terça-feira, 31 de março de 2009

Global Progressive Fórum


Começa depois de amanha o Global Progressive Forum, iniciativa conjunta da família socialista, social-democrata e trabalhista europeia (Internacional Socialista [IS], Partido dos Socialistas Europeu [PES], Fundação para os Estudos Europeus Progressistas [FEPS] e Grupo Parlamentar do Partido Socialista Europeu no Parlamento Europeu).
Esta iniciativa, que pretende promover o debate sobre os grandes temas da agenda progressista contemporânea, tem passado ao lado da agenda das gentes pensantes locais, que se mostram mais interessadas em debater e discutir se a ópera (ou não) do CCB deveria ter começado mais cedo. Imagino que a importância de tal episódio do CCB seja realmente elevada. Afinal, quando não há oposição, inventa-se. Adiante.
Este fórum terá treze workshops e três sessões plenárias, cobrindo temas como as alterações climáticas, a pobreza mundial, os direitos das mulheres, globalização e migrações, da fome ou do trabalho, para destacar algumas.
No entanto, e se me permitirem, queria destacar duas sessões. Uma relativa às questões da nova governança mundial (esta com a presença da Maria João Rodrigues) e principalmente a sessão inaugural do Fórum, sobre uma globalização progressista (que contará com a presença de Bill Clinton, Poul Nyrup Rasmussen, Josep Borrell, Martin Shulz, Juan Somavia e Sharan Burrow).
O site do GPF transmitirá o Fórum em directo, e haverá liveblogging e twitting de bloggers convidados (Tiago, desculpa) e de agentes institucionais (PES, Grupo Parlamentar do PES).
Esta é uma verdadeira oportunidade de seguir alguns dos debates que marcam a agenda progressista europeia (e mundial). É um debate necessariamente incompleto, mas que tem a virtude de congregar os principais actores e instituições que hoje moldam a nossa contemporaneidade política.
Este Fórum também oferece a ocasião de conhecer o trabalho da família socialista, social-democrata e trabalhista europeia (e mundial), e de perceber que a verdadeira alternativa progressista ao estado do mundo actual está ali. Não numa qualquer renovação neo-liberal ou neo-capitalista, não na esquerda radical anti-patronato ou na direita neo-autoritária; mas nas novas leituras da social-democracia contemporânea.

estado de graça

Acho extraordinário que o José Sócrates ainda esteja, depois de quatro anos duros de governação, em algum «estado de graça». E, pelo que leio por aqui parece ser essa a leitura do «episódio CCB» (ver Adolfo Mesquita Nunes e Pedro Picoito, por exemplo).
Bom, a ser assim há que congratular o Primeiro-ministro. Decerto será inédito, mesmo a nível europeu – eu arriscaria – verificar que um Primeiro-ministro em exercício consiga chegar ao inicio do seu quarto ano de governação ainda em estado de graça… Olhem que nem o Obama conseguirá tal feito.

Também acho realmente extraordinário que se junte este fait divers ao do cigarro da Venezuela (quando é que foi mesmo?). Será este verdadeiramente o estado da oposição política hoje em Portugal? Ópera & Cigarros. É disto que se ocupam os comentadores atentos da nossa praça?
E o que é que fazem com o resto do tempo?

Ocupação da Faculdade de Belas Artes do Porto


Foi votado por maioria em Assembleia de Alunos a ocupação da Faculdade de Belas Artes do Porto por esta noite.

Esta acção insere-se na luta que começou no dia 24 de Março com uma manifestação e invasão da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a criação do Movimento "24 de Março" que conta com estudantes de várias universidades dentro e fora da UP.
Tendo planeado outro protesto para o dia de amanhã, dia 1 de Abril conhecido como o dia das petas ou mentiras, em frente à Reitoria da Universidade do Porto com o tema "Mentira do dia: Acção Social", os alunos decidiram ocupar pacificamente a FBAUP para organizar a manifestação, produzir materiais e também discutir a situação estudantil e do país.

As reinvidicações :

1) A título urgente e de forma excepcional, suspender a cobrança de propinas a estudantes cuja continuidade da frequência do ensino superior se encontre em risco, dada a conjuntura socio-económica;

2) A constituição imediata de uma comissão paritária (estudantes e docentes) empossada pelo Conselho Directivo que tenha como missão proceder à identificação dos principais problemas levantados com a aplicação do Processo de Bolonha e a consequente formulação de um conjunto de propostas para a operacionalização ao nível administrativo, lectivo e pedagógico dos principais bloqueios que vêm sendo denunciados pela comunidade académica;

3) Acautelamento, por via de um requerimento ao Conselho Directivo da Reitoria da UP, da não diminuição da representação relativa dos estudantes nos órgãos de decisão das Faculdades e da Universidade;

4) Tendo em conta que vários estudantes são obrigados a pagar valores elevados pela frequência de poucas cadeiras, propomos que o pagamento das propinas seja efectuado em relação ao valor dos créditos das cadeiras em que o aluno está inscrito no respectivo ano lectivo (sendo aceite um pequeno valor de base para despesas de funcionamento geral);

5) A concessão de entrevistas, da parte dos Serviços de Acção Social da Universidade do Porto, destubadas a avaliar casos de estudantes em situações de precariedade financeira, tendo em vista a atribuição de vales ded refeição nas cantinas dos SASUP, nos casos em que se justifique.

Podem ir seguindo a evolução em Ocupação da FBAUP

novo espaço

Meus caros, muitos já sabem, mas deixo aqui o anuncio oficial:
Este projecto, que conta com mais de 40 bloggers, de todos os quadrantes políticos, vai procurar acompanhar, debater e criticar, com liberdade, este ano eleitoral. Pelo conjunto de colaboradores que conseguiram juntar, estão de parabéns os coordenadores do projecto. Vai ser bem divertido, estou certo (aliás, já está a ser...).
(esta casa terá dois colaboradores neste projecto: a Natasha Nunes e eu próprio)

CRISE, EUROPA E O G-20


1 de Abril, 4ª-Feira, 18H
Casa do Alentejo | R. Portas de Sto. Antão

Com a participação de:
Miguel Portas
Fernando Rosas
José Goulão
Pezarat Correia

Devaneios bigbrotherianos


Ontem recebi um e-mail da minha faculdade (FCUL), avisando-me que a partir de agora todos os espaços da faculdade, incluindo bibliotecas, só vão estar acessíveis através de um cartão do BES que nos "obrigaram" a tirar há cerca de um mês atrás. A mensagem esclarece que por agora este regime só funciona à noite e aos fins de semana, mas que o objectivo é no futuro todos os espaços da faculdade estarem vedados a quem não tem o dito cartão 24h/dia, todos os dias do ano.

A direcção justifica esta medida com uma «vaga de furtos formigueiros que se vem registando quotidianamente». Para quem passa o dia na faculdade, das 8h às 20h esta vaga não deveria passar despercebida, tudo na faculdade de sabe. Incrivelmente, ainda não ouvi uma única vez falar de um roubo, muito menos de uma vaga. Já fiquei sem algumas pens, mas isto porque as esqueço nos computadores. Não me parece que a isto se possa chamar uma vaga de roubos. É a esquizofrenia total de uma direcção a cair aos bocados, que está em gestão corrente e devia era estar quieta.

Acho inadmissível que se possa assim fechar totalmente uma faculdade a todos aqueles que frequentam aquele espaço, quer porque convivem com colegas, quer porque querem aproveitar os recursos da faculdade, nomeadamente as bibliotecas. Sendo a FCUL uma instituição universitária PÚBLICA, deveria ser acessível a toda a gente e aberta a todos os que procuram aprender mais alguma coisa. Isto é que é uma universidade ligada à comunidade e preocupada mais em transmitir o conhecimento e contribuir para a formação de cidadãos. O contrário é uma faculdade-clube-caviar onde só entra quem lutou o suficiente para obter o cartãozinho mágico. Depois do argumentário da abertura à sociedade com que nos tentaram vender o RJIES, apanhamos as direcções a fechar as faculdades, cartão electrónico, sensor de impressões digitais, leitor de retina, muros à volta. Mais depressa se apanha um mentiroso...

Além disso, há ainda um pormenor que é relevante nesta história toda. Nos últimos anos as faculdades começaram a delegar em instituições bancárias o tratamento dos cartões dos alunos. Primeiro a CGD, depois todos - na FCUL a parceria é com o BES. No entanto, até agora eu sempre tive a oportunidade de obter um cartão de estudante sem publicidade. Claro que era precisa alguma perícia para escapar - primeiro aguentar a comichão de ser obrigada a ir a um balcão do BES instalado no meio da faculdade para ir pedir o cartão; depois insistir várias vezes com as meninas de que não, não queria abrir uma conta no BES apesar de todos os benefícios magníficos para estudantes; dizer que não ia preencher o formulário do BES com os meus dados porque a FCUL já os tinha e não, não quero receber informações vossas e, finalmente, descobrir o quadradinho pequenino, a seguir a uma lista interminável de tipos de cartão multibanco, que dizia "apenas cartão de identificação".
Agora, a faculdade resolveu o problema por mim, "obrigou" toda a gente a ir buscar um cartão de acesso à faculdade que já traz o logo do BES bem grande na parte da frente.

Quem não quiser cartãozinho também não entra na FCUL - que a partir de agora se pode passar a chamar faculdade-clube-BES.
Vou hoje preencher o livro de reclamações.

Não vamos ficar calados e isto não há de ficar por aqui...

Pais ao barulho. Piada.


Petição quer exigir aos pais responsabilidade na educação escolar dos filhos com punição legal

"A responsabilização dos pais e encarregados de educação pelo comportamento escolar dos seus educandos, pelas suas ausências à escola e consequente insucesso exige mudanças legislativas que efectivamente transformem a escolaridade obrigatória numa obrigação familiar com penalizações reais aos incumpridores"

Esta é a brincadeira do "Educar para a democracia" ou "Educar em democracia", transposta para um papel.
Acho isto, sinceramente, uma brincadeira de mau gosto.
Responsabilidade era analisarem o porquê do papel da escola não ser cumprido.
Porque é que a escola não é um espaço de inclusão?
Porque é que a escola não é um espaço de pensamento crítico?
Porque é que não se consegue chegar aos alunos mais problemáticos?
É a desresponsabilizar o aluno e a responsabilizar os pais que lá chegamos? Ou é fazendo um verdadeiro trabalho de inclusão e de pedagogia?
Brinquemos com as palavras que fica bem.
Querem responsabilizar os pais? Força. Eu quero as escolas a serem responsabilizadas por todo o jovem que não está na escola porque a estrutura foi incapaz de o manter lá num ambiente propício ao ensino e a viver EM (não, para a) democracia.

Às vezes parece que não é propositada esta ideia de transformar a Escola numa prisão de valores e atitudes e os alunos em recipientes acríticos que se caga e mija, perdão, defeca e urina, matéria lá para dentro.
"Sarcasm. Join in."

Antes de tentarem resolver os problemas de absentismo e violência, tentem trabalhar aquela parte supostamente importante da pedagogia. Talvez algo de bom advenha disso.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Onde é que eu tinha a minha cabeça?


Isaltino Morais diz hoje que nunca lhe «passou pela cabeça» que tinha de declarar uma conta bancária na Suiça.
Que coisa, ninguém acredita que o pobre Isaltino andava com mais coisas em que pensar (e nós podemos imaginar quais) e se esqueceu daquela conta, lá longe, onde se acumulavam os "restos" de donativos para campanhas eleitorais. Que injustiça!

Para a próxima lembra-te, as vitaminas costumam funcionar.

Das muitas famílias


Hoje, o Público traz um bom artigo sobre a adopção e a reprodução medicamente assistida por homossexuais, a propósito da regulamentação desta última no Reino Unido.

Finalmente começa a falar-se disso com seriedade e com argumentos que ultrapassam o puritanismo e a estupidez clerical.

domingo, 29 de março de 2009

crioulo - a ópera e a corte provinciana

Fui ver o Crioulo, uma produção do CCB a que deram a denominação de ópera.
O espectáculo foi uma pura desilusão. Argumento desinteressante, música inócua, aparelho cénico impressionante e profundamente ineficaz. Mas esta produção tinha mais um elemento - a moral politicamente correcta de defesa dos direitos humanos contra a escravatura, aliado a um exotismo sobre a cultura africana digno de tempos coloniais. Os ingredientes certos para impor uma percepção social favorável ao espectáculo (o público aplaudiu efusivamente), algo a que os políticos portugueses aderem com particular facilidade dada a sua ignorância cultural endémica.
A corte política estava toda presente. O primeiro-ministro chegou 30 minutos atrasado e foi vaiado durante uns longos 3 minutos antes do espectáculo começar. Um assunto menor a que o Nuno Pacheco no Público decidiu hoje dedicar metade do seu editorial. Admito que foi engraçado, mas não é material para um editorial. A menos que o editorial do Público na realidade não passe de uma coluna de opinião de segunda.

Tudo isto são sinais do provincianismo português que se recusa a desaparecer, uma das facetas mais detestáveis e deprimentes do nosso Portugal.

sábado, 28 de março de 2009

Earth Hour - às 20h30


Hoje, Lisboa associa-se à Hora do Planeta, a par de mais de mil cidades em 74 países.

Esta iniciativa parte da WWF, e tem como objectivo alertar para que se tomem medidas contra o aquecimento global. Pretende-se que durante 60 minutos se desliguem as luzes e alguns aparelhos eléctricos, entre as 20h30 e as 21h30.

Em Lisboa, o Cristo-Rei assim como a Ponte 25 de Abril, o Palácio de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Padrão das Descobertas, o Castelo de São Jorge, os Paços do Concelho e o Museu da Electricidade vão ficar apenas iluminados pela luz das estrelas. O Centro Cultural de Belém assinala também a Hora do Planeta desligando por 15 minutos as suas luzes.

Será que causa algum impacte, ou é apenas divertido desligar as luzes por uma hora?

Propaganda não chega para combater os fogos


Rui Pereira garantiu ontem que estão disponíveis os meios necessários para o combate aos fogos.

O Ministro fala de «200 bombeiros profissionais, dezenas de equipas de intervenção permanente, 700 membros do Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro da GNR, bombeiros voluntários, meios terrestres e seis helicópteros.». Além disso culpa o clima e as queimadas ilegais pelos últimos fogos. Numa coisa tem razão - é o clima um dos principais responsáveis pelos fogos na Primavera e no Verão.
Mas falha quando acha que bastam dezenas de bombeiros e equipas, helicópteros para resolver o problema dos fogos em Portugal. Se quisesse continuar o raciocínio da análise do clima e relação com os fogos, Rui Pereira chegaria facilmente à conclusão que o baixo número de fogos e a sua dimensão reduzida teve menos a ver com todo o aparato governamental e mais com dois anos de Invernos extremamente secos e Primaveras chuvosas. Se não chove no Inverno, menos plantas nascem, quando a Primavera é húmida, cria-se uma reserva de água no solo que dificulta o crescimento de fogos de grandes dimensões. Quando as duas situações se combinam, nem há material para arder, nem o que há está suficientemente seco para ser rapidamente ateado. Fácil.

No entanto, neste Inverno a situação já não se repetiu, sobretudo em Janeiro que houve precipitação até 175% do "normal". Se a Primavera for mais solarenga do que o habitual (e pelo mês de Março, parece que sim), tudo se conjuga para deitar por terra a propaganda do ministro.

Porque não bastam pensos rápidos, helicópteros para apagar os fogos (e impressionar as miúdas) e outros "meios necessários". O clima é realmente o grande responsável pelos fogos (ou será que nos últimos dois anos os incendiários estiveram a dormir?), como tal são precisas respostas que vão além da minimização dos danos. São precisas medidas de prevenção a sério, que incluem a limpeza das matas e a abertura de clareiras para controlar a evolução das chamas, mas também um ordenamento do território e um planeamento do uso do solo que vejam mais do que os interesses da indústria do papel.


sexta-feira, 27 de março de 2009

De tarde



Cesário Verde pela Kayl.
Parece que nas escolas, apesar de todas as tentativas para nos tornarem Eusébiozinhos, ainda se fazem coisas com piada.

Carros em cima do passeio - cautela!


Movimento lança campanha inédita em Portugal

Os automobilistas que estacionarem em cima do passeio, ou em passadeiras, na cidade de Lisboa, poderão vir a ter que retirar da janela do seu carro um autocolante de protesto, que pede ao infractor que “Não Pense Só No Seu Umbigo” e que “ Respeite os Peões”.

A iniciativa partiu de um grupo de pessoas preocupadas em sensibilizar os automobilistas para que não estacionem em cima dos passeios e passadeiras, danificando o espaço público e obstruindo a livre circulação dos peões, “dificultando a vida em particular a pessoas com cadeiras de rodas, carrinhos de bébé, idosos e outras pessoas de mobilidade reduzida.”
Pretende ainda chamar a atenção para a inércia das autoridades competentes em combater o flagelo do estacionamento selvagem e “garantir aos peões um espaço de circulação digno”.


"Finalmente chegou o substituto do pára-brisas levantado, do pneu esvaziado, do risco na pintura e da pastilha elástica na fechadura (muito old school) através de um autocolante que se espera mais consequente que essas demonstrações de ressaibo pedonal - afinal, os peões sempre tiveram razão mas nunca ninguém ligou a isso." [Bicicleta na Cidade]

Este movimento que ainda vai dar muito que falar...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Benvindo ao Ensino Superior (ou o-total-desrespeito-pelos-direitos-dos-estudantes)


Hoje, pelas 7h30 da manhã já eu ia no metro a caminho da FCUL. Ao meu lado, duas raparigas com sebentas da FFUL comentavam que hoje tinham aulas das 8h às 20h. Ora, acontecia exactamente o mesmo comigo e uma boa parte dos meus colegas da manhã. E sei de muito mais gente que tem horários destes, com ou sem hora de almoço, com ou sem "furos" pelo meio.
Há cerca de 2 dias discutia com uma colega minha o problema da indisciplina nas aulas - é verdade já chegou ao ensino superior. Tentava explicar-lhe que quando se tem 12h de aulas seguidas, sem intervalos e muitas vezes sem hora de almoço, a concentração desce ao nível mais baixo.


É impressionante que isto aconteça num espaço onde se deveria privilegiar a aprendizagem. Mais impressionante é que isto se tenha vindo a tornar prática generalizada. No ano passado, houve várias pessoas a queixarem-se por não ter hora de almoço. Este ano já é um dado adquirido que a hora de almoço é um privilégio. Além disso os espaços de convívio, de preguiça ou de activismo são pura e simplesmente eliminados da vida de qualquer estudante que queira estudar.

O estudante do ensino superior torna-se assim uma espécie de robô sonolento, que voa de aula em aula, e que aproveita os raros furos para fazer trabalhos, sem tempo para questionar, sem tempo para reflectir, sem tempo para digerir o que vai aprendendo, sem tempo para fazer mais nada que não ter aulas - porque aprender, aprende muito pouco. Torna-se assim um futuro empregado bem treinado - se já está habituado a ter aulas das 8h às 20h nem se vai aperceber quando lhe pedirem para dar o jeitinho das horas extraordinárias não pagas, ou quanto tiver de acumular trabalhos porque só um não chega...

É tempo de dizer "deixem-nos estudar".

Parece que a maioria quer mais Estado...



Via Arrastao

Superior do Porto em luta




Na passada terça-feira algumas centenas de estudantes da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) reuniram-se em frente à mesma para protestar contra as propinas, contra o RJIES e contra o Processo de Bolonha, assinalando desta forma o 24 de Março, dia do estudante.

Esta acção decorreu à porta da FLUP e juntou alunos de várias faculdades, descontentes com o rumo do Ensino Superior, mostrando-se contra as propinas, contra o sub-financiamento das instituições, contra o corte de financiamento na Acção Social Escolar que denunciam de ineficaz, contra o Processo de Bolonha e contra o RJIES, mas também por um Ensino Superior Público, Gratuito, de Qualidade e Democrático para todos.

“Bolsas sim, propinas não”, “Estudar é um direito, com os bancos nada feito” e “Hipotequem a banca, não o Ensino” foram algumas das palavras de ordem que ecoaram na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Após a manifestação à porta da Faculdade de Letras, os estudantes continuaram o seu protesto de forma pacifica para o balcão que o banco Santander tem instalado dentro da faculdade, para o bar da faculdade, acabando no anfiteatro exterior a discutir novas acções de luta.

A luta dos estudantes segue já no próximo dia 1 de Abril com uma marcha e concentração em frente à Reitoria da Universidade do Porto, com o objectivo de denunciar publicamente a ineficácia da Acção Social sob o lema “Mentira do dia: Acção Social".

quarta-feira, 25 de março de 2009

Carrilhadas

Na inauguração, ontem, de um auditório municipal em Olhão, o actual ministro da Cultura, Pinto Ribeiro, disse que ainda não tinha lido a carta. "Quando ler o documento, terei muito prazer em discutir, em conversar, em analisar", afirmou. "O que não é bem-vindo é a falsidade, a mentira, a aldrabice, a incompetência, a superficialidade", acrescentou.
Excerto de uma notícia no Público do passado dia 22 de Março, sobre as reacções do actual ministro da cultura às críticas lançadas pelo seu antecessor António Maria Carrilho.

Hoje, novo artigo de opinião de Carrilho no Diário de Notícia. Sem nunca referir ou mencionar o actual ministro da cultura, Carrilho analisa os últimos quatro anos de governação PS com o título "uma legislatura perdida?".
Retiro este parágrafo:
Para já não falar da atonia e da desorientação que têm marcado áreas tão vitais como as do livro e da leitura, do cinema e do audiovisual, em que não se vislumbram, ao nível da tutela do sector, quaisquer opções, orientações ou políticas. A política cultural tornou-se assim cada vez mais invisível, ilegível e incompreensível, ameaçando fazer, dos anos 2005/09, uma legislatura perdida para a cultura.

Ficamos à espera de novas carrilhadas.

coisas das ruas de Lisboa




Em Londres também se ocupam ilhas

A Ravens Island no Thames foi ocupada como alerta para os problemas ambientais que o mundo enfrenta.

A ideia é transformar a ilha num centro de conferências sobre ecologia.

Ver mais aqui.

Comunismo e nacionalismo em Portugal

DEBATE SOBRE O LIVRO




COMUNISMO E NACIONALISMO EM PORTUGAL - POLÍTICA, CULTURA E HISTÓRIA NO SÉCULO XX.

Quinta, 23 de Março, às 19h na livraria Círculo das Letras, em Lisboa

com Miguel Portas, Vítor Dias e o autor do livro, José Neves.


A livraria CÍRCULO DAS LETRAS fica na Rua Augusto Gil, 15 B, na esquina com a Óscar Monteiro Torres (muito perto do Campo Pequeno).


O livro: a história da oposição entre o Partido Comunista Português e o Estado Novo é em parte a história da contradição entre o internacionalismo comunista e o nacionalismo fascista, mas é também a história da oposição entre dois tipos de nacionalismo.
Em Portugal, o nacionalismo comunista consolidou-se no decorrer dos anos 40, com a reorganização do Partido Comunista Português. É a partir da história do PCP que este livro propõe interpretar a relação entre comunismo e nacionalismo.
Ao longo de quatro partes, analisam-se os contributos de dirigentes e intelectuais comunistas para criar o conceito de nação. A primeira parte dedica-se à formação de um discurso político e económico sobre soberania nacional, luta de classes e desenvolvimento económico. A segunda debruça-se sobre a teorização da «questão nacional» no estádio do imperialismo e sobre a relação entre imperialismo e anticolonialismo. Na terceira parte, estão em debate vários procedimentos de invenção de um património cultural nacional, da literatura ao desporto. Finalmente, na quarta parte, são analisadas as interpretações que os historiadores comunistas fazem da história de Portugal.

O trabalho agora editado recebeu o Prémio Victor de Sá de História Contemporânea 2008.


terça-feira, 24 de março de 2009

O outro lado das manifs

O BE reciclou o anúncio revoltante da Antena 1, que entretanto foi retirado depois de uma chuva de queixas.
A versão do anúncio feita pelo BE serve para convocar para o 1º de Maio:



A canção do protesto


«Pessoas que entendem das coisas:
por favor, vinde cá fora, há coisas por resolver.
não estamos nada contentes com o novo estatuto com que temos de viver.
deixem lá os grandes estádios & centros comerciais, se não nos formarmos quem continuará amanhã o trabalho dos nossos pais?
pagar tanto pelos livros, onde é que já se viu? era tudo bem mais fácil no tempo do meu tio.
se o que se forma são ignorantes passivos & não participantes na vida socio-política do país, portugal jamais será feliz.
por isso ponham de lado o desejo de corrupção & ouçam este pedido por uma boa educação! que eu quero um dia ser útil, numa sociedade não tão fútil como esta se esta a tornar. dêem-me condições para eu um dia me licenciar!
o dinheiro dos vossos sapatos alimentaria alguém quase um mês (ou quiçá mais). agora é a vossa vez. pensai em quem precisa & quem depende de vós, que é a esses que eu vim dar voz.
queremos usufruir dos nossos direitos, em prol do nosso futuro. a educação é um balão a esvaziar-se por um furo. queremos mais investimentos no pessoal & no material, motivação, justiça, & preços que não nos façam dizer "chiça!". uma avaliação adequada & um regime de faltas que não nos deixe a vida arruinada quando a culpa nem é nossa.
a decisão é vossa, tende isto em conta & corrigi o que está mal de ponta a ponta.»

Pela Kayl, estudante do Ensino Secundário.

Hoje parece que foi dia "de luta" no secundário e no superior.

Outro atentado à memória cultural deste país


Parece que se está a tentar demolir a casa nas fotografias.
Esta foi projectada pelo arquitecto António Varela e decorada em parceria por Almada Negreiros.
Na qualidade de cidadãos preocupados deste país, cansado de assistir à destruição de património insubstituível devemos assinar esta petição que procura a sua salvação, petição desencadeada pela Ordem dos Arquitectos.
http://www.petitiononline.com/Alcolena/
Temos de parar com estes atentados.

Gente estranha


Durante muito tempo, empresas e determinadas organizações ou instituições controladas pelas mesmas (isto inclui governos), recusaram-se a aceitar que o aumento de emissões de CO2 (leia-se dióxido de carbono), estava mesmo a aquecer o planeta.
Depois, tiveram de ser forçados a aceitar, tal era a evidência científica, mas continuaram a tentar descredibilizar ou menorizar todos os avisos de que isso iria produzir alterações no clima que não conseguiríamos controlar e com consequências devastadoras.

Isto tudo, porque a solução é reduzir as emissões de CO2, o que é sempre chato para quem quer manter o padrão de consumo actual (e aumentá-lo), produzir muito e barato sem olhar às consequências para a saúde ou para o meio ambiente.

Alguns ainda continuam neste ponto, enquanto outros, mais espertos, já reconhecem o problema das alterações climáticas e passaram à fase seguinte. A fase seguinte é arranjar formas de continuar a poluir ao ritmo actual ou superior, mas arranjar sítios para onde mandar o CO2 em excesso e deixá-lo bem guardadinho durante tempo suficiente para não terem problemas com isso.
É o caso da fertilização com ferro dos oceanos para estimular o crescimento de algas que consomem CO2 para viver. A ideia era por as algas a absorver o CO2 e, quando morressem, depositavam-se no fundo do oceano levando consigo o CO2 e deixando-o lá guardado durante algum tempo.

Mas esta gente estranha que segue sempre o caminho mais complicado, esquece-se que tudo na Terra funciona por ciclos. E que há uma coisa, que todas as criancinhas aprendem na primária, que são cadeias alimentares. Então, as algas foram comidas por zooplancton, que por sua vez foi comido por crustáceos, que eventualmente, por sua vez, foram pescados e transportados em grandes camiões fumarentos e trazidos directamente para o prato destas pessoas estranhas.

E há uma coisa que se chamam impactes directos - será que esta gente pensa que pode atulhar o oceano de ferro e que os seres vivos não vão notar nenhuma diferença? Se fosse em minha casa, eu notava...

Voltando aos ciclos, mesmo que conseguíssemos afundar nos oceanos o CO2 que produzimos agora em excesso, ele voltaria um dia à atmosfera porque faz parte do seu ciclo natural. Aliás, o oceano já é um dos maiores emissores naturais de CO2. Por isso, esta gente estranha, prefere tornar o oceano numa espécie de coca-cola, em vez de cortar nas suas emissões de CO2.

É uma gente estranha que sabe que os efeitos da redução do CO2 são imediatos - lá se vão uns milhões de lucro, enquanto as consequências do CO2 escondido no fundo do oceano só aparecem daqui a muito tempo, quando eles já tiverem morrido ricos e gordos - lá se vão uns milhares de vidas.

Gente estranha esta.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Convidada

COM VITAL E SÓCRATES, PS INICIOU VOLTA À EUROPA

Oficialmente, o início da campanha para as eleições europeias está marcado para 25 de Maio deste ano. Na prática já foram dados os primeiros passos no Congresso do PS em Espinho, com a apresentação pelo Secretário-Geral, José Sócrates, do cabeça de lista às Europeias pelo Partido Socialista. Vital Moreira.

Todos sabemos que quem se apresenta primeiro fica desde logo mais cedo sujeito a maior exposição e, necessariamente, durante mais tempo. Para o melhor e para o pior. É, reconheça-se, preciso alguma coragem! Pois, Vital Moreira não tem medo. Vai à frente, portanto. Tem tempo, por isso, para ir conhecendo o terreno e começar a consolidar a sua mensagem e o seu projecto. E faz bem e o PS também em arrancar cedo para a estrada.

Os eleitores precisam de começar a familiarizar-se com a Europa e com as eleições europeias e a importância de que as mesmas se revestem para o interesse nacional.

Tem sido comum o desinteresse dos portugueses em participarem nas eleições europeias e é necessário contrariar esse sentimento e combater a abstenção. É preciso, por isso, desde cedo, motivar e sensibilizar o país para as questões europeias. É esse o caminho que o PS já iniciou quando Vital Moreira subiu ao palco no Congresso do PS em Espinho. Deu o primeiro passo e já está a construir a sua equipa e, consequentemente, o seu projecto. Assim, já conquistou a dianteira e cativou a atenção dos portugueses, e entalou Manuela Ferreira Leite que se está a ver em palpos de aranha para conseguir descortinar um candidato que se possa medir minimamente com a dimensão política e intelectual de Vital Moreira.

O segundo passo foi dado este sábado, 21 de Março, em Coimbra, na primeira sessão de apresentação pública do candidato do PS às Europeias. Vital Moreira, no seu discurso, salientou que as próximas eleições europeias são as mais importantes de sempre pela actual situação de crise financeira mundial.

Fez bem o PS em querer envolver todos os portugueses, desde cedo, a participarem nesta volta pela Europa, da qual todos fazemos parte!

Clara Pinto

Hipocrisia


Ontem, o Papa defendeu em Angola que os direitos das mulheres devem "ser afirmados e protegidos".

Então e a contracepção? E o aborto? E a liberdade de amarmos quem quisermos?

sábado, 21 de março de 2009

"Só neste país..."


Também a Venezuela vai regulamentar os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Por cá, a novela continua, com o PS a jogar o jogo dos votinhos e a fazer aproveitamento político com as vidas das pessoas.

Lisbon souvenirs (e ainda sobre a polícia)


Hoje de manhã, na paragem do 28 da Rua da Prata, os turistas amontoavam-se à espera do eléctrico. Quando este finalmente parou, logo se aproximaram dois polícias da porta e gritaram qualquer coisa lá para dentro. O 28, como se sabe, é o eléctrico predilecto de carteiristas à procura do recheio das malas dos turistas.
Desta vez era um casal que lá saiu depois do grito do matulão vestido de azul. Mal o homem pôs o pé fora do eléctrico levou com um estalo de um do polícias que depois agarrou a mulher para esta sair. Depois, encostaram o casal à parede e o tal matulão deu um estalo na mulher, tão forte que esta quase caiu. Aí já eu estava quase aos berros a dizer que ele não podia bater em ninguém, ao que o polícia me responde "queria ver se fosse a sua carteira".

Nisto já estava toda a gente fora do café e pendurada nas janelas do eléctrico a insultar-me e a dizer que eu ainda defendia os ladrões, que devia ser comigo, que eu é que não sabia o que era o 28 e que o polícia ainda lhes devia ter batido mais.

Percebi que toda aquela gente tinha vontade de fazer justiça à moda antiga, esbofetear, bater, quem sabe até cortar as mãos àquele casal. Percebi também que a polícia, em vez de fazer o que lhe compete (verificar se eles tinham de facto roubado alguma coisa e detê-los se fosse verdade) deu azo à raiva estúpida e cega, igual à daqueles todos que me insultaram.



Quando a polícia acha que tem legitimidade para agredir indiscriminadamente apenas porque tem autoridade, algo vai muito mal. E são estes pequenos precedentes que abrem caminho à brutalidade a que assistimos em Barcelona e em Atenas, aos Alexis e Kukus por esse mundo fora.

Quem os (nos) protege da polícia?

É Primavera


É tempo de sair da toca e o espaço público é para ser usado!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Pequeno pensamento


Portugal é um país muito coerente.
Posse de arma (mesmo que seja só de caça) : 16 anos.
Fazer um piercing : 18 anos

Coerência.

Repressão em Barcelona: clarificações

Sem dar a minha opinião sobre a razão - ou falta dela - para os estudantes de Barcelona estarem na rua e a ocupar a faculdades. Sem dizer mesmo uma palavra sobre o direito legal legitimo a protestar publicamente - mesmo que isso signifique fechar uma rua. Vou deixar aqui apenas factos documentados sobre o abuso de violência por parte da policia da Catalunha:
"Una vez dada la orden, los mossos iniciaron una persecución desordenada por las calles del Born. Diversas fuentes admitieron que estaban "nerviosos", no sólo por los incidentes de la mañana con los anti-Bolonia, sino también por la sentencia, conocida ese mismo día, que condena a tres compañeros a penas de cárcel por detención ilegal y agresión. La dura intervención policial levantó ampollas entre diversos colectivos, que exigieron responsabilidades políticas. La Comisión de Defensa del Colegio de Abogados de Barcelona, la Federación de Asociaciones de Vecinos de Barcelona y
entidades como SOS Racisme y Justícia i Pau criticaron la "violencia
extrema"
de los Mossos, que es, a su juicio, "propia de otras épocas" e "intolerable" en democracia. También denunciaron las agresiones a periodistas y el desalojo de los anti-Bolonia, que fue auspiciado por el rector de la UB, Dídac Ramírez.
"

"Un caso ilustra el nerviosismo: un anciano que esperaba a ser atendido por una ambulancia lanzó un insulto contra los antidisturbios (POLICIA) que iban en una furgoneta. Éstos dieron marcha atrás y agredieron con las porras al hombre."

"Una familia de inmigrantes (padre, madre y tres niños pequeños) se encontraba cerca del lugar de los hechos y fueron golpeados por la policía por pedirles que dejasen de golpear a un estudiante. "

Todas estas citações são de noticias do El País.

Não me lixem...!



França: Banderas de Unidad


França voltou a sair à rua em protesto.

Há que admiti-lo, na hora de mostrar o jogo os franceses não fazem por menos nem estão para meias medidas. Passados menos de 3 meses sobre a última greve geral, os sindicatos franceses contabilizaram 3 milhões de manifestantes distribuídos pelas ruas de várias cidades. E se é verdade que esta greve esteve longe de paralisar completamente os serviços e transportes, ela não deixa de representar uma vitória e uma inequívoca demonstração de força por parte dos movimentos dos trabalhadores franceses.
Nem de propósito. ontem o Jornal de Negócios lançava o números: 17 países gastaram em incentivos à economia e ao investimento um total de 1,44 biliões de euros. Terão sido mais generosos com o engripado sistema financeiro, que recebeu, só até Fevereiro, uns gordos 10,87 biliões. No mesmo dia, Imigrantes e "sem papeis", professores e estudantes, trabalhadores, desempregados e precários, médicos e enfermeiras, funcionários públicos, todos - e sem excepção - juntaram-se contra Sarkozy. Nas pancartas, uma clara e justa exigência:
O POVO ANTES DOS BANQUEIROS!
A resposta do primeiro-ministros francês, François Fillon, foi igualmente clara (esqueçam lá a justiça): nem mais uma medida para além das que já foram apresentadas em Fevereiro. E porque este é um discurso que convém que esteja sempre na cabecinha das pessoas, não pode deixar de acrescentar: As manifestações não resolvem crises mundiais (por isso deixem-se lá de merdas qu'a gente trata do assunto). *
A posição francesa não surpreende. O anúncio já havia sido feito por Sarkozy, Merkel e Barroso em nome duma suposta União Europeia mais-ou-menos-unida-depende-se-me-deixam-proteger-a-minha-economia: acabou-se o gasto público. O que é preciso agora que a regulação funcione, independente e imparcial, para impedir que os malandos voltem a fazer investimentos arriscados com os biliões que lhes estamos a oferecer.

... Entretanto os banqueiros engordam e o povo vai emagrecendo. Perdoem-me alguns, mas deixo aqui um avé ao Obama, que pelos meno teve a coragem de mandar os "malandros" devolverem o dinheiro aos contribuintes.


*Relativamente a este assunto, Sócrates, em visita oficial ao Vanuatu e ao Tuvalu, fez questão fazer uma declaração em directo: aqueles três milhões de franceses estão claramente a ser instrumentalizados pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP.

A Crise do Capitalismo e o Futuro - Sábado 15h


Actualmente, o mundo rico atravessa a crise económica mais grave desde a Grande Depressão, em 1929.
Agora, sob a pressão da crise, até mesmo a comunidade financeira mais ortodoxa reclama reformas. No entanto, estas propostas não vão suficientemente longe, uma vez que não tomam em consideração os problemas sistémicos por detrás desta crise.
O que é necessário, no interesse da grande maioria da população, são verdadeiras mudanças em direcção a um outro paradigma, em que a finança seja um instrumento ao serviço da justiça social, da estabilidade económica e do desenvolvimento sustentável. Não podemos aceitar que, nos próximos anos, se regresse ao status quo.
Uma oportunidade histórica foi criada. Dependerá da pressão da opinião pública a sua transformação numa política radicalmente diferente.

Excerto da Declaração Conjunta das ATTAC*, sobre a crise financeira e alternativas democráticas


*Alemanha, Áustria, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Flandres, França, Hungria, Itália, Marrocos, Noruega, Polónia, Portugal, Suécia e Suíca.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Chico-espertices


O governo aprovou hoje um regime que permite aos professores reformados trabalhar como voluntários nas escolas.

Quando se tem a generalidade da classe docente a contestar as medidas do governo, o melhor é trocar esses chatos por voluntários que vão lá por gosto. Lá diz o ditado "quem corre por gosto não cansa", nem tem salários, e se se chatear pode sempre ir curtir a reforma em vez de andar para aí com reivindicações que cansam a Lurdinhas. Melhor mesmo era que toda a classe docente fosse voluntária. E já agora, porquê não toda a função pública? Sempre se poupavam uns trocos (e ao Sócrates umas dores de cabeça)...

O que eu duvido é que toda aquela gente que pediu reforma antecipada porque já não estava pelos ajustes, regresse agora em massa para as escolas. E ainda bem.

Pão Amargo


Hoje, no Parlamento, debateu-se o tema do apoio às famílias. Sócrates avançou com umas quantas medidas de verniz, daquelas para inglês ver, mas no país real continua tudo na mesma, de mal para pior. Se alguma dúvida ainda restasse, de que estes 4 anos de Sócrates têm sido sinónimo de mais amargura e de mais descalabro social, a Grande Reportagem desta noite na RTP1, que se pode achar aqui, ajuda a por os pontos nos iis. Os 200 mil na manif de 6ª feira passada não foram por acaso.

quarta-feira, 18 de março de 2009

em Barcelona



Anti-bolonhas em Espanha

Dos tempos que passei em Madrid apercebi-me de algumas diferenças interessantes entre Portugal e Espanha (Estado Espanhol). São muitas pequenas coisas que, juntas, explicam o mundo que nos separa.
Uma delas é muito falada, e pude apenas comprová-la: Portugal é o bom aluno da União Europeia. Faz o TPC com cuidadinho e de vez em quando, pelo sim pelo não e não vá o diabo tece-las, até faz mais exercícios do que os que o professor ditou. Foi assim com o Pacto de Estabilidade, com a lei do tabaco ou com o processo de Bolonha. E os portugueses aplaudem, porque pelo sim pelo não e não vá o diabo tece-las, mais vale ser o menino bonito da Europa.

Sobre isto costumo dar um exemplo bastante ilustrativo, é que em Portugal "Fumar mata", mas em Espanha "fumar puede matar".

... Bolonha não foi excepção. Quando as universidades portuguesas já andavam em roda viva a impor à força o espaço europeu de educação, em Madrid nenhuma faculdade havia iniciado ainda o malfadado processo. Não havia pressa, mas os estudantes já protestavam.

Alguns colegas diziam-me na altura que o problema de Espanha sempre tinha sido a transição pacifica. Faltava uma revolução no passado recente, alguma referência forte, de esquerda, que alentasse o espírito reivindicativo do povo. Tenho muitas duvidas.

A verdade é que em Portugal o Processo de Bolonha chegou, foi aprovado e fez estragos, tudo sem despertar o mínimo interesse na maioria dos estudantes e sem levantar sequer rumores de contestação geral. Em muitas universidades espanholas, mesmo antes de se saber quando ou como seria implementado, já os estudantes se organizavam em manifs e plenários, com palavras de ordem e acções radicais.

Em Barcelona um grupo de estudantes mantinha desde Novembro algumas zonas da universidade ocupadas. Por várias vezes invadiram e ocuparam a reitoria em protesto contra a implementação de Bolonha. Esta madrugada sofreram uma violenta carga policial que mandou muitos estudantes para o hospital, um deles em Estado grave. À justa exigência de diálogo, a policia espanhola respondeu com repressão e cacetete. Nem assim eles desistem.

Aqui fica a minha solidariedade para com aqueles que foram durante alguns meses os meus companheiros de luta.



Pedro Adão e Silva

O Pedro Adão e Silva regressou à blogsfera. Está no lexico-familiar. Bom regresso Pedro.

Live streaming and live blogging (and twitting)

From Brussels. see here (http://www.socialistgroup.eu/gpes/)

twitting from Brussels - conference about «Peace in the World»




    follow me on Twitter


    Integração Apartheid


    Em Barcelos, os alunos ciganos têm aulas num contentor à parte.
    A DREN chama-lhe "turma-projecto", eu cá acho que é segregação.

    terça-feira, 17 de março de 2009

    Bento fez update ao software. Cheio de bugs.


    Imagem vinda daqui

    Distribuir preservativos não é solução, diz Bento XVI (Diário Digital)

    «Não se pode resolver (o problema da sida) com a distribuição de preservativos», disse o Papa aos jornalistas a bordo do avião da Alitália que o levará até Yaounde, nos Camarões.
    Acrescentou que, «pelo contrário, a sua utilização agrava o problema».

    Pois claro. Porque os safados dos pecadores não são punidos com SIDA pela sua promiscuidade!
    Raio de pecadores.

    Prioridades...


    No Environmental Humour.

    Posts incontornáveis

    Oh... Vá lá!! Deixem-me ser eu a fazer este post!! Posso?? Fixe, obrigada.


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    uau

    Recordar é bom de vez em quando...




    Curtam o José Hermano Saraiva.

    segunda-feira, 16 de março de 2009

    "Ninguém diria...", mas em França está animado.



    As universidades francesas estão em greve.
    Por cá, ninguém diria... Não é notícia. Enfim.

    Se alguém prestou atenção às aulas de Françês (coisa que não fiz) com certeza encontrará muita informação nos links que a Margarida disponibilizou em http://grandefrancesa.blogspot.com/

    Os amigos são para as ocasiões


    Gordon Brown quer o Durão mais 5 anos à frente da Comissão Europeia.

    domingo, 15 de março de 2009

    Sortido Português (II)


    Foto "roubada" ao WEHAVEKAOSINTHEGARDEN

    José Lello descreve comportamento de Alegre como "ziguezagueante" e "ambíguo" (Público)

    Acerca da brecha que Manuel Alegre poderá estar a abrir no interior do Partido Socialista, José Lello é muito claro: “um partido (...) não pode admitir grupos organizados no seu seio, de forma a que “um pequeno grupo possa pôr em causa, digamos, uma vontade expressa de uma maioria”. Porém, quando confrontado com a pergunta “Será que Alegre já não respeita o PS ou será que é o PS que já não se está a dar ao respeito?”, o secretário nacional do PS matiza a sua opinião, afirmando: “Eu acho que o PS não precisa de se dar ao respeito. Não há aqui tiques de arrogância. Pelo contrário. Há aqui uma atitude de sã camaradagem, de cooperação e de solidariedade. E o PS, nesse domínio, acredito que seja até irritante para muita gente, esta postura recorrente do PS aceitar uma tão grande diversidade de opiniões que chega ao ponto de ser conflituante com a própria estratégia do PS”.

    Esta coisa de diversidade de opiniões é mesmo uma chatice. PS, diversidade de opiniões, não se conjugam bem. Pena... Pena que estejamos num país de 10 milhões de pessoas em que aposto que há muita diversidade de opinião.
    São aquelas tais coisas...

    Sócrates acusa CGTP de ser instrumentalizada pelo PCP e Bloco de Esquerda (Público)

    Nem me vou alongar. Um Primeiro-Ministro que reage a uma manifestação de 200 mil pessoas com desdém, prepotência, espírito do coitadinho que já está gasto, e as mesmas acusações de instrumentalização de sempre... Está a ir por um caminho muito "bonito".
    E ainda se diz socialista... Uau.

    Sortido Português (I)


    Pais da escola de Braga minimizam alegada agressão de professor a aluno (Público)

    "A Associação de Pais da Escola EB 2,3 de Palmeira, em Braga, considerou hoje que a alegada agressão de um professor a um aluno de 11 anos não passou de 'um enxotar de moscas'. Comentando a versão do pai do aluno, Almeno Silva, que considerou que o filho levou um 'cachaço violento que o deixou indisposto e com tonturas', a Associação de Pais, em comunicado subscrito pelo presidente José Lopes, diz que a informação foi 'empolada'."

    Simples pergunta: Se o enxotar de moscas (que nome bonito) fosse do aluno ao professor, também seria considerado normal pela Associação de Pais da Escola EB 2,3 de Palmeira?

    Movimento Portugal Pró-Vida contra educação sexual obrigatória nas escolas (Público)

    "O movimento católico Portugal Pró-Vida não quer aulas obrigatórias de educa'ão sexual nas escolas portuguesas, informou o presidente Luís Botelho Ribeiro. "A obrigatoriedade dos alunos frequentarem as aulas de educação sexual é anti-democrática e muito perigosa para a sociedade portuguesa', referiu a mesma fonte."

    "'As ideias e os ensinamentos que vão ser transmitidos aos estudantes vão fazer com que, daqui a poucos anos, tenhamos uma geração de portugueses para quem nada é proibido nem moral, nem eticamente', frisou Luís Botelho Ribeiro."

    Tenho bastante dificuldade em compreender os argumentos de quem se diz Pró-Vida. Não tanto compreender talvez, mas aceitar. O que é normal.
    Embora, neste caso, classificar como "anti-democrática e muito perigosa para a sociedade portuguesa" a obrigatoriedade de ensinar aos alunos o que é necessário sobre educação sexual para que corram menos riscos de virarem pai ou mãe sem realmente quererem, ou mesmo apanharem uma doença que não dá jeito nenhum ter na viagem de finalistas (os casos foram propositadamente hilariantes, sem ofensa pretendida). Coisas básicas como... Sei lá. Preservativo? Seria bom todos os jovens saberem mexer com um. Digo eu.
    Esta rapidez de gatilho em ter premonições de futuro terrível se se ensinar o que é uma pila e um pito (desculpa aos sensíveis e ao grande líder lá em cima) e como é que eles se encaixam é de completa, e desculpem lá novamente, burrice.
    Explico a burrice. Já se sabe que durante muito tempo não se ligou o facto de os jovens não terem acesso à informação que precisavam e o facto da gravidez na adolescência e a doenças sexualmente transmissíveis entre os mesmo.
    Se já se sabe isto, defender que a desinformação continue, é burrice. E outras coisas... Enfim.
    Esta gente está pelo futuro dos seus filhos, pela escola, ou pela sua interpretação do que deve ser o Mundo (sua não, mas pronto, já estava escrita para se "comer") ?

    Porque a Terra não é redonda...


    A ESA (European Space Agency) vai lançar um satélite para fazer um mapa do campo gravítico na Terra. Este mapa permitirá no futuro monitorizar com maior precisão a circulação oceânica, as alterações do nível do mar, a actividade do interior do planeta, dados fundamentais para o estudo da dinâmica da Terra e para a análise das Alterações Climáticas.

    sábado, 14 de março de 2009

    Devolver o Porto às pessoas


    Hoje foi apresentada a candidatura do BE às autárquicas no Porto, encabeçada por João Teixeira Lopes. A mandatária da candidatura é a poetisa, professora universitária, feminista e cidadã independente e activa Ana Luísa Amaral.

    Como o João Teixeira Lopes disse, sempre que foi preciso fazer as perguntas necessárias, o BE esteve lá - desde os despejos no Lagarteiro, à expulsão da comunidade cigana do Bacelo, à defesa do Rivoli, do Bolhão e do parque da cidade, até à denúncia do caso Gisberta ou das detenções ilegais dos arrumadores de carros da cidade.

    A candidatura do João Teixeira Lopes é por isso uma candidatura incómoda. Incómoda para os especuladores imobiliários, para os senhores dos futebóis, para aqueles que querem que a cultura se resuma a um espectáculo de revista de 3ª. Incómoda porque vai continuar a fazer todas as perguntas que não podem deixar de ser feitas. Como o próprio disse:
    «Se for eleito, como vou ser, lutarei pelo Porto. Se não for, lutarei pelo Porto. É o que sempre temos feito»

    Sabemos que sim. Força aí!

    sexta-feira, 13 de março de 2009

    Mais do mesmo, que é para não piorar

    O RJIES é mesmo assim.
    Ontem, António Nóvoa foi reeleito Reitor da Universidade de Lisboa, num processo que decorreu completamente à margem da vida da Universidade. Num universo de cerca de 20000 estudantes, apenas 4 puderam votar. As discussões de programa ficaram bem fechadas na Reitoria, não vale a pena ir falar com as pessoas quando não são elas que vão votar... Isto é a democracia à la RJIES, regíme que chegou a ser aplaudido por um dos candidatos.

    Ainda assim, o antigo Reitor voltou a ser eleito, com 12 votos em 21. Houve ainda 8 votos no Nuno Guimarães (??!) e um voto em branco.

    A reeleição do António Nóvoa não é muito surpreendente. Como disse anteriormente, não havia nenhum programa que apontasse uma crítica forte às medidas que têm vindo a ser tomadas por Mariano Gago, as diferenças eram sobretudo na forma como as aceitavam.

    No entanto, António Nóvoa tem esta capacidade, tão querida pelos portugueses (sobretudo os académicos), que é a de não fazer grandes ondas com nada.
    Sabemos que faz discursos acutilantes, critica a política de asfixiamento financeiro de Mariano Gago, que repudia as insinuações de má gestão, que é grande crítico do RJIES, que fala dos seus tempos de jovem insubmisso... Mas quando chega a altura de ir além das palavras e fazer qualquer coisa que se pareça com um protesto, começa a ser puxado por vários lados, esquerda, direita, esquerda, direita, e acaba por ficar exactamente no mesmo sítio para ninguém ficar chateado.
    Toda a crítica que fez à política de financiamento do Ensino Superior teve eco nas vozes dos estudantes e alguns (muito poucos) professores. No entanto, quando os estudantes lhe pediram que se solidarizasse com um encerramento da universidade como forma de protesto achou que o melhor que tinha a fazer era pôr-se bem longe desses insurrectos. Os tempos da revolução já lá vão... Perguntei-lhe se tencionava continuar com a mesma relação com estudantes, dando este exemplo. A resposta veio com psicologia e com aquelas coisas que todos temos mal resolvidas na nossa vida, parece que esta é uma delas.


    Apesar disso, até eu fico tranquila com a eleição de António Nóvoa para Reitor, entre o péssimo e o menos mau, escolha-se aquele de que já se sabe com o que podemos contar.

    Entretanto, o Nóvoa devia pensar porque é que o seu grande companheiro dos últimos anos - o Nuno Guimarães - conseguiu tantos votos. E devia começar a perceber que se se quer fazer alguma coisa consistente, mais importante que agradar a todos, é ter ideias claras.
    E as roturas são sempre saudáveis.

    quinta-feira, 12 de março de 2009

    As aventuras do menino Magalhães


    Depois de há uns dias se ter sabido que o Magalhães adorava dar pontapés na gramática, Sócrates achou que era boa ideia enviá-lo em missão para fora de fronteiras. Desta vez para Cabo Verde.

    Cabo Verde tem uma taxa de analfabetização de quase 20%.
    Que tal começar por ensinar Português?

    Candal para livres directos é o melhor


    Carlos Candal: “Não é pensável que Manuel Alegre faça o que tem feito sem levar um chuto"

    “Punham-lhe um processo disciplinar e ia à vida (...) ou não era convidado para integrar a Comissão Nacional e não voltava a entrar nas listas para deputados. É assim! O partido é uma formação colectiva e solidária”.

    O partido é uma formação colectiva e solidária. Ponto final?
    "Essa coisa de opiniões diferentes já está ultrapassada."
    Tentar acabar com o "isto é tudo a mesma carneirada" tá sujeito a chutos direitinhos à baliza. Com selo de golo!

    Portugal é de todos (e todas!)

    Num ano em que se decidem três eleições e o país está mergulhado numa crise de esperança, a rede Expresso, Visão, SIC e AEIOU, teve a ideia de criar um formulário em que as pessoas preenchem com porpostas que ajudem a construir um Portugal melhor e mais solidário, que depois será entregue no dia 25 de Abrli ao Presidente da República, a todos os grupos parlamentares, ao Conselho de Ministros, à Associação Portuguesa de Municípios e a diversas organizações representativas da sociedade civil.

    Três destinatários, três temas, três propostas
    .

    - Propostas de actuação para o Governo e Parlamento
    - Propostas de actuação para os Municípios
    - Propostas de actuação para Empresas e Sociedade Civil