quinta-feira, 30 de abril de 2009

Martine Aubry

Ontem à noite estava no meu costumeiro zapping do "fugir à novela pirosa da TVI e aos Malucos do Riso na Sic" e apanhei, por acaso, a entrevista de Mário Soares a Martine Aubry na RTP2. Dois colossos do socialismo europeu à conversa.

Admito que ao principio me entusiasmei. Aubry é uma senhora de discurso agradável e desenvolto, daquele tipo que já não temos esperança de encontrar nas fileiras do PS português, com carisma e um certo sentido de Estado que normalmente se encontra nos grandes politicos.

Martine Aubry quase que nos faz ter esperanças nos socialistas europeus. Falou de tudo um pouco, da estupidez do choque das civilizações, da abertura e tolerância necessárias para combatê-lo, do erro da Europa fortaleza que não honra europeus e muito menos socialistas, da necessidade de uma Europa portadora duma mensagem de paz e concilização entre os povos, de uma Europa disponivel e a aberta para o diálogo cultural, de uma Europa com uma capacidade cada vez maior de intervenção no mundo e cada vez mais pautada e embrenhada na defesa dos valores civilizacionais da paz, democracia, justiça social... Falou do milagre Obama e da importância duma inflexão na politica externa norte-americana, das responsabilidades de George W. Bush e até das responsabilidades de Durão Barroso na construção da grande mentira que levou à guerra contra os povos e à justificação ilusória e ilegitima do choque das civilizações. Falou da crise, das suas consequêcias, e não se absteve de maldizer a cartilha neoliberal e as sagradas escrituras do sistema financeiro mundial. Falou dos erros do socialismo e da necessidade de actualização das respostas socialistas aos problemas de hoje. Falou sobretudo dos efeitos desastrosos que as politicas de Sarcozy têm tido em França, do aumento do desemprego, da precariedade e dos baixos salários que estrangulam os trabalhadores. Nesta altura eu já estava encantada. Mas ela continuava, dizia que o governo de Sarkozy só veio aumentar os privilégios dos ricos e que foi incapaz de fazer um investimento sério nos sectores essenciais, que nunca conseguiu ter uma visão estratégica para o desenvolvimento do país.

É mais ou menos nesta altura que Aubry fez o favor de destruir de um só golpe todas as minhas ilusões, mais precisamente quando afirma, à laia de comparação e com ar glorioso, que esteve a ver o orçamento de Sócrates para a Educação e que isso, isso sim, é ter visão estratégica sobre os sectores em que um país deve apostar...

Que lindo que é um PS na oposição (no seu país).

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Um novo fôlego


Mais notícias dos protestos universitários franceses enviadas pelo Zé Carlos Santos. De Estrasburgo, com amor.

«Um resumo, e um novo fôlego..
Hoje deu-se uma manifestação do sector hospitalar em França, embora apenas em Paris tenha sido realmente forte, mas também, foi o 1º dia..Contra a reforma "Bachelot" que o governo pretende aplicar. Em Paris, 8000 pessoas segundo a policia e 20000 segundo os organizadores (a policia nunca soube fazer contas..). Segundo o Ministério da Saúde, em cerca de 40 estabelecimentos de saúde parisienses houve uma taxa de greve de 50% entre os médicos, e de 10% entre os outros salariados. E se não fosse o serviço minimo, as taxas elevar-se-iam a 73% e a 18% respectivamente. Apesar de ser 1 dia de acção nacional, houve à mesma manifestações em cidades como Marselha, Lion, Lille e outras. Com cartazes que diziam por exemplo "Contra os Hospitais-Empresas".O cortejo dos médicos e do restante sector hospitalar uniu-se ao cortejo dos estudantes, investigadores e outro pessoal das universidades, "eco duma convergência de lutas que parece uma evidência colectiva", como disse um camarada aqui da faculdade.Hoje foi outro dia de manifestações estudantis em toda a França, em Estrasburgo fizemos uma manifestação de Direita, todos @s outr@s manifestantes vestiram-se portanto a preceito (pois eu estou sempre) para a ocasião. Neste momento não tenho fotos nem vídeos, portanto não posso enviar.Ainda há 46 faculdades bloqueadas e/ou ocupadas em França, há mais de 3 meses já, e com a ainda não resolução do problema das avaliações, muita gente com medo de não passar o 2º semestre começa a fazer trabalhos e a estudar, o que se reflectiu no número dos manifestantes de hoje. No entanto, todos os trabalhos deverão ser entregues até o meio de Maio, logo, a partir daí o numero de manifestantes aumentará, seguramente. Juntamente com as lutas do sector fabril/industrial (cada vez mais há patrões a serem sequestrados) e agora com este novo fôlego do sector hospitalar, algo de muito lindo pode acontecer outra vez em Maio, 41 anos depois. O risco revolucionário está lá, segundo o ex-primeiro-ministro (aquele que tentou implementar o CPE, o contracto do primeiro emprego).
Ah, ainda uma curiosidade, em Toulouse, já não sei em qual faculdade, os estudantes entraram no gabinete da presidência e queimaram todos os documentos que lá encontraram..>Em Estrasburgo votou-se fazer algo um pouco diferente, em vez de queimar os documentos, atirá-los pelas janelas, parece-me que a nivel estético será mais belo.»


terça-feira, 28 de abril de 2009

Cravo, Ferradura.


Foto de wehavekaosinthegarden

PCP move inquérito interno a dirigentes do Sitava (Público)

Há dois ou três dias andavam todos contentes com o cravo na mão, recordando as grandes décadas de luta, a gritar "PCP, PCP, PCP" em círculos fechados, todos orgulhosos. As brisas de Abril já passaram.
Hoje, a luta continua. Cravo para o lado, foice e martelo para a mão e "vamos embora!".

Sempre achei imensa piada ao funcionamento deste tipo de estrutura (dita, estalinista). Acho piada, porque tanto se auto-proclama como vanguarda revolucionária da sociedade geral e do proletariado em particular (espero que tenham vindo a actualizar a definição), como manda a mensagem que pensamento livre é algo parecido com dissidência. E nós sabemos historicamente como funcionam as dissidências com Estaline&Camaradas.

Como a mim não me compete bitaitar sobre o funcionamento interno do PCP, embora tenha piada, deixo-vos a magnífica máxima: "25 de Abril sempre, fascismo nunca mais."
Recordando a magnífica roda da JCP toda abraçada na noite de 24 para 25 nos Aliados a berrar a máxima seguido de "PCP, PCP, PCP", agora dá para rir.
Realmente, esta união do PC faz cá uma força!

PS: Tiago, só para avisar > Posta#50. Ouvi dizer que havia brinde!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Prendamos mais 2 para baixar a criminalidade.


PSP impõe número de detenções mínimo por esquadra (Público)

A parte estúpida e completamente ridícula, sem dúvida : "Direcção diz que objectivo é baixar criminalidade"

Alguém com dois dedos de testa na porra da testa sabe-me explicar como é que tendo um número mínimo de detenções se está a ser activo na diminuição da criminalidade?
Ora, vamos fazer um exercício hilariante. Os gangs e todos os criminosos cá do Porto decidiam fazer 100 crimes este ano. O mínimo da polícia era 200. Que aconteceria?
Andamos saudosistas? Estamos com saudades da repressão? A pistola, as algemas, e o bastão já não têm a utilidade que tinham nos "tempos áureos"?
Esta será certamente a maior estupidez escrita esta semana, e por favor, nenhum porta-voz como o Sr. Comissário Paulo Flor, porta-voz da PSP, volte a dizer "No limite, o objectivo estratégico da PSP é diminuir a criminalidade na sua área de jurisdição, logo é expectável que os responsáveis policiais encontrem mecanismos localmente para prevenir o aumento da criminalidade"...
Sua Excelência! Abra o olho! Repressão não é um bom princípio, e número mínimo para detenções pode muito facilmente levar a tal. Ou as coisas não são tão a preto e branco? Duvido sinceramente...
Enfim, de mal a pior.

UPDATE: Como é claro, já houve esclarecimentos. Mas fiquei na dúvida igualmente...
"Não deve haver quotas nenhumas de detenções, como é óbvio, e não existe nenhuma instrução, nem do Ministério da Administração Interna, nem da Direcção Nacional da PSP nesse sentido", disse aos jornalistas Rui Pereira, à margem da cerimónia de assinatura de oito Contratos Locais de Segurança no distrito de Évora.
Questionado sobre as 250 detenções para este ano, Rui Pereira afirmou que a Direcção Nacional da PSP vai "verificar o que se passa para corrigir imediatamente qualquer erro".


Hmm! ... para corrigir imediatamente qualquer erro.

a ver vamos..

O Parlamento Europeu aprovou na semana passada um relatório apresentado por um eurodeputado que defende o fim do sigilo bancário na União Europeia até 2014.
Vão também ser apresentadas medidas relativamente à limitação da remuneração dos gestores (prémios e remunerações variáveis). (aqui)


Será o princípio de alguma coisa?! Vale a pena estar atent@!


domingo, 26 de abril de 2009

Somos os filhos da madrugada

Houve um tempo em que era proibido organizar conferências sobre a origem da vida na Faculdade de Ciências. Houve um tempo em que ficar a conversar à porta da faculdade podia ser considerado subversivo. Houve um tempo em que estudantes se barricavam e se defendiam da PIDE com jactos de amoníaco. Houve um tempo em que estudantes que lutavam pela liberdade morriam na guerra colonial.



Depois abriram-se as portas e todos lá podiam entrar. E discutia-se todo o mundo numa sala de aulas. E eram os estudantes que estruturavam os seus cursos conforme as suas necessidades. E as faculdades pertenciam a quem lá vivia e estavam ao serviço de todos.

Mas, a pouco e pouco as portas foram sendo fechadas, por alguns daqueles que as tinham ajudado a abrir.
Primeiro, o ensino superior já não era bem para toda a gente, criaram-se numeros clausus ao mesmo tempo em que se abriam as primeiras universidades privadas. E como as universidades já não eram para a toda a gente, começou-se a pensar que a educação devia ser vista como um investimento individual para entrar no mercado de trabalho e não como uma prioridade social para um desenvolvimento assente no conhecimento. Vieram as propinas, que eram uma pequena contribuição para melhorar a qualidade do ensino. Mas a contribuição foi crescendo, a par com o discurso de que estudar não era um direito, mas uma espécie de serviço que se tem de comprar. E o estudante já não era um agente activo na vida da faculdade mas apenas um cliente. O que o estudante comprava era um bilhete para o mercado de trabalho, por isso trocou-se o conhecimento de fundo por aquilo que o mercado pedia. As universidades deixaram de ter uma gestão democrática e partilhada para se estruturarem como uma empresa. E as propinas continuaram a crescer enquanto o financiamento público descia, descia, descia.

Em 35 anos muitas portas se fecharam. Agora, quem não pode pagar, desiste. Ou endivida-se à banca. Quem trabalha, não pode estudar. Empresários decidem o rumo das universidades. Há cartazes a serem arrancados das paredes por motivos políticos. Há seguranças privados a pedirem identificação e a controlar os movimentos das pessoas.

Nós somos os filhos de Abril. E está nas nossas mãos voltar a abrir as portas que Abril abriu.



sábado, 25 de abril de 2009

A revolução que é precisa

Imagens do Kaos:


Palavras de ordem do 25 de Abril





Falo, Erecção, Orgasmo; ou a interpretação simbólica de uma peça cultural no panorama comemorativo do 25 de Abril…

Este é um texto de que gosto muito. Produzi-o há 5 anos, para os 30 anos do 25 de Abril, e todos os anos o repito ...
Desconfio que poucas pessoas o conheçam, por isso não é um auto-plágio muito grave. (lembrem-se que em 2004 era Durão Barroso PM, e Abril já não era Revolução mas Evolução).
Falo, Erecção, Orgasmo; ou a interpretação simbólica de uma peça cultural no panorama comemorativo do 25 de Abril…
Em tempos de reformulações filosóficas e reconstruções históricas relativas ao 25 de Abril, onde uma revolução é substituída por uma evolução, nunca a obra do Parque Eduardo VII, alusiva à “Revolução dos Cravos”, me mereceu tanta atenção e reflexão.
Falo, obviamente, do Falo do Cutileiro. Aquele que tantos ódios, amores, polémicas e dissabores despertou não só no meio intelectual e artístico deste nosso cantinho tacanho, como na maioria da sociedade portuguesa que alguma vez se deu ao trabalho de o olhar. Para mim não me interessa tanto o que se pensa da obra, não me interessa que aspectos técnicos contêm, ou mesmo as considerações frequentes à personalidade do artista; o que me interessa é o que ela para mim simboliza, o que me faz pensar e sentir, em suma o que, ao nível do conceito, me faz transportar para um imaginário infinito e livre.
E esse imaginário é o 25 de Abril. É a Pujança, o Vigor e a Vontade. É a Acção, o Facto e o Verbo. É o Possível, o Infinito e o Sonho. É Abril. Abril fecundado.
É nesse Abril que eu vivo, no qual me transporto quando busco algo intemporal; no qual reflicto quando me confronto com as normalidades anormais da contemporaneidade portuguesa; é o Abril polemista, irreverente e imaginativo. Nesse Abril vive a Revolução.
Hoje vivemos, segundo a oficialidade governamental, na Evolução. Essa “evolução” disforme, incolor e insonsa. Uma evolução que pretende representar um Portugal neutro, cinza e murcho.Num ápice, tudo o que granjeámos colectivamente em repetidas construções simbólicas, sempre pessoais e sempre possibilistas, transformou-se em obtusos gráficos, esquemas e indicadores. Acabou o sonho. Tudo é real. Não existiu. Aparece o manguito.
A mesma escultura que antes representava a historicidade lúcida de uma geração progressista e democrática apresenta-se como um grande manguito àqueles que procuram assumir a burocracia escura de gabinetes lânguidos como um factor de modernidade e contemporaneidade. Abril, antes erecto num orgasmo constante rumo ao infinito, é retratado como balizado, palpável e pornográfico.
Pois digo-vos que se enganem aqueles que procuram inculcar valores vazios e inócuos em Substantivos Colectivos. A história faz-se, é verdade, mas também se sente; e que nada nem ninguém tome para si a pretensão de se substituir ao sentimento. Esse é nosso.
E se, por disfunções ideológicas e complexos recalcados, homens hajam que nos procurem coarctar a Liberdade tão duramente conquistada, que lhe façamos um manguito, um GRANDE MANGUITO!!!

25 de Abril sempre! Sócrates nunca mais

Vamos dar uma volta ao Estado das coisas. Tira o chaimite da garagem e desempoeira a G3.... ou pelo menos aparece na manif daqui a pouco :)

Em Abril, liberdades mil


Parabéns a todas e todos que lutam para que a liberdade viva todos os dias!

É o nosso dia.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Quem é que queremos proteger afinal?!


"O mundo financeiro de Wall Street pode estar à beira da maior investigação às suas práticas (...). Nancy Pelosi, a democrata da Califórnia que é a porta-voz da Câmara dos Representantes do Congresso dos EUA, pretende que se realize um inquérito abrangente, alegando que três quartos dos americanos querem saber o que levou à bancarrota do banco de investimento Lehman Brothers e ao colapso do Bear Stearns e do Merrill Lynch" in Publico

Pode não ser a solução para todos os nossos problemas mas será, com toda a certeza, uma das formas de lá chegar.
Apesar das inúmeras declarações nesse sentido, a verdade é que ainda não vimos nenhuma medida concreta para aumentar a regulação do sector financeiro. O levantamento do sigilio em Portugal é uma das raras excepções a mencionar.
Há, no entanto, outras medidas que devem ser tomadas.
O mundo nunca se tornará um local mais justo enquanto os seus Governos não admitirem que é necessário taxar as grandes fortunas, punir a evasão fiscal e o enriquecimento ilícito.
Os mercados financeiros nunca serão controláveis enquanto as suas transacções não forem monitorizadas e a especulação puramente financeira proibida. Já tod@s percebemos que não contribui para mais nada a não ser para o enriquecimento dos mesmos e para a instabilidade de todo o sistema (que se alastra depois à economia real).
Outra das formas para controlar e monitorizar o sistema é através da imposição de leis que obriguem à divulgação de informação.
Temos tod@s o direito de saber quantos milhões circulam em paraísos fiscais ou em outras transacções “obscuras”, que só o são porque os Estados criaram condições para isso mesmo! Os offshores não são território “sem lei” mas sim paraísos dominados por leis de favorecem e protegem as grandes fortunas, a criminalidade e a corrupção.
Temos o direito de exigir que nos digam quem são os reais culpados desta crise financeira.
Os crimes financeiros não são menos graves que qualquer outro crime, pelo contrário! E os seus responsáveis devem ser punidos independentemente do tamanho da sua fortuna ou influência política, para bem da nossa sociedade…


Educar 'para a' ou 'em' democracia?


Em Portugal, obviamente, é para a democracia.
Três alunos de Penacova condenados a trabalho comunitário após participação em protesto (Público)

"Três alunos da Escola Secundária de Penacova foram condenados a penas de trabalho comunitário depois de tentarem fechar a escola a cadeado numa manifestação contra o Estatuto do Aluno, revelou hoje a associação de pais.

Os três jovens, agora com 18 anos, frequentam o 12º ano e foram identificados pela GNR a 17 de Novembro último, quando tentavam fechar a escola a cadeado. Levados a tribunal, viram aplicadas penas de 20 horas de trabalho a favor da comunidade, que agora souberam ter de cumprir na própria escola, e à obrigação de apresentações periódicas nos serviços de reinserção social.
"

Num dia destes, em que até a Associação de Pais vem defender o direito dos alunos à manifestação, até eu fico tocado.
Fora dessa achega, que raio de imagem transmite isto a todos os alunos do ensino secundário do país?
Transmite a imagem magnífica que não és um cidadão em pleno direito.
Adorava ver a polícia na manif da CGTP, se por acaso eles barricassem uma rua qualquer, a identificar as pessoas todas e condená-las a fazer serviço comunitário.
Dualidade de critérios demonstra que no nosso ensino, estás a ser moldado. A ser moldado para seres como "todos" querem que sejas.
Que te metas na tua vida. Que não te manifestes muito.
Baixa a cabeça, e toca a bulir.
Vergonha!
Grande lição de liberdade que eles tiveram. Pelo menos ficaram a saber, estão a ser educados para uma democracia. Não em democracia.
Em democracia podes exercer direitos constitucionais e não ser tratado como um corpo e membros que supostamente ainda não consegue ou pode pensar, opinar ou manifestar... Enfim.
Esses três alunos têm toda a minha simpatia e apoio, e se quiserem, chamem-me da próxima. Vou eu fechar a escola!

Até Copenhaga

Porque hoje é o dia da Terra.

Em 1994, a Agência Internacional de Energia (AIE) traçava um cenário preocupante para o futuro. O consumo mundial de energia primária aumentaria 48 por cento até 2010, em relação a 1991. E os combustíveis fósseis continuariam a reinar como fonte principal do bem-estar humano. Como consequência, as emissões de dióxido de carbono – o vilão do aquecimento global – subiriam 50 por cento.



O futuro é agora e, como o Público noticia, a situação é igualmente preocupante, embora as emissões de gases com efeito de estufa tenham aumentado "apenas" 34% entre 1990 e 2006. Os combustíveis fósseis representam 81% das fontes de energia primária e as renováveis menos de 1% a nível mundial.

Este é o sinal mais visível do falhanço do Protocolo de Quioto, protocolo esse que sob uma fachada ambientalista qb procurou sobretudo arranjar um mecanismo para que os países industrializados continuassem a poluir à custa do não-desenvolvimento e da não-autonomização dos países do Sul.
A estratégia encontra-se facilmente na directiva europeia de 2004 sobre as reduções baseadas em projectos - encontrar soluções de baixo custo para a redução das emissões. Baixo custo para quem polui, leia-se. Porque para as comunidades do Brasil, Equador, Índia entre outros, estas soluções tiveram um elevado custo social.
Quioto permitiu ainda que as empresas poluidoras dos países industrializados brincassem à especulação com licenças de emissão de gases. Licenças que dão o direito de poluir a atmosfera que todos respiramos.

Mais de dez anos depois, o erro é evidente e, se o analisarmos no contexto da crise económica e financeira que atravessamos percebemos que ambos os problemas têm a mesma raíz - a ganância cega do capital.

Poderemos acalentar a esperança que Copenhaga lance a discussão sobre como arrancar o mal pela raíz?

Tenho sérias dúvidas, já que estes fóruns continuam a ser espaços praticamente vedados à participação daqueles que mais sofrem com o sistema e tendem sempre a ceder às vontades dos países com dinheiro.

Veremos...

O google também assinala o dia da Terra:


terça-feira, 21 de abril de 2009

O Processo de José Sócrates

"Sinto-me como aquele personagem de Kafka a quem ninguém consegue dizer porque é que está em tribunal"
Uma desabafo de José Sócrates, sincero quero imaginar, a seguir à Grande Entrevista de hoje no primeiro canal.
Judite de Sousa e José Alberto de Carvalho falharam. A primeira parte da entrevista não foi mais do que uma sessão de campanha, com dezenas de novas medidas atiradas aos entrevistadores com o único objectivo de não permitir um contraditório minimamente eficaz.
É intolerável o tom intimidatório com que o primeiro ministro enfrenta os jornalistas, numa táctica retórica simples, pondo em permanentemente em causa o direito do entrevistador em questioná-lo.
No final da entrevista, confrontado com o caso Freeport e o processo de difamação que interpôs contra alguns jornalistas, José Sócrates exalta-se, dramatiza, expõe-se pessoalmente ao espectador, apelando à necessidade da defesa de honra para justificar as suas acções.
Tudo isto é politicamente desonesto. O primeiro-ministro não sabe manter uma relação saudável com a comunicação social. Atacou novamente a TVI, a que contrapôs o Diário de Notícias como um jornal esse sim, capaz de bom jornalismo.
Temos um primeiro-ministro que se acha provedor e declara publicamente as suas preferências por este ou aquele jornal. Por força do peso hierárquico da figura do primeiro-ministro estas afirmações de José Sócrates têm consequências directas na qualidade da nossa democracia.
O processo Kafkiano de José Sócrates é a cabala que ele próprio alimenta.

A mim espanta-me!

Mais uma acção do MUdA, da FCUL.




«E não te espanta?

Quase na véspera do 25 de Abril, vale a pena relembrar que todos os direitos pelos quais os estudantes lutaram nos estão a ser retirados aos poucos, um atrás do outro, um bocadinho de cada vez que é para não dar muito nas vistas.

O resultado é que ao fim de 35 anos a Universidade volta a ser um espaço mais virado para a elite e para os interesses empresariais do que para a promoção de um ensino superior para todos e que procure realmente valorizar-nos enquanto seres humanos.

Porque nos espantamos com a actual situação do ensino superior, porque nos espantamos com as dificuldades que milhares de estudantes enfrentam todos os dias para continuar a estudar.

Espanta-nos que as propinas tenham sofrido um aumento de 14956% em 18 anos.

Espanta-nos que haja cada vez mais alunos a desistir ou a parar o curso simplesmente porque não o podem pagar.

Espanta-nos que as bolsas de estudo estejam a ser substituídas por empréstimos bancários que nos hipotecam a vida.

Espanta-nos que não haja cursos nocturnos para quem precisa ou quer trabalhar e estudar.

Espanta-nos que o C1 esteja a cair aos bocados e que em vez de obras, o cubram com um toldo.

Espanta-nos que nos digam que não é permitido darmos a nossa opinião livremente na faculdade.

E A TI, NÃO TE ESPANTA?

Porque nos espantamos, queremos MUdAr isto! Junta-te a nós!»

Burro o Gago não é


Apenas 612 bolseiros do superior pediram aumento das bolsas devido à crise (Público)

Dos 62.000 de bolseiros dos serviços de acção social do ensino superior público, apenas 612 necessitaram que o montante das suas bolsas fosse revisto devido ao impacto da crise financeira e económica. A revelação foi feita pelo ministro do Ensino Superior, Mariano Gago no Parlamento.

Coisa para dizer que Burro, Burro o Gago não é.
É bem provável que apenas 612 tenham pedido aumento do montante das suas bolsas. O valor que interessa é, desses 62.000 bolseiros :
- Quantos já estão em casa porque desistiram
- Quantos estão em casa à espera que mais dinheiro chegue para poderem pagar as propinas, e que ao perderem as aulas sujeitam-se a perder o ano e já não podem ser considerados para bolsas para o ano
- Por último, quantos desses já foram contabilizados pelas instituições de caridade por irem pedir comida.

Sr. Gago, nós não somos burros nem cegos. 612 é um número bonito, mas é apenas o mais pequeno que tem em seu poder. Menos hipocrisia, mais realidade.
0,1% de aumento da parte do Estado para Acção Social.
O meu número é mais pequeno que o seu. Use este!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Acto terceiro, cena sexta.

Estúpida. Não serves para nada. Não digas isso... Digo sim. Estúpida. Ela vai à casa de banho e chora. Olha-se no espelho - não é nada bonita. Não sou nada bonita... Não és nada bonita. És uma puta. Não, nem para puta serves. As lágrimas escorrem-lhe pela cara. O sangue escorre-lhe pelas pernas. Tem o vestido manchado. Olha, Pedro, tenho o vestido manchado com sangue. Então lava-o, estúpida. Já nem lavar a roupa sabes? Porra. Mais valia ter casado com um cão. Sim - um cão. Estás a ouvir? Era melhor ter casado com um cão.
Ela chora. Ele grita. Sem piedade. Piedade de quê? De uma puta como tu? Traz-me o jantar que vou ver televisão. Mas antes toma um banho, não te quero a andar por aí a cagar a casa toda. Ela chora. Olha-se no espelho e chora. Deita-se na banheira.
Tenta lembrar-se se sempre tinha sido infeliz (porra! És capaz de chorar mais baixo? Ouvem-se os teus guinchos daqui!) e chora.
Tenta limpar o fio de sangue que não pára de lhe escorrer pelas pernas e chora.
É uma inútil - sou uma inútil - e chora.
Tenta lembrar-se se sempre tinha sido infeliz e chega à conclusão que sim. Nunca tinha sido feliz. Chora. As lágrimas misturam-se na água e no sangue.
É uma puta.
Sente-se uma puta.
Sou uma puta...
És uma puta, Inês. Uma puta.

Para o PSD as leis servem para se saltar por cima delas


Alberto João Jardim quererá que Teresa Morais e Regina Bastos, as duas candidatas incluídas na lista do PSD ao Parlamento Europeu (PE) em lugar elegível no quadro da lei da paridade, venham a renunciar aos seus mandatos. A revelação foi feita no Funchal pelo líder dos sociais-democratas madeirenses e pelo deputado do PSD Guilherme Silva, que admitiu ter havido negociações nesse sentido com a direcção nacional do partido.

A renúncia das duas candidatas terá sido a condição imposta por Jardim para aceitar que o candidato por si proposto ficasse com o 8.º lugar nas listas, não elegível e visto como uma despromoção face ao 6.º posto ocupado nas últimas eleições europeias pelo ainda eurodeputado Sérgio Marques. Com a saída de Teresa Morais e Regina Bastos, 3.ª e 6.ª nas listas, o nome proposto pelo PSD-Madeira subiria duas posições e ficaria em posição de ser reeleito. Nunca um candidato proposto por Jardim deixou de ser eleito nas europeias.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

"Nós temos razão. Não cederemos."


Faz hoje 40 anos da revolta estudantil em Coimbra.
É com muito gosto que vejo Celso Cruzeiro, antigo dirigente da crise académica de 69 a recordar "a recusa de uma Universidade a reboque do desenvolvimento capitalista" como reivindicação dos estudantes de Coimbra "que se mantém actual" 40 anos depois.
E continua dizendo "Recusávamos também uma Universidade tecnocrática, que abdicasse de ser um centro humanista e autónomo de investigação".

Recorde-se que começa com um pedido de palavra do, na altura, presidente da AAC, Alberto Martins, agora líder da bancada parlamentar do PS, tendo o pedido sido recusado e a cerimónia abruptamente terminada.

Não há necessidade de aulas de história, lembro apenas uma das faixas que dizia : "Escola para todos"

Deixo uma pergunta neste canto infinito da "comunidade dos patos" na esperança de um dia ser respondida.
Sr. Alberto Martins. Se fosse estudante do superior, aceitava esta "Universidade" tecnocrática que é só para os que podem? Que corre com os que não têm e não deixa entrar muitos que querem? Dir-me-ia que "a nossa dignidade obriga-nos a proclamar bem alto uma alternativa de solidariedade..."?

Standard operating procedure

Barack Obama publicou hoje relatórios mantidos secretos pela administração Bush sobre actos de turtura praticados sobre os prisioneiros em Guantanamo e noutros centros de detenção pelo mundo.

Os relatórios revelam que o departamento de justiça aprovou em 2002 dez técnicas de tortura, que incluem privação de sono, máscaras faciais, bofetadas, walling (empurrar a pessoa contra a parede repetidamente), confinamento, colocação de insectos na sela se a pessoa tivesse fobia e o waterbord. O waterbord é uma técnica de tortura que produz a sensação de afogamento.

O título do post é roubado a um filme que vi no DocLisboa, que mostra que todas estas práticas eram consideradas "procedimento padrão".




quarta-feira, 15 de abril de 2009

2 000 000

O Banco de Portugal identificou 2 milhões de pessoas a viver abaixo do limiar de pobreza em Portugal no ano de 2006. Um quinto da população.
Destes 2 milhões cerca de um terço exercia uma profissão regular.

3 anos depois do estudo, em tempo de crise e de aumento do desemprego, os números deverão ser bem mais altos.


Ainda alguém se lembra das promessas do Sócrates?

terça-feira, 14 de abril de 2009

PSP de todos. Para todos.

Sindicato da PSP quer que novos estatutos da polícia garantam respeito pela orientação sexual (Público)

O Sindicato Unificado da PSP, SUP, o terceiro mais representativo do sector, quer que a revisão do estatuto da PSP, em marcha, garanta o princípio da não discriminação da orientação sexual, algo que estava ausente. Para aquele sindicato, este é um assunto que não basta que esteja garantido só na lei fundamental, a Constituição da República.

Mais 5 pontos para SUP (Sindicato Unificado da PSP)
“Se nós profissionais de polícia, no relacionamento com o cidadão, estamos obrigados a não discriminar com base na orientação sexual, por que é que internamente isso não se pratica?”, diz Ernesto Rodrigues, que adiantou ao JN que a homossexualidade existe na PSP e que ainda é alvo de chacota.

Menos 5 pontos para SPP (Sindicato dos Profissionais da Polícia)
Já o Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP) nega que a homossexualidade exista dentro da PSP: “Não me parece que na PSP exista [homossexualidade]. É um mundo muito masculino”, disse ao JN António Ramos do SPP.

Vá lá. É bom saber que ainda há Sindicatos, que ao contrário de outros, defendem os direitos de todos obstante do seu peso na organização.
Estou a bater palmas.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A crise e as propinas

Desde o início do ano que se acumulam as notícias sobre o aumento considerável dos pedidos de bolsas por parte dos estudantes universitários que se tem registado e das milagrosas soluções (1, 2) que o governo e as universidades vão inventando para tentar manter os alunos. Não pensemos que é por pura solidariedade para com os estudantes ou por preocupação com o futuro do país, mas antes porque o financiamento depende do número de inscritos.

Hoje dizem-nos aquilo que já tínhamos vindo a observar há meses: as desistências dos alunos inscritos no ES estão a aumentar rapidamente e as propinas elevadas são o principal motivo. O ISEL registou este ano o dobro das desistências do ano anterior que atingem os 30% segundo números oficiais, embora haja quem aponte mais para os 50%.

Não é de espantar, e vem no seguimento do post do Nuno.
Portugal é dos países onde menos se investe no Ensino Superior e deste, a parte dedicada à acção social é mínima. As Universidades, na falência ou em vias disso, sobrecarregam os estudantes com aquilo que devia ser a responsabilidade do Estado, chegando mesmo a utilizar práticas ilegais como utilizar as verbas das propinas para pagar salários.
A solução Mariano Gago é levar os estudantes a hipotecarem as suas vidas, forçando-os a contraír empréstimos para pagar os estudos.
O estatuto de trabalhador-estudante feito em cima do joelho não se adequa à realidade de todos aqueles que se vêm obrigados a trabalhar para pagar as propinas o que, associado à falta de uma rede de ensino público pós-laboral, impede uma grande parte das pessoas de conciliarem trabalho com estudo.

Assim assiste-se àquilo que era óbvio desde o início: as políticas do governo para a educação aprofundaram ainda mais as desigualdades no seio da universidades e estão a elitizar progressivamente o sistema e ensino.

Para Sócrates e Mariano Gago só cá fica quem pode pagar. Faz-me lembrar qualquer coisa...

Alunos, Reitores e Europa


Associação Europeia das Universidades apela aos governos
Investimento no Ensino Superior e investigação é melhor forma de ultrapassar crise

Aconselho a leitura de todo o artigo, mas deixo uma parte:
A associação quer que os países europeus ultrapassem o grande investimento em educação e investigação estabelecido no pacote de estímulo à economia norte-americana e a apoiar quer a investigação quer as famílias de estudantes no ensino superior, que se esforçam para pagar os custos deste nível de instrução. Apela ainda a esforços renovados dos governos para atingir o objectivo de investimento de 3,0 por cento do PIB em investigação e de 2,0 por cento no ensino superior, tal como proposto pela Comissão Europeia.
A declaração destaca que um pacote de estímulos na Europa é necessário para criar oportunidades reais e incentivar os jovens investigadores, tirar partido do financiamento da aprendizagem ao longo da vida em todo o continente e melhorar as infra-estruturas das universidades.


Tenho prazer (pouco) em debitar os seguintes números:
Orçamento para Ensino Superior de Portugal (números aqui e aqui)

2008 - 1.731.698.886€ (1,03% do PIB)
2009 - 1.881.974.663€ (1,08% do PIB)

Enfim. Era necessário multiplicar por dois.

Só mais um reparo... O investimento na Acção Social por parte do Estado em tempos de crise foi de 0,1%.
210.292.271€ em 2008 para 212.051.782€ em 2009.

Ensino Superior para todos... Sim sim.

sábado, 11 de abril de 2009

IRS

É daquelas coisas que deviam ensinar a fazer nas Aulas de Formação Cívica....


A entrega via internet do Modelo 3 para quem tenha apenas auferido rendimentos do trabalho dependente ou pensões (só anexos A, H e/ou J) pode ser feita até dia 15 de Abril!
Para quem obteve rendimentos de outra natureza (anexos A, B, C, D, E, F, G, G1, H, I e J), o prazo vai até 25 de Maio.

Este ano a ajuda de preenchimento está bastante sofisticada, contando inclusive com um formulário de pesquisa rápida de conceitos - que confesso que foi bastante útil para decifrar aquele tipo de linguagem....

Está ainda ao dispor uma linha help-desk [707 206 707], nos dias úteis das 8h30 às 19h30.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Music of resistance

Aqui fica um pequeno documentário sobre o trabalho do Chullage e a realidade dos bairros sociais da zona da grande Lisboa. Um trabalho tão bom não podia, claro, vir de dentro - o mérito vai para a AlJazeera.





Por cá, prefere-se fazer novelas...

Vive a cidade!

Mais um piquenique organizado pelo GAFFE.


Amanhã os patos lá estarão a curtir o espaço público!

porque a religião não está acima do homem

Há duas semanas o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas declarou a difamação religiosa como uma violação dos direitos humanos.
Nós por aqui, patos seculares e progressistas, declaramos que as Nações Unidas perderam o tino e respondemos assim:




quarta-feira, 8 de abril de 2009

Alguém o tira de lá?!


Já sabemos que inteligência e sensibilidade são coisas que dificilmente podemos esperar vindas de Berlusconi, mas ele, mesmo assim, às vezes consegue surpreender-nos.

A propósito do sismo que devastou uma área de Itália e matou dezenas de pessoas, Silvio achou por bem dar uma palavra de solidariedade às centenas de desalojados que se encontram acomodados em tendas: “Não lhes falta nada. Têm cuidados médicos, comida quente... Claro que o actual lugar de abrigo é provisório, mas há que encarar a situação como um fim-de-semana no parque de campismo”.

Não disse, claro, uma única palavra sobre o silenciamento por parte do governo do sismólogo que alertou para a iminência do sismo e que poderia ter salvo algumas vidas.

Silvio Berlusconi, que vive num palacete em Roma, acha que a experiência de alguém que de repente se vê sem família, que perdeu amigos, que viu a sua casa destruída bem como tudo aquilo que possui, é a mesma de alguém que vai passar um fim de semana num parque de campismo.

Não lhes falta nada?!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Ainda em França...

Este é um texto que o José Carlos Santos, estudante de cinema em Estrasburgo, me enviou sobre a greve dos estudantes do Ensino Superior:



Enviado por StrasTv


«Apelo à Presidência da Universidade de Estrasburgo:

Reunidos ontem em Assembleia Geral, cerca de 1000 estudantes mostraram que nenhum travão irá parar a luta que continua há mais de dois meses. Foi votado com uma grande maioria a continuação do bloqueamento dos edifícios Platane, Patio, Portique e da faculdade de Direito. Apesar da ampliação do movimento em Estrasburgo e em toda a França, a Presidência não cessa de tentar sabotar as sua acções. O anfiteatro 1, local principal das nossas decisões e onde normalmente se realizam as AG's estava bloqueado quando nós chegámos à Universidade (depois da evacuação forçada por parte da Policia de Intervenção, pois durante a semana precedente à cimeira da OTAN as aulas foram interrompidas..) As portas do anfiteatro estavam bloqueadas com correntes e cadeados, eco daquilo onde a direcção nos quer enrolar. Os estudantes e outro pessoal administrativo querendo fazer valer o seu direito de se reunir democraticamente, não cederam à obstrução: para entrar, as correntes foram forçadas. É a este ponto extremo que a Presidência nos leva. Já dentro do anfiteatro, os estudantes constataram que a electricidade foi-lhes cortada, saímos portanto, pois era impossivel realizar uma AG nessas condições. A AG foi portanto realizada na “Place Rouge” (nome dado à Place de l'Athena..) em frente à faculdade de Direito, e aberto a todos e todas.

Apesar destas medidas de repressão mesquinhas, os estudantes e pessoal não se desmoraliza, já faz dois meses (!) que conhecemos este género de tratamento.

À chegada da cimeira da OTAN (que podemos perfeitamente entender como um pretexto para acabar com a mobilização) o Patio, ocupado pelos estudantes, encontrou-se bloqueado, mas pela direcção... Todas as entradas e saídas foram-nos fechadas, por equipa de segurança extraordinariamente para o efeito, e que além do mais impediam o acesso à casa-da-banho bem como a possibilidade de ir buscar comida ou àgua, policia chegou pouco depois. Deixando ver que a Presidência da Universidade não representa os alunos mas que no entanto se situa na lógica que é a mesma depois do inicio do movimento; colaboração directa com o governo, trabalho de sabotagem permanente do movimento universitário, acusações falsas, instrumentalização duma dita “opinião universitária” justificada por petições que não passam da expressão duma outra minoria... Senhoras e Senhores da Presidência, constatem que os vossos obstáculos não chegam para parar um movimento massivo e que conhece pouco precedentes históricos.

A AG realizada democraticamente, e ao sol, apesar dos vossos esforços, pronunciou-se maioritariamente por um semestre “plancher” (os estudantes terão todos a nota de 10, e aqueles que quiserem realizar trabalhos específicos para aumentar a nota podem-no fazer). Pois a ocupação e o bloqueamento não acabará até que a reforma LRU e as outras que lhe estão ligadas forem retiradas pelo ministério. E o nosso movimento tão pouco pode ser 1 pretexto para penalizar os estudantes em luta, a assembleia geral reclama imperativamente a aplicação desta medida para todos os estudantes da Universidade de Estrasburgo.

Esperamos que possamos chegar a um acordo sobre este ponto e também que parem a obstrução: A responsabilidade da perda do semestre será-vos incubida em caso de recusa ou de novas manipulações.

AG, quinta-feira 9 de Abril, 13h

Foi este o comunicado, posso-te dizer que a medida de 1 semestre “plancher” já foi aplicada em Bordeaux 3, embora o Presidente da Univ. de Estrasburgo tenha dito que é absolutamente contra, E disse também que ele pode fazer o que quiser.. É 1 cabrão dos grandes..

E a LRU é semelhante ao RJIES, embora não tenha sido por causa dela que a greve começou, a sua retirada é agora uma das nossas principais reivindicações.»

Tiro no pé. Menos um dedo.


Uma questão de credibilidade ( Miguel Portas ) @ Esquerda.net

Durão Barroso é o candidato do PS à presidência da comissão europeia?
Fiquei um tanto ou quanto atordoado com a notícia.
Tendo em conta que se ouviu falar que os socialistas europeus deviam ter um candidato seu, o Vitalino Canas vir dizer que o Durão é o candidato do PS à presidência da comissão europeia... Uau.
Fica só a nota para o facto da Ana Gomes ter afirmado que o PSE "perderia toda a credibilidade" se defendesse o Durão.
Deixo o último parágrafo do artigo do Miguel Portas:

"A conclusão deste caricato episódio é óbvia: discurso para a esquerda e política para a direita. Finalmente se percebe o significado do singular plural majestático sem verbo do 'nós europeus'... Não é defeito, mas feitio."

"Porreiro pá."

É mais barato matar...


A Pfizer vai ser obrigada a pagar cerca de 50 milhões de dólares em indemnizações por usar crianças nigerianas como cobaias para testar medicamentos.

Em 1996, a Pfizer aproveitou um surto de meningite para ensaiar um novo medicamento, mesmo sem autorização dos pais das crianças. Das 200 crianças que foram sujeitas a testes, 11 morreram e as restantes ficaram com graves danos cerebrais.
A Pfizer nunca poderia fazer algo semelhante em qualquer país do "Norte" e, se de alguma forma o conseguisse fazer, haveria ondas violentissimas de indignação e protesto e os responsáveis seriam verdadeiramente condenados.
Isto passou-se na Nigéria tal como poderia passar-se na África do Sul, na Índia ou no México. É que o uso de pessoas como cobaias para testes de medicamentos nos países menos desenvolvidos não se limita a este caso, nem é exclusivo da Pfizer. As grandes farmacêuticas servem-se do facto de as pessoas viverem em situações de pobreza extrema, de não poderem pagar a sua sáude e de terem pouco acesso à informação, para as convencerem de que as estão a tratar, quando na verdade estão apenas a usá-las para testes. Vale a pena ler este artigo do Le Monde Diplomatique sobre o assunto.

Quando corre mal e as famílias ou os governos decidem tentar fazer justiça, os processos legais demoram anos e anos - passaram-se 13 anos desde este caso - e no final a farmacêutica é obrigada a pagar o equivalente a uma migalha e mesmo assim refila. A Pfizer, que anunciou a meio do ano passado que o seu lucro tinha subido para os 2,77 biliões de dólares e a sua receita para 12,1 biliões, vai pagar uns míseros 50 milhões de dólares por ter usado pessoas para testes sem o seu consentimento e por lhes ter causado graves problemas de saúde ou mesmo a morte.

Para a Pfizer, assassinar pessoas é bem mais rentável do que seguir o caminho legal. E, ao que parece, ninguém se preocupa muito com isso.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Nas universidades também se reinventa a escravatura



O Senado da Universidade do Porto lançou uma ideia peregrina para resolver os problemas dos estudantes que não conseguem pagar os seus estudos: uma bolsa-ferrete.

Nos últimos meses têm vindo a aumentar significativamente os pedidos de bolsas de estudo por todo o país, os pagamentos de propinas são cada vez mais empurrados para o final do ano lectivo, há estudantes que se vêm obrigados a recorrer a empréstimos porque a bolsa já não chega.

A UP não é excepção, e como tal teve de arranjar um esquema que permitisse manter o nº de alunos sem ter de desembolsar muito por isso. Assim arranjou 2 medidas de “apoio” suplementares:

Um subsídio de emergência no valor da propina máxima, mas apenas para os alunos “com adequado aproveitamento escolar e que comprovadamente não possuam recursos financeiros para fazer face aos custos de frequência, do seu plano de estudos, esgotados que foram todos os recursos sociais ao seu dispor”. Só os bons alunos é que merecem ficar, os maus só ficam se conseguirem pagar.

Mas como uma má medida nunca vem só, decidiu arranjar um esquema de bolsas extraordinárias para estudantes não elegíveis que não lhes custasse quase nada. E nós sabemos bem o número enorme de pessoas que vivem com dificuldades mas que vivem um bocadinho acima do limiar da bolsa. Para esses há uma boa solução: podem receber o equivalente ao preço das propinas em senhas de refeição, vendo-se por isso impedidos de usar a bolsa para outras coisas como livros, fotocópias, transportes, …, e obrigados a fazer num ano mais de 400 refeições nas cantinas dos SASUP.
Por incrível que pareça, isto não acaba aqui. A UP exige que «Qualquer estudante que beneficie desta bolsa poderá ser chamado a colaborar em tarefas “no âmbito de qualquer Unidade Orgânica, em actividades compatíveis com as suas competências e disponibilidades em condições semelhantes às dos demais colaboradores até ao limite do montante do subsídio atribuído, tendo como base de cálculo o preço por hora (0,10% do salário mínimo nacional)”
O que dá qualquer coisa como 2160 horas por ano e 9h45 por dia.

Mesmo que estivéssemos a falar de um trabalhador a tempo inteiro já poderiamos questionar o cumprimento dos direitos laborais.
No entanto, se pensarmos que esta pessoa é um estudante, que quer estudar e não consegue pagar as propinas, e será obrigado a trabalhar 10h por dia para trocar por senhas de refeição, e a estudar mais 8h segundo a lógica bolonhesa. Isto significa que tem 6h para dormir se não fizer mais nada.

A solução da UP passa por tornar os estudantes seres-semi escravizados, presos a uma bolsa para estudar que os obriga a trabalhar de graça para a UP. Será que isto é sequer legal? E se é, não devia deixar de ser?!

"Isto é uma pouca vergonha!"

A administração Fiscal deixou prescrever 3,7 milhões de Euros de correcções ao IVA de 2004 a um conjunto de 13 instituições financeiras. Só do BCP o Estado não recebeu 2,2 milhões.

É cada vez mais claro quem está, de facto, a pagar esta crise.
Todos os dias ouvimos noticias de despedimentos e cortes salariais. Pedem-nos que aceitemos a "flexibilidade", que paguemos os nossos impostos e apertemos o cinto. É a crise que aí vem!
Provavelmente também já era altura de exigir às grandes empresas do sector financeiro (e outras que tal) que paguem os seus impostos, cortem nos salários, nos prémios, nos carros e nos luxos...
Não se porquê, tenho este feeling que estas exigências não irão partir, nem deste Governo, nem daqueles que se avizinham num futuro próximo.

Usando as palavras da senhora que vinha atrás de mim hoje no autocarro: " isto é uma pouca vergonha!!"

O texto da quezília


Foto de wehavekaosinthegarden

JOSÉ SÓCRATES, O CRISTO DA POLÍTICA PORTUGUESA
João Miguel Tavares

Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. A intervenção do secretário-geral do PS na abertura do congresso do passado fim-de-semana, onde se auto-investiu de grande paladino da "decência na nossa vida democrática", ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.


José Sócrates, no entanto, preferiu a fuga para a frente, lançando-se numa diatribe contra directores de jornais e televisões, com o argumento de que "quem escolhe é o povo porque em democracia o povo é quem mais ordena". Detenhamo- -nos um pouco na maravilha deste raciocínio: reparem como nele os planos do exercício do poder e do escrutínio desse exercício são intencionalmente confundidos pelo primeiro-ministro, como se a eleição de um governante servisse para aferir inocências e o voto fornecesse uma inabalável imunidade contra todas as suspeitas. É a tese Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro - se o povo vota em mim, que autoridade tem a justiça e a comunicação social para andarem para aí a apontar o dedo? Sócrates escolheu bem os seus amigos.

Partindo invariavelmente da premissa de que todas as notícias negativas que são escritas sobre a sua excelentíssima pessoa não passam de uma campanha negra - feitas as contas, já vamos em cinco: licenciatura, projectos, Freeport, apartamento e Cova da Beira -, José Sócrates foi mais longe: "Não podemos consentir que a democracia se torne o terreno propício para as campanhas negras." Reparem bem: não podemos "consentir". O que pretende então ele fazer para corrigir esse terrível defeito da nossa democracia? Pôr a justiça sob a sua nobre protecção? Acomodar o procurador-geral da República nos aposentos de São Bento? Devolver Pedro Silva Pereira à redacção da TVI?

À medida que se sente mais e mais acossado, José Sócrates está a ultrapassar todos os limites. Numa coisa estamos de acordo: ele tem vergonha da democracia portuguesa por ser "terreno propício para as campanhas negras"; eu tenho vergonha da democracia portuguesa por ter à frente dos seus destinos um homem sem o menor respeito por aquilo que são os pilares essenciais de um regime democrático. Como político e como primeiro-ministro, não faltarão qualidades a José Sócrates. Como democrata, percebe-se agora porque gosta tanto de Hugo Chávez.

Ainda Barroso

Julgo que o tema da recondução (ou reeleição?) de Durão Barroso vai dar água pela barba. Ainda recentemente o Luís Tito nos apresentou a página do corrente Presidente da Comissão Europeia claramente já em versão eleitoral (e com desejo de se corresponder com ingleses, franceses, alemães, espanhóis, italianos e… polacos. Bom, decerto terá entendido que três línguas latinas seriam suficientes. Grande portugalidade). Adiante.
A razão deste texto tem a ver com o comentário que o Vasco Campilho aqui postou, e que dava conta que o PS português se opunha à oposição do PES no que respeite à reeleição de Barroso.
Bom, sem querer duvidar das informações que o Vasco possa ter junto da Secção Portuguesa da Internacional Socialista (link daqui), a verdade é que ainda muito recentemente Vital Moreira parece que confirmou que o PSE não deveria apoiar o candidato do PPE, mas sim apresentar candidato próprio (na linha, aliás, do que o Presidente do PES já referira em recente entrevista ao Le Monde).
Sobre o que diz acerca do PPE e do PSE, julgo que é evidente - para quem queira perceber - as diferenças entre estes dois partidos europeus. O PPE apresenta-se como um produto político exclusivamente táctico, sem programa, ideias, projectos ou propostas. O número Barroso só aconteceu depois das insinuações dos apoios de governos… socialistas.
Os socialistas e sociais-democratas apresentam-se com a força das suas ideias e das suas propostas, observando, e bem, que tem sido a direita liberal e conservadora quem tem dominado a política das instituições europeias, em muito responsável no actual estado das coisas. Bem sei que para alguns as ideias e as propostas não são importantes em política, nem quando essas propostas são concretas e procuram responder a problemas concretos da vida dos cidadãos e cidadãs europeus.
Agora, devo dizer ainda que me parece que se faz confusão quando se refere à actual situação do Presidente da Comissão. Ele pode ser reeleito ou reconduzido? É que para ser reeleito, ter-se-á de se basear num resultado eleitoral, saído da eleição de Junho. Se for para ser reconduzido, então estará a basear a sua legitimação no apoio dos Governos da União. A verdade é que o próximo Presidente da Comissão Europeia necessitará de ambas as legitimidades - a popular e a estatal – e Barroso (e a direita) têm de saber isso. O que quer dizer que se quiserem levar a sua por diante, a direita tem de recentrar o seu discurso, pois por agora dizem querer reeleger Durão com base nos putativos apoios à sua recondução. Nada oiço sobre uma vitória eleitoral, apenas do apoio de Estados ou de estadistas.
Bem sei que é norma na direita (e na direita europeia) reduzirem a política à elite, menosprezando sistematicamente as bases, tudo decidindo no cume dos seus directórios partidários, mas é ridículo tratarem milhões de europeus como actores insignificantes do processo político europeu.
Outras considerações aparte, a realidade é que esses cidadãos europeus, quase 500 milhões, merecem mais respeito. E merecem saber que é do seu voto que a nova realidade parlamentar europeia vai ser definida. Que são eles quem vão decidir sobre o rumo a dar à Europa. Que eles têm a possibilidade de alterar o curso liberal que a Europa, com péssimos resultados, tem seguido nos últimos anos.
Em última análise, deverão ser os cidadãos da Europa, com o seu voto, a decidirem quem tomará conta do leme da Comissão para os próximos 5 anos, e não o directório do PPE (que nem tem alguma ideia o que fazer com a Europa, onde anda o seu manifesto eleitoral?). É por uma Europa democrática que (todos) temos de lutar. Nos partidos, na política, e nos blogues. Não posso, nem quero, acreditar que ainda há quem julgue que apenas uns quantos tudo devem decidir entre eles.
Dependendo da referência, fazem este ano 233 anos que a Revolução Americana e 210 anos que a Revolução Francesa colocaram o cidadão comum no centro da política. Não nos esqueçamos disso, e saibamos respeitar o voto do eleitorado e as instituições democráticas que tanto trabalho deram a construir e a aperfeiçoar. E por isso, e porque é bem possível que o grupo do PSE seja maioritário no Parlamento Europeu em Setembro deste ano, sugiro que alguma direita comece a pensar num outro plano que não o «B».
(um aparte: acho muita piada – mesmo – que o Vasco continuar se incomode com o facto do PSE (ainda) não ter indicado candidato á Presidência da Comissão Europeia, quando o PSD continua a chutar para canto – ou para a bancada – a apresentação do seu cabeça-de-lista ao círculo de Portugal ao Parlamento Europeu).
[texto também publicado no Eleições 2009 e na Loja de Ideias]

Estes não vêm nos jornais


Um grupo de colonos israelitas atacaram os residentes do bairro Al Sa’diyya de Jerusalém Oriental e ocuparam as suas casas, alegando que as tinham comprado.
Os residentes que tentaram proteger o seu bairro foram detidos pela polícia israelita e levados para a prisão para serem interrogados. Durante a ocupação, soldados israelitas rodearam o bairro, impedindo a entrada e a saída de pessoas e proibiram o acesso à imprensa.
O mesmo aconteceu em Hebron.

Esta é a violência diária sofrida pelo povo palestiniano, que vê os seus bairros ocupados ou destruídos, as suas plantações atacadas, as suas lojas assaltadas, que é impedido do acesso a cuidados médicos adequados, que é sujeito constantemente a detenções e interrogatórios ilícitos (etc, etc, etc)... É esta a violência diária sofrida por um povo que vê a sua vida constantemente adiada e a quem são negados os direitos humanos mais básicos com o aval da comunidade internacional.

É esta a violência que não vem nos jornais, porque é sempre mais fácil apontar o mau da fita quando só se conhece um dos lados.

O International Middle East Media Center é um projecto levado a cabo por jornalistas palestinianos e internacionais para cobrir e transmitir o outro lado do conflito Israelo-Palestiniano.


domingo, 5 de abril de 2009

Direito à parvoíce

Isto pode parecer um texto à Gato Fedorento, mas eu acredito que todo o Homem tem direito a ser parvo. E dizer coisas parvas. E a escreve-las. E este deve ser um direito inalienável. Independentemente de quem este Homem (ou Mulher, naturalmente, e daí a letra capital) seja. E independentemente do que faça, ele ou ela tem o direito a ter opiniões… parvas. Pronto, menos bem conseguidas, sem nexo, estapafúrdias.
E assim, o que fazer com a opinião dos parvos? Devemos limitá-la? Impor-lhe regras? Devemos processar os parvos por cada parvoíce que dizem? Claro que não. Nada mais faríamos.
O mundo, infelizmente, não está dominado por pessoas inteligentes. Muito pelo contrário. É abundantemente reconhecida a incompetência e a mediocridade de muitos dos governantes mundiais. E não é por isso que deixam de governar. Por isso, porque é que os parvos hão-de ser inferiores aos medíocres e aos incompetentes? Não vejo razão. Se uns podem governar, porque é que outros não podem opinar?
Já entenderam que me refiro ao caso José Sócrates - João Miguel Tavares [JMT]. Espero.
Aí, apesar de reconhecer todo o direito ao José Sócrates em processar o jornalista do DN, devo reconhecer que acho tal acto um pouco desnecessário. O que é que se pode provar com uma sentença a favor do secretário-geral do PS? Que o que João Manuel Tavares escreveu é ofensivo? É injurioso ou insultuoso? Que é parvo? Mas isso já sabe há algum tempo. É mesmo necessário que uma sentença judicial o confirme? Para quê? E, aliás, não tem o João Miguel Tavares o direito de ser o que bem queira ser, e de livremente se expressar e opinar?
Eu acho que sim. E acho que José Sócrates neste caso foi mal aconselhado. A não ser que o intuito fosse chamar mais a atenção para o que JMT escreve, e, como o dito jornalista tem escrito em nome da oposição, levar que se associe a sua parvoíce à parvoíce do PSD (apesar de achar isto também desnecessário, pois também essa característica do maior partido da oposição é bem conhecida)

E pensar em desmantelar o arsenal?


Esta noite, a Coreia do Norte lançou um míssil que sobreevoou o Japão. Notícia que já fez o conselho de segurança das nações unidas reunir. Entretanto, Obama diz hoje que defende um mundo sem armas nucleares. Critica a Coreia, e diz que se a ameaça iraniana persistir, os EUA, avançarão com o sistema anti-míssil: “Mas se a ameaça iraniana deixar de existir, temos uma base sólida para a segurança e a força motriz para a construção de um escudo antimíssil na Europa será removida”.

Coloca, portanto, a responsabilidade de avançar para esse mundo bonito nos outros países.
Porque não começar a arrumar primeiro a casa?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Barroso? Não sei não...



À conta do que por aqui se tem escrito (Nuno Gouveia, Vitor Dias, Gabriel Silva), tenho-me interrogado se há alguma inevitabilidade na recondução do José Manuel Durão Barroso no leme da Comissão da União Europeia. E a verdade é que não. Não há.
Pelo contrário, acrescento. Se se entender a Europa como uma entidade política madura, com instituições consolidadas e com um corpo político próprio devidamente legitimado e regularmente sufragado, então tenho a dizer que a reeleição do senhor Barroso tem algumas dificuldades.
Como bem recordou o Presidente do PES em entrevista recente ao Le Monde, « Si nous avons une majorité, ou une coalition majoritaire au sein du Parlement, nous ferons en sorte d’avoir notre candidat pour la présidence de la Commission. Il est clair que si la droite n’est pas majoritaire, mais qu’une autre majorité se dégage autour des socialistes, des Verts et de la Gauche unitaire européenne, alors José Manuel Barroso ne pourra pas être reconduit».
Neste momento, este é o cenário que se espera. Mais ainda com o anuncio dos conservadores britânicos de abandonarem o Grupo Parlamentar do PPE-ED. Assim, se os resultados das eleições forem respeitados - e o PES for a força maioritária – Barroso deverá ter dificuldades em garantir a reeleição.
Não respeitar esta análise, será reduzir a Europa às decisões dos Estados, e dar um bom par de passos para trás no processo de integração política da União, colocando ao mesmo tempo em causa o papel e o poder das instituições europeias sufragadas directamente (como é o Parlamento Europeu).
Entendo que os governos actuem na defesa dos seus interesses nacionais, e que nesse sentido seja legítimo a quem queira apoiar a reeleição do actual Presidente da Comissão; mas a política europeia não se faz, hoje, somente do que os Estados querem e podem. Há, felizmente, mais. Os Partidos Europeus, ainda que em alguns casos fracos, existem e tem consolidado o seu espaço político. E o Presidente do PES foi muito claro a este respeito, quando refere que ele «parle au nom du PSE. Pas des gouvernements nationaux ! Une chose est sûre : le PSE ne soutiendra pas M. Barroso. C’est le candidat du Parti populaire européen (PPE). Il ne représentera jamais les opinions de la famille socialiste, même si certains gouvernements sociaux-démocrates le soutiennent, pour des raisons nationales. Le dernier mot doit revenir au Parlement après les élections».
Também acredito nisso.
(achei estranho que há quem pense que as propostas políticas apresentadas pelos partidos às eleições que concorrem não tem muito interesse. Bom, olhando para a generalidade da oposição portuguesa até entendo isso, mas julgar que toda a política se faz pela tarimba nacional é, no mínimo, ser muito pouco exigente. Tema a voltar)
(aproveito ainda para referir que a iniciativa anyone but Barroso partiu de três bloggers activistas do PES, Jon Worth, o impulsionador da ideia, Jan Seifert e Valéry-Xavier Lentz. E ainda há quem diga que não existe política à escala europeia).
[imagem retirada do blogue do Jon Worth]
[texto publicado no eleições 2009 e na Loja de Ideias]


quinta-feira, 2 de abril de 2009

A indústria nuclear não gosta da paz verde

Um antigo executivo da EDF (a operadora do maior reactor nuclear mundial), que agora detém a British Energy foi acusado de espionagem à Greenpeace - conhecida por fortes campanhas contra a indústria nuclear e pela promoção de um mundo mais sustentável.

Ao que parece, que objectivo era atacar o sistema informático da organização.


É sempre chato para estes senhores quando alguém acredita que há vida além do lucro.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

G20


De Londres e da reunião do G20 há quem espere que saia um novo sistema de Bretton Woods. Sarkozy acha mesmo que existe a oportunidade histórica para dar uma nova consciência ao capitalismo. O problema é que a dicussão, simplista e redutora, como aquela que tem feito nos media Durão Barroso e afins, sobre o assunto da regulação não chega para pegar o boi pelos chifres e nem para ajudar a curar a bebedeira.



Nouvelle Vague, Too Drunk to Fuck

O que está em causa

Vejo, por alguns dos escritos neste blogue (como o Pedro Oliveira, o José Manuel Faria, ou o Vasco Campilho) que tem havido alguma confusão sobre o carácter das eleições de 7 de Junho de 2009 (bem sei que outras razões justificam o menosprezo).
São, imaginava que soubessem, eleições para o Parlamento Europeu.
Quer isto dizer que se vão eleger deputados de todos os Estados-membros da União Europeia para uma instituição que hoje tem uma importância decisiva nos desígnios europeus e, naturalmente, nos nacionais. Esta instituição é o Parlamento Europeu. Europeu, repito, e não nacional.
E, ao contrário do que alguns espíritos nacionalistas apregoam, a verdade é que a Europa política já existe hoje. É verdade que o desenvolvimento partidário europeu encontra-se ainda muito desnivelado. Há partidos que «não existem» (como o GUE), ou que são mantas de retalhos (PPE). O único Partido Político Europeu minimamente consistente, coerente e progressista é o Partido Socialista Europeu.
E o que tem feito nos últimos anos é verdadeiramente espectacular e tem de ser mais divulgado. Ao nível legislativo (europeu), tem combatido, acerrimamente, as políticas neoliberais da direita, defendido os direitos dos trabalhadores europeus e procurado apresentar e desenvolver mais e melhores políticas de protecção social.
Ao nível da preparação e apresentação de propostas progressistas concretas, desenvolveu este manifesto político desenvolvido para que se perceba que as novas respostas para a Europa, que a nova direcção que se deseja para as políticas europeias, são defendidas no seio da família socialista progressista.
Por fim, e para aqueles que se questionam acerca do afastamento das pessoas, dos cidadãos comuns da dimensão europeia da política, é muito interessante observar o que o Partido Socialista Europeu tem feito e promovido ao nível da militância e do envolvimento dos cidadãos europeus nos seus processos de decisão política. O que o PES promoveu em torno da construção do seu manifesto político foi um sucesso.
De toda a Europa choveram ideias, propostas e contributos. De partidos políticos, sindicatos, organizações não governamentais, activistas, de universidades, de todo o lado. Este processo dinâmico e interactivo, totalmente inédito ao nível europeu, provou que (1) é possível envolver diversas camadas do mundo da política e fazer a ponte entre a sociedade civil, a sociedade política e a sociedade académica, (2) que é possível construir conteúdo político com o contributo qualificado destes actores e (3) que é possível respeitar e aceitar a ideias e os comentários de um alargado número de actores, saindo da tradicional visão reducionista e elitista que marca, infelizmente, a construção do conteúdo político contemporâneo.
Portugal, naturalmente, não se ausentou deste debate, e o Partido Socialista e o PES activists Portugal promoveram um alargado debate, envolvendo Universidades, Sindicatos, Juventude Socialista, Departamento das Mulheres Socialistas, Deputados, Eurodeputados, Ministros, activistas, militantes de base e outros (tema a regressar em breve – podem, entretanto, ir vendo o site que construímos e as propostas que apresentámos).
Os socialistas europeus tem assim demonstrado que é possível fazer política com e para as pessoas; que é possível construir um debate construtivo e progressista eficaz com o envolvimento de peritos, académicos, políticos, ministros, deputados, militantes, sindicalistas e de quem queira participar – de forma construtiva – no debate.
Espero que o debate político em torno destas eleições europeias reflicta esta realidade e que dê oportunidade aos eleitores portugueses e europeus de conhecerem as propostas dos diferentes actores políticos em contenda; e que estas propostas sejam apresentadas no seu verdadeiro contexto – no contexto europeu.
E aí, sinceramente, e se se quiser dar um novo rumo à Europa, só há um voto eficaz: o nos Partidos Socialistas, Sociais-democratas e Trabalhistas europeus.
(publicado também no eleições 2009 e no Loja de Ideias)
[adenda: na caixa de comentários fui alertado para o facto de alguns links se encontrarem offline. Pelo que se quiser a documentação citada por favor contacte-me e terei todo o prazer em a disponibilizar. josereissantos@gmail.com]