da água disponível ou dos alimentos produzidos, a ondas de calor ou fogos florestais.
Daqui a 25 anos, estima-se que:
Mais 310 milhões sofrerão de problemas de saúde relacionados com o clima;
Mais 20 milhões de pessoas serão pobres;
Mais 75 milhões de pessoas serão forçados a migrar para tentar escapar aos efeitos das alterações do clima.
Por isso mesmo, há algum tempo atrás, o cientista James Hansen defendeu que deveríamos estabilizar a concentração do CO2 na atmosfera em 350ppm e não em 450ppm, como é defendido pela maior parte das instituições e governos. Hansen afirma que estabilizar a concentração em 350ppm é a única forma de conseguirmos ter a certeza da resposta do planeta porque este valor já pertence ao passado - actualmente a concentração é de 380ppm com tendência crescente.
Hansen justifica que actualmente já se fazem sentir as consequências do aumento da temperatura global e que o "ponto de viragem" (a partir do qual os efeitos podem não ser reversíveis) pode estar algures entre as 350ppm e as 550ppm, pelo que, por um princípio de precaução, deveremos procurar estabilizar a concentração no valor mais baixo do intervalo de perigo. Só assim teremos a certeza que não estamos a interagir com o planeta de formas que não conseguimos totalmente prever nem controlar.
Hansen foi considerado alarmista na década de 90 quando alertou para os efeitos das alterações do clima, entretanto muito daquilo que disse foi sendo confirmado ao longo dos anos.
Em Dezembro, Copenhaga, desenhará a resposta a dar a este problema, esperemos que desta vez, ao contrário de Quioto, a preservação da vida no planeta fale mais alto que os interesses dos senhores do petróleo.


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