terça-feira, 30 de junho de 2009

Já agora, o criacionismo


“Em todo o país, no maior número possível de escolas, queremos que os pais não autorizem os filhos a frequentar as aulas de educação sexual."

É uma plataforma de pais "preocupados" com a obrigatoriedade das aulas de Educação Sexual. Pais que alegadamente promovem a educação sexual dos filhos "desde o seu nascimento, de um modo natural, integrado, progressivo, completo e respeitando as exigências das suas necessidades concretas, do seu crescimento e da sua dignidade pessoal". O modo natural de não falar das coisas abertamente, o modo natural de achar que sexualidade é procriação e que o homem é para a mulher - naturalmente.

A educação sexual deve ser obrigatória e leccionada por profissionais competentes precisamente porque há muitos pais (e mesmo professores) que muitas vezes deseducam mais do que educam. E porque as crianças têm direito a receber toda a informação e a discutir todas as questões que tiverem de forma livre, descomprometida e independente das crenças ou dos tabus dos pais.

E se houver pais a pedir que os filhos não estudem Darwin? Ou a Ilha dos Amores? Ou o Brecht?

Failed States?

It would be laughable anywhere else. But, so everyone says, the Waxman-Markey bill which is likely to be passed in Congress today or tomorrow, is the best we can expect – from America.




Vale também a pena ler o artigo da Suzanne Goldenberg no Guardian sobre as resistências do congresso norte-americano à diminuição das emissões de gases com efeito de estufa.

Onde pára a democracia?



Via Arrastão.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A nova obsessão do PSD


uma instalação de Juan Muñoz no Rainha Sofia Madrid

Desafio os leitores a adivinharem o título.


Memória, autarquias e recrutamento político

Vejo no 31 da Armada que o Carlos Nunes Lopes se indigna com o facto de a Gebalis ter admitido 6 (seis) novos funcionários na Gebalis. Seis. Não foram sessenta, nem seiscentos; mas seis. Eu ainda me recordo da gestão camarária do PSD de Santana-Carmona, e lembro-me bem do centro de emprego que era a CML para os boys laranjinhas. Estranho o Carlos Nunes Lopes não ter por lá passado, tantos foram os felizes contemplados.
Claro que a indignação do Carlos se refere ao facto de todos os seis (repito, seis), serem do Partido Socialista, o que pressupõe que militantes socialistas não podem ter valências, características ou méritos que lhes permitam serem contratados por entidades públicas. Outro erro.
O que o Carlos decerto quereria fazer notar é a facilidade com que as nomeações políticas se fazem neste país, com os principais partidos a tomarem – ciclicamente – conta de partes do aparelho do Estado. Aparte da reflexão acerca dessa necessidade, que permite a implementação mais facilitada das políticas públicas, a verdade é que essa rotina já foi mais visível. Hoje, apesar de ainda existir, está bem mais controlada, e só quem tem vista curta ou memória fraca pode atacar o PS na CML de favorecer «os seus». Bem sei que há quem queira esquecer a governação Santana – Carmona a todo o custo; mas há também quem não a esqueça (e sinceramente é preciso ter vergonha na cara pensar que se esquece tudo com tanta facilidade).

domingo, 28 de junho de 2009

Madrid - cidade, lugares e vida

Os patos passaram pela primeira vez por Madrid. Os lugares desta cidade valem a pena ser descobertos de dia e de noite, de Masselha e a praça 2 de Maio com os festejos do São João (sim, não é só no Porto), a visitar o PhotoEspaña09 comissariado por Sérgio Mah no Instituto Cervantes, na Galeria 31, na Fundación Telefónica ou no Círculo de Bellas Artes (só para mencionar os locais próximos da Grand Vía), onde se encontra trabalhos de Gerhard Richter, Liebovitz, Faigenbaum, Pedro Costa, bem como uma nova geração que se apresentou sobre o tema Resiliencia dos quais destaco Tomás Munita, que apresenta a vida dos apanhadores de guano numa ilha perdida e em condições de vida julgaríamos nós encenadas apenas para a fotografia; o trabalho de Morfi Jiménez Mer, retratos das pessoas de uma aldeia da América Latina que nos mostra que os cem anos de solidão existem para certas pessoas; e Pavka Segura, que traz um lugar da cidade do México para o centro de Madrid, uma sala de uma família e todos os pormenores culturais de identificação (fotografias em baixo).



Em Madrid a rua é vivida e o jardim é usado e pisado sem restrições para brincar, trabalhar, passear, estar e dormir a sesta sobre a relva. O passeio na Fuencarral e a sesta no Retiro faz-se em grupo, de amigos, família e de desconhecidos a viver o mesmo sítio seja por que razões for, mas sem restrições sociais. A curta-metragem Outside, de Sérgio Cruz, apresentado no Indie 2008, mostra também como num túnel de acesso ao metro de Pequim, sem qualquer plano prévio as pessoas se juntam voluntariamente em pequenos coros e cantam e dançam porque estão no espaço público. Esta capacidade e disponibilidade de viver os espaços é algo de particular a cada cidade mas acho que é algo que é particularmente necessário promover em Lisboa.
Ainda em Madrid, de dia e de noite visitámos os bairros de Lavapiés, Masselha e Chueca. O primeiro é local de encontro de diferentes etnias e culturas, prédios que mantêm as características do século XIX e no rés-do-chão, porta sim porta sim nos oferece diversidade, escolha e riqueza cultural (a Maria José Nogueira Pinto devia olhar para este bairro). Ao lado de um bar de 1888 existe um Doner Kebab, seguido de um clube de vídeos Bollywood, seguido de um Ding la Import Export, de uma Cervejaria sin pecado, seguido de uma praceta junto à Calle del Ave Maria com famílias inteiras nos bancos e nas esplanadas à uma da manhã de quarta-feira e um teatro a anunciar programação para o dia seguinte. E isto é um bairro social de Madrid.


A Chueca é um bairro com uma movida extraordinária, centenas de bares e discotecas com milhares de pessoas na rua, algo parecido com o Bairro Alto de Lisboa, mas é também o centro e catalisador de uma força política de afirmação do orgulho Gay e Lésbico que talvez seja o que falta a Lisboa e que o Bairro ainda não é.
O mercado de San Miguel, junto à Calle Mayor, é um dos melhores locais de prazer gastronómico de Madrid. Aproveitando as fundações do antigo mercado, abandonado à anos, foi agora renovado com mesas no centro e quiosques de vinhos, queijos, carnes, peixes e livros nas laterais, de forma a cada pessoa ir buscando o que lhe apetecer.
Ainda em Madrid é importante passar pelo Museu Thyssen, que apesar de uma horrenda cor salmão em todas as paredes tem uma boa colecção de pintura do séx. XIX e XX. A baronesa Thyssen ofereceu parte da sua colecção privada ao Museu e tem por isso um quadro com o seu retrato na entrada do edifício. Aconselho todos os que visitarem o museu a verem esta pérola de gosto extraordinário na verdadeira acepção da palavra.
O Museu Rainha Sofia é um espaço pouco humano para visitar mas a colecção é essencial, além dos Picassos, Dalis e Magrittes, apresenta ainda várias salas de pintura desde o pós-guerra até ao século XXI com sentido curatorial pedagógico que tenta escapar a uma visão cronológica e redutora da arte. Destaco ainda a exposição de Juan Muñoz, que já passou por Portugal (se não me engano pelo Berardo e Serralves) mas que é sempre diferente nos espaços em que se insere.

Clubismo Partidário ou uma reflexão sobre Identidade em Política.

Amanhã vai sair um novo cartaz do António Costa e da candidatura Unir Lisboa. O mesmo, que pode ver neste post, é em tons de verde. Não me parece mal a cor (apesar do meu benfiquismo), que procura absorver o conceito plural do alfacinha lisboeta (daí a cor verde alface), nem me parece uma má ideia do ponto de vista político e do marketing. Se por um lado procura apresentar António Costa como um líder para toda a cidade; por outro, procura lembrar o carácter trans-partidário da sua candidatura, facto manifestado pela elevada quantidade de independentes da sua lista de 2007 (que se espera que se repita em Outubro). Essa é uma marca da candidatura Unir Lisboa, que agora se procura valorizar.
No entanto, não posso deixar de estranhar a volatilidade identitária que se tem verificado na forma de comunicar da política contemporânea, que reflecte como se aprecia a ideia de identidade Política. Antigamente as cores eram fixas e tinham uma importante representação simbólica. O vermelho representava o trabalhismo, a social-democracia, o socialismo e os vários comunismos. O azul a democracia cristã. O Amarelo os liberais e o Verdes… os verdes. Quando vemos que muitos partidos e forças políticas mantem as suas cores, a verdade é que o PS se foi afastando da sua. Fê-lo por razões de deslocamento ideológico e de penetração no mercado eleitoral centrista (que tinha – e ainda tem – receio de demonstrações demasiado rubras), Fê-lo por questões de procura de espaço simbólico (excessiva concorrência nos vermelhos – o Bloco também o fez, correndo para os roxos). Inicialmente António Guterres inventou o Rosa; e mais recentemente José Sócrates apresentou-se com os azuis institucionais. As razões são as mesmas: deslocar ideologicamente o Partido Socialista da esquerda, coloca-lo no centro governamental e disputar o eleitorado centrista e conservador. Boa medida em termos de resultados eleitorais, mas com dúvidas em relação à implementação de políticas públicas (boas numas áreas, más noutras).
Curiosamente, também por razões de marketing, os clubes de futebol sofreram nos últimos anos uma transformação simbólica similar. Antigamente o Benfica só se apresentava de Vermelho ou de Branco. O Porto de Azul e o Sporting de Verde. Hoje, para que se vendam mais e mais camisolas, vemo-los a trocar de equipamento todos os anos, para cinzas, pretos, cor-de-rosa, etc. A ideia continua a ser a de conquistar eleitorado. Neste caso futebolístico.
Esta fase de clubismo partidário, que parece só afectar o Partido Socialista, diz-nos então – pelo menos – quatro coisas. (1) O PS perdeu sustento ideológico e hoje é um partido assumidamente de poder (o que em si não é uma má característica, pelo contrário, pois assume a responsabilidade de ser transformador); (2) desenvolveu uma leitura da sociedade onde entende que o Partido deve ser superior à sua militância e ao seu activismo; procurando ligar-se directamente aos cidadãos. Este processo é possível porque (3) o PS perdeu a sua definição ideológica e assume-se como um Partido catch-all sem o sustento simbólico que amarra a sua militância-base. Neste caminho foi perdendo identidade. Primeiro o Vermelho, depois o Rosa. Por outro lado, (4) esta estratégia apresenta o Partido Socialista como o Partido de todos os Portugueses, e não somente da sua clique partidária ou grupos de interesse que o procurem sustentar. O PS é hoje um Partido de Governo, e para sê-lo com mais eficácia simbólica necessitou de se afastar de um passado carregado ideologicamente. Esta dimensão, reafirma a primeira apreciação, pois um Partido com tais características liga-se directamente ao eleitorado, menosprezando os seus militantes.
Agora, é esse o rumo da política contemporânea? Ou só o do PS? A verdade é que outros partidos também fazem este percurso. O Bloco nasceu no Roxo, e os partidos da direita nunca necessitaram de sair das suas definições simbólicas, até porque eram os únicos no terreno (laranja só o PSD, azul só o CDS; enquanto que no vermelho…). Sobre o assunto acho que nem tanto ao Mar nem tanto à Terra. É verdade que os Partidos Políticos devem procurar sair da sua massa militante constituinte e procurar envolver directamente os cidadãos; mais ainda quando se apresenta em listas sem exclusividade partidária (como foi a lista Unir Lisboa). Por outro lado, não podem as forças políticas perder a sua identidade, pois se o fizerem ficam reféns dos líderes de circunstância e das modas dos tempos e correm o risco de governar sem sabor, sem Ideia, sem Ideologia. Esta é uma pecha da governação contemporânea, em especial à esquerda (e isto é visível não só em Portugal) e que necessita de ser colmatada. Como o fazer? Isso é motivo para um outro post… (e um desafio para quem ler este…)





Houvesse mais Anas


Pela primeira vez em Portugal a direcção de uma instituição de ensino foi responsabilizada por incidentes ocorridos durante praxes académicas.

Ana Sofia Damião foi obrigada a suportar uma série de humilhações durante a praxe no Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros. Depois de apresentar uma queixa à direcção e a resposta ter sido basicamente a indiferença, avançou com uma queixa-crime contra os agressores, tendo acabado por perder porque o Tribunal de Macedo de Cavaleiros achou que como não se tinha declarado "anti-praxe", deveria obeceder às leis da praxe. Para o tribunal de Macedo de Cavaleiros a Lei que conta é a da praxe, não aquela que supostamente ele deve fazer cumprir.

Felizmente a Ana Sofia não baixou os baços e avançou com uma queixa contra a Direcção do Instituto, acabando este por ser obrigado - depois de vários recursos e chegando ao Supremo Tribunal - a assumir que protegia a violência dentro de portas e que legitimava as práticas da praxe, e a arcar com a responsabilidade.

Se toda a gente que se sente agredida, humilhada, insultada pelas praxes tivesse a coragem e a persistência da Ana, isto não resistia.

sábado, 27 de junho de 2009

Um manifesto com prioridades

Vale a pena ler o manifesto por uma outra economia lançado hoje por dezenas de académicos, entre os quais Boaventura de Sousa Santos, André Freire, Francisco Louçã, José Castro Caldas, João Rodrigues e outros Ladrões de Bicicletas.

O debate deve ser centrado em prioridades:
só com emprego se pode reconstruir a economia

Estamos a atravessar uma das mais severas crises económicas globais de sempre. Na sua origem está uma combinação letal de desigualdades, de especulação financeira, de mercados mal regulados e de escassa capacidade política. A contracção da procura é agora geral e o que parece racional para cada agente económico privado – como seja adiar investimentos porque o futuro é incerto, ou dificultar o acesso ao crédito, porque a confiança escasseia – tende a gerar um resultado global desastroso.

É por isso imprescindível definir claramente as prioridades. Em Portugal, como aliás por toda a Europa e por todo o mundo, o combate ao desemprego tem de ser o objectivo central da política económica. Uma taxa de desemprego de 10% é o sinal de uma economia falhada, que custa a Portugal cerca de 21 mil milhões de euros por ano – a capacidade de produção que é desperdiçada, mais a despesa em custos de protecção social. Em cada ano, perde-se assim mais do que o total das despesas previstas para todas as grandes obras públicas nos próximos quinze anos. O desemprego é o problema. Esquecer esta dimensão é obscurecer o essencial e subestimar gravemente os riscos de uma crise social dramática.

A crise global exige responsabilidade a todos os que intervêm na esfera pública. Assim, respondemos a esta ameaça de deflação e de depressão propondo um vigoroso estímulo contracíclico, coordenado à escala europeia e global, que só pode partir dos poderes públicos. Recusamos qualquer política de facilidade ou qualquer repetição dos erros anteriores. É necessária uma nova política económica e financeira.



Nesse sentido, para além da intervenção reguladora no sistema financeiro, a estratégia pública mais eficaz assenta numa política orçamental que assuma o papel positivo da despesa e sobretudo do investimento, única forma de garantir que a procura é dinamizada e que os impactos sociais desfavoráveis da crise são minimizados. Os recursos públicos devem ser prioritariamente canalizados para projectos com impactos favoráveis no emprego, no ambiente e no reforço da coesão territorial e social: reabilitação do parque habitacional, expansão da utilização de energias renováveis, modernização da rede eléctrica, projectos de investimento em infra-estruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária, investimentos na protecção social que combatam a pobreza e que promovam a melhoria dos serviços públicos essenciais como saúde, justiça e educação.

Desta forma, os recursos públicos servirão não só para contrariar a quebra conjuntural da procura privada, mas também abrirão um caminho para o futuro: melhores infra-estruturas e capacidades humanas, um território mais coeso e competitivo, capaz de suportar iniciativas inovadoras na área da produção de bens transaccionáveis.

Dizemo-lo com clareza porque sabemos que as dúvidas, pertinentes ou não, acerca de alguns grandes projectos podem ser instrumentalizadas para defender que o investimento público nunca é mais do que um fardo incomportável que irá recair sobre as gerações vindouras. Trata-se naturalmente de uma opinião contestável e que reflecte uma escolha político-ideológica que ganharia em ser assumida como tal, em vez de se apresentar como uma sobranceira visão definitiva, destinada a impor à sociedade uma noção unilateral e pretensamente científica.

Ao contrário dos que pretendem limitar as opções, e em nome do direito ao debate e à expressão do contraditório, parece-nos claro que as economias não podem sair espontaneamente da crise sem causar devastação económica e sofrimento social evitáveis e um lastro negativo de destruição das capacidades humanas, por via do desemprego e da fragmentação social. Consideramos que é precisamente em nome das gerações vindouras que temos de exigir um esforço internacional para sair da crise e desenvolver uma política de pleno emprego. Uma economia e uma sociedade estagnadas não serão, certamente, fonte de oportunidades futuras.

A pretexto dos desequilíbrios externos da economia portuguesa, dizem-nos que devemos esperar que a retoma venha de fora através de um aumento da procura dirigida às exportações. Propõe-se assim uma atitude passiva que corre o risco de se generalizar entre os governos, prolongando o colapso em curso das relações económicas internacionais, e mantendo em todo o caso a posição periférica da economia portuguesa.

Ora, é preciso não esquecer que as exportações de uns são sempre importações de outros. Por isso, temos de pensar sobre os nossos problemas no quadro europeu e global onde nos inserimos. A competitividade futura da economia portuguesa depende também da adopção, pelo menos à escala europeia, de mecanismos de correcção dos desequilíbrios comerciais sistemáticos de que temos sido vítimas.

Julgamos que não é possível neste momento enfrentar os problemas da economia portuguesa sem dar prioridade à resposta às dinâmicas recessivas de destruição de emprego. Esta intervenção, que passa pelo investimento público económica e socialmente útil, tem de se inscrever num movimento mais vasto de mudança das estruturas económicas que geraram a actual crise. Para isso, é indispensável uma nova abordagem da restrição orçamental europeia que seja contracíclica e que promova a convergência regional.

O governo português deve então exigir uma resposta muito mais coordenada por parte da União Europeia e dar mostras de disponibilidade para participar no esforço colectivo. Isto vale tanto para as políticas destinadas a debelar a crise como para o esforço de regulação dos fluxos económicos que é imprescindível para que ela não se repita. Precisamos de mais Europa e menos passividade no combate à crise.

Por isso, como cidadãos de diversas sensibilidades, apelamos à opinião pública para que seja exigente na escolha de respostas a esta recessão, para evitar que o sofrimento social se prolongue.
Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Carlos Bastien, Economista, Professor Associado, ISEG; Jorge Bateira, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; Manuel Branco, Economista, Professor Associado, Universidade de Évora; João Castro Caldas, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural do Instituto Superior de Agronomia; José Castro Caldas, Economista, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Luis Francisco Carvalho, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; João Pinto e Castro, Economista e Gestor; Ana Narciso Costa, Economista, Professora Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Costa, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Artur Cristóvão, Professor Catedrático, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Associado, Faculdade da Arquitectura da Universidade do Porto; Paulo Areosa Feio, Geógrafo, Dirigente da Administração Pública; Fátima Ferreiro, Professora Auxiliar, Departamento de Economia, ISCTE-IUL; Carlos Figueiredo, Economista; Carlos Fortuna, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; André Freire, Politólogo, Professor Auxiliar, ISCTE; João Galamba, Economista, doutorando em filosofia, FCSH-UNL; Jorge Gaspar, Geógrafo, Professor Catedrático, Universidade de Lisboa; Isabel Carvalho Guerra, Socióloga, Professora Catedrática; João Guerreiro, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; José Manuel Henriques, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Pedro Hespanha, Sociólogo, Professor Associado, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Leão, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; António Simões Lopes, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Margarida Chagas Lopes, Economista, Professora Auxiliar, ISEG; Raul Lopes, Economista, Professor Associado, ISCTE-IUL; Francisco Louçã, Economista, Professor Catedrático, ISEG; Ricardo Paes Mamede, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL; Tiago Mata, Historiador e Economista, Universidade de Amesterdão; Manuel Belo Moreira, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia; Mário Murteira, Economista, Professor Emérito, ISCTE- IUL; Vitor Neves, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; José Penedos, Gestor; Tiago Santos Pereira, Investigador, Centro de Estudos Sociais; Adriano Pimpão, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve; Alexandre Azevedo Pinto, Economista, Investigador, Faculdade de Economia da Universidade do Porto; Margarida Proença, Economista, Professora Catedrática, Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho; José Reis, Economista, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; João Rodrigues, Economista, doutorando, Universidade de Manchester; José Manuel Rolo, Economista, Investigador, Instituto de Ciências Sociais; António Romão, Economista, Professor Catedrático, ISEG-UTL; Ana Cordeiro Santos, Economista, Investigadora, Centro de Estudos Sociais; Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Carlos Santos, Economista, Professor Auxiliar, Universidade Católica Portuguesa; Pedro Nuno Santos, Economista; Mário Rui Silva, Economista, Professor Associado, Faculdade de Economia do Porto; Pedro Adão e Silva, Politólogo, ISCTE; Nuno Teles, Economista, doutorando, School of Oriental and African Studies, Universidade de Londres; João Tolda, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Jorge Vala, Psicólogo Social, Investigador; Mário Vale, Geógrafo, Professor Associado, Universidade de Lisboa.

Gago nos Açores é mudo




Responder a questões sobre o financiamento do Ensino Superior? Nunca meu senhor!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Roubam-nos o tempo

Ainda me lembro quando a época e exames durava quase um mês, há não mais do que três anos atrás. Tínhamos tempo de planear o estudo, fazer todos os exames como deve ser logo na primeira época, e manter a sanidade mental.

Com o pretexto de Bolonha, reduziu-se a época de exames a metade - duas escassas semanas para fazer 5 ou 6 exames. Avaliação continua? Com sorte, um teste ou outro quando o professor tem paciência. A matéria é igualmente extensa, maçuda e muitas vezes inútil, e as aulas de acetato continuam na moda.

A faculdade enche-se de estudantes com olheiras até aos pés, que passam a viver ali, entre a máquina de café e a sala de computadores e que já não conseguem articular nada que vá além das leis de Maxwell ou das regras de integração. Praia, cinema, música ou conversas despreocupadas no bar parecem coisas de outro tempo.

Quando chegarmos aos 30 vamos ter o cérebro frito.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

SmartDinamarca


A Dinamarca vai pôr em prática um sistema de redes inteligentes (Smartgrids) de energia: com cerca de 20% da sua energia a ser produzida por eólicas, o problema mesmo é conseguir armazenar a energia que é produzida em excesso para fornecer à rede quando há picos de consumo.

O que se vai fazer é armazenar a energia em carros eléctricos e permitir que estes sejam ligados à rede, de forma a que estes possam armazenar ou fornecer energia, sempre que necessário, de forma automática. Este mecanismo permite monitorizar a todo o instante os fluxos de energia em cada ponto do sistema e é possível que em cada ponto se alterne entre "consumidor"/"produtor", na medida das necessidades da rede.

O conceito não é novo, mas a implementação de um sistema deste tipo representa um passo fundamental para a transição do uso de combustíveis fósseis para fontes de energia limpas.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Orgulho e Preconceito

No próximo sábado vai-se realizar a 10ª Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa (o Pride de Lisboa); evento tradicional no calendário festivo da cidade, com tradições no século passado. Celebra-se o Orgulho LGBT.
Estranhamente, há quem questione a validade destas iniciativas, desvalorizando-as e procurando apresentá-las como marginais colocando em causa a sua importância e colando-a a movimentos marginais ou insignificantes. Foi neste sentido que li os comentários do Tiago Azevedo Fernandes a este post («Ainda estou para perceber por que razão é que a orientação sexual, seja ela qual for, há-de ser motivo de orgulho», «há também homossexuais que não simpatizam com este tipo de manifestações - deverão sentir-se mal consigo próprios por esse facto?»). Esta reacção é, ainda – e infelizmente – muito comum em parte da sociedade portuguesa, em especial naquela que não se liberta de certos preconceitos e que não entende totalmente o contexto de iniciativas como a Marcha do Orgulho LGBT.
Claro que a Marcha não é exclusiva da comunidade LGBT. Eu sou heterossexual e vou estar no sábado no Principe Real, como sempre o faço e como muitas pessoas fazem. O Orgulho que se vai celebrar é o de cada um de nós poder ser e assumir aquilo que é, no que toca à sua orientação sexual, qualquer ela que seja. Também se celebra, de forma indirecta, o Orgulho na nossa sociedade; uma sociedade tolerante que permite a viabilidade dessa escolha; uma sociedade activa e orgulhosa do que já conseguiu construir; uma sociedade que está consciente do que ainda necessita construir (para quando a plenitude e a igualdade de direitos?). Só quem não sabe como são outras realidades (adenda: ver esta ou esta) pode colocar em causa o Orgulho que temos em poder celebrar isto.
Por isso, caro Tiago, não se deve sentir nem bem nem mal com a posição que toma relativamente a estas iniciativas. Eu é que lhe agradeço os comentários que fez a este post, e que me motivaram a escrever este texto, e aproveito para o convidar pessoalmente a vir à Marcha do Orgulho LGBT de Sábado. Procure-me, sei que não tem os preconceitos que parece ter.

Lição Aberta de José Gil - Agradecemos Divulgação

Hoje às 18h, transmissão em directo no www.conferenciasdelisboa-net

Entrevista de Sócrates à SIC


... mas alguém ainda acredita que o azul faz menos mal que o vermelho...?

domingo, 14 de junho de 2009

a propósito..



eu ... é mais bolos, e tu?!

www.ATTAC.pt

visitem!

É no Sábado




sexta-feira, 12 de junho de 2009

RGA - expresso


Ainda não tinha aqui feito menção ao novo blogue do Expresso, o RGA (Reunião Geral de Alunos), que reúne uma série de alunos do ensino superior de todo o país para discutir o Ensino Superior. A Ana Bastos e o Nuno Moniz, colegas Canards, estão entre os escritores do RGA.
Podem visitar aqui.

Aconteceria se fosse real?


Após este momento eleitoral, além de todos os foguetes que foram para cima e para baixo e, após a recolha dos mesmos, há um momento de reflexão que é necessário fazer.
Para ajudar no processo, segue um vídeo dos colegas do Gato Fedorento. Não sabia da sua existência até esta segunda-feira, por isso peço desculpa se já viram.

Fica a pergunta: Aconteceria se fosse real?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

It must be the hats



Crónica de uma eleição europeia (I) [título modificado]

48 horas depois já consigo proferir um par de análises sobre o 7 de Junho. Irei faze-lo em jeito de crónica e em posts distintos: um prelúdio, um par de ideias sobre as eleições e uma ou duas reflexões sobre o futuro.
Prelúdio: Bruxelas, 7 de Junho.
O dia 7 de Junho começou de forma fantástica. Viagem para Bruxelas em primeira (deram-me um update de ultima hora, que aceitei) e no lugar ao lado do do Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Acabei por trocá-lo com o João Marques de Almeida – não me fosse eu não me comportar– mas ir para Bruxelas com Bruxelas pintou de excentricidade a viagem e permitiu alargar a palete de cores do meu dia. Vinha vestido de vermelho, puro; e agora uns tons de azuis apresentavam-se institucionalmente.
Chegado a Bruxelas, ao Parlamento Europeu, a atmosfera era a dos grandes jogos. Centenas de jornalistas, vários estúdios de televisão e da rádio, entrevistas por todo o lado. Uma energia contagiante. Gente e mais gente, encontrões, olhares cruzados, piadas e risos. Stress. Muito stress. Mais cores apareceram. Verde, Amarelos, tons de Vermelho e de Azul, Cinzas. Todas as cores do espectro político europeu visíveis ao olho nu. A democracia vestida com o seu melhor traje. Fantástico cenário.
No Partido Socialista Europeu a noite não era a das grandes vitórias. O semblante carregado do staff não nos deixava grandes esperanças, e o vislumbre dos primeiros resultados confirmava as piores expectativas. Esperava-se perder nos grandes países e de uma maneira geral um pouco por todo o lado. Mas quando se começou a perceber o que se ia passar em França, na Alemanha, na Polónia, na Hungria a ideia inicial de fazer um bom jogo, de nos apresentarmos competitivos, de podermos – de alguma maneira – moldar a nova Europa eleita (condicionando, por exemplo, a eleição de Barroso), rapidamente desvaneceu. Agora era evitar a goleada, e procurar promover as pequenas vitórias na segunda divisão da política europeia (Grécia, Belgica, Malta, Dinamarca, Chipre, mais tarde a Roménia, etc). Afinal, os partidos membros do PES subiram em 10 dos 27 países.
Esperávamos perder, mas nunca de goleada, nunca assim. Nunca tão cedo. E perdemos Portugal. E perdemos Espanha. Caímos nos bastiões do socialismo progressista europeu que são o exemplo da governação social-democrata para essa Europa de esquerda. Desastre. Massacre. Afinal, até tínhamos uma boa equipa. Um bom programa. Os activistas. A crise provocada pela direita neo-liberal. Onde falhámos?
Tenho descrito esta situação como se fossemos, o PES, uma equipa de fórmula I. Desenhámos um carro (o Partido), colocámos-lhe um bom motor (o manifesto eleitoral), umas boas rodas (os activistas), e quando foi altura de o conduzir… não só percebemos que não tínhamos condutor como parte da nossa equipa queria o piloto dos nossos adversários. Caricato, não? Depois tomámos consciência de que este não era, afinal, um jogo de equipa – onde todos vestem e suam a mesma camisola – mas antes uma espécie de entretenimento colectivo, amador, onde os jogadores da equipa se apresentam juntos no campo dos jogos com camisetas semelhantes mas todas diferentes, na core nas tonalidades. Não conseguimos transformar o potencial das nossas individualidades numa mais-valia colectiva, e fomos um qualquer conjunto de galácticos da política, equipa cheia de vedetas, incapazes de passarmos a bola uns aos outros, mais preocupados com a gestão das diversas carreiras pessoais do que em ser competitivos no campeonato da política europeia. Aí errámos. Procurámos criar e construir uma realidade europeia onde só existe dinâmica nacional. Não há 27. Há 1+1+1+1+1+1…
A noite acabou por acabar numa boa nota: a eleição – ainda por confirmar – do Rui Tavares. Éramos muito poucos os resistentes. Com interesses distintos. Curiosamente portugueses e italianos, mais e mais cabisbaixos. Os Socialistas italianos ficaram fora do Parlamento Europeu. Julgo que devemos ter uma qualquer sina para a dramaturgia trágica. Entretanto, o ruído de fundo, ritmado, do rebentar das garrafas de champanhe marcava o tempo e recordava-nos de que a festa era num outro lado. Rui, PCP ou outro do PSD. Elegemos o Rui. Podia fechar a noite com um sorriso.
Telefonei-lhe. O Rui tinha-me ligado – estava eu em Bucareste numa acção de campanha do PES – quando decidiu aceitar o 3º lugar na lista do BE. Era um dos socialistas a quem ele queria comunicar tal decisão, disse. No mínimo queria ser um dos primeiros a congratulá-lo. Telefonei-lhe. Rimos. E prometi-lhe uma cerveja pelo Parvis de Saint-Gilles e fui dormir.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A dentada no centrão


Isto é que nos devia alegrar (não, não é uma piada sobre o Alegre)! A Esquerda que se pode chamar Esquerda teve quase 22% - menos 4% do que o PS.



Começa o ataque

O Y, comentador deste blogue, abriu as hostilidades sectárias contra o Bloco de Esquerda e deu-nos um pequeno vislumbre do tom e forma que o PCP e em particular o PS irão adoptar no resto do ano eleitoral: o BE não tem legitimidade para lhes roubar votos e o ressurgimento da direita europeia é inteiramente sua culpa. 
Tenham juízo. Arranjar argumentos que vão contra a legitimidade do exercício eleitoral é ser anti-democrático, revelador da incapacidade de regeneração de algumas forças partidárias para o futuro que se apresenta. O Bloco de Esquerda antingiu os dois dígitos percentuais, é uma força política e social incontornável e sim, é a 1ª força da esquerda em Portugal. 
O realinhamento político a que isto obriga é soberanamente desconfortável mas é bom que se adequem aos novos tempos e se deixem de sectarismos. 



domingo, 7 de junho de 2009

Europa não é Vital - BE é a 1ª força da esquerda

O PS perdeu por 5 pontos para o PSD e o Bloco de Esquerda é hoje a 1ª força da esquerda (título roubado ao Tasca do Chico) em Portugal. Miguel Portas, Marisa Matias e Rui Tavares estão de parabéns. 

VOTA!




quinta-feira, 4 de junho de 2009

Cartaz das Conferêncais de Lisboa Junho - Julho




5.000 and counting

Não sei se é recorde, mas o Movimento pela Igualdade já recolheu mais de 5.000 assinaturas online desde Domingo.
Numa altura destas, em vésperas de eleições para o Parlamento Europeu (onde se espera uma abstenção elevadíssima); quando é recorrente o discurso sobre o afastamento das pessoas dos assuntos da política, é verdadeiramente impressionante que este movimento – totalmente emanado da sociedade civil, sem qualquer apoio partidário – consiga, praticamente sem recursos que não sejam a vontade dos seus subscritores, alcançar tal resultado.
Bem sei que este tema, o do casamento entre pessoas do mesmo género, é já mainstream na camada progressista e liberal da sociedade portuguesa. É essa característica que permite que com grande facilidade gentes de esquerda e de direita, novos e velhos, pessoas de todas as áreas profissionais estejam a assinar o documento promovido pelo MpI com a vontade e o entusiasmo demonstrado pelos números.
Portugal tem mesmo uma nova geração de gente que se interessa pelo Bem Comum, que respeita a Liberdade Individual de cada um e que se bate pela Igualdade total no acesso à Lei. Nestes sim, vislumbra-se um futuro interessante, para este canto da Europa.
(já assinou? Quer faze-lo? Clique aqui)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Onde pára o dinheiro? Não damos Cavaco.


Cavaco Silva revela que "boa parte" parte das suas poupanças "estão desaparecidas" (Público)

O Presidente da República, Cavaco Silva, revelou hoje aos jornalistas que está a perder muito dinheiro com as poupanças que tem nos bancos e que parte delas “estão desaparecidas”.
...
“Eu e a minha mulher, antes de eu estar nesta posição, quando éramos apenas professores, não tínhamos as nossas poupanças debaixo do colchão, nem tão pouco no estrangeiro. E agora também não. Entregámos as nossas poupanças a quatro bancos, incluindo o BPN, para eles gerirem as nossas poupanças. Esperávamos que eles gerissem as poupanças bem, que conseguissem um bom rendimento. Infelizmente estamos a perder muito, muito dinheiro. Boa parte das nossas poupanças estão desaparecidas”, afirmou o chefe de Estado citado pela TVI.

Ninguém escapa. Até o Cavaco.
No saco de gatos que andou lá pelos lados do BPN, em que o próprio Cavaco andou lá a remexer, os prejudicados chegam até ao nosso querido líder.
Estou à espera de ver nas notícias o Cavaco e sua esposa fora da Av. António Augusto Aguiar, 132 a perguntar pelo seu dinheiro.
Aguenta-te Cavaco. O neo-liberalismo é muito lindo. É o mais lindo de todos.

A força do carácter

A páginas tantas nesta (pouco) interessante campanha eleitoral discutia-se mais a personalidade da Elisa Ferreira - o que disse ou não disse, o facto de ser candidata à Câmara Municipal do Porto (facto que ainda continua a incomodar muita gente) – do que a mais-valia que a (ainda) eurodeputada tem a acrescentar à lista do PS para a Europa e para a representação portuguesa no Parlamento Europeu. (sobre este assunto, podem consultar este e este posts)
Pois na altura muitos se insurgiram sobre umas pretensas declarações da Elisa ao Jornal de Negócios, atribuindo-lhe erradamente a autoria da citação "o dinheiro é do Estado, é do PS". Este artigo causou um grande mal entendido e deu azo a diversos comentários e artigos na imprensa. Apesar de prontamente desmentida, muitos houve que não a interiorizaram, continuando mesmo a por em causa a veracidade do (primeiro e tímido) desmentido do Jornal de Negócios. Destaco entre os que não aceitaram o desmentido, o Nuno Gouveia, que em repetidos posts tem atacado a candidatura da Elisa ao Porto (por exemplo aqui).
Pois ontem, o Director do Jornal de Negócios, Pedro Guerreiro, faz um editoral completamente esclarecedor sobre este assunto, que pode ser aqui consultado. Uma vez mais se demonstrou a força do carácter da Elisa Ferreira. Terão os seus principais detractores a mesma característica e emitir, também, um pedido de desculpa público?

Mudsliding, humor e política.

Recentemente coloquei neste blog um video que levantou alguma polémica. Não entendo porquê, sinceramente, afinal as tácticas de mudsliding já existem há algum tempo na política portuguesa (basta recordarmos os ataques pessoais que José Sócrates teve de suportar durante a campanha eleitoral para as eleições legislativas de 2005).
O vídeo, que, repito, não o aprovo, é um exemplo recente que caracteriza os rumos do debate em Portugal: ataque pessoal ao principal adversário político, ad hominen. É essa a táctica que alguma direita tem procurado promover, por exemplo (como o comprova aliás alguns dos comentários recebidos neste post).
Dizia então que estas formas de fazer política estão cada vez mais frequentes na vida política nacional, e cortam qualquer intenção de elevar o debate sobre as propostas em causa. É o que se tem visto por esta campanha fora, e de parte a parte, admito.
O vídeo em causa, em minha opinião, roça o limite do aceitável, por ser talvez demasiado explicito, muito on your face. É verdade que o Paulo Rangel, com as respostas dadas, se põe a jeito para um contra-ataque destes, mas a coisa podia ter sido feito com mais… delicadeza.
Para exemplificar o argumento, deixo-vos outros vídeos, também de ataque político, mas que pelo uso da ironia, do humor e da ficção se destacam. Um é produzido pelo Bloco de Esquerda e é contra o Tratado de Lisboa; o outro é da responsabilidade da Sinistra i Libertá, coligação de esquerda concorrente às eleições europeias, que ataca o Partido Democrático (outra coligação de «esquerda» em Itália).
Estes exemplos reportam à melhor tradição do uso da caricatura e do humor em política, e devem relembrar que há outras formas de fazer política, mesmo negativa, do que atirar lama à cara do adversário. À atenção da direita.
Disfrutem.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

LGBT : les socialistes européens s'engagent !



Estive em Roma no fim-de-semana desta acção de campanha. Estive como activista e cidadão preocupado com a qualidade da democracia ao nível europeu. Já conhecia muitos dos intervenientes, conheci outros. Soube que na Bielorrússia internaram o Andrei num hospital psiquiátrico porque ele se assumiu homossexual. Soube ainda que na Suécia se conversa com os agentes do clero para se construir um ritual religioso para a celebração do rito do casamento entre pessoas do mesmo género.
Neste fim-de-semana, já em Portugal, tive a oportunidade de estar na conferência de imprensa do Movimento pela Igualdade. Já aqui vos tinha falado disso (tema que o Pedro Morgado também já referiu), e a sessão correu muitíssimo bem, com extraordinárias intervenções da Isabel Moreira, do Pedro Marques Lopes, do Daniel Sampaio e da Ana Zanati (esta principalmente).
O Movimento pela Igualdade surgiu da necessidade de promover o debate, dentro da sociedade progressista e liberal portuguesa, acerca do acesso ao casamento civil de pessoas do mesmo género. É uma questão de igualdade. Ponto. Bem sei que Portugal já não é a Bielorrússia, nestes temas; mas também sei que ainda não é a Suécia. Andaremos algures no meio destas realidades.
Do que tenho tido a oportunidade de verificar, através do meu envolvimento no MpI, é que há de facto uma camada bem significativa da população portuguesa que está preparada para dar a cara e, sem ambições partidárias ou políticas, se envolver por uma questão de civilidade e pelo reconhecimento público que todos temos o direito à felicidade e à equiparação jurídica perante a Lei.
Em breve teremos mais novidades do MpI (que vos transmitirei). Por agora está submetida a subscrição pública o documento do Movimento pela Igualdade, http://www.petitiononline.com/mpi/petition.html.
(reconheço que estranhei o afastamento táctico de alguma direita, que convidada decidiu se manter a margem deste processo… papa a mais?)

Europeias 09 Remix





Roubado ao Buzzófias

A igualdade é uma prioridade!

O Movimento para a Igualdade apresentou ontem publicamente o Manifesto pela igualdade no acesso ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Na mesa estiveram Daniel Sampaio, Isabel Mayer Moreira, Fernanda Lapa, Ana Zanatti e Pedro Marques Lopes.
Para além das mil assinaturas apresentadas ontem, que contavam com nomes de inúmeras figuras publicas e activistas, o Manifesto já foi subscrito por mais mil só entre ontem e hoje.
É muito importante que tod@s assinem! Os argumentos são conhecidos.
Porque é uma questão de justiça e dignidade. Porque se trata da última discriminação grave reconhecida e promovida pela lei. Porque é anti-constitucional.
Porque não há um único motivo que sustente o facto de duas pessoas do mesmo sexo não se poderem casar e usufruir de todos os direitos a isso associados. Porque não deveria haver uma lei a impedir duas pessoas de constituir uma família se assim o entenderem.
E sim, é uma prioridade! A democracia e o combate a todo o tipo de discriminações deverão sempre ser a prioridade, para bem do nosso pais, da nossa economia e de tod@s os cidadãos e cidadãs!