domingo, 31 de maio de 2009

Destes bairros sociais não se fala

Hoje visitei com a organização de Oeiras do Bloco de Esquerda e bairro social Luta pela Casa, um bairro construído no tempo do SAAL.

Prédios pequenos e simpáticos com laranjeiras à porta de casa. Os grelhadores em cada pátio denunciam a convivência em comum; as crianças a jogar futebol no parque, mesmo ao lado da velhinhas que apanham sol, revelam um espaço que é de todos. O café/associação de moradores/escola de música está à disposição da comunidade, é o espaço de encontro e de participação. A escola está mesmo ao pé, já à saída do bairro.
Tudo é pequeno, tudo é acolhedor, quase familiar mesmo para quem vem de fora. O bairro tem uma dimensão humana, a dimensão das pessoas que o ajudaram a projectar, construindo-o à medida das suas necessidades, há mais de 30 anos atrás.

Há muitas coisas que distinguem este bairro de qualquer outro bairro mais recente, mas há uma diferença fundamental - este bairro foi construído com as pessoas e para as pessoas.

Tudo o resto vêm daí.

O homem que perdeu um rim



A grande divergência é o uso de espelhos no comícios



“Isto sim, é uma festa social-democrata, uma festa que não tem espelhos, que não tem efeitos especiais, ao contrário dos comícios do PS, onde se usam espelhos para duplicar as imagens”

sábado, 30 de maio de 2009

350


De acordo com um estudo da ONU, cerca de 300 mil pessoas morrem todos os anos devido às alterações climáticas que já se têm vindo a fazer sentir. O mesmo estudo aponta para 3 milhões de pessoas afectadas pelos seus efeitos, seja diminuição da água disponível ou dos alimentos produzidos, a ondas de calor ou fogos florestais.
Daqui a 25 anos, estima-se que:

Mais 310 milhões sofrerão de problemas de saúde relacionados com o clima;
Mais 20 milhões de pessoas serão pobres;
Mais 75 milhões de pessoas serão forçados a migrar para tentar escapar aos efeitos das alterações do clima.

Por isso mesmo, há algum tempo atrás, o cientista James Hansen defendeu que deveríamos estabilizar a concentração do CO2 na atmosfera em 350ppm e não em 450ppm, como é defendido pela maior parte das instituições e governos. Hansen afirma que estabilizar a concentração em 350ppm é a única forma de conseguirmos ter a certeza da resposta do planeta porque este valor já pertence ao passado - actualmente a concentração é de 380ppm com tendência crescente.
Hansen justifica que actualmente já se fazem sentir as consequências do aumento da temperatura global e que o "ponto de viragem" (a partir do qual os efeitos podem não ser reversíveis) pode estar algures entre as 350ppm e as 550ppm, pelo que, por um princípio de precaução, deveremos procurar estabilizar a concentração no valor mais baixo do intervalo de perigo. Só assim teremos a certeza que não estamos a interagir com o planeta de formas que não conseguimos totalmente prever nem controlar.
Hansen foi considerado alarmista na década de 90 quando alertou para os efeitos das alterações do clima, entretanto muito daquilo que disse foi sendo confirmado ao longo dos anos.

Em Dezembro, Copenhaga, desenhará a resposta a dar a este problema, esperemos que desta vez, ao contrário de Quioto, a preservação da vida no planeta fale mais alto que os interesses dos senhores do petróleo.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Não fui eu que o fiz... nem concordo com esta forma de activismo político...



Aviso à navegação: o video contem imagens que podem ser consideradas chocantes.

O descaramento tem limites


Dias Loureiro renunciou hoje ao cargo de Conselheiro de Estado.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Movimento Pela Igualdade

Nem só de política partidária se faz política em Portugal. A sociedade civil (ainda) vai existindo, e ainda bem. É um sinal da vitalidade democrática de determinado quando se assista a iniciativas emanadas da sociedade civil, e esta se interessa em defender, fora das estruturas dos partidos, causas e ideais.
Prova recente disso é o recentemente criado Movimento Pela Igualdade no acesso ao casamento civil (MPI), que fará a sua apresentação pública no próximo dia 31 de Maio, no Cinema São Jorge, em Lisboa. O Movimento já reuniu mais de 800 subscrições de figuras públicas, dos diversos quadrantes profissionais da sociedade portuguesa (políticos, académicos, jornalistas, artistas, desportistas, etc.), entre os quais José Saramago, Daniel Sampaio, Lídia Jorge, Soraia Chaves, Herman José, RAP, Lili Caneças, entre muitos outros.
Esperemos pelos desenvolvimentos deste MPI, mas parece que vai ser o Movimento do Ano…

FantasBloco

Muito bom!



Europa, Europas

Tenho aqui por diversas vezes feito referência, assim como vários dos meus colegas, aos aspectos europeus e comparados desta campanha eleitoral europeia. Tenho andado em campanha eleitoral, activa, não por Portugal mas pela Europa. Estou agora em Bruxelas, onde ontem estive numa sessão organizada pelo PSOE Bruxelas, na Maison du People de Saint Gilles (uma casa de grande história e prestigio, por onde passaram – entre outros – Paul-Henri Spaak e Vladimir Lenine). Estive no último fim-de-semana em Roma, numa acção promovida pela Rainbow Rose, organizada em parceria com o Partido Democrático e com o Partido Socialista; e no fim-de-semana anterior na Roménia, onde percorri mais de 1400 km e participei em diversas acções de campanha.
Por isso, pela intensidade destes dias, não tenho aqui ocupado muito espaço. Tentarei escrever nestes dias próximos sobre estas experiências. É que afinal, as caravanas andam em corrupio por essa Europa fora. Há por ai mais Europas, que a Europa que se vende em Portugal.

D. Dinis enforcado. Olarila



D. Dinis com a corda na "garganta" em Coimbra mostra "asfixia financeira" das universidades (Público)

"O subfinanciamento crónico do Ensino Superior com a crise económica ficou ainda mais agudizado. A Universidade de Coimbra e todas as outras instituições do Ensino Superior portuguesas estão asfixiadas”, declarou. O dirigente estudantil sustenta que “investir em época de crise no Ensino Superior é também uma forma de fugir dela”.

“O Ensino Superior em Portugal está a perder, numa altura em que tantas vezes se discute e fala na Estratégia de Lisboa e numa economia baseada no conhecimento. É uma falta de investimento crasso”, considerou.

Jorge Serrote insiste na ideia de que há estudantes “sem dinheiro para pagar propinas” ou com “bolsas verdadeiramente insuficientes” para assegurar os estudos. “É necessário um reforço financeiro para as universidades e para a Acção Social Escolar”, referiu, justificando a escolha da estátua de D. Dinis enquanto “figura histórica ligada à Universidade."


É uma posta só mesmo para bater palmas.
Embora, sabendo todo o enrredo por trás, fica muito por fazer.
Mas vá lá.
"Consciencializa-te filho. Consciencializa-te". O Gago quer-te fora da Universidade se não tiveres dinheiro.

Dear fellow activist!

We are socialists grassroots and we are promoting a call for a new EU commission President.

The European Parliament will elect the next European Commission. We, the voters on June 7 do not only decide the composition of the European Parliament, we also decide upon the driving seat of the EU: The European Commission. The composition of the executive EU body – the European Commission – has to reflect the vote of us EU citizens on June 7.

We call for the PES to build a new progressive majority with a strong Commission President.

We demand respect for our democratic rights! We demand that the Presidency of the European Council makes sure that the European Governments nominate a Commission President that reflects the majority in the European Parliament.

You can:
sign our PETITION
get engaged in our cause on FB
and express your support with a comment .

Thank you!!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Eleições para a AE do Instituto Superior Técnico

Hoje, quem chegasse ao Técnico e tivesse a sorte de ter aulas num específico dos 8 pavilhões do campus, tinha umas urnas de voto à sua espera para eleger novamente a actual AE, já que não há outra lista em concorrência.

Mais uma vez, e tal como no ano passado, a Associação de Estudantes do IST decidiu jogar pela calada, não divulgando que iria haver novas eleições. Uma palhaçada.
Quem quisesse formar uma lista para a AE, ou apenas consultar o Regulamento Eleitoral, tinha de vasculhar o site para descobrir o regulamento (desafio-vos a chegarem lá após abrir uns 4 ou 5 links - http://ae.ist.utl.pt). É claro que não nos podemos queixar de qualquer irregularidade, o documento foi "afixado" a seu tempo...

Não houve campanha, nem ninguém soube que havia um processo eleitoral a decorrer. Hoje chegámos ao IST e tínhamos urnas para votar.
"Já agora posso saber o programa eleitoral?" - Isso está nuns panfletos e nos cartazes. "Mas eu não vi nenhum cartaz..." - Pois, decidimos poupar dinheiro. De qualquer forma não tens muito por onde escolher.

O que acontece? A Comissão Eleitoral é formada pelo presidente de Mesa (AE) + 2 membros do Conselho Fiscal (AE) + 1 elemento de cada lista concorrente. Como só há uma, é mais um da AE. Mesmo que queiramos impugnar, a decisão é da Comissão Eleitoral, que se iria rir na nossa cara.

O mais engraçado é que no Regulamento diz:
«Deverão cumprir e fazer cumprir com o máximo de zelo o presente Regulamento Eleitoral e as regras de convivência saudável de um acto legítimo e democrático.»
Gosto do "Democrático" quando é feito tudo às escondidas. É no mínimo cobarde. Uma marosca recorrente desta direcção.

Poderíamos apelar ao voto em branco por um processo eleitoral transparente, mas nos Estatutos da AEIST a regra (normal) dos 50%+1 de votos brancos que anulam as eleições, simplesmente não existe: excluem-se os brancos e nulos.
Basta um único voto, mesmo no meio de quinhentos em branco, para esta AE ser novamente eleita.

Uma vergonha.

Intervenção de Abertura da IV Conferência Nacional da UDP - ligeiramente adaptado

Deixo-vos o textinho que preparei para a abertura da Conferência da UDP. Desculpem não estar muito legivel mas ainda não atino com a formatação desta coisa. Foram necessárias várias tentativas para conseguir postar isto tudo... Espero que a leitura agrade. Na última Conferência Nacional a UDP lançou um “Novo Impulso.” Tratava-se no fundo de derrubar para sempre as barreiras que nos afastavam a nós comunistas da confrontação entre a vida real e a teoria revolucionária. Renovação do marxismo foi o repto lançado.

Ler Mais...


Um "novo Impulso" para "Armar a UDP para os combates futuros". Talvez sem a capacidade de prever que o futuro era já hoje, lançámo-nos na tarefa que a vida nos impunha, prosseguir a com actualização do marxismo e, seguindo o exemplo de Lenine no seu tempo, alicerçados no caminho que trazemos desde 92/93, apresentar a esta Conferência uma análise critica das teses que têm constituído factores orientadores da nossa acção, - o novo proletariado, o imperialismo global, o partido, novo modelo de estado socialista. Em suma o fruto de um debate colectivo a que esta conferência é chamada a dar novos contributos, num caminho sempre inacabado.
Nunca velhos manuais deram respostas a problemas novos. Não porque estivessem errados ou completamente equivocados, mas porque os seus autores não foram confrontados com a velocidade vertiginosa das transformações sociais e económicas a que assistimos hoje. A globalização surgiu entretanto como o grande factor de alteração do sistema capitalista. Porque a estruturação das relações de trabalho se transformou, porque a transnacionalização da economia é uma realidade indesmentível, porque o próprio modo de produção sofreu uma profunda metamorfose, um atraso ao nível da construção de alternativas socialistas adequadas a estas novas questões teria graves consequências na luta contra a exploração.
Neste aspecto podemos até dizer que os teóricos ao serviço da burguesia foram mais expeditos. Sem hesitações, souberam usar da criatividade e inventividade para encontrar novas formas de exploração sempre que o capitalismo dava sinais de fraqueza sistémica e estrutural. Proclamando o progresso social e o desenvolvimento económico que a prazo beneficiaria a todos, inventaram o neoliberalismo quando o capital soltou o seu primeiro ai na década de 70.
Inventaram a terceira via quando a social-democracia agonizante quis encontrar um disfarce para a implementação das políticas neoliberais e para a privatização dos serviços públicos. Há que reconhecer que o capital sempre soube encontrar subterfúgios para a sobrevivência da sua essência predadora.
Na proletarização geral encontrou o capital a sua saída para a nova modelação do mundo do trabalho. O trabalho flexível e temporário, o trabalho mal pago, novas formas de exploração para novos proletários que não mais se caracterizam pela sua homogeneidade nem pela execução de funções braçais na cadeia de valor. Intelectuais, jovens bem preparados, trabalhadores que exercem tarefas diversas na produção duma mercadoria final que nem sempre é física e palpável, trabalhadores e trabalhadoras que muitas vezes contribuem com a sua mais-valia para o enriquecimento de um, dois ou mais patrões em simultâneo. Novas relações de trabalho e modos de produção introduzidos num discurso flexi-socialista que nunca a chega a ter sequer um vislumbre de socialismo, mas que, pelo contrário, cria o fenómeno absurdo do empobrecimento a níveis indecorosos da classe trabalhadora e cria obstáculos à luta colectiva, e à organização dos trabalhadores em defesa dos seus direitos laborais. Um discurso e um modelo que ao enaltecer as virtudes da competitividade e da meritocracia, lança trabalhadores contra trabalhadores atrapalhando a tomada de consciência de classe si (quanto mais para si) e a luta de classes.
Nunca o capital foi tão longe na barbárie contra as massas proletárias. Perante a perspectiva de meter ao bolso os seus 300% de lucro, é a mais pura verdade: o capital enlouquece. Enlouquece tanto que mesmo impondo um código de precariedade, quer dizer, de trabalho, que é um atentado aos direitos dos trabalhadores, necessita muitas vezes de fugir à sua própria lei para aumentar a margem de lucro. É desta insanidade, e só dela, que saem os famosos produtos financeiros estruturados, porque só a ânsia da acumulação desenfreada pode montar uma economia de casino sem regras nem leis e chamar-lhe sistema financeiro. Tudo isto, enquanto os governos ao serviço do capital permitem uma nova fase de acumulação capitalista, provavelmente a mais ousada de todas,– a privatização dos serviços públicos. Atacando o último resquício do Estado Social, o capital sabe que vai encontrar uma fonte inesgotável de lucro, porque as necessidade básicas das pessoas não dependem de modas nem acabam nunca.
Neste caminho, bastos teóricos e eminentes teorizadores do fim da história, abriram alas. Entre eles, Anthony Giddens resume de forma magnífica o novo paradigma, quando afirma que já não existe lugar na sociedade contemporânea para ideologias, para esquerda e direita ou para a luta de classes, esse tempo terminou com a derrocada do bloco soviético e a falência do modelo do socialismo real. Perante esta tão providente e clara evidencia, afirma o senhor, que estupidez alguém ser de esquerda nos dias de hoje! E pergunta, fará sentido sequer qualquer proposta à esquerda? A sociedade de hoje, diz ele, atingiu já um nível de progresso económico suficiente para que as pessoas deixem de lado as reivindicações materialistas e se assumam apenas na defesa dos direitos relacionados com o que ele chama opções de vida ou qualidade de vida. Constrói-se assim nas sociedades actuais uma estrutura mental muito permeável ao individualismo e, por si só, negadora da existência da luta de classes como alavanca da história.
É o chamado pós materialismo, cujas causas são oportunistamente aproveitadas pela burguesia numa tentativa de desviar as atenções das lutas realmente transformadoras.
O problema para todos estes autores de inspiração neo-liberal, o pesadelo, chega quando o modelo que eles proclamavam cientificamente infalível… falha.
Com esta crise, a primeira de dimensões verdadeiramente globais, o neoliberalismo sofreu um golpe profundo, arrastando consigo o social liberalismo. Neste profundo desastre, cedo se apressou o capital a deitar mão de soluções que há poucos meses rotulava de atrasadas e coveiras do mundo moderno.
E cedo tenta fazer passes de mágica e tirar da cartola novos salvadores como Barak Obama, mantendo, no entanto, a corrida às armas e à guerra.
Esta brecha aberta no coração do neoliberalismo só pode ser alargada por propostas que, à esquerda, se constituam alternativas viáveis e responsáveis ao delírio do capital. É uma fissura que poderá levar ao fortalecimento da esquerda e do movimento social, capazes de impulsionarem a construção de uma maioria social que reclame pela transformação do sistema que nos explora.
A denúncia dos responsáveis e do próprio sistema terá de vir aliada a uma proposta socialista consistente! Neste momento do processo histórico afigura-se-nos favorável à construção e difusão desta proposta. A desorientação dos ideólogos do capital abre um espaço de disputa ideológica no qual terão de se confrontar visões e projectos. Era esta luta que nos assumíamos dispostos a travar quando nos propusemos armar a teoria revolucionária para os combates do futuro.
Cabe agora desenvolver as teses socialistas, aprofundar o debate para os novos problemas que se levantam. Porque a problemas nunca antes colocados só a imaginação de um pensamento novo bem alicerçado na teoria marxista poderá servir. E esta conferência tem como tarefa maior avançar as pistas para essas respostas. Sabemos reconhecer que elas só podem ser eficientes se formos capazes de levar a contestação ao palco da ofensiva, através de alianças europeístas de esquerda. Sabemos que elas só poderão vir aliadas a uma profunda convicção democrática e respeito pelos direitos individuais. Sabemos que a uma sociedade impregnada e permeável aos individualismos pós-materialistas não se poderá responder com uma simples dicotomia entre o colectivo e o indivíduo, mas que temos de elevar os horizontes da nossa luta, integrando como nossas as causas consideradas pós materialistas e trazendo para o campo da luta de classes um proletariado de contornos novos. As massas serão ganhas para a mobilização social pelo impulso e liberdade que dermos aos movimentos sociais para que, connosco, assumam a liderança da contestação e da reivindicação social. As serão ganhas pela inventividade dos nossos métodos de comunicação e pela clareza das nossas propostas.
Camaradas, nem mesmo os pós-materialistas podem fugir à evidência das condições materiais adversas que a crise mundial está a levantar: desemprego, precariedade, sub-emprego, pobreza, não opções de vida de reivindicação individual, são condições palpáveis para o reacender da luta de classes. Resta saber se a esquerda revolucionária está à altura de dar à minha geração a resposta que não soube dar à geração anterior, se está pronta para abandonar os dogmas do passado e reinventar as respostas adequadas a uma sociedade de estrutura complexa, heterogénea, composta por massas mais informadas e atentas.
Não tenhamos duvidas de que o capital tentará reformar-se, que fará um novo esforço de mutação, mas nós sabemos que qualquer quarta via, qualquer pós-neoliberalismo que venha por aí não vai voltar atrás e por em xeque a cegueira da acumulação capitalista. Nós sabemos, e eles sabem, que nenhuma social-democracia pode voltar atrás no caminho das privatizações dos bens públicos e da precarização geral. O senhor Giddens pergunta-nos se vale a pena alguma proposta de esquerda nos dias de hoje. Pois nós respondemos que não existe nem poderá existir nenhuma saída para esta crise que não seja de esquerda.

Mais um empurrãozinho para longe dos combustíveis fósseis?


Investigadores da Universidade St. Andrews (Reino Unido) apresentaram uma bateria espectacular: vai-se recarregando enquanto funciona, graças ao ar ambiente.


sábado, 23 de maio de 2009

Toma lá



Hey, Lurdes, leave the kids alone!

Ontem os alunos da Escola Secundária António Arroio expulsaram Sócrates, a Ministra da Educação e o Ministro da Economia quando estes tentavam fazer uma visita à escola, gritando "governo fascista é a morte do artista".

Um bocadinho exagerado, mas mostra que os estudantes do secundário não andam a dormir.



Ver o vídeo da manifestação na escola aqui.

Dos recursos em política.

Recentemente escrevi um texto neste blog que levantou alguma inquietude pelos lados de alguma blogosfera portuguesa. Entre algumas considerações, falava dos recursos que a direita portuguesa tem empregado no espaço virtual (e não só) português.
Deliberadamente deixei o texto aberto a diversas interpretações, não só para testar o nível das mesmas, mas também para procurar aferir as leituras que daí adviriam. Verifiquei depois, sem surpresa, porque o estado do debate político em Portugal é de fraco nível, que fui atacado por tudo e mais alguma coisa de direita que mexesse.
Sem stress. Escrever publicamente é também provocar emoções.
A piada é que os destinatários não entenderam (porque não quiseram? Porque não conseguiram?) que quando me referia ao uso de recursos da direita, e entre outros, referia-me à capacidade de atracção e motivação que a direita, e em especial o PSD, tem conseguido relativamente à blogosfera portuguesa (e não só).
O PSD hoje é, para um conjunto de pessoas, um projecto atractivo e motivador. É genuína essa motivação. E não vem de agora. Projectos como o Atlântico (que aliás teve um breve antecessor que não me recordo agora do nome), o 31 da Armada, tudo em que o PPM se envolveu, não são de agora. Já tem alguns anos e foram (e continuam a ser, ainda que menos) inovadores. Lembro bem a cobertura que o 31 da Armada fez dos últimos Congressos do Bloco de Esquerda, a ligação Atlântico-blog com a Atlântico-revista; projectos que permitiram o aparecimento e amadurecimento de óptimos pensadores do Portugal contemporâneo, como o Henrique Raposo (para citar aquele que acho mais consistente, ainda que não seja do PSD).
Motivação essa que, curiosamente, falta á esquerda. Qual foi o último projecto motivador do PS, por exemplo? O choque tecnológico? As Novas Fronteiras? Talvez os Estados Gerais, mas aí ainda se mandavam cartas às pessoas. A net, já existindo, no máximo era 0.1, qual 2.0…
É, aliás, para mim preocupante, como militante activo do Partido Socialista constatar esta realidade, e apesar de conseguir encontrar algumas explicações (a grande maioria da massa crítica e pensante socialista está governamentalizada, trabalha arduamente e com afinco para a melhoria das condições de vida do país – aceitou o difícil desafio de colocar em prática o que apregoa -, e não tem tempo nem para se coçar, quanto mais para twittar…), a verdade é que acho que podemos fazer mais e melhor, no que concerne a motivação dos nossos (muitos) apoiantes.
Falta ao PS, claramente, uma estratégia que se adeqúe à política 2.0. Não deve cair no exagero do PSD, que faz uma campanha virtual para um país virtual, mas deve saber entrar, de forma construir, criativamente, a política 3.0; a que articule o virtual com o real.
De motivação, afinal, falava eu, não de dinheiros ou de conspirações. De Motivação. Não é este, afinal, um dos mais preciosos recursos em política?

sexta-feira, 22 de maio de 2009

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Nóvoa no seu melhor

O Reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa tomou posse, com grande pompa.


Hoje deu uma entrevista ao Público onde tecia críticas fortíssimas ao RJIES, Bolonha e à política de financiamento de Mariano Gago mas claro que o discurso de tomada de posse foi pouco mais do que uma declaração de boas intenções, não estivessem presentes "autoridades e personalidades convidadas".

Já conhecemos esta maneira de estar do Reitor, faz as críticas quando menos interessa e quando chega a hora de tomar uma posição acanha-se e acaba por se ficar num meio termo que não interessa a ningúem, mas que também não chateia muito ninguém.

O que é triste é que é o melhor que temos...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

País Real

Gosto de ver o PSD só em campanha virtual. Demonstra e recorda-me, uma vez mais, que para o PSD Portugal é uma espécie de espaço virtual, um qualquer 2 live. (aliás estratégia bem visível na equipa virtual que estão a apresentar à Europa. Alguém sabe de mais algum candidato sem ser o Paulo «faz-tudo-aparece-em-todo-o-lado-sozinho» Rangel?).
Alguém lhes devia fazer notar que há um país real, com pessoas verdadeiras, que não tem internet, não sabem o que é um blog, nem sabem pronunciar twitter.
É para essas pessoas, reais, que nós (socialistas, portugueses e europeus) fazemos campanha. É com os problemas deles, dos portugueses, que nos preocupamos. É para eles, portugueses e portuguesas com estado físico (e não virtual) que procuramos governar com o sentido social marca dos governos socialistas.
Sim, porque ainda acreditamos que a política se faz com e para as pessoas. Não para nicks, facebooks ou twitters.

Quero ter 80 e ser assim...

Mário Soares, no DN.
Até quando teremos de depender das ideias e dos textos de senhores com mais de 80 anos? Não por aí mais ninguém que consiga esta clareza de espirito e esta clarividência política?
PS.
E leiam o resto do texto, que tem uma inacreditável primeira parte sobre os Congressos Repúblicanos de Aveiro (arrepiei-me todo...)

Aung San Suu Kyi em risco


Aung San Suu Kyi faces her oppressors this week on charges that could land her in jail for five years.The trial comes just days before she was set to be released from house arrest.
Her life is on the line. Aung San Suu Kyi's health is at risk, and five years of torture and abuse at the infamous Insein prison could spell disaster.Our rapid response to these developments started last week in Australia (a member of ASEAN) when the Amnesty section there mobilized and generated over 7,000 letters to ASEAN.
Just a few hours ago, the chairman of ASEAN called on Myanmar to release Aung San Suu Kyi.
With the international pressure snowballing, it's time to focus on General Than Shwe, leader of the military junta.
Please write General Than Shwe and urge him to release Aung San Suu Kyi and then forward this email to your friends and networks.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Incerteza: +- 15000


O IEFP apagou 15000 desempregados no mês de Março, coisa que parece ser prática corrente. A técnica consiste em fazer o sistema informático passar à meia noite do último dia de cada mês pessoas registadas da categoria de desempregadas para empregadas e uns dias depois voltar a repor tudo como estava.


Propinas em crise


A implementação do regime de propinas no sistema de Ensino Superior Público, na década de 90, foi alvo de forte contestação do movimento estudantil. Alegava-se, na altura, que a medida limitava o acesso universal ao sistema de ensino, promovia uma discriminação no acesso com base em critérios económicos e que teria como consequência última a progressiva elitização do sistema de Ensino Superior. Denunciava-se também a desresponsabilização progressiva do Estado no cumprimento dos seus deveres fundamentais, através da privatização do sistema de ensino. Apontava-se ainda o carácter inconstitucional da medida, já que a lei fundamental do Estado assume que é função deste estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino.

A maioria absoluta aprovou a lei apesar da oposição de toda a comunidade académica, bem como da totalidade da oposição, ficando a ressalva de que as propinas teriam como objectivo melhorar a qualidade do ensino, funcionando como complemento ao financiamento público.

Quinze anos volvidos, e fazendo uma análise retrospectiva da evolução do sistema de Ensino Superior , verifica-se que os receios dos estudantes tinham fundamento. A lei das propinas foi apenas um passo inicial num processo de desinvestimento público no sistema de Ensino Superior e de transferência dos encargos do Estado para os estudantes, bem como de delegação de responsabilidades na iniciativa privada.

No que toca ao montante pago pelos estudantes, o seu valor passou de 6,5€ em 1991/92 para 220€ em 1992/93 e no ano lectivo 2008/09 o valor era de 972,14€. Este valor corresponde a um aumento de 14956% do montante pago pelos estudantes para frequentar o ensino superior. Não se verificou, no entanto, um reforço das despesas de apoio a estudantes economicamente desfavorecidos capaz de acompanhar este aumento dos encargos com a educação. Pelo contrário, o investimento público no Ensino Superior foi diminuindo progressivamente o que conduziu a situações dramáticas em algumas instituições.

Ler Mais...

Ainda este ano a U.L. atingiu uma situação crítica, bem expressa na deliberação do Senado que denunciava “práticas desresponsabilizantes de sub-orçamentação ou, pior ainda, obrigando-as a medidas de ‘comercialização’ do ensino e de desqualificação do seu corpo docente”

Por outro lado, os estudantes do ensino superior portugueses são os que maior esforço financeiro fazem para frequentar o ensino superior - 11% do PIB per capita – em toda a Europa. No entanto, o investimento público no Ensino Superior corresponde a apenas 1% do PIB, metade do valor proposto pela Comissão Europeia em Abril.

A crise económica e financeira mundial agravou consideravelmente a situação de muitos estudantes que ainda frequentavam o Ensino Superior com sérias dificuldades. Nos últimos meses assistiu-se a um aumento das desistências de estudantes por motivos económicos e a cada vez maiores atrasos no pagamento das propinas, sendo que uma parte dos estudantes com propinas em atraso poderá ser forçado a desistir no final do ano lectivo. Só poderemos conhecer toda a dimensão do problema no início do próximo ano lectivo. Por outro lado, registou-se também um aumento considerável de pedidos de bolsa de estudo ou de revisão dos seus valores.

A Universidade torna-se novamente, e cada vez mais, um espaço de exclusão onde o acesso é determinado por factores económicos.

Impõe-se, no imediato, a implementação de medidas urgentes de apoio a todos os estudantes que corram o risco de ser forçados a desistir ou que enfrentem sérias dificuldades para prosseguir os estudos. A reserva do Orçamento de Estado para recuperação institucional e reforços (20 milhões de €) deverá ser totalmente utilizada e deveria ainda ser criado um fundo de emergência para reforçar os serviços de Acção Social das diversas instituições.

Na Universidade de Lisboa medidas como a implementação efectiva do Regulamento de Bolsas de Apoio Extraordinário, a revisão do valor das propinas pago por estudantes cujo agregado familiar tenha dois ou mais filhos a estudar no Ensino Superior, o prolongamento dos horários das cantinas, a implementação dos projectos de novas residências universitárias e a promoção de sistemas de empréstimo de bibliografia e materiais de esutdo entre colegas, poderão contribuir para a melhoria da situação de uma parte dos estudantes. No entanto, se no curto prazo estas medidas são fundamentais, a médio/longo prazo são claramente insuficientes.

A crise veio apenas acelerar o processo que se iniciou na década de 90, revelando as suas consequências em toda a extensão e de forma mais abrupta.

Os estudantes não devem por isso limitar-se a procurar resolver os problemas imediatos, devem também denunciar a sua raiz e retomar a crítica a um modelo que provou ir contra os princípios de universalidade e de igualdade do direito à educação. Mais ainda quando esses princípios estão consagrados na lei: “Princípio da não exclusão, entendido como o direito que assiste a cada estudante de não ser excluído, por carências económicas, do acesso e da frequência do ensino superior, para o que o Estado deverá assegurar um adequado e justo sistema de acção social escolar”, da Lei de Bases do Financiamento do Ensino Superior, ou na própria Constituição da República que garante a igualdade de oportunidades no acesso ao Ensino Superior.

A exigência fundamental deve ser, por isso, a de um sistema de Ensino Superior democrático, ao serviço de toda a sociedade e de acesso universal, o que claramente só pode ser assegurado se este for público e tendencialmente gratuito. A defesa do Ensino Superior público deve passar pela exigência de um verdadeiro investimento público no sistema de Ensino Superior, cuja medida seja a das necessidades das instituições e dos estudantes; pelo estabelecimento de um regime de Acção Social justo e eficaz; e por uma progressiva redução das propinas até à sua eliminação. A defesa do Ensino Superior Público passa também pela solidariedade e pela cooperação com estudantes de outras instituições, ao contrário da lógica corporativa de defesa dos interesses particulares que tem prevalecido no seio do movimento estudantil.

Se é certo que a crise agravou os problemas dos estudantes do Ensino Superior, também é certo que lhes abriu a oportunidade de questionar o modelo que lhes foi imposto e de começar a construir um Ensino Superior mais justo, mais igualitário e mais democrático.


segunda-feira, 18 de maio de 2009

Esta era fácil de adivinhar...



"Paulo Pedroso considera 'Alegre um bom candidato presidencial' para o PS apoiar" (Público)

A minha memória não me permite transcrever aquilo que fui escrevendo enquanto via a conferência de imprensa do Alegre.
Por isso fica a brincadeira...
"Manél, deixas o povo em paz no Parlamento. Esse barulho que tu geras dá-me cá umas insónias. Em troca, metemos-te como Presidente. Parece-te bem?"
Claro, esta era fácil de adivinhar. Boa Alegre.
Vê pelo lado positivo, há mais tempo para a caça. Parabéns Sr. Presidente.

domingo, 17 de maio de 2009

Para curar a imbecilidade


Petição lançada à Ordem dos Médicos a propósito da notícia de que ainda havia médicos defensores da "cura" da homossexualidade.

Não à Europa da vergonha

Jornada Europeia pelos direitos dos/as Imigrantes


Domingo, dia 17, 15H, MARTIM MONIZ

Dia 17 de Maio, um pouco por toda a Europa – em países como a França, Itália, Luxemburgo, Hungria, estado Espanhol (Madrid, Murcia, Galiza, País Basco) – vão se realizar uma série de iniciativas de contestação às políticas de imigração que têm sido implementadas na União Europeia.

Uma iniciativa de uma ampla rede de organizações, Pontes e não Muros, cujo manifesto, a ser enviado aos/às candidatos/as às eleições europeias, poderá ser consultado e subscrito (para organizações) em www.despontspasdesmurs.org

A União Europeia continua encerrada numa visão repressiva, eurocêntrica e redutora das migrações. O controlo das fronteiras e a perseguição dos/as imigrantes indocumentados/as, tornaram-se as palavras de ordem das políticas migratórias na EU, como bem o demonstram a Directiva das Expulsões e o Pacto Sarkozy.

Em tempo de crise, o/a imigrante tornou-se um bode expiatório, uma receita populista, conveniente para atrair votos e fazer os votantes esquecer os falhanços das políticas económicas e sociais.

Mas nós rejeitamos esta visão do país e da Europa:

· Porque contestamos estas as políticas que têm alimentado a migração clandestina e o tráfico humano, e um contingente de mão-de-obra desprovida de direitos, descartável, vulnerável perante a exploração laboral;

· Porque rejeitamos a consequente guetização de que têm sido alvo os/as migrantes e seus filhos/as;

· Porque estamos cansados/as da política do bode expiatório;

· Porque queremos combater a sério a xenofobia.

Em Portugal, domingo, dia 17, 15H, MARTIM MONIZ, também vamos DIZER NÃO À EUROPA DA VERGONHA:

· Pela regularização dos/as indocumentados/as;

· Contra a Directiva das Expulsões e o Pacto Sarkozy;

· Contra a xenofobia e a política do bode expiatório.

PORQUE COM DIREITOS IGUAIS TODOS GANHAMOS


Ler a Carta aberta sobre políticas de emigração.

sábado, 16 de maio de 2009

Até quando?

Vivem numa ilha perdida no meio do Pacífico.


Não têm electricidade, nem carros, nem televisão, muito menos internet. Cultivam a terra para assegurar apenas parte da sua subsistência. De vez em quando recebem a visita de um navio que lhes leva alguns alimentos. O dióxido de carbono que produzem - praticamente o da própria respiração.

No entanto, são eles que nos últimos anos têm visto as suas colheitas destruídas pelas ondas do mar. Isto porque o ponto mais alto da ilha está apenas a 1,70m do nível do mar - a altura de uma pessoa. Nesta situação, basta um pequeno aumento da temperatura global para que a subida do nível do mar (devido à expansão térmica) tenha consequências dramáticas. São eles que têm agora de ser evacuados da sua ilha, onde sempre viveram, porque se tornou impossível habitá-la.

São portanto, estes que sofrem muito antes de nós as consequências do aquecimento global. Estes que produzem para comer, estes que nunca viram uma cidade, estes que devem conhecer apenas os aviões que sobrevoam a ilha, estes que não sabem o que é uma refinaria de petróleo. Que provavelmente nem sabem o que é o CO2, ou o aquecimento global.

E é à custa deles que mantemos um estilo de vida de abundância e desperdício.

Até quando?


sexta-feira, 15 de maio de 2009

Il duce


Ontem foi aprovada pelo parlamento italiano a criminalização dos imigrantes ilegais.

A medida prevê multas que podem ir até 10000€ (módica quantia para um imigrante ilegal) e o aumento do período de detenção dos imigrantes ilegais para interrogatório de 2 para 6 meses e também pena de prisão até 3 meses para quem lhes der guarida.

Berlusconi diz ainda "Estamos a fechar as portas [à imigração] e só as abriremos pela metade para aqueles que vierem cá para trabalhar e se integrarem". Berlusconi deve achar que os milhares de pessoas que fazem viagens de milhares de quilómetros, abandonando a família e todos os que lhes são queridos, e arriscando-se a morrer na viagem pelo Mediterrâneo, vêm passear e que têm um gosto particular em dormir em soleiras de portas ao frio.

Por isso, a medida também prevê um registo de todos os sem-abrigo de Itália. Mas não para lhes dar casa para viver.


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sobre novos blogs e velhos posts,

Saúdo, como toda a blogosfera em geral, mais uma bem montada iniciativa da (nova?) direita portuguesa. Este projecto não surpreende, e é apenas mais um no rol de iniciativas que tem pautado esta direita (assumidamente?) liberal, e que nos últimos anos tem encontrado espaço no mundo virtual, primeiro, e agora também no mundo publicado.
É necessário ter em atenção que estes ditos novos valores da direita não são obra do acaso, mas antes o produto de uma estratégia de recrutamento de rigor e precisão (que começa ainda no Barrosismo). É o produto de um investimento no futuro que alguma uber-elite tem procurado acarinhar, promover e apoiar. E com amplos recursos à disposição (recordo apenas o projecto Atlântico, a «geração IDN» sob liderança do João Marques de Almeida, o 31 da Armada, ou o recente o «grupo de Bruxelas»).
Dir-me-ão que com recursos assim é fácil, e eu tendo em concordar, mas a verdade é que existe neste grupo de jovens académicos-políticos-blogers um espírito de colectivo muito forte e uma missão aglutinadora: derrubar, por todos os meios possíveis, o Governo do Partido Socialista. Derrubar José Sócrates. É esse o seu Graal, sem o qual parece não terem razão de existir.
Sob este proposto, dizem defender o debate político informado e construtivo, a bem de Portugal (chavão tantas e tantas vezes utilizado e reutilizado), procurando apresentarem-se como cidadãos conscientes e independentes, com responsabilidades para com as gerações futuras (outro daqueles chavões), munidos da ética e da razão e palatinos do combate com regras e rigor.
Bom, apesar de não ser da geração Dragon Ball (mais Conan), também me revejo naqueles que defendem que a política deve ter espaços de debate informado, onde são expostas ideias, ideais e propostas próprias, alternativas e mesmo conflituantes. Por isso estranho o debate táctico, o sondbite fácil, o ataque pessoal, a política mesquinha. E essa tem sido a postura de muitos desses comentadores rigorosos, contrariamente ao proposto.
Ainda recentemente assistimos na blogosfera nacional a um episódio à volta de umas pretensas declarações da candidata do PS ao Parlamento Europeu e à Câmara Municipal do Porto, Elisa Ferreira. Estas declarações, ainda hoje revisitadas pelo Nuno Gouveia, são claramente abusivas, como o comprova o desmentido do JN e as declarações da própria Elisa, que reconhece ter de «viver com notícias falsas ou distorções da verdade durante a campanha». Adianta ainda a candidata socialista que «citarem-me dizendo que o dinheiro da recuperação dos bairros "é do Estado, é do PS" como publicitou o JN no passado dia 9 é excessivamente grave. Felizmente tenho a gravação do que disse: nunca falo do PS, apenas do "Governo Socialista", o que faz toda a diferença, e é verdade. A jornalista propôs-se fazer ela a correcção e acabou por sair nos termos que anexo e vou dar o assunto por encerrado, pelo menos até ver».
Não me lembro deste desmentido ter sido comentado pelos blogs do rigor e da transparência. Comenta-se com facilidade e alarido a notícia falsa, mas silencia-se arrogantemente a verdade. Onde está então o rigor anunciado? A isenção do comentário?
E é este o debate informado que se quer promover? É esta a estripe das novas pessoas que apregoam? É esta a qualidade da nova geração futura? Se é, é muito fraquinha…
[Adenda: por esquecimento faltava o link para o desmentido do JN, que já está disponível]

quarta-feira, 13 de maio de 2009

CONTRA AS VELHAS/NOVAS INQUISIÇÕES PELO DIREITO A UMA VIDA COM DIREITOS

15 Maio | 19h | Largo S. Domingos

(junto ao Teatro Nacional D. Maria II)


Um conjunto de associações portuguesas, brasileiras e espanholas desenvolvem, no dia 15 de Maio, uma intervenção artística pelos direitos sexuais e reprodutivos.

Com o lema “Contras as Velhas/Novas Inquisições”, um grupo de actores e actrizes vão representar um auto de fé da inquisição, chamando a atenção para as semelhanças que as perseguições antigas têm com as condenações actuais.

Manifesto

Pois é! Umas vezes vêm de botas cardadas... outras com pezinhos de lã.

Batem com a mão no peito, fazem rezas, conferências, juntam assinaturas, lançam folhetos, dogmas, as suas certezas, as suas velhas teorias. Chegam a pôr bombas e a assassinar quem pratica o aborto de forma legal e segura.

Porque não toleram o direito à escolha, à liberdade e à auto-determinação, são contra o direito ao aborto;

Porque negam a pluralidade de modelos familiares e só querem uma família patriarcal;

Porque vivem mal com o(s) corpo(s), o(s) prazer(es), a(s) sexualidade(s).

Porque ainda recusam o direito à contracepção, ao preservativo, promovendo única e exclusivamente a abstinência.

Porque temem que os/as jovens usufruam do direito a uma Educação Sexual sem tabus; porque têm medo da liberdade e da vontade das pessoas sobre os seus corpos, movem campanhas contra o direito à informação sobre aspectos fundamentais da vida dos seres humanos.

O Mundo mudou... Portugal também.

...mas há quem queira olhar para a vida, para as mulheres e para a sociedade, como se estas tivessem parado no tempo. Velhos inquisidores ainda cá estão – hoje com vestes mais modernas, mas com pensamentos muito antigos. Os autos de fé que faziam, e onde expunham e castigavam as mulheres que não se comportavam segundo os cânones (mulher submissa, irmã obediente, filha virtuosa), são hoje poderosas campanhas em que se procura perseguir e culpabilizar a sociedade – apresentando bafientas teorias e dogmas como sendo os “valores” de que a sociedade carece.

As cidadãs e cidadãos, assim como colectivos e associações promotoras desta iniciativa, reafirmam que continuam e continuarão a lutar pelo aprofundamento e alargamento de direitos para todos e todas; reafirmam que continuam e continuarão a lutar pelo progresso das mulheres e dos homens que chegaram a este século assumindo o caminho feito como um dado adquirido de que não abrem mão. A vida é para ser vivida com felicidade, direitos, em plenitude e não como um calvário ou um sofrimento, regimentada por velhas regras que alguns grupos nos querem impor.

Porque não queremos mais homofobia nem transfobia neste país.

Porque recusamos qualquer forma de discriminação em função da orientação sexual e das identidades de género(s).

Porque não podemos aceitar que se estigmatizem as pessoas seropositivas.

Porque nos negamos a viver numa sociedade patriarcal em que as mulheres são menorizadas.

Lutaremos sempre por Direitos Civis e por Direitos Sexuais e Reprodutivos, para todos e todas, em plena igualdade. Exprimimos a nossa solidariedade com todas as pessoas que noutros países – e em particular o Estado Espanhol e Brasil - lutam pelo direito a interromper uma gravidez por decisão da mulher.

Os “novos” autos de fé e as perseguições são sempre momentos de retrocesso e de vergonha que deviam, há muito, fazer parte de um passado enterrado.



Retrato do Grande Comandant€


Foto de wehavekaosinthegarden

O Mister Isaltino nunca nos deixa de surpreender.
Estava eu ontem na tasca descansado a mamar a minha mini quando um bêbedo entrou por lá dentro a rir como um parvo sobre um quadro qualquer.
O grande Chico, "agregador de notícias da rua", fez logo questão de explicar.

8.800,00€ por um retrato a óleo do Isaltino.
Muito bem Sr. Presidente.

Um abraço ao Chico da Tasca!

Mr. Magalhães




The Great Escape?

Parece que vai haver debandada geral pelos lados desta baiuca...

Se isto é uma lista, eu vou alí e já venho...

Meu caro Francisco,

Não me leve a mal, mas segui o seu link e nada tem sobre e lista do PSD. Tem realmente a intervenção do Paulo Rangel (en vídeo), mas nada mais... as outras referências nada contém. É deliberado? Ou seja, assume-se que nada há mais que o cabeça de lista?
É uma forma de fazer política, admito. Há quem fale muito na presidencialização da política, mas reduzir uma campanha apenas ao seu primeiro candidato devo acrescentar que acho muito pouco. Fraquinho, mesmo.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Conferências de Lisboa (Solicita-se divulgação!)

Comissariado por Rui Tavares, este projecto terá lugar todas as quintas-feiras no Salão Nobre dos Paços do Concelho (CML), às 18h. www.conferenciasdelisboa.net.
Entrada Livre


Quem sabe, sabe. Mas quem é que sabe mais?


Nos últimos dias tenho achado imenso piada à informação e contra-informação que os meios de comunicação nos enchem no que concerne ao desenvolvimento da crise.
De todo o mundo chegam notícias de aumentos brutais de desemprego, diminuição de PIB, bancos falidos, enfim. Crise.
O FMI, embora com previsões um tanto ou quanto pessimistas, ontem ou anteontem cá nos veio dizer, surpreendentemente, que a crise está a diminuir para seu grande espanto. E nosso. Pequeno pormenor que não foi muito posto em foco, é que dizia o FMI, apenas em alguns países. Vamos lá presumir que não é o nosso caso.
Na mesma "onda", Paul Krugman, Nobel de Economia, vem dizer que o que está a ser feito em termos de investimento pelos governos é insuficiente para produzir resultados rapidamente.

Ora, quem sabe, sabe. Mas quem é que sabe mais?
O FMI prevê uma contracção económica de 1,3% ao mesmo tempo que manda o bitaite optimista, presumo eu, como estímulo.
O Krugman discorda, e acha que o plano poderá mesmo ser “uma perigosa complacência”.

Enfim, enfim. A ver vamos.

Mais ils sont où?



Não vi ontem o prós e contras, pelo que não opinarei sobre o programa. Parece que foi mais do mesmo, num debate agora aberto aos demais e aos mesmos. Vejo que a campanha não sai do rumo em que está. Muito morna, cheia de política nacional e com pouco debate e emoção.
Tenho reparado em várias coisas nesta campanha, e hoje decido destacar uma: onde anda a lista eleitoral do PSD? Ela já existe, mas por onde anda? Qual é (admito que ainda não a vi)? Quem regressa a Bruxelas e qual a taxa de renovação da mesma?
Apetece perguntar como fizeram os franceses após a final da copa do Mundo de 1998: «mais ils sont où?». Em Paris, nesses dias de loucura, procuravam-se «brésiliens», hoje procuro candidatos laranjas... Por onde andam?
Será que o Paulo Rangel sabe que tem mais candidatos na sua lista? E que será que a lista de candidatos do PSD sabem que tem Rangel? É que um não anda com os outros, nem os outros andam com o um.
Será só estratégia? ou a equipa laranjinha é assim tão fraca?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Parece que anda mesmo a incomodar…

Em dia de viagem (estou agora em Bruxelas – onde verei como anda a campanha no seio da Europa) segui com algumas distância mas interesse a recente polémica em torno das recentes declarações da Elisa Ferreira, candidata do Partido Socialista ao Parlamento Europeu e candidata do PS à Câmara do Porto (por exemplo aqui, aqui, aqui ou aqui).
Em primeiro lugar, uma questão prévia: alguém sabe do trabalho que a Elisa Ferreira tem feito no Parlamento Europeu? Não, é natural. Em Portugal dá-se pouco destaque ao que se passa pela Europa. Sugiro então, para começar a nossa conversa, uma visita ao seu excelente site, onde se pode atestar o excelente trabalho e contributo que tem deixado no Parlamento Europeu. Tivesse Portugal mais eurodeputados da craveira, empenho e excelência da Elisa e não estaríamos ainda a falar de prateleiras douradas na Europa. Se há quem trabalhe, com a qualidade e exigência – e ainda por cima sob temas tão complexos e pertinentes como a questão da competitividade europeia, da crise financeira ou do plano de recuperação económica europeia, esse alguém é a Elisa Ferreira. E muto perde Portugal com a sua candidatura à Câmara Municipal do Porto (mas quem sabe e vê o carinho que ela tem pela sua cidade (mais quando confrontada com o estado actual da antiga capital do Norte) tem de entender a razão da sua candidatura…)
Segundo ponto, de comparação: alguém sabe que trabalho têm desenvolvido os eurodeputados do PSD? Ou mesmo do PPE? Sabemos que tem procurado fazer prevalecer na Europa um modelo neo-liberal retrógrada e populista. Vejam e sigam, por exemplo, esse grande líder do PPE que é Silvio Berlusconi, cuja recente e brilhante ideia passou por apresentar uma lista de 35 modelos como candidatas a eurodeputadas. Decerto que Paulo Rangel e os diversos comentadores laranjinhas se reverão mais nas práticas polícias d’Il Cavagliere que no trabalho e no curriculum da Elisa Ferreira.
Já agora, há alguém no PSD na lista à Europa que o Paulo Rangel? Ou estamos perante uma candidatura unipessoal? Quem é que está indigitado para continuar na Europa? Só o Carlos Coelho? Isso diz muito acerca da produtividade e do trabalho produzido pela actual equipa do PSD, não?...
Ultima reflexão. Concordo com a apreciação de que a candidatura da Elisa parece estar a incomodar muita gente. Parece mesmo que o bastião do eterno delfim social-democrata está em risco, ou não viriam estes ataques concertados. Nada a que a Elisa já não esteja habituada, devo dizer, e se há algo que não a incomoda, é exactamente incomodar.
[também publicado no Eleições 2009 e no Loja de Ideias]

sábado, 9 de maio de 2009

Pela legalização da marijuana

É hoje em Lisboa, Coimbra e Braga.

mais informações em www.mgmlisboa.org

sexta-feira, 8 de maio de 2009

quinta-feira, 7 de maio de 2009

2011? É já ao virar da esquina...

Hoje no Jornal da Noite da SicNot julguei estar em 2011, e em pleno debate entre os principais candidatos para as legislativas desse ano. Estavam o Paulo Rangel e o António José Seguro em antena. Premonição?

Luis Fazenda é candidato à CML


Acabo de voltar do Adamastor, onde Luis Fazenda apresentou a candidatura do BE à CML. João Bao lidera a lista para a Assembleia e Fernando Tordo é o primeiro cidadão de Lisboa que vota Bloco de Esquerda nas eleições para Câmara Municipal.
Uma candidatura forte para uma Lisboa dos afectos.

terça-feira, 5 de maio de 2009

PSD de Oeiras: Ninguém calará a linha justa

Post via Tasca do Chico

Esta carta foi recebida na Tasca do Chico sendo a informação prestada da responsabilidade dos signatários.
Leiam que tem muito interesse para começarem a perceber um pouco do que se passa em Oeiras.

Caros companheiros,
Ficámos muito satisfeitos com a resposta, à nossa carta, que a Comissão Política do PSD da Secção de Oeiras enviou a inúmeros dirigentes nacionais do PSD.

LAMENTAMOS NO ENTANTO QUE NOS QUEIRAM CALAR E INTIMIDAR
FAZENDO QUEIXA AO CONSELHO DE JURISDIÇÃO DISTRITAL.
Especialmente porque tal queixa é feita por pessoas que tanto têm prejudicado o PSD:
para além de terem feito campanha e subscrito listas adversarias, puseram o partido em tribunal e forneceram bases de dados de militantes a candidaturas adversárias.
Essa queixa foi, muito naturalmente, rejeitada pelo Conselho de Jurisdição Distrital.
Apesar de tudo, essa resposta merece alguns esclarecimentos.
O Dr. Alexandre Luz desempenhava as funções de estagiário da carreira de professor do ensino secundário da disciplina de matemática quando foi nomeado adjunto do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, eleito na lista Isaltino Oeiras Mais À Frente (IOMAF).
Ou seja, detinha o mérito e o currículo que mais 100.000 cidadãos tinham também para exercer as funções de administrador da Oeiras Expo S.A. Sendo assim, a questão que se levanta é: porquê a sua escolha de entre 100.000 docentes do ensino secundário.
A razão de tal escolha é que, para além da singela qualificação de docente do ensino secundário, o referido companheiro desempenha as funções de adjunto do Vice-Presidente da Câmara, e subscreveu, recolheu assinaturas e fez campanha em 2005 pela candidatura do Movimento IOMAF; isto é merece a confiança política e pessoal da coligação IOMAF-PS que governa a Câmara de Oeiras.
Merece e continua a merecer!!! Porque recentemente foi nomeado para OUTRO cargo de confiança política como membro efectivo e permanente do Conselho de
Administração sociedade comercial "Oeiras Primus".
Por outro lado, ao tomar conhecimento de que o Senhor Presidente da Câmara
Municipal de Oeiras, conforme confessou em Tribunal, recebia dinheiro em notas para pagar jantares, aluguer de viaturas, ramos de flores para aniversariantes e outras despesas de campanhas, e uma vez que os seus apoiantes eram tão pródigos nas suas dádivas (de tal forma que sobrou tanto dinheiro que apenas um Banco Suíço o podia guardar), não podemos deixar de perguntar à Comissão Política se o Senhor Presidente da Câmara de Oeiras, no meio de tanta generosidade, se esqueceu de pagar o que faltava da Sede.
A Verdade é que a Comissão Política do PSD de Oeiras tem obrigação legal de exigir de quem recebia tanto dinheiro para o PSD que, no mínimo, pague aquilo que se deve ao vendedor da Sede (valor que é inferior a 25.000,00 €) e que deveria constituir-se Assistente no, processo para exigir, pelo menos, esse montante.
A Verdade a que a Comissão Política do PSD de Oeiras não consegue fugir é que o seu Presidente, Dr. Alexandre Luz, ocupa um lugar de confiança política (!) junto dos principais adversários políticos do PSD de Oeiras.
Imaginemos se a Dra. Manuela Ferreira Leite desempenhasse as elevadas funções de chefe de Gabinete do Ministro Silva Pereira ou, se por outras palavras, o Dr. Carlos Carreiras desempenhasse funções de chefe de Gabinete do Dr. António Costa.
Os signatários não podem deixar de notar que a Comissão Política do PSD de Oeiras tenha preferido responder à sua missiva, em vez de denunciar o actual Presidente da
Câmara de Oeiras que, segundo as suas próprias palavras, afirmou que fugir ao pagamento de vários impostos é normal; e que falsificar a declaração de rendimentos entregue ao tribunal constitucional não é grave.
Porque considerámos isso uma farsa, não participámos na Assembleia de Secção onde cerca de 50 militantes e membros eleitos do IOMAF, POR BRAÇO NO AR, ao arrepio de todas as regras democráticas, “aprovaram” nomes dos candidatos, mas manda a verdade referir que a aceitação de pelouros por UM dos vereadores foi feita no momento em que o Presidente do PSD estava demissionário...Vereador esse que é defendido pela CPS como candidato à Presidência da Câmara Municipal de
Oeiras....veremos quais serão as consequências por parte da CPS, da não indicação deste Vereador como candidato à Presidência da Câmara Municipal de Oeiras.
Assim, continuaremos a exercer o direito de liberdade de expressão que sempre foi um dos fundamentos do nosso partido, e nada nos incomoda as ameaças de processos disciplinares vindas de quem depende financeiramente de adversários políticos do PSD.
Finalmente: caso a CPS entenda não se constituir assistente no processo para defender os mais altos interesses do PSD, existe um grupos de militantes que entende que o deverá fazer, assegurando que o Partido não ficará defraudado.

Cordialmente,

Ana Cid António Gomes Antunes Correia Carlos Estorninho
Edite Gil Gonçalo da Costa Helder Felizberto Jorge Roque da Cunha José
Meira José Brandão Luis Brás do Rosário Luis David Nobre Maria Costa
Marco Adro Maria Lapeyre Rui de Brito Rui Freitas Vitor Marques

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Crónica roubada de um activista


MAY DAY - Ontem foi bom e foi importante. Foi também uma estreia. Um grupo de trabalhadoras do sexo do Intendente foi por sua iniciativa própria ao 1º de Maio. Umas levaram as filhas, outras a voz e a garra. Sem grandes teses ou reivindicações sobre a profissão. Não é que não as vão já debatendo, e que não digam "queremos direitos". Não, mas antes disso e antes de mais, colocar o dedo na ferida do estigma e da violência, quer aquela a que se sujeitam nas ruas, quer a do preconceito social que fez pesados os olhares do público à sua chegada à Alameda. O estigma. A forma como são tratadas pelo Estado e pelos comuns de nós. Quanto mais não seja quando olhamos para o lado todos os dias, aqueles que não somos seus clientes. "Prostituição: Não ao preconceito, Sim, à pessoa", era o que queriam dizer, e que também são trabalhadoras.
A mim fez-me lembrar as primeiras presenças de homossexuais, enquanto tal, nos desfiles da CGTP no 1º de Maio. 1992, a primeira vez, com embaraço público da central, hoje com outros olhos para a questão. Mas não conseguiram fazer-nos sentir aliens totais, e os olhares foram mudando.Um pequeno grande passo, o destas mulheres. Que os seus passos ecoem. Que consigam um dia destes fundar a associação de que falam. Contem comigo.
No Portugal do sexo-insistentemente tabu e mal vivido, da discriminação, uma aliança, alguns dirão, contra-natura outros bizarra, entre um grupo LGBT, uma instituição religiosa católica, as irmãs oblatas, e um conjunto de trabalhadoras do sexo de uma das mais degradas zonas de Lisboa, trouxe à rua a denúncia da hipocrisia sobre a existência da prostituição, quer voluntária, quer recurso extremo, quer de mulheres, quer de homens, quer de transexuais, em tantos e variados contextos e diferentes situações, mas com tanta experiência comum. Uma aliança natural, digo eu, quando leio declarações da responsável das oblactas a dizer que "se Jesus fosse vivo andaria a distribuir preservativos às prostitutas"). Eu não diria melhor.Tiro o chapéu a estas mulheres que ontem passaram desfilando frente ao seu local de trabalho e cumprimentaram colegas a partir da marcha, enquanto cantavam junto com os activistas do MAYDAY "hoje, 1º de Maio, há precárias a trabalhar!".

Sérgio Vitorino

E preocupar-se com a precariedade dos jovens europeus?

Paulo Rangel quer criar uma rede de Erasmus para procura de emprego.

Vê-se mesmo que nunca fez Erasmus.


domingo, 3 de maio de 2009

A tradição da exclusão

Desde ontem à noite que o Porto é uma cidade completamente ocupada por bandos de estudantes trajados mais ou menos a rigor, gritando palavrões pelas ruas e com a taxa de álcool no sangue contínua 24 sobre 24 horas. Autodenominam-se doutores, ou aspiram a isso.




Hoje de manhã apanhei pelas ruas da cidade dezenas destes "doutores" seguidos pelas famílias inteiras, apetrechadas de bancos desdobráveis e bonés, a caminho da cerimónia de "bênção das pastas". Nem quero aprofundar o ridículo da associação da Igreja com o fim de um percurso académico, como se o diploma precisasse de aprovação divina.

Mas assistir a esta cena - pais de sorriso orgulhoso nos lábios, tios, primos, avós, irmãos em rebanho seguindo a menina de traje que leva o bouquet de rosas da cor da sua "fita" e que vai ser "doutora" - é a prova viva de que o canudo ainda é visto como algo que confere um estatuto social elevado, que não é para todos. Ainda vêm as famílias de Mirandela, de Amarante (ou outro sítio qualquer) para ver o jovem da terra tornar-se doutor e ser importante.

Não interessa nada se teve de passar sérias dificuldades para lá chegar. Não interessa nada se o curso é bom, mau ou assim-assim. Não interessa se o "doutor" aprendeu de facto alguma coisa que o tenha feito sentir-se realizado. Não interessa (muito) se o "doutor" vai ser mais um dos recém-licenciados a engrossar as filas do centro de emprego. Para quê contestar a ordem estabelecida? O que interessa é que agora ele é "doutor".

Onde é que já se viram cenas destas quando alguém acaba o Ensino Secundário?

sábado, 2 de maio de 2009

«Assim se vê a forca do PC»


Sustentabilidade só para os bolsos da Galp


Hoje, por toda a comunicação social se fala em tom eufórico sobre o início da exploração de reservas de petróleo no Brasil pela Galp.
O presidente da empresa diz ainda que estas reservas podem abastecer todo o mercado nacional durante 21 anos, afirmado que isto assegura a "auto-sustentabilidade" do mercado energético português.

No entanto, também esta semana a Nature traz uma série de artigos sobre o consumo de combustíveis fósseis e as alterações climáticas. Segundo a Nature, já consumimos metade da quantidade total de combustíveis fósseis que poderemos consumir para evitar que a temperatura do planeta aumente mais do que 2ºC. Isto significa que até 2100 poderemos consumir apenas um terço das reservas conhecidas, e isto já é um limite máximo. Ou seja, o problema do uso de combustíveis fósseis já não é tanto serem limitados, mas antes os seus impactes no equilíbrio do planeta.

Esta euforia toda só revela ignorância, e a auto-sustentabilidade de que se fala é a sustentabilidade dos bolsos dos senhores da Galp. Porque esses bolsos querem-se cheios o mais rápido possível, e uma mudança estrutural do sistema energético, para assegurar a verdadeira sustentabilidade - a que é global e que se projecta a longo prazo - é coisa que não interessa a esses senhores.

Mais inteligente seria deixar o petróleo lá em baixo e investir em energias limpas.