sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Até logo Davos!




"A discussão azedou a propósito de Gaza e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, acabou mesmo por deixar o palco da cimeira de Davos em protesto – não sem antes dizer ao seu interlocutor israelita, o Presidente Shimon Peres: 'vocês estão a matar pessoas'.
"Erdogan acusou hoje o moderador de lhe cortar a palavra quando ele queria responder a Peres, que fazia uma defesa enérgica das acções israelitas na ofensiva de três semanas que levou a cabo na Faixa de Gaza. 'O que faria se lançassem rockets sobre Istambul', perguntou Peres a Erdogan." (in Publico)

É bom ver países pela pessoa dos seus representantes elegidos, revoltar-se e criticar publicamente e abertamente a invasão de Israel e, nomeadamente Shimon Peres. 
Nobel da Paz? Uau.
Ninguém diria!

PS: Alguém imagina o Sócrates a tomar a mesma atitude?

Movimento Sapatista

Na terra Natal de Saddam, uma escultura de 3m em homenagem a al-Zaidi.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Disturbia

Olhe, desculpe, não está a chover. A sério, juro-lhe. Repare, ninguém está a usar chapéu-de-chuva. Esse senhor aí da frente deve ser parvo, mais ninguém o está a usar. Não está a chover! Quer vender-me o seu chapéu? Não? Como é que se chama? Espere, não fuja! Sou boa pessoa…
Bom dia, dá-me um cigarro? Uma rapariga tão nova, eu? Não, já tenho dezanove anos. E assim ainda tenho muito tempo para deixar de fumar. Não tem? Mas tem um maço na mão… Podia dizer-me que não mo quer dar, assim ao menos era honesta! O quê? O mesmo para si! E eu não sou nova, tenho dezanove anos!
Bom dia. O senhor tem cara de ser simpático. Ouça, garanto-lhe que não está a chover. Repare em mim. Não estou a molhar-me, ou estou? A sério, largue esse chapéu. Eu compro-lho. Ao menos responda-me, não me deixe aqui a falar sozinha!
Pode dar-me um cigarrinho? Ah, espere, ainda é a mesma… De certeza que não mudou de ideias?
Oh, boa, um arrumador de carros! Bom dia, dá-me um cigarro? Não tem? É pena… Até é giro, o homem. Não quer vir tomar um café comigo? Deixe lá os carros, está a ouvir-me? Eu ofereço. Não quer? De certeza? E um cigarro, não tem?

Bom dia, o que quer? Um cigarro? Não, também cravei este…

Estado nulo.



O ministro das Finanças disse hoje que o Governo continua interessado na privatização da ANA -- Aeroportos de Lisboa, agendada para este ano, mas assegurou que não fará maus negócios para o Estado.

Quando todo o dever público, propriedade pública e responsabilidade pública for alienada a privados e os seus respectivos interesses, pergunta este canard na sua inevitável ignorânica:

"Qual será o papel de um Governo democraticamente eleito?"

Será que Sócrates gosta de pastéis de Belém...?


Começou ontem o Fórum Económico Mundial (em Davos) onde, supostamente, lideres políticos e do mundo empresarial se juntam para discutir o futuro económico do mundo.
"Moldar o Mundo da Pós-Crise" será o tema da reunião deste ano, que contará com 2500 participantes: 1400 chefes de empresas, 41 chefes de Estado, 17 ministros das finanças e 19 governadores dos bancos centrais. ( Vladimir Putin, Angela Merkel, Joseph Stiglitz, António Guterres, entre outros).

Este ano, e ao contrário da tendência verificada, o executivo Português não irá enviar ninguém a Davos. A representação Portuguesa será assegurada pela Sonae, pela Jerónimo Martins e pelo sociólogo do ISCTE Gustavo Cardoso, participante no grupo de "jovens líderes mundiais".

Não pretendo aqui defender Davos como o melhor sitio para discutir economia e muito menos acho que dali irão sair alternativas viáveis para o rumo do sistema económico mundial. MAS, mesmo preferindo que assim não fosse, é lá que o assunto será debatido!

Estive a pensar em possíveis motivos para a ausência do Governo Português no FEM:
1. O executivo resolveu seguir Lula da Silva, Chavez, Evo Morales, entre outros, marimbou-se para o FSE e rumou a Belem para o Fórum Social Mundial para discutir as verdadeiras alternativas - se assim for, tem todo o meu apoio!!! (embora ache que mais facilmente podemos encontrar Sócrates em Belém, ali ao pé do McDonald’s a comer pastéis);
2. Sócrates considera que a Sonae e a Jerónimo Martins são a melhor representação possível e suficiente para discutir o futuro da economia mundial...
3. A crise é tão grande que não houve dinheiro, nem para o Brasil nem para os Alpes Suiços;
4. Sócrates tem mais que fazer da vida: provar que não está envolvido no caso Freeport, encomendar e alterar estudos sobre o estado da nação e elogiar ministros odiados... enfim, afazeres normais de qualquer líder nacional respeitado !






O Fórum começou

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

De Londres

hoje vi um grupo género B.E. a fazer uma recolha de assinaturas, porque a BBC se recusou a passar um documentário sobre a palestina.

Não está tudo a dormir!

DesEducação



Durante os dois últimos anos, a Rede disponibilizou on-line um inquérito sobre agressões e/ou discriminações por motivos de orientação sexual sofridas ou presenciadas no espaço escolar.

A escola é o espaço privilegiado de discriminação e tanto os alvos como os agressores são sobretudo alunos. No entanto são também denunciadas situações em que os agressores são os professores ou os auxiliares de acção educativa, como esta: «Esteve em discussão, durante uma reunião, uma nota de um aluno, atendendo à sua orientação sexual. Tudo porque o colega assim que soube que o aluno era gay, quis baixar-lhe a classificação, além de se pôr a contar histórias que rebaixavam a dignidade do aluno em causa. Um outro colega, que nem sequer era professor do aluno em causa, por várias vezes criticou acerrimamente proferindo palavras ofensivas, a orientação homossexual. Noutras duas reuniões subsequentes à primeira, o assunto vinha sempre à tona, sempre que era referido o dito aluno. E as críticas continuaram sempre…»

Verifica-se também que a maior parte dos inquiridos (mais de 70%) optou pelo silêncio por não saber a quem recorrer ou por não confiar nas autoridades.

Se há algo que sobressai deste relatório é que a escola continua a ser um local de reprodução do estereótipo, do preconceito e da intolerância. É maria-rapaz porque faz isto, é paneleiro porque veste assim, é camiona porque sim. Além disso, revela a incapacidade da escola de lidar com situações deste tipo, por ignorância, por desinteresse ou porque são os próprios responsáveis que promovem a discriminação: «[Na própria aula] argumentei com a professora tentando que ela entendesse o meu ponto de vista, ao que a professora sem saber o que fazer, porque tinha encontrado oposição, deu por terminada a aula…» ou «Sim. Foram apresentadas várias queixas, mas o Conselho Executivo não reagiu.»

Este relatório, por um lado, revela a necessidade de uma Educação Sexual nas escolas que vá muito além da biologia e das questões de saúde e, por outro, a falta de formação de uma grande parte dos professores (provavelmente a maioria) para lidarem com estas questões.

Este mês foi apresentado pelo BE um projecto-lei para implementar a Educação Sexual nas escolas, consagrando-lhe o estatuto de disciplina independente, com docentes qualificados e que contemplaria questões como a identidade de género e a orientação sexual.
O PS (que sempre argumentou que a actual lei era adequada) recuou prerante a proposta propondo que a votação fosse adiada e comprometendo-se a elaborar um projecto-lei em 30 dias.

Agora que o debate está aberto, espera-se que o governo não encomende mais um relatório feito à medida.


Só mais uma coisa...


Já repararam que estas ninguém discrimina?

Feminismos (III)



Beauvoir, no seu Segundo Sexo, defendeu a tese de que, se a feminilidade não é congénita nem voluntária, pelo contrário, é socialmente construída, então os feminismos precisam de rejeitar a ideia de feminilidade.
É a partir desta ideia beauvariana de que não nascemos mulheres, tornamo-nos mulheres que, nos anos 90, as feministas anglo-americanas vão recusar liminarmente não só o conceito de sexo(anatómico), mas também de género (culturalmente apreendido).

Textos como os de Butler sustentam que, se é através da repetição de actos simbólicos que a regulação do corpo e da sexualidade é socialmente construída, então a coerção a que estes estão sujeitos pode ser ludibriada pela performance. A sua queer theory faz a apologia de um corpo que funciona, ele próprio, enquanto um discurso, sendo esse discurso um conjunto de possibilidades e de experimentações, experimentações essas a que corresponde uma contínua, reiterada e ininterrupta reinvenção ontológica.
Outros conceitos, como os de feminismo nomádico de Braidotti, heteroglossia sexual de Haraway, polifonia experiencial de Cunha e Silva, remetem para um feminismo contemporâneo assente na constituição de um sujeito feminista miscisgenado, composto por mulheres e homens, que entenda o desafio provocatório das regras do androcentrismo e da heteronormatividade enquanto prática política quotidiana.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Universo Berlusconiano

O Primeiro-ministro italiano farta-se de mandar piadas. É um divertido, o senhor. Dizem que não se pode compreender a estratégia de comunicação de Silvio Berlusconi pela politica, que tem de se ver do ponto de vista da televisivo da coisa. Dizem que é assim que ele consegue chegar à sala de estar e ao coração das classes populares. Um misto de multimilionário e taxista que lhe dá um ar de "homem do povo".

Eu cá acho que lá no fundo ele é é brejeiro, e não pode fazer nada contra isso. Culpo-o por ser estúpido e por não perceber que um primeiro-ministro não é só um gajo com muita popularidade, tem de ser um exemplo. Ou pelo menos não ser um mau exemplo… Mas culpo os italianos por terem eleito um brejeiro para o cargo de primeiro-ministro e agora nos fazerem levar com ele.

Então… em 2001:

“A soma de gafes talvez só seja comparável, no universo berlusconiano, à sua declaração, dada em 2001, de que a civilização ocidental era superior à oriental e que a primeira ia seguir dominando povos mesmo que para isso batesse de frente com o islã.”

em 2003:

“No que depois disse ter sido uma brincadeira mal interpretada, Berlusconi ofereceu a um deputado alemão, em pleno Parlamento Europeu, o papel de comandante nazista em um filme.
A declaração fez o chanceler (premiê) Gerhard Schröder cancelar suas férias na Itália, criando um incidente diplomático especialmente delicado (Berlusconi acabara de assumir a presidência rotativa da União Européia, na qual a Alemanha é o motor).”

e ainda…:

“Silvio Berlusconi, que assume a presidência do Conselho Europeu até ao final deste ano, referiu-se ao período nazi para responder a uma intervenção de um eurodeputado alemão e disse ser necessário «uma loucura visionária e generosa» para dirigir a Europa.”

Em 2008…:

“Berlusconi provocou polêmica na Itália ao descrever o novo presidente dos Estados Unidos como "jovem, bonito e bronzeado”

e …em 2009:

"¿Las violaciones? Pueden ocurrir en cualquier caso... En Italia deberíamos tener tantos soldados como chicas guapas, creo que nunca lo conseguiremos" el país

…Mas ninguém cala este homem?!?

Ensino Superior. Recordar é Acordar.

Durante muitos anos, Portugal foi dominado por uma elite que utilizava o Ensino Superior como instrumento de reprodução ideológica.
Fechada em si própria, poucos eram os que dela poderiam usufruir de conhecimento disponível.
Com a evolução da indústria, a necessidade de mão de obra qualificada acentuou-se, que por consequência se traduziu num crescimento exponencial de procura de ensino que não apenas o básico por parte de classes claramente menos favorecidas.
Não obstante desta procura por educação, o ensino elitista (liceu) e superior continuava maioritariamente reservado às árvores genealógica das classes burguesas que continuaram "orgulhosamente só", assim, garantindo também, a subsistência e sobrevivência de uma minoria abastada com grande fosso em termos de posses em comparação com estratos sociais desfavorecidos da sociedade, sendo esta a realidade geral que subsistiu até Abril de 74.

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Com o estabelecimento de escolaridade obrigatória até aos 6 anos e a unificação do Ensino Técnico e Liceal, assistiu-se a um claro crescimento de procura do Ensino Secundário, procura que eventualmente se transpôs para o Ensino Superior.
Com este cenário, foi necessário para os sucessivos Governos, face à inexistência de estruturas e de pessoas capazes para tanta procura no Superior, utilizar certas ferramentas para abrandar os acessos ao Superior ou mesmo a que alguns abandonassem essa vontade, tais como o Serviço Cívico, a criação de um 12º ano e a limitação de vagas de acesso em cada estabelecimento de Ensino Superior.
Nos anos 80, o modelo torna-se, em termos simplísticos, o que é hoje no que toca ao acesso ao Superior: Classificações do 12º, Exames Nacionais e Específicas.
Em termos númericos, tais reformas traduziram-se em retenção de acesso a milhares de pessoas: Em 86/87 candidataram-se 31973 e entraram 15266. Em 1992/1993 candidataram-se 59166 e entraram 28751.
Ou seja, metade dos indivíduos que se candidataram entre 86 e 93 que ficaram retidos, ou tentaram mais um ou dois anos, ou simplesmente desistiram do Superior.
Com esta situação, o Ensino Superior sente a "Mão Invisível" e a contínua e crescente influência e afluência de entidades privadas aos estabelecimentos traduzindo-se em duas alterações base:

- Implementação das Propinas
- Abertura do Ensino Superior à iniciativa privada

Com tal rumo, deu-se uma facada no que se pensava que seria o rumo português e europeu na defesa de um ensino público e gratuito, tendo no entanto alterado o actor que justificaria o Ensino Superior, o aluno, para passar a ser a própria Instituição.
Com a abertura do Ensino Superior aos interesses económicos, e seguindo a lógica neo-liberal implícita nessa movimentação, não seria de estranhar que em 2000, 30% dos alunos inscritos no Ensino Superior estivessem em Universidades Privadas.

A implementação das propinas, traduziu-se num eficaz método de "fechar a torneira" na procura, facto que tornou difícil ou impossível as aspirações dos alunos que tentavam aceder ao Ensino Superior, principalmente nos mesmos que subsistiam em estratos sociais menos favorecidos.

É oportuno relembrar que segundo a Constituição Portuguesa compete ao Estado a oferta de todos os níveis de ensino de um modo tendencialmente gratuito.

Com o contínuo crescimento do valor de propina, os Governos acentuavam a sua inserção num sistema de desresponsabilização em termos de colectivos nomeadamente no que concerne o Superior.
Tal traduz-se, mais recentemente, num ritmo de crescimento cada vez mais lento em termos de financiamento das Instituições ou, como se observou, em real diminuição de financiamento.
Com tal situação, a política educativa e a sua contínua desresponsabilização pelo Ensino Superior, pondo de parte qualquer sonho de um Ensino Público e Gratuito, empurra as Instituições no sentido de utilizar as suas próprias receitas para as suas despesas correntes.

Com tudo isto, podemos compreender de onde vêm as ideias e os métodos subversivos e (espante-se) públicos no sentido de acentuar ainda mais os interesses económicos em detrimento dos educativos nas Instituições de Ensino Superior, prevendo-se ainda mais mecanismos que continuamente prejudiquem os alunos de estratos sociais menos favorecidos, levando-lhes a verdadeiras hipotecas de bens familiares para o suporte de custos, ou a frustrações por incapacidade financeira para suportar qualquer gasto parecido com o que o Ensino Superior implica nos dias de hoje.

É de extrema importância recordar a evolução das propinas no Ensino Superior Público em 18 anos:
Em 1991/92 - 6.5€
Em 2008/2009 - 972.14€ (máxima)

Evolução em % (1991-2009) : 14956%

Seguindo esta evolução, nada explica a falta de abrangente e forte movimento estudantil em torno de responsabilizar o Governo pelo seu progresso deficitário no que toca ao acompanhamento das despesas do Ensino Superior.
No entanto, presumindo que o ciclo normal de estudo no Superior seja de 5 anos, logo podemos retirar que a passagem pelo Ensino Superior é pequena, em que poucas gerações puderam realmente observar as mudanças drásticas.
Daí que seja necessário recordar o percurso dos sucessivos Governos para que esse, não seja esquecido, e para que a qualquer Governo seja exigida uma verdadeira mudança de rumo.

Esperemos, uma que vá ao encontro da Constituição Portuguesa, de um ensino público e tendencialmente grátis.

PS: Parabéns a quem conseguiu chegar ao fim :x

Da revolta grega à realidade portuguesa

Juventude precária na rua?
da revolta grega à realidade portuguesa

quinta-feira :: 29 Janeiro 2009 :: Café Aviz :: filme e debate
(R. de Aviz, no centro do Porto)

21h :: Filme
"Revolta na Grécia", de Tiago Afonso

22h :: conversa com
José Soeiro (sociólogo)
Cristina Andrade (fundadora do FERVE - Fartos dEstes Recibos Verdes)

Desemprego, precariedade, exploração, insegurança e incerteza são a marca da relação dos jovens de hoje (e não apenas dos jovens) com o mercado de trabalho. Mas a precariedade é também imposta como um novo modo de vida ao qual não se pode fugir: o mundo dos biscates, do trabalho temporário, do desemprego, dos contratos a prazo ou dos falsos recibos verdes significa não apenas um trabalho sem direitos mas uma vida congelada.
Foi também isto, a par de uma violenta repressão policial e de um ataque ao ensino público, que esteve na origem da revolta dos jovens gregos, que desde Dezembro vêm pondo em causa o poder naquele país.
Por cá, também a geração 500 euros se tem feito ouvir através de múltiplas acções. Com um filme de Tiago Afonso sobre os acontecimentos na Grécia e os testemunhos de José Soeiro, que esteve naquele país a acompanhar os protestos e de Cristina Andrade, fundadora e activista do FERVE (Fartos d'Estes Recibos Verdes), esta conversa, pretende pensar a partir de exemplos concretos os caminhos da luta dos desemprecários na Europa e imaginar alternativas libertadoras.

A Europa do Woody

O cliché do calor latino contra o puritanismo americano.



A mim parece-me muito bem.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

"Um Governo de esquerda como o seu.."


«"Valeu a pena resistir, não desistir, enfrentar as dificuldades. Este é o caminho para o sucesso”afirmou José Sócrates.
"Que dificuldades, que incompreensões. Foram quatro anos de governação difíceis, mas valeu a pena", salientou, felicitando directamente Maria de Lurdes Rodrigues pelos resultados.
Foi preciso resistir muito", insistiu, lembrando que "não há um caminho fácil, nem há atalhos", mas que para um Governo de esquerda como o seu, a Educação é "uma batalha central".» (Público, 26-01-09)


Foram estas as palavras de Sócrates hoje, na cerimónia de apresentação do relatório da OCDE sobre a Politica educativa para o primeiro ciclo (2005-2008), relativamente ao desempenho de Maria de Lurdes Rodrigues.

Pergunto-me se..
Aquilo a que Sócrates chama “dificuldades” serão as centenas de milhares de professores e alunos nas ruas em manifestações de dimensão há muito não vista?!
Aquilo a que Sócrates chama “incompreensões” serão as vozes levantadas por grande parte dos intervenientes no sistema educativo a exigir a demissão da Ministra?!
Aquilo a que Sócrates chama “sucesso”, será o facto de ter conseguido “atropelar” a revolta e descontentamento de toda uma classe profissional?! Ou dos estudantes do ensino secundário?! E do ensino superior?
E resistir?! Segundo esta lógica, será resistir enfrentar e ignorar as manifestações de vontade do povo?! Fazer “orelhas moucas” às exigências de demissão de executivos arrogantes e prepotentes, incapazes de ouvir quem quer que seja ou de dar um passo atrás nas suas politicas definidas de forma unilateral e autista?!

Sócrates salva banqueiros mas resiste e luta contra professores e alunos… Sem dúvida que sabe escolher as suas prioridades. Não sei bem porquê, tenho a sensação que esta esquerda de Sócrates é estranha...

É nestas alturas que dá jeito ter memória curta


Hoje Jaques Diouf, Director-Geral da FAO, lembrou que mais de 963 milhões continuam a passar fome ou sub-nutrição e que a crise alimentar tende a agravar-se. Lembranças como esta não são novidade, repetem-se todos os anos e todos os anos o número aumenta. Este ano não é excepção - em 2007 eram 923 milhões.
Em tempo de crise do sistema neo-liberal poderiamos esperar uma crítica do problema que fosse um bocadinho além das boas intenções do costume. Mas não, o que Jaques Diouf vem dizer é que é preciso duplicar a produção alimentar mundial até 2050 para acabar com a fome no mundo.

Esquece-se de referir que nos países em desenvolvimento cerca de 50% dos afectados pela fome são pequenos produtores que tiveram de abandonar as suas terras por não conseguirem suportar os custos de produção.
Esquece os mafiosos jogos especulativos e as regras muito pouco transparentes dos mercados alimentares.
Esquece-se que o problema, mais do que na quantidade de alimentos produzida, se centra sobretudo na profunda assimetria mundial do acesso a bens alimentares básicos.
Esquece que a produção intensiva de carne para consumo é responsável por uma parte considerável do consumo de soja e cereais.
Esquece que produção intensiva de agro-combustíveis (esse milagroso sucedâneo do petróleo) compete directamente com os bens alimentares.
Esquece-se que as alterações climáticas vão ser responsáveis por uma diminuição considerável da produção.

Se calhar a FAO não precisa de se lembrar disto tudo porque presume que meia dúzia de multinacionais tratarão do assunto, com produções intensivas, OGM e agro-químicos, degradação dos solos, poluição ambiental e injustiça social.
Logo tratará de fazer mais uma declaração de boas intenções.

Freeport e os assessores


O que aconteceu aos dois assessores de comunicação do primeiro-ministro? Dois homens que, a confiar em anos de notícias de propaganda, seriam assessores de incomparável influência e extraordinário poder? Como puderam eles deixar esta desgraça acontecer?
A inauguração de uma língua de alcatrão (IC32 almada-alcochete) no epicentro do escândalo freeport é um erro de timing incompreensível. Em vez de apresentar um líder sereno e confiante ofereceram à comunicação social um homem irritado, vítima do destino e da traição familiar. Jogar a carta da vitimização e da fuga em frente apresentando medidas de propaganda de estado era a pior reacção possível. O primeiro-ministro acabou de entregar a iniciativa política à oposição. A partir de agora até Ferreira Leite tem possibilidade de ser oposição.
Os media portugueses há um ano que estavam há espera de um simples deslize para mudar de tom em relação ao governo. Suspeito que este caso acabou de vez com uma nova maioria absoluta.
Para já espero que a mitificação dos assessores de comunicação acabe de vez e que se entregue a política aos políticos.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Alegrias da Revolução Cubana


Liaena Hernandez Martínez. É o nome da mais jovem deputada da Assembleia Nacional de Cuba, representante eleita pela comunidade de Manuel Tames. 
A revolução Cubana sabe jogar bem com os media, a cara de Liaena conseguiu plantar uma das melhores reportagens de propaganda de regime no seio dos media capitalistas, a BBC. Está lá a cassete toda, já só falta mesmo a democracia.  

Por seu lado, o Juvetu Rebelde apresenta uma notícia ao velho estilo revolucionário/propagandístico, com uma fotografia de Liaena vestida de militar à semelhança de Fidel Castro. Vale a pena ler, aqui.


Vale a pena ler o texto de Henrique Pereira dos Santos sobre pressões em processos decisórios da administração pública, nomeadamente em processos de Avaliação de Impacte Ambiental.

Astrologia aplicada às Finanças

O ministro das Finanças afirmou ontem que a crise económica e financeira global é "um momento único na história" e que não "há GPS" para esta situação, mas apenas "estrelas" tapadas com "nuvens". (Publico)

"Para o ministro das Finanças, esta situação é 'inteiramente nova e é um desafio para todos' e 'não há GPS para esta situação'. 'Temos de nos guiar pelas estrelas. O problema são as nuvens'"

Em momentos únicos, a solução é converter-se à Astrologia.
Pedia-se ao Sr. Ministro que tente (sublinha-se o tente porque é complicado), largar lá a história das estrelas porque só algumas é que dá para ver o brilho! Nomeadamente aquelas que têm algo para fazer brilhar.
É esperado que se guie pelo que é melhor para todos nós. E que deixe a outra história do "Proteger as Empresas" mais abaixo.
Se as pessoas estiverem bem, as empresas estão protegidas. Ao contrário, não necessariamente.

Feminismos (II)





Podemos conciliar marxismos e feminismos, sem cair nas ideias do passado de que com o socialismo vem espontaneamente a igualdade entre géneros e sem tombar na armadilha pós-moderna de que a política da diferença vale por si só?

A ideia de Nancy Fraser é a de que essa conciliação é praticável se ancorada numa ideia de justiça social ampla e abangente, ou seja, numa concepção bidimensional da justiça, assente nos preceitos da redistribuição da riqueza e do reconhecimento do estatuto.
Reconhecer que, para os feminismos a categoria útil é a do estatuto social e não a da classe feminina ou a da sororidade entre as mulheres, implica desprezar a noção de que estas se encaixam confortavelmente numa caixa identitária e passar a considerá-las enquanto um grupo social heterogéneo. Heterogéneo porque congregante de diversos quotidianos, mundividências, experimentações e opressões. As reivindicações feministas devem deixar-se da apologia de uma aura de feminilidade e partir para exigências metaidentitárias.
Quando se fala de cidadania, equidade e justiça social plena, fala-se de pensar políticas palpáveis que possam contribuir no concreto para a resolução das diferentes formas de opressão que cerceiam quotidianamente as vidas dissemelhantes do conjunto do grupo social das mulheres. Não esquecendo que, enquanto se pensa em medidas de discriminação positiva para uma maioria oprimida se deve pensar também em propostas de transformação progressista para o todo da comunidade.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Os patos também twittam


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Bairros da Amadora

Tal como é dito no vídeo que o Nuno Moniz publicou,
[...] jovem, negro, morador destes bairros, isolados, com estas políticas de habitação e estas políticas sociais. Como já disseram, que põem esquadras - não põem postos de saúde, não põem bibliotecas, não põem nada de equipamento social aqui... e que são reservatórios de mão de obra precarizada ou de desempregados.
Não é no País ao lado, é mesmo aqui no Bairro do Casal da Boba, na Amadora, bairro onde decorrereu a acção pelo Kuku.



O Bairro do Casal da Boba foi construído em 2001 para realojar as famílias do bairro de Fontaínhas, e o realojamento foi feito em regime de vendas e arrendamentos de custos controlados (segundo rendimentos do agregado familiar). Esta mistura de famílias de classes diferentes - as que compraram um apartamento e as que arrendam à Câmara - é vista pela CMA com uma boa orientação a ter em realojamentos nos próximos anos, pois permite a diversidade nos moradores do bairro. No entanto, todos os apartamentos de regime de venda encontram-se concentrados nos lotes de entrada do bairro, assim como os principais equipamentos, o que faz com que haja uma aparente falsa mistura.

Também se optou por inserir no bairro equipamentos como biblioteca, serviço de finanças e segurança social, de modo a obrigar os habitantes do Concelho da Amadora a dirigirem-se ali, o que faz com que seja um bairro com vida. O facto de haver várias associações sediadas no bairro em pisos térreos também faz com que as pessoas que se dirigem a elas só o fazem se e quando têm problemas, ao contrário do que aconteceria se esses espaços fossem de comércio.

Este bairro está dotado de uma grande praça onde se realizam alguns eventos culturais, e em que o mobiliário urbano (ainda) se encontra em bom estado. Aliás, este bairro tem pouca ou degradação – típica de bairros sociais – como grafitis e tags, o que seria de esperar dos jovens em fase de afirmação: “este é o meu bairro”. Notei que havia diferença na vivência das duas zonas do bairro, a zona próxima dos acessos, e a “ponta” do bairro: o gueto, o beco.

Mesmo assim este é considerado o "bairro exemplar", é o orgulho da CMAmadora.


Andei por outros Bairros Sociais da Amadora...
[clicar para expandir]



Santa Filomena
Este bairro que começou por ser de génese ilegal (há 14 anos), composto por edifícios de um ou dois pisos em alvenaria e cobertura de zinco, conta agora com cerca de 500 fogos, organizados numa encosta. Como com o realojamento os problemas das habitações são transferidos para a Câmara, e como o bairro não apresenta nenhum risco de desmoronamento, a Câmara Municipal da Amadora optou economicamente por não realojar as famílias, e equipou o bairro com electricidade, água, saneamento, pavimentação e telefone, como uma solução provisória mas que não tem perspectivas de realojamento nos próximos anos. É composto maioritariamente por famílias Cabo-Verdianas (já com nacionalidade portuguesa), de segunda e terceira geração. Os seus moradores, com condições de conforto aceitáveis, já não sonham em lutar por uma melhor vida para sair do bairro. Apesar do mau estado das habitações e da classe baixa que constitui o bairro de Santa Filomena, é engraçado constatar que as antenas parabólicas estão presentes em todas as casas. São territórios silenciosos, não só pela calma que está instalada às 10h30 da manhã – altura em que os seus habitantes ou estão a trabalhar fora do bairro ou estão ainda a dormir – mas também por ser um bairro escondido, de génese ilegal, onde só vai lá quem habita. A sua localização, e a falta de equipamentos e de comércio não fazem dele um território de passagem, e por isso a vida deste bairro resume-se às pessoas que nele habitam. Tem uma escola no meio do bairro, o que faz com que haja crianças que aos 9 anos nunca tenham saído do bairro, e nunca tenham visto outra realidade. Estivémos no Espaço Jovem, do Projecto Escolhas, onde foi possível ficar a conhecer os problemas do bairro e dos seus habitantes, por parte dos responsáveis do Espaço e da Técnica da CMA. Quando abandonámos o bairro, a única saída/entrada já estava a ser controlada por um grupo de jovens, que provavelmente seguiram pelo abandono escolar – muito frequente neste bairro.


Casal do Silva
No bairro de Casal do Silva é possível encontrar três tipos de construção: em cooperativa (com cerca de 15 anos), dispersos (2003) e realojamento (2006). Os lotes de realojamento são todos habitados por famílias de etnia cigana, que assim que se instalaram encheram as ruas de estendais, e trouxeram cadeiras e sofás para a entrada dos edifícios e para a praça, que está frequentemente ocupada quando há casamentos ou romarias. Os lotes de construção dispersa encontram-se surpreendentemente bem integrados no bairro, pela sua arquitectura muito semelhante à previamente existente. Uma coabitação forçada entre os moradores de etnia cigana e os moradores dos lotes de cooperativa, que se queixam dos problemas que os primeiros causam neste bairro de 284 fogos. É impressionante a diferença do estado de conservação dos lotes de cooperativa dos de realojamento. Os primeiros pareciam não ter mais de 3 anos, e os segundos, já muito degradados, com portas partidas e pinturas nas paredes, pareciam tem pelo menos 10 anos. Havia vestígios de um equipamento (campo multi-jogos?) no meio da praça, mas que foi todo destruído. Incomparável o estado deste bairro com o do Casal da Boba. Ainda de manhã era possível sentir a vivência dos moradores na praça e nos cafés, que na sua maioria são [tecnicamente] desempregados.


Brandoa
A Brandoa começou por ser um bairro clandestino, o primeiro de construção em altura em Portugal nas décadas de 60 e 70. Os seus primeiros moradores eram de origem alentejana, e ainda hoje lá habitam com segundas e terceiras gerações. Há uma nítida noção de vizinhança e de simpatia no bairro, e quem lá mora gosta de lá morar. Talvez devido a ser um bairro já com uma certa idade, o pequeno comércio está enraizado e os seus cafés estão sempre frequentados. Pela sua integração na malha da Amadora, não tem ar de bairro social.


Casal da Mina
Este bairro foi construído em 2005 como objectivo de realojar os moradores da Azinhaga dos Bezouros. É um bairro social de 700 fogos, constituídos maioritariamente por famílias Africanas. Quando se fez a distribuição dos fogos, a Câmara não se apercebeu que estava a meter no mesmo bairro gangs rivais… É um bairro onde há bastante tráfico de armas e de mulheres, porém aparentemente era bastante calmo, de manhã. Dada a sua dimensão, está bem servido de transportes públicos que circulam mesmo dentro do bairro, não se limitado a ter uma paragem à sua entrada, como nos outros bairros sociais anteriores. Talvez devido às etnias que o habitam, os moradores ocuparam um terreno para uma horta para consumo próprio. A construção de um mega-centro-comercial mesmo ao lado do bairro, trará muita oferta de emprego para os seus moradores, e irá fazer com que haja mais pessoas de fora a viverem este bairro.


Fiquei com uma visão geral do que não se deve fazer nalguns casos de realojamento, e a percepção de como o urbanismo pode ser tão importante nas relações sociais dos habitantes, e ao mesmo tempo ser uma ferramenta de intervenção na melhoria da qualidade de vida.

Safa-te Sócrates S.A.

Já se sabia que esta crise foi ouro sobre azul para o Governo:

1. Permite misturar a crise de emprego e crescimento que já vinha de trás com a crise financeira, permitindo chutar as responsabilidade para outros cantos da Europa e do Mundo.

2. Permite justificar medidas populares (e o seu carácter temporário?) em ano de eleições, protegendo o Governo das acusações de eleitoralismo.

3. Permite atirar as responsabilidades da política económica nacional e internacional para a direita, como se o PS tivesse andado a remar contra a maré.

Raptado aos Ladrões (José Guilherme Gusmão)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Sobre Obama (sobre nós)

A onda de boa vontade, o excitamento voyeurista da comunicação social, os cães d'água, os Souzas com z... tudo isto cria apreensão. Existe de facto uma redução da política aos seus elementos mais básicos, ao espectáculo, à encarnação do mito (de Lincoln a Marthin Luther King), à boa governação entendida como oposta à política. E estamos a assistir a uma demissão da comunicação social internacional e nacional. Um sufoco intelectual suportável apenas porque, apesar de tudo, é Obama quem é presidente, não Bush. É esta psique provinciana da nossa Europa que ficou bem patente nas festividades bye bye Bush. Já era altura de crescermos um pouco. 

E digo mais...


«We are a nation of Christians, Muslims, Jews and Hindus - And non-belivers.»
discurso inaugural de Obama

Feminismos (I)



Aproveitando a deixa sobre a Virgínia Woolf, fiquei com vontade de deixar aqui algumas notas sobre os feminismos.

Como diz Bourdieu a visão androcêntrica impõe-se como neutra e não precisa de se enunciar em discursos visando legitimá-la, quer isto dizer que o sexismo está tão intrincado no quotidiano que a primeira função dos feminismos tem se ser a da desconstrução da ordem simbólica dominante.
No sentido da denúncia das opressões, que são flagrantes e não minimais, e dos motivos que provocam essas opressões, que são premeditados e oportunistas. Ainda que o patriarcado não seja filho do capitalismo, a verdade é que o capitalismo sempre precisou da exploração das mulheres para sobreviver e para prosperar, por isso o combate feminista pela emancipação das mulheres condiz com a reivindicação de uma sociedade onde democracia social e económica seja real.
Se tradição e sexismo combinam bem juntos, reinvenção e feminismos também têm que rimar. Eu acho que o que faz falta hoje em dia é um feminismo de tipo novo, engendrado por novos actores com renovadas práticas e outras exigências.

"Ismos"...

No geral as pessoas torcem o nariz com a palavra "Feminismo”. Quase tanto como quando falamos em “Socialismo”.
Estive a pensar no número de mulheres com protagonismo, hoje, a falar sobre a crise financeira, sobre a Palestina ou as eleições americanas. Não há muitas.
Não quando comparamos com o número de homens que o fazem.
E não estou aqui a falar das mais visíveis e chocantes violações de direitos humanos. Não falo na violência contra as mulheres, nos assassinatos e na exploração. Não porque não seja importante, mas porque quero falar de outra coisa agora.
O acesso, por parte das mulheres, a cargos de relevo e com visibilidade ainda é muito reduzido, demasiado reduzido numa sociedade que diz ter ultrapassado questões como o sexismo.
As mulheres continuam, no seu processo de “ascensão” social e profissional, a ter que abdicar de muitas outras coisas também importantes. Continuam a ter que assumir e adoptar modelos de comportamento que são claramente masculinos em ordem a serem respeitadas e valorizadas em certos cargos.
Às vezes tenho a sensação que continuamos a ter que lutar contra (dentro de?) uma sociedade profundamente patriarcal que nos preferiria (se pudesse) domésticas, mães e prestadoras de cuidados sociais básicos.
Querem-nos convencer de que não há discriminação nem lugar para reivindicações, do mesmo modo que procuram fazer-nos crer que a luta de classes já não faz sentido, está ultrapassada.
Mas faz. E os “ismos”, embora assustem e pareçam ultrapassados, se formos ver bem, ainda fazem todo sentido. Estes “ismos” lutam contra poderes instalados e formas de opressão que tiveram a capacidade de se “estabelecer” de tal forma que quase acreditamos que não estão lá.

Li um livro: “Um quarto que seja seu”, Virgina Woolf, 1978, Editorial Veja.
Fala do modo como a inexistência de um espaço próprio, que seja só seu, levou as mulheres ao longo dos séculos a permanecer longe de qualquer tipo de protagonismo e reconhecimento. Recomendo!




A onda, a vaga e a maré




Várias faculdades do Reino Unido estão a ser ocupadas por estudantes em solidariedade com Gaza. A School of Oriental and African Studies, a London School of Economics, o King’s College London, e as universidades de Birmingham, Essex e Sussex.

As reivindicações variam de local para local, mas todas exigem que as respectivas faculdades assumam uma posição pública contra a ofensiva israelita; acolham estudantes palestinianos e lhes garantam bolsas de estudo; enviem material não utilizado para escolas e universidades Palestinianas; abandonem imediatamente projectos de investigação relacionados com a indústria de armamento; deixem de comprar produtos israelitas. O King's College London lançou uma petição para revogar o doutoramento honoris causa a Shimon Peres.
São protestos que se definem como não violentos e inclusivos, cujas decisões são tomadas em assembleia e que têm um "código de conduta" assente na não discriminação e na liberdade de expressão.

São estudantes que reivindicam a Universidade como espaço de crítica e de transformação, tal como os estudantes franceses, italianos, gregos, espanhóis têm feito nos últimos tempos.

Somos os jovens que cresceram com Seattle, Génova, Afeganistão e Iraque, com Porto Alegre. E temos a certeza que um outro mundo é possível.

Ver mais aqui, aqui, aqui e aqui.

O título foi roubado a um artigo de Serge Quadruppani no Le Monde Diplomatique deste mês sobre protestos estudantis que vale a pena ler.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Elson Sanches, 'Kuku'



Não é no País ao lado.

Protegendo os interesses do país


No seguimento do post do Nuno: na moção que Sócrates vai apresentar ao congresso do PS, defenderá o fim dos off-shores a nível internacional.


Já por cá, é certo que a concessão ao off-shore da Madeira será renovada em 2011. O ministro Augusto Santos Silva esclarece a aparente contradição: "se só fechasse o offshore da Madeira, Portugal ficaria prejudicado em relação aos outros países".


Sócrates é coerente, protege os negócios.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Proteger quem?



"Proteger o País."
"Proteger as Famílias."
"Proteger as Empresas."

Uau. Clique para descobrir de onde vem a brilhante ideia.

(Via Arrastão)

E se ele se chamasse Jeremias?

No dia em que em que Barak Obama se torna o primeiro to get a black ass into the white house (desculpem, não resisti), deixo-vos um vídeo lançado pelo CRAN (Le Conseil Représentatif des Associations Noires), feito para provar que a excepção faz mesmo a regra.
Para este protesto youtubico, o CRAN baseia-se num
estudo do Instituto CSA sobre "As minorias visíveis e os controlos de identidade" em França.


Farwell and goodbye

Admito que vai ser de dificil repetição...

para as miúdas do blog escolherem


Não resisti ... até por que menina que é menina, de vez em quando descansa da política, o que lhe dá mais tempo e mais graça para depois voltar e a pensar muito melhor!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Adeus Bush!


Em várias cidades do mundo comemora-se a saída de G. W. Bush com festa de arromba.

Por cá, que eu saiba, só há no Porto, hoje em frente à Câmara Municipal.


Estaremos lá virtuamente.

Aparece, Desaparece.

O Menino Jesus do PS (leia-se Sr. (dizem) Eng. José Socrates) tem umas piadas giras.
E não é estranho nenhum na arte de aliciar votos. "Ah grande socialista!"

Comecemos com: Lisboa, 24 Set (Lusa) - O primeiro-ministro, José Sócrates, recusou hoje uma alteração à lei para permitir o casamento entre homossexuais, em discussão no Parlamento em Outubro, afirmando que não está na agenda política nem do Governo nem do PS.

Espera...

Sócrates quer maioria absoluta, promete referendo à regionalização e defende casamento homossexual

Ora aí está!
Isto é que é ser sério.
Isto é que é ser íntegro.
Isto é que é ser coerente!

Pensava, inocentemente, que o trabalho do PS, e qualquer outro, como Governo deveria, em causas ou situações que têm legitimidade e razão do seu lado, não invocar a sua linha de trabalho (Programa do Governo. Sim, aquele que foi muito cumprido) como desculpa para um adiamento glorioso de 5 meses.
Ah! "...o PS não anda a reboque de nenhum outro partido..."
Desculpe. A legitimidade e razão tem de partir do seu querido seio.
Tá certo.

O número de homossexuais em Portugal assedia-lhe os olhos?
Desculpe dizer, mas acho que não é assim que conseguirá compensar os votos de professores que perdeu.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Quem nos protege da Polícia ?

[polícia.JPG]

Na passada 6ª feira, no centro de Almada, várias pessoas foram agredidas pela polícia durante uma acção de reclamação da "zona pedonal" para os peões, contra a circulação automóvel no mesmo local.


Violência policial na celebração da zona pedonal de Almada
(clicar para expandir comunicado do GAIA...)

Na 6ª feira, 16 de Janeiro, decorreu uma celebração na praça do MFA, no centro da zona pedonal de Almada, cujo objectivo era reclamar a zona pedonal para os peões (visto que ela é todos os dias atravessada por centenas de carros, autocarros, taxis, tornando-a, talvez, na "zona pedonal" menos pedonal do mundo...). Uma iniciativa pacífica, de festa e celebração, com jogos com crianças, lanche, distribuição de informação, música e sobretudo muita festa.

Por volta das 18h, a banda Ritmos de Resistência estava já a tocar há algum tempo, andando pela zona pedonal, incomodando (assim como os carros incomodam as pessoas numa zona pedonal) mas não bloqueando o trânsito. Um grupo de polícias veio a correr na nossa direcção, empurrando violentamente várias pessoas da banda. Agarraram então uma rapariga que estava com a sua filha bebé ao colo e empurraram-na bruscamente da frente de um carro. Um dos polícias ameaçou a rapariga dizendo-lhe "se não sais do meio da rua, bato no teu bebé".

Logo imediatamente a polícia reparou que havia uma pessoa com uma máquina de filmar perto da rapariga e foi-lhe tentar apreender a máquina, ao que essa pessoa, pacificamente, se recusou, pois não estava a perceber para que os agentes queriam o filme. Perante isto pediram-lhe a identificação ao que ele respondeu que o faria apenas depois de o polícia também se identificar (pois nenhum dos agentes presentes tinha identificação). A partir daí a actuação da polícia tornou-se mais violenta e as respostas eram invariavelmente do tipo "eu dou-te a minha identificação, o caralho" ou "se me continuas a pedir a identificação levo-te detido". Várias pessoas foram mandadas ao chão e a pessoa que estavam a tentar identificar foi imobilizada por 4 ou 5 agentes de uma forma completamente desproporcionada. Uma pessoa que estava a tirar fotos da agressão foi então agredida por um polícia que lhe tentou tirar a máquina fotográfica, mandando-a ao chão, e que quase lhe partiu um dedo. Várias pessoas foram obrigadas a apagar as fotos que tinham da actuação policial.

Outra pessoa, ao aproximar-se da situação, foi socada na barriga por um agente. Ao mostrar a sua indignação foi ameaçado fisicamente: "dei-te uma e volto-te a dar, filho da puta". Ao que levou outro murro e o agente ainda acrescentou "se eu não estivesse fardado já te tinha fodido todo". Essa pessoa caiu então por cima da que estava a ser detida e o grupo de polícias começou a dar bastonadas de uma forma extremamente violenta. Nesta confusão outro jovem aproximou-se e levou uma bastonada na cabeça, ficando a jorrar sangue. Uma senhora que se encontrava a ver toda esta situação (juntamente com muitas outras pessoas que entretanto se tinham juntado) foi também empurrada por um agente e caiu ao chão, tendo batido com a cabeça. Um agente à paisana que entretanto tinha tirado o distintivo aproximou-se de algumas pessoas da banda e disse para um dos seus elementos "eu sou psp, voltas-te a meter com os meus colegas e eu faço-te a folha, filho da puta".

Já na esquadra as agressões continuaram quando as pessoas tentaram saber das pessoas que tinham sido detidas. E só aí, e com a presença do advogado, é que foi possível obter a identificação de alguns dos agentes envolvidos. O balanço desta festa/celebração foi: muita animação, convívio e festa mais três feridos e dois detidos.

Consideramos toda a acção da polícia completamente desproporcionada e desnecessariamente violenta. Foi chocante o clima de impunidade em que vive a polícia. Quando se informaram os agentes de que seria apresentada queixa pelo seu comportamento as respostas foram risos e gozo.

Para lutar contra a violência policial e para continuar a exigir uma verdadeira zona pedonal no centro de Almada, no próximo dia 23 de Janeiro, às 16h, lá estaremos, de novo, a defender um espaço que deve ser de todos os cidadãos...
[Fonte]

Já tinham surgido dois outros casos mediáticos de repressão policial violenta - o incidente da Rua do Carmo em 2007 e no despejo do Grémio Lisbonense em 2008.
A Polícia anda-se a passar! Bate por tudo e por nada. Devia ter mais calminha... É escandalosa a tentativa da polícia eliminar qualquer registo fotográfico do acontecimento, como pode ser descrito nos relatos do que se passou na celebração do Espaço Público em Almada, vale a pena ler aqui, aqui, aqui, aqui.

“É assustador pensar que em Portugal se atacam peões para defender automobilistas numa zona pedonal.

Portas - o pai ambulante

O Congresso do CDS tem destas coisas.

Filipe Anacoreta Correia comparou hoje o partido a uma família com "
um pai cheio de qualidades e com projectos sucessivos, que muda de terra em terra e leva a família atrás. Esta, segue-o, primeiro com entusiasmo, mas no fim com resignação, e acaba por ser uma família desestruturada e desenraizada".

O que é que se faz? Retira-se-lhe a custódia? Passa-se à mãe Manuela?

Vemo-nos gregos

Os Precários Inflexíveis à conversa com Manuel Carvalho da Silva, Rui Tavares, Zé Soeiro e João Romão.



"A nossa vida não é o que nos anunciaram: os empregos escasseiam e não duram, as qualificações escolares não garantem o acesso a um mercado de trabalho cada vez mais selvagem, os serviços são cada vez menos públicos, o futuro é incerto e o presente cheio de dúvidas.

Esta é a primeira geração condenada a viver pior do que os seus pais, desenquadrada de estruturas representativas dos seus interesses difusos e incertos, cada vez mais desconfiada das burocracias partidárias e nomenclaturas administrativas.

Dos protestos que a geração-precária está a protagonizar na Grécia, interessa-nos discutir as condições sociais que levaram à revolta e as suas formas de organização."


Quinta-feira às 21h n'A Barraca.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Paulo Portas é de todos (II)


Ouvi a intervenção de Paulo Portas no congresso do CDS-PP. Nada de novo. Quer ser governo, quer libertar Portugal da inércia do bloco central, e quer libertar Portugal do socialismo (afinal já cá o temos, nós é que ainda não demos por ele).


"They're not simply war criminals, they're fools"



via Arrastão

Tesourinhos deprimentes ::: PSD


Ferreira Leite é incapaz de conseguir boa cobertura jornalística. A primeira página de hoje no Público apresenta uma fotografia de um comício do PSD com o título "Líder acusa governo de fazer queixinhas a Espanha sobre o TGV". Já estamos habituados a estes momentos inspirados de Ferreira Leite, mas continua a ser deprimente ler sobre o maior partido da oposição. Segundo a notícia do Público, num comício do PSD, Ferreira Leite acusou a Lusa de se deixar manipular pelo governo, e a prova seria uma viagem efectuada por um jornalista a Espanha para entrevistar líderes do PSOE sobre a decisão de Ferreira Leite em acabar com o TGV caso esta ganhasse as legislativas.

Se o jornalista o devia ter feito ou não pouco interessa (embora ache perfeitamente legítimo). Incompreensível é Ferreira Leite achar que este acontecimento merece ser apresentado pela líder do maior partido da oposição. Não tem mais nada em que falar?  

Citigroup / 2



Citigroup separa-se em duas novas empresas após apresentar prejuízos avultadíssimos

É verdade.
Os nossos amigos que estão em todos os centros comerciais a vender o bacalhau de maior qualidade (dizem eles), estão mal de finanças.
No somatório, totalizou-se 14,1 mil milhões de euros de prejuízo no ano passado. Tal facto levou a que a Citigroup tomasse a decisão de separar os activos saudáveis (Citicorp) dos activos de risco (Citi Holding).
Esta é uma boa imagem a reter. Separar aquilo que é saudável, daquilo que é de risco.
Além de uma boa imagem, é uma boa lição a reter. Principalmente para os bancos que andaram a acariciar a parte saudável para jogar no risco. O risco ganhou, e cá, perdemos nós que temos de socializar as despesas de alguns bancos.
Agora, tenham cuidado ao ir a centros comerciais. 
Às tantas param de ser tão selectivos! Cuidado com o "dinheiro de colchão".
Mal posso esperar que venham falar comigo. Faço questão de doar um euro ao pobre Citigroup e oferecer um caldo verde num tasco perto.

Acho que o guarda-chuva do logo é elucidatório.
"Abriga-te! A chuva vem aí!".

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Não estamos sozinhos?

Descobriu-se que em Marte há concentrações elevadas de metano e vapor de água durante o Verão. Pensa-se que o metano pode estar a ser produzido por bactérias.



Não é uma companhia tão simpática como estes, mas é uma companhia, apesar de tudo.

Esta é definição que vem na Wikipédia,


"A Faixa de Gaza é um território situado no Médio Oriente limitado a norte e a leste por Israel e a sul pelo Egito. É o território mais densamente povoado do planeta, com 1,4 milhão de habitantes para uma área de 360 km². A designação "Faixa de Gaza" deriva do nome da sua principal cidade, Gaza.
Atualmente a Faixa de Gaza não é reconhecida internacionalmente como pertencente a um país soberano. O espaço aéreo e o acesso marítimo à Faixa de Gaza são atualmente controlados pelo Estado de Israel, que ocupou militarmente o território entre junho de 1967 e agosto de 2005. A jurisdição é por sua vez exercida pela Autoridade Nacional Palestina."


Aqui falta 2009 e não será feliz o que haverá para contar.
Não é só um território nem a sua extensão, não é só um problema por resolver é já uma tragédia e isso não se quantifica e é indefinível.
Aprendeu-se muito pouco com o Séc. XX onde supostamente se teria passado toda a barbárie, mais grave, as grandes vitimas desse século passado são hoje os terroristas e parece que há sempre cuidado em dizer isto, não se pode ser herdeiro eterno de uma história, muito menos se não se aprender a respeitar essas memória, a única maneira de respeito aqui é saber que matar é ser-se assassino e não o desculpa já ter sido vitima, antes pelo contrário.

É hoje

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

1000


É o número de palestinianos mortos desde que Israel começou a ofensiva contra a Faixa de Gaza. Segundo a UNICEF, mais de 300 são crianças.

Ontem, Olmert vangloriou-se de ter forçado os EUA a votar contra a resolução da ONU que pedia o cessar-fogo.

Quem é terrorista, afinal?

A imagem é do
Palestinian Mothers, que vale a pena consultar.

A Igreja saiu à rua num dia assim.


Cardeal patriarca alerta portuguesas para riscos de casamentos com muçulmanos (in Publico)

“Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam.”

Então, o "nosso" Cardeal Patriarca de Lisboa (AKA Defensor das Virgens Lusitanas) adverte que as nossas portuguesas podem estar a meter-se em "montes de sarilhos" ao casarem com muçulmanos.
Ora aqui está o verdadeiro espírito religioso. Juntar povos. ("Sarcasm, join in")

Disse ainda que “se eu sei que uma jovem europeia de formação cristã, a primeira vez que vai para o país deles é sujeita ao regime das mulheres muçulmanas, imagine-se lá” e que “só é possível dialogar com quem quer dialogar, por exemplo com os nossos irmãos muçulmanos o diálogo é muito difícil”.

Bem, tentando ser sucinto, este senhor é o verdadeiro exemplo do porquê de cada vez mais pessoas abandonarem a querida Igreja.
Para já, a subtil (nada) manipulação de massas através das suas crenças religiosas é algo que me faz sentir liquidos suspeitos demasiado perto da boca.
Sinto pena que a Igreja Católica tenha esgotado todas as suas máquinas de propaganda não se tendo lembrado que provavelmente a melhor seria "Ame ao seu próximo como se fosse você".
Este tipo de declarações vêm aumentar ainda mais o estigma de quem não tem contacto com outras religiões, e já detem por si suspeitas infundadas.
Em "montes de sarilhos" não é preciso casar com muçulmanos. Basta casar com um cristão fundamentalista como muitos que lhe visitam Sr. Cardeal.
É triste que no lugar de um discurso de convergência de pessoas, tenhamos um discurso suspeito e (desculpem a audácia) racista.
Que raio de experiência tem este senhor para poder fazer uma declaração destas? Ele nem relações amorosas com pessoas de qualquer sexo tem!
Não tem nenhuma legitimidade para se meter na vida das pessoas e ainda por cima, usar a religião para impingir (ainda mais?) certos estigmas.
Ainda mais, diz esta frase muito bonita do "montes de sarilhos" baseado em histórias de mulheres cristãs que vão a países muçulmanos e são sujeitas ao regime desses países.
Mais tenho a pedir que, se alguém tiver alguma notícia ou relato verídico de alguma mulher que foi a um país muçulmano e foi chicoteada ou morta por não ter véu, que se chegue à frente. Em contra-ponto, se tiverem notícias ou relatos verídicos de mulheres muçulmanas que são alvo de chacota e racismo por usarem véu em Portugal, por favor também não se acanhem.
Em último, diz que o diálogo com muçulmanos é complicado.
Pois, a mim, não me admira! Pelo que consigo denotar do seu discurso, é óbvio que o senhor está no poleiro, e é incapaz de dialogar abertamente com outra religião porque a crítica que lhes faz, pode ser feita a si também. Cada um julga ter mais razão que o outro.

Por último, e agora é de vez, o nosso Cardeal ainda teve tempo para contradizer em substância tudo o que disse antes pedindo respeito e conhecimento para com a religião muçulmana.
Acho um tanto ou quanto complicado, depois de dizer que maridos muçulmanos são um monte de trabalhos, pedir respeito e conhecimento.
Tenho a impressão que respeito, o Sr. não tem muito. E respeito por si, perdeu bastante.

Cumprimentos.