quinta-feira, 30 de julho de 2009

O triunfo do virtual sobre o real?

O recente surgimento dos mega-blogs políticos (SIMpleX e Jamais) tem provocado diversas reacções na blogosfera nacional. O Diário de Notícias fez, na sua edição de segunda-feira, uma ampla reportagem sobre o assunto. Contactado, colaborei na análise com um curto texto de opinião, que agora convosco partilho:

O prolongado debate sobre a relação entre a sociedade civil e a sociedade político-partidária tem hoje uma nova dimensão: o espaço virtual da blogosfera. O «Simplex» e o «Jamais», com independentes e encartados, simbolizam isso mesmo. O fenómeno não é novo, nem mesmo em Portugal («Super Mário» e «Pulo do Lobo»), mas ganhou importância com advento da maturidade da blogosfera nacional, com a crescente qualificação e exigência da sociedade civil e do eleitorado (com muito e bom acesso à informação), e com o impacto do fenómeno Obama. O mundo virtual ganhou espaço e consolidou-se. A reacção dos Partidos foi interessante. Primeiro estranharam, depois entranharam.

Encontramo-nos então numa nova fase da vida política-partidária, que aproveita o que emana da blogosfera e bebe da sua reflexão crítica independente, complementando assim os contributos que vêm das vias tradicionais (universidades, sindicatos e movimentos sociais). Mas enganem-se os que julgam que a política só deve existir na net, pois os problemas dos portugueses continuam a ser mundanos. O mundo virtual deve complementar o real, e não o contrário. A política ainda se deve fazer para as pessoas. E essas continuam a ser reais.

os verdadeiros escândalos de Oeiras


A Tasca do Chico acompanha desde há algum tempo a luta contra o novo empreendimento da Vila Galé em Oeiras (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), um verdadeiro escândalo urbanístico ao lado do Estádio Nacional que irá verdadeiramente privatizar e roubar espaço público a uma comunidade que conhece e vive o espaço há muitos anos, construindo um campo de golfe, hotel e prédios de apartamentos.
Um movimento de cidadãos expressivo constituiu um blog (http://amigosestadionacional.blogspot.com/) e lançou uma petição que já conta com alguns milhares de assinantes (pode ler e assinar aqui). Assinem a petição.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

BlogConf com José Sócrates

Tive ontem a oportunidade de estar na conferência de Blogers que com José Sócrates debateu vários temas. Estive em representação da Loja de Ideias. O encontro foi muito produtivo, com questoes bem interessantes. Curiosamente, ou talvez não, vieram da parte dos blogs da esquerda as perguntas mais «desafiantes» para José Sócrates. A grande desilusão foi mesmo a direita, que só nos descontos (depois de quase 4 horas de encontro) soube mostrar o ar da sua graça.
Eu questionei o Primeiro-ministro sobre a questão do casamento entre pessoas do mesmo género.



Recebi vários comentários a referir que o video não se via. Voltei a copiar o embed, mas se ainda não o conseguirem ver, cliquem aqui.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Costa VS Santana II


comentando o debate na sic notícias, Adelino Maltez, politólogo:

passaram o tempo todo a falar de números quando o que era preciso era que se falasse de política

pois é, fazia lá falta uma voz de esquerda.

clássicos na rua - música no verão de Lisboa

O festival Clássicos na Rua começa na próxima sexta-feira nas Ruínas do Carmo com um concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa. Entre 31 de Julho e 12 de Setembro, entre o Jardim do Museu de Arte Antiga e o Jardim da Estrela, todas as sextas e sábados podem ouvir música clássica ao ar livre.

Costa VS Santana

Tiago Ivo Cruz e Joana Mortágua reunidos a analisar o debate.

Até agora: 3 - 1/2 ganha Santana. Contas; Túnel; mobilidade - Santana apaga anos de gestão irresponsável com um par de boas piadas e jogo de cintura mais apurado.

Vão mas é para Belém ver o Tejo e ler Almada Negreiros: na disputa do que interessa perdem os dois.

Santana marca com Alma, Costa com Orgulho.

O senhor PPDPSDPP quer sossego e transparência no terreiro do paço. Amnésia de quem faz túneis sem projecto e financiamento aprovados.

Apesar do kaput que deu a blogconf socrática

deu para apanhar, via jugular, a resposta elucidativa do PM sobre a eventualidade de um novo regime de protecção social para quem perdeu a remuneração de uma actividade regular com recibos verdes?

não tenho um modelo na minha cabeça para responder a isso (...) mas é preciso construirmos essa solução de forma aque ela possa responder a esse problema, e não transformar-se, também, numa forma de alguém que tem um trabalho independente, bom, deixar de trabalhar apenas porque isso é mais vantajoso para si, não sei se me estou a fazer entender


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nós também estamos fartos!


«No Irão morreram mais de 20 pessoas em protesto contra os resultados eleitorais e exigindo mais democracia. As liberdades fundamentais foram suspensas. Nas Honduras, militares golpistas extraditaram o presidente democraticamente eleito. Os protestos já geraram duas vítimas mortais. As liberdades fundamentais foram suspensas. Na China, 140 pessoas morreram em protestos contra a suposta hegemonia de uma etnia. 1400 pessoas foram presas e as liberdades fundamentais foram suspensas.
Estamos fartos disto! Estamos fartos de repressões e ditadurices. Estamos fartos de desrespeitos claros aos mais básicos direitos fundamentais. Estamos fartos de ver a liberdade ser suspensa. Estamos fartos de ver a democracia ser adiada em tantos países. Estamos fartos da paz ser constantemente hipotecada. Não pode ser! Estamos fartos e, dentro das possibilidades de cada um, vamos fazer barulho por isso! Temos dito!»


ver mais em fartos.net


sábado, 25 de julho de 2009

Geek em férias

Tropecei nesta "webcomic" altamente geek.













entre reles e muito bom

Segundo o jornal i os deputados do PPDPSD vão ser avaliados por Ferreira Leite segundo a actividade parlamentar e a relação com o círculo de eleição e será com base nesta avaliação que as listas para as legislativas serão feitas. É digno de Inimigo Público.
Os deputados do PPDPSD vão receber notas. Tenho curiosidade em saber que sistema de pontuação vai ser usado, vão usar o clássico 1 a 20? ou talvez uma escala entre reles e muito bom?
Esta gente da moral e ética reaccionária que defende uma ideia de nojo cristão pela politiquice adora estas medidas vazias de conteúdo que visam impor ordem e verdade à política dos malandros. Porque na realidade esta é uma medida que visa pura e simplesmente legitimar e dar força às escolhas directas de Ferreira Leite. Política portanto.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Agora já percebi...

Pequeno comentário de madrugada...
É sempre bom saber que as coisas têm razão de ser, nomeadamente, o porquê de uma pessoa que tanto conhecida é no que toca ao movimento LGBT fazer questão de elaborar um texto a explicar o porquê de ir votar no PS quando as razões que lá expõe seriam muito mais adequadas a explicar o porquê de não votar PS.
Mas enfim, a explicação está a seguir:

"O quarto da lista é o ministro da Justiça Alberto Costa, seguido por Vitalino Canas, Ana Paula Vitorino, Miguel Vale de Almeida, Miguel Coelho e Manuela Augusto, presidente das Mulheres Socialistas."

Lá se vai a credibilidade.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Os bons alunos


Hoje, a Associação Académica de Coimbra e a Associação Académica da Universidade de Lisboa entregaram uma queixa ao Provedor de Justiça.

A ideia de apresentar a queixa ao Provedor de Justiça surgiu na UL em Novembro, quando a questão do sub-financiamento da universidade estava ao rubro (na medida do possível). Foi uma daquelas ideias brilhantes dos bons alunos do Gago e do professor Marcelo, que procuram (não) resolver as coisas fechados nos gabinetes para pensarem que já são como os grandes. Desde aí que praticamente nada se ouviu por parte das académicas sobre o problema.

Apresentar esta queixa em pleno período de férias - já nem é a tradicional época de exames - e sem ter havido qualquer tentativa de informação dos estudantes sobre o que se ia fazer revela das duas uma: ou a maior idiotice ou a maior carneiragem partidária.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

pedras no sapato


O senhor PPDPSDPP declara que o único ponto fraco no trabalho de toda a sua carreira política foi "... a construção do golfe da Figueira - que não me deixaram fazer. Quanto ao livro, fiz o melhor que podia." A humildade de um ex-presidente que deixou a CML em ruínas e ainda afundou um governo de maioria PSD-CDS/PP levando o PSD ao seu pior resultado de sempre é louvável.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Simplex

A menos de 3 meses das próximas eleições legislativas apuram-se as estratégias do combate político. E a blogosfera é cada vez mais reconhecida como um campo de combate priviligiado. Se nas recentes eleições europeias o projecto Papa Mayzena deu cartas, até pela ausencia de outros projectos agregados aos outros partidos políticos, é de esperar que em Setembro o espaço político blogosferico esteja mais preenchido.
Neste sentido é interessante ver e seguir a proposta do SIMpleX, projecto que congrega diversos bloggers que tem em comum a declaração de voto no Partido Socialista em Setembro. É um blog que se espera de crítica construtiva, debate e de apresentação de propostas.
É de esperar que o PSD procure repetir o efeito-mayzena, e estranho que os outros partidos políticoa não apresentem propostas de debate na blogosfera. Para quando um blog colectivo do Bloco de Esquerda, afinal partido pioneiro no uso da net como forma de comunicação? E o PCP? Terá nervo e coragem para abarcar projectos desta natureza? E o que se passa com o CDS? Até quando andará a reboque do que o PPD/PSD está a produzir na net?
Tenho curiosidade em ver quais serão as reacções a esta iniciativa.

domingo, 19 de julho de 2009

deslumbramentos e safados

O economês que invadiu os jornais nacionais nas últimas décadas é particularmente provinciano e causa um permanente estado de náusea cultural a quem quer que tente perceber as escolhas editoriais de promoção desta ou aquela notícia. Sobretudo através do tom elegíaco, da forma como promove e gere influências e projecta esta ou aquela personagem da sociedade civil, os exemplos da excelência, que não são mais do que personagens políticas que servem objectivos políticos.
O Público de JMF é particularmente permeável a este tipo de lógica, seja por ser financiado por quem é ou pela falta de qualidade intelectual do próprio director.
A secção de Economia de hoje abre com cabeçalho e título respectivamente:
Pedro de Almeida ajudou a fundar a Addax, que vai ser comprada por chineses
UM português, UMA petrolífera, UMA venda de 7,3 mil milhões
O conteúdo noticioso resume-se a uma empresa de exploração e trading de petróleo constituída há uns tantos anos atrás por 4 empresários, entre os quais um português que entretanto já vendeu a sua participação na empresa, vai agora ser vendida por uma data de mil milhões de euros.
No fundo a notícia caberia num parágrafo solitário num canto de página, mas aparentemente a presença de um português numa empresa que vai ser vendida por milhões é motivo de prestígio suficiente para lhe oferecer duas páginas e fotografia própria. Sejamos claros, o Pedro de Almeida já nem sequer é sócio maioritário da coisa, vendeu a maior parte das acções há uns anos atrás quando só valiam alguns milhões, nada que se pareça com vários mil milhões. Só posso ficar com pena dele.

O artigo segue com uma descrição elegíaca do progresso de Pedro de Almeida, as escolhas, a compra de refinarias e poços de petróleo, os riscos recompensados pela sorte... sim, o Pedro fez um investimento arriscadíssimo e por um golpe de sorte foi recompensado...
Fico igualmente contente por ele, safou-se. O Pedro não é nenhum empresário particularmente bom, simplesmente safou-se.

Toda esta lógica empresarialista do ganhador é nauseabunda, cheira mal e é culturalmente destrutiva de uma sociedade. Provincianos e deslumbrados é como nos querem.

sábado, 18 de julho de 2009

Fitas na Rua - Verão de Lisboa

Este projecto insere-se na iniciativa Lisboa na Rua, uma série de programas de animação de espaço público para o verão lisboeta.
Começando hoje, todos os fins-de-semana haverá cinema em diferentes espaços da cidade. Todos os filmes programados têm uma ligação ao espaço onde são projectados, sendo uma excelente oportunidade para descobrir Lisboa sob novas perspectivas.

Na próxima sexta-feira arranca também o festival Clássicos na Rua, com um concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa nas Ruínas do Carmo. Postarei a programação durante a próxima semana.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Milu a internacionalista.


Governo acaba com técnicos de enriquecimento curricular a "recibo verde" (Público)

É o FERVE, são os PI, é tudo o que seja colectivos de precários há meses e meses a falar sobre isso. É preciso um relatório "feito por peritos internacionais" para ela ouvir.
Eu sei que a palavra já não é acarinhada na Assembleia, mas esta mulher é autista. E casmurra.
Mas tá bom. Mais vale tarde que nunca. Agora sempre que ela tiver na dúvida do que era um falso recibo verde, sempre tem uma bela amostra para lhe lembrar. 15 mil técnicos.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ocupação no ISEC


Alunos fecham ISEC em apoio à greve de professores dos politécnicos (Público)

"Alunos ocuparam e fecharam hoje, ao final da tarde, o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC) como forma de apoio à greve dos professores do ensino politécnico e reclamando uma solução para a situação.

“Temos um problema cuja solução passa por os professores serem ouvidos relativamente ao estatuto da carreira docente. Estamos a ser empurrados para uma crise grave que nos afecta. Temos duas semanas de exames em atraso”, disse à agência Lusa António Marques, aluno do ISEC e um dos organizadores do protesto"


Os professores estão em greve. Não há avaliações, e muitos dos exames não estão a ser realizados. Mandando um número para o ar, esta situação deve estar a atingir à vontade 20 mil alunos. Frizo o "à vontade" porque só no ISEP são 5 mil.
Claramente, a posição do Gago é esperar que desapareça.
Bom para ele, mau para os 20 mil alunos que ficam muitos deles numa confusão enorme por não saberem quando podem fazer exames, se podem acabar o curso, se vão poder ir para mestrados noutras faculdades, mau para os professores que alguns depois de 10 anos podem ir directamente para a rua. Por exemplo, dá para rir, alguns dos Directores de Curso no ISEP.
Enfim... Mais 4 anos de políticas à Gago para o Ensino Superior?
Não é com o meu voto de certeza. "Santa" nulidade.
Deixo o meu apoio aos colegas do ISEC.

terça-feira, 14 de julho de 2009

não fiz mal a ninguém

frase do senhor PPDPSDPP na grande entrevista com Judite de Sousa esta noite.
É preciso ter lata.

Está-se bem no campo


Pelo direito à imaginação e um mundo mais igualitário, os Jovens do Bloco de Esquerda promovem um encontro aberto a todos os jovens, de 17 a 21 de Julho, no Parque de Campismo "Ponte das Três Entradas", em Oliveira do Hospital. Festas, debates, workshops culturais, desportivos e artísticos, são alguns dos eventos que ocorrem neste espaço auto-gerido, contra as opressões e discriminações do quotidiano.

Ana Drago, Luís Fazenda, Miguel Portas e Francisco Louçã marcam presença no acampamento para debater com os jovens temas que vão desde as eleições legislativas até à crise económica e o movimento estudantil. Do programa constam ainda diversos workshops, de dança, stencil, teatro do oprimido, massagens ou cozinha vegetariana. Racismo, feminismo, LGBT, drogas leves e precariedade são outros temas igualmente discutidos de forma aberta e descontraída.

A prática de jogos e desportos preenche os finais de tarde e as noites serão animadas com festas temáticas.


Ver mais aqui.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mais um ano Gago que termina


Não, não é um edifício abandonado, é um dos departamentos da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde todos os dias centenas de alunos têm aulas.

O ano termina agora, está sol, a praia é mesmo ao pé, os exames estão a acabar e o sentimento geral é de alegria e despreocupação. Foi um ano marcado por contestação, relativamente dura nos tempos que correm, ao modelo de financiamento do Ensino Superior e aos cortes orçamentais promovidos pelo ministério de Mariano Gago.
A Universidade de Lisboa tem um buraco orçamental de 6 milhões de euros, a Faculdade de Ciências um de 3 milhões.

Apesar da contestação o ano termina como começou, com as universidades sem dinheiro, os estudantes sem condições para estudar, os professores sem condições para ensinar (porque para investigar a conversa é outra). Mariano Gago continua a não querer dizer nada sobre o problema, muito menos fazer qualquer coisa.

Só o nosso C1 é que dá sinais de mudança, a cobertura de segurança, colocada em Dezembro para evitar acidentes, está cada vez mais rasgada, e cada vez mais bocadinhos de cimento que caem das paredess se acumulam no chão, cada vez mais brechas se abrem no piso das varandas.

Obras? Nem vê-las.
Mas não tem mal, vêm aí as férias...


quarta-feira, 8 de julho de 2009

O caso das duplas candidaturas ou um par de ideias sobre recrutamento político.

A recente decisão da direcção do Partido Socialista em impedir uma dupla candidatura às autarquias e à Assembleia da República é de louvar. Há muito que se falava, dentro do Partido, sobre esta situação (que devia, aliás, ser extensível a todos os órgãos do poder político); pelo que a mesma não é nenhuma surpresa.
Infelizmente a mesma direcção do Partido Socialista não entendeu avançar com esta medida no inicio do ciclo eleitoral deste ano decisivo. Talvez se o tivesse feito, poderíamos estar agora em vésperas de salvar o Porto da gestão desastrosa a que tem sido sujeita nestes últimos anos. No entanto, não é por o não ter feito em Junho que não o pode anunciar agora. Pior seria repetir no erro. Repito, é uma medida de transparência que é de louvar.
Claro que esta decisão, não antecipada, suscitou uma interessante reacção corporativa por parte de alguns visados que, agora com o lugar de deputado em risco (para o serem terão de abdicar da candidatura autárquica), tem vindo para os órgãos de comunicação social plasmar as suas indignações. Ao contrário de alguns amigos, eu acho vergonhoso que deputadas da qualidade da Leonor Coutinho ou da Sónia Sanfona se insurjam contra esta medida, quase dando em entender que o seu lugar cativo na Assembleia da República lhes tinha sido vilmente roubado. Esse lugar não devia ser de quem quer «servir o povo?». De quem quer «servir o país?». Então que sentido faz o tal sentimento de pertença e de direito?
E o que dizer das afirmações da Leonor Coutinho acerca da «carreira de deputado»? Desculpem a vinha costela anglo-saxónica, mas tenho para mim que os lugares políticos devem ser encarados sempre como temporários. Não existe – ou não devia existir – essa tal carreira, como é subentendida pela Leonor Coutinho. Os Partidos deviam, isso sim, recrutar os elementos que julguem mais capazes para dar corpo a um determinado projecto político (que deveriam agregar diversas valências, provindas de varias proveniências); elementos esses que regressariam à sociedade civil depois de cumprido os propósitos do projecto ou aquando da alteração do mesmo.
O que também está subentendido nas declarações da Leonor Coutinho, e é mais grave – em minha opinião -, é a suposta existência de um sistema de equilíbrios intra-partidário que permite acordos e arranjos que perpetuam uma elite partidária na rede de cargos públicos e políticos. Tal insinuação, que denuncia uma gritante falta de democracia interna na vida partidária portuguesa, permite ainda visualizar como o sistema partidário português é gerido e como ele afasta outras possibilidades de recrutamento, nomeadamente quando tratamos de lugares intermédios do sistema político (situação que naturalmente limita a renovação e a mobilização extra-partidária).
Por fim, a reacção extemporânea da Leonor Coutinho leva-me ainda a querer seguir este caso com alguma atenção (até por razões académicas), e de querer saber – uma vez quebrado o tal acordo prévio – o que farão agora estes atingidos. Regressarão à sociedade civil ou serão colocados numa qualquer gaveta de acesso político? Que tipo de novos acordos serão forjados?
Não se entenda, no entanto, esta situação como exclusiva do Partido Socialista. Nem pensar. Este sistema existe em todos os partidos com acesso a cargos públicos e à administração do Estado. É, aliás, um dos cancros da nossa democracia contemporânea; da nossa III República. E um diagnostico conhecido e comprovado. Para quando mais soluções?

A Ministra quer incentivar o estudo da Matemática

A Ministra da Educação acha que a culpa dos maus resultados no exame de Matemática são da comunicação social e da Sociedade Portuguesa de Matemática. A Lurdinhas acha que dizer-se que os exames de matemática são fáceis “É um desincentivo ao estudo e ao trabalho”. Ou seja, não importam os 12 anos de ensino enfadonho da matemática, nem os currículos fraquinhos, nem a falta de bases com que os alunos chegam ao secundário. No exame, se estudarem, todos tiram 20, porque a Lurdes dá umas baldas.

Só é preciso é que haja incentivos...



Imagem tirada do Kaos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Tourada, Forcados e caralhad&%, ou a questão dos pesos e das medidas e da coerência em política.

Os recentes episódios ocorridos na Assembleia da República aquando do Debate da Nação (o da birra do «forcado» Paulo Rangel - aqui e aqui - e a faena a Manuel Pinho) voltaram a lembrar que Portugal, apesar de todo o progresso conseguido nestes últimos 30 anos, ainda anda muito longe de ter estabelecido uma democracia de qualidade e de consequência. Fizemos auto-estradas, escolas e hospitais. Gastamos dinheiro que não era nosso, prometemos sonhos de outros e desenhamos um país fácil e irresponsável (ver, sobre este tema o excelente artigo do Nicolau Santos este fim de semana no Expresso).
Com tanto desenvolvimento estrutural esquecemos de promover – juntamente com este hardware desenvolvimentista - um software político de qualidade. Esquecemos de promover uma cultura política de qualidade e de consequência (tema a voltar).
Pior, não conseguimos – ainda – ultrapassar o dogma da partidarite e da conveniência política. Só isso explica, como muito bem apontou a Fernanda Câncio, o duplo critério do Presidente da República, célere a repudiar o gesto de Manuel Pinho mas esquecido em relação às actuações de Paulo Rangel – aqui ou aqui; José Eduardo Martins ou de Alberto João Jardim.
O mesmo se passa com a coerência da «política de verdade», chavão-base da candidatura de MFL ao Governo do país; onde a velocidade da condenação às práticas socialistas nunca é acompanhada pelo descarte ou pelo distanciamento em relação às situações menos felizes dos seus apoiantes. Esta falta de coerência evidente remete esta candidatura para a categoria das candidaturas tácticas, vazias e inconsequentes. Nada de novo acrescenta, portanto. Nenhuma ideia ou projecto para o país, aposta apenas no desgaste do adversário e na capitalização política dos seus erros. Nada de positivo produz. Nenhuma Verdade acrescenta.
Um pouco tarde, é verdade, mas parece-me que José Sócrates elevou – nos últimos dias – o nível de exigência dos seus correligionários. Primeiro demitindo prontamente o Ministro da Economia (que há seis meses se manteria no lugar) e depois afrontando certo establishment do Partido Socialista impondo o impedimento da dupla candidatura a autarca e deputado. Há hoje mais exigência no Partido Socialista, e não vi a mesma medida ser tomada para uns e não para outros (como tem feito o PSD). Sem efeitos retroactivos, a mesma medida aplicou-se a todos os casos.
Não que estes recentes acontecimentos alteram o panorama geral da política portuguesa, mas são sinais que há que mudar alguma coisa (para que tudo fique igual?), ou que alguma coisa pode mudar, nesta tourada da vida política portuguesa. Mais qualidade, e mais consequência, precisa-se.


Não compreendo porque é que a RTP mete um enviado especial em Los Angeles para transmitir em directo a cerimónia fúnebre de Michael Jackson...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A 3 meses das Autárquicas...


António Costa e Santana Lopes empatados em Lisboa

«Neste estudo de opinião, os lisboetas elegem também o Bloco de Esquerda, cuja lista à Câmara é liderada por Luís Fazenda, como a terceira força na autarquia com 9% das intenções de voto. A CDU, liderada por Rúben de Carvalho, é destronada da terceira posição que actualmente ocupa no executivo camarário para a quarta posição com 7% nas intenções de voto.
A lista dos “Cidadãos por Lisboa”, encabeçada por Helena Roseta, arrecada 6% nas intenções de voto e apenas 3% dos inquiridos não quis ou não soube escolher o força em que tenciona votar a 11 de Outubro.

Quando questionados sobre quem tem mais qualidades para ser um bom presidente da Câmara de Lisboa, os inquiridos escolherem António Costa (30%), seguido de Santana Lopes (27%) e Helena Roseta (12%). Segue-se Ruben de Carvalho (4%) e, por fim, Luís Fazenda (3%).»
DN

domingo, 5 de julho de 2009

Em directo

O regresso de Zelaya e a repressão do exército das Honduras, aqui.

lemniscata


O blog O Valor das Ideias, da autoria de Carlos Santos atribuiu o prémio Lemniscata a este blog.

“O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."

Sobre o significado de LEMNISCATA:LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores(In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)

Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.Texto da editora de “Pérola da cultura”Seguindo as regras este prémio é para ser atribuído de seguida a 7 blogues. Assim, sem qualquer ordem prévia:

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Taxa do carbono na Suécia


Em 1991 entrou em vigor na Suécia uma taxa de carbono sobre o consumo de energia a partir de combustíveis fósseis.
A taxa, que inicialmente se situava nos 27€/ton, actualmente é de 108€/ton, um valor bem mais elevado do que os valores das licenças de emissão do mercado de carbono europeu.

Os fim de quase 20 anos os resultados são:

Redução das emissões em 9%;
Cada Sueco emite em média 6,7 ton de CO2 anualmente contra 9,3 ton da média europeia;
Transição do uso de combustíveis fósseis para energias renováveis ou biomassa quer na indústria, quer na habitação;
O Estado Sueco arrecada todos os anos cerca de 1,4 milhares de euros a partir da aplicação da taxa.

O mercado de emissões europeu não conseguiu sequer cumprir as metas de Quioto, ao mesmo tempo que gerou um negócio multimilionário para grandes empresas.
As diferenças são evidentes.

Ver mais aqui.

Conferência de David Throsby - ISCTE

Este texto é da autoria de Joana Mayer

Seminário integrado no Ciclo de Conferências “Artistas e Profissionais da Cultura: Carreiras e Mercados de Trabalho”

O teórico australiano David Throsby esteve ontem no ISCTE para um seminário no âmbito do ciclo de Conferências “Artistas e Profissionais da Cultura: Carreiras e Mercados de Trabalho”, promovidas pelo Dinâmia em conjunto com o ICS (David Throsby é um dos teóricos que mais tem reflectido sobre as especificidades da relação entre a economia e a cultura nas suas várias dimensões pragmáticas. O seu trabalho de investigação tem contemplado questões como a importância dos artistas na economia, a economia de intervenção pública nos mercados artísticos, o desenvolvimento cultural, a política cultural e a sustentabilidade dos processos culturais).

Neste seminário Throsby apresentou uma comunicação onde pretende questionar simultaneamente: a) se existe um nível de rendimento mínimo apontado pelos artistas que determina o investimento de tempo em actividades criativas; e b) quais as variáveis que contribuem para a estipulação deste rendimento mínimo, e se estas influenciam os artistas a optarem por actividades menos criativas mas mais lucrativas. Estas questões surgem na sequência das observações apresentadas por Throsby no artigo “Preferred Work Patterns of Creative Artists”, publicado no Journal of Economics and Finance (2007).

Neste artigo, Throsby conclui que o modelo económico de trabalho para os artistas é diferente do modelo convencional de oferta de trabalho. O modelo económico da oferta de trabalho considera um mercado onde se transacciona trabalho, i.e. onde há uma oferta e uma procura de mão-de-obra, e, este modelo explica ou ajuda a explicar a forma como os fornecedores de trabalho se comportam no mercado.

Assim, quando consideramos o trabalho artístico observamos que não existe uma diferença expressiva entre o tempo investido em “trabalho criativo” e aquele que estes gostariam de investir em tempo de lazer. Ou seja, por oposição ao trabalhador comum, que investe o seu tempo a trabalhar - em função de uma expectativa de rendimento - , e que consequentemente compromete assim o tempo que gostava de investir em lazer, para o artista não existe um desfasamento tão expressivo entre o tempo que dedica ao trabalho criativo e aquele que gostaria de dedicar a fazer outras coisas.

Esta diferença pressupõe então que os artistas gostavam de poder investir mais tempo no trabalho criativo, mas que a proporção da expectativa de rendimentos não acompanha esta curva ascendente. Daqui se conclui que os constrangimentos associados ao retorno do trabalho criativo obriga os artistas a tomarem opções que comprometem o tempo de que dispõem para investir nas suas actividades criativas - arranjando um emprego não-criativo ou optando por um emprego criativo mas de carácter secundário (dar aulas de música, por exemplo).

Deste modo, a referência de um rendimento mínimo apontado pelos artistas permite concluir do limiar abaixo do qual o tempo despendido em actividades criativas se torna uma quase impossibilidade. Quanto ao valor do rendimento mínimo apontado este estabelece-se principalmente com base no rendimento auferido pelos artistas à data do inquérito. As outras variáveis que podem fazer oscilar este valor prendem-se fundamentalmente com o estado civil e com o número de filhos (ainda que variáveis como a idade sejam também de considerar).

Estas conclusões são interessantes fundamentalmente por dois motivos: por um lado porque permitem voltar a desfazer o mito do artista romântico cuja pobreza é o motor do espírito criativo; e, por outro lado, porque fornecem dados interessantes sobre valores concretos e variáveis que condicionam o trabalho artístico, implicando consequentemente uma reflexão ao nível das políticas culturais sobre os financiamentos e a regulação (ou não) dos mercados.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

É isto o PS




É esta a resposta que o PS dá quando lhe fazem perguntas incómodas.

Encontros com o Presidente

Hoje o António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, promove um encontro informal com bloggers e utilizadores das redes sociais (Twitters, Facebooks, etc). É às 18 h na Sala do Arquivo, nos Paços do Concelho.
Julgo ser a primeira iniciativa deste género pela parte de um Presidente de Câmara, em Portugal, o que aumenta o nível do seu significado e reforça a ideia da governação «para as pessoas» promovida pelo António Costa em Lisboa.
É ainda um sinal de que as redes sociais já entraram, definitivamente, na arena política, agora com uma maturidade e significância bem mais premente que em anos anteriores. Esse facto tem sido muito visível nas recentes campanhas eleitorais (pelo menos desde a última presidencial), mas ainda não tinha atingido, de forma consistente, as cúpulas institucionais. E o facto de ser o Presidente da CML a promover o encontro, e não o candidato, significa que as redes sociais alcançaram a sua maioridade e que são hoje tratadas com a dignidade que a sua relevância merece. Finalmente.
Eu estarei por lá, a twittar e a blogar.

Jerónimo Martins destrói os oceanos


A Greenpeace está a bloquear a sede da Jerónimo Martins no Campo Grande.

Os activistas exigem que a Jerónimo Martins se comprometa a:
  • subscrever 5 princípios de uma política sustentável de compra e venda de peixe. Entre eles, o suspender a venda de espécies de peixe ameçadas, apoiar a comercialização das espécies mais sustentáveis, melhorar a rastreabilidade e etiquetagem dos produtos, promover e implementar prácticas sustentáveis.
  • do retirar imediato das prateleiras de 3 espécies da Lista Vermelha de Peixes da Greenpeace;
  • do compromisso em rever todas as espécies de peixe que comercializa, de acordo com os princípios adoptados para uma política sustentável de compra e venda de peixe sustentável, até meados de 2010.

Ver mais aqui, acompanhar no twitter e consultar o ranking de práticas ambientais dos supermercados elaborado pela Greenpeace.