quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ainda sobre o Cavaco

Só hoje é que consegui ver o discurso do PR, depois de observar tantas reacções exaltadas. Eu cá acho é que ele precisa de uns destes.




terça-feira, 29 de setembro de 2009

mais patetices na twilight zone

Pacheco Pereira acha que o Presidente falou esta noite apenas de uma questão de segurança e nunca falou em escutas. Não falou sobre o que era suposto portanto. Por favor parem de brincar com a questão e alguém que se responsabilize pelo que criou.


a twilight zone de Cavaco Silva (II)

A retórica usada pelo Presidente é inegavelmente mentirosa em três pontos cruciais:

-afirma que o sistema informático estava vulnerável, se assim era porque razão não actuou antes? a resposta óbvia é que esta questão é totalmente artificial e foi agora criada por iniciativa do Presidente para poder atacar os seus inimigos políticos quando lhe der jeito. A partir de agora ele poderá sempre dizer que houve uma fuga do sistema informático da Casa Civil;

-recusou falar antes de 27 de Setembro para não influenciar as legislativas mas nada do que disse afectava o sentido de voto de quem que quer que fosse;

-afirma a Presidência como uma instituição de garante institucional que não obedece a pressões e lutas partidárias para em seguida se sentir forçado atacar o governo numa espécie de defesa da honra política da Presidência;

a twilight zone de Cavaco Silva

Cavaco Silva é um irresponsável e felizmente acabou de perder a reeleição. Voltou a falar ao povo, em horário nobre, para nos dizer que não sabia de nada, que tinha dúvidas sobre a veracidade do conteúdo do e-mail publicado no Diário de Notícias, que Fernando Lima foi apenas afastado por uma cabala da comunicação social. O Presidente NÃO pode ter dúvidas sobre o conteúdo do referido e-mail. O que lá estava escrito era ou não era verdade? Temos nós razões para acreditarmos que a Presidência está a ser vigiada? Podemos ter a garantia que a casa civil está segura? Aparentemente não, e ainda validou as razões para desconfiarmos desta situação: convidou peritos de segurança informática que lhe disseram hoje mesmo que o sistema informático da Casa Civil está vulnerável. E então? Todos os sistemas informáticos são vulneráveis por natureza. Está a querer dizer que alguém (o governo) entrou dentro do sistema da Casa Civil?

Isto é patético, são patetices, do Presidente.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Extraordinária quê?



A extraordinária vitória de Sócrates foi ter sido o único partido com representação parlamentar a perder deputados.

sábado, 26 de setembro de 2009

Reciclar não dá dinheiro.

Há uns dias atrás, a Sociedade Ponto Verde anunciou que ia deixar de reciclar certo tipo de plásticos porque não era "sustentável". Sustentável, neste caso, significa rentável para a empresa do ponto de vista financeiro. Entretanto decidiu voltar atrás, tal foi a polémica que se gerou.
A reciclagem deveria corresponder à fase final da vida de qualquer objecto, depois da sua reutilização sempre que possível. A reciclagem exige um elevado consumo de recursos e energia, e, portanto, o ideal seria usar os objectos o mais possível até nos desfazermos deles. Nos últimos anos, houve um investimento elevadíssimo na sensibilização da sociedade para a importância da reciclagem que obteve resultados bastante positivos - cada vez mais gente tem o hábito de reciclar. No entanto, este investimento poderia ter também abordado a redução do consumo de recursos ou da sua reutilização antes da reciclagem. 

Não, a reciclagem nos últimos anos aparece como a grande redentora das consciências ambientais. O consumo de garrafas com tara retornável, por exemplo, diminuiu, apesar de ser a solução mais eficiente do ponto de vista energético para o tratamento das garrafas. Quando o tratamento de resíduos está nas mãos de empresas, a preocupação não é a de fazer uma gestão sustentável (para o ambiente), mas a de maximizar o lucro. Por isso, não interessa se é mais sustentável reduzir o consumo de vidro, ou se os plásticos têm de ser reciclados, ou se os óleos alimentares devem ser tratados. 


A implementação de um sistema de reciclagem deve ter como objectivo a melhoria da qualidade do ambiente e não o aumento do lucro. A gestão dos resíduos deve ser pública, é a única garantia de que o ambiente e as pessoas são postas à frente do dinheiro.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

parolices

Já tinha reconhecido a música dos comícios do PS mas não me conseguia lembrar de onde. Afinal era a intodução da série 'the west wing', uma série dos EUA que ficciona o dia a dia de um presidente democrata.
Para ser sincero gosto da série, mas a música, cheia de trompas, é um bom exemplo de patriotismo parolo e sentimental, de amor ao líder.
Campanhas lideradas por marqueteiros é o que dá.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

6º aniversário da Massa Crítica


Na próxima sexta festeja-se o 6º aniversário da Massa Crítica em Lisboa.
A bicicletada realiza-se na última sexta de cada mês, às 18h no Marquês.

Desta vez, segue-se de mega Festa Crítica em Alfama.

Fica o convite!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

as luminárias da Sic Notícias

Maria João Avilez esteve esta noite na Sic Notícias a dar opinião sobre os factos políticos do dia. Esteve por isso 10 minutos a falar de Cavaco Silva e do despedimento de Fernando Lima. A última pergunta lançada por Mário Crespo era relativa aos actos de JMF e ao artigo do provedor do leitor do passado domingo, mas a Maria não sabia de nada. Após um silêncio desconfortável pediu desculpas a um Mário Crespo incrédulo e a tentar não se rir. Não se apercebendo do ridículo no final da entrevista ainda foi capaz de lançar a seguinte frase: estarei sempre disponível para vir cá.

Nunca tive grande consideração pelo estilo senatorial de Mário Crespo. É uma constante assunção de tom e forma que no conteúdo não se afasta do jornalismo praticado por este país fora, navegando entre a sabedoria popular e a opinião mal formada. Os convidados e analistas também costumam deixar a desejar mas Maria João Avilez é um autêntico desastre. Tudo são intuições e palpites e hipóteses e conselhos que para nada servem, um verdadeiro vazio de opinião. Espero bem que ela não volte a ser convidada para comentar o que quer que seja.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Fernando Lima já foi, agora falta JMF

E já agora algum esclarecimento por parte do Presidente da República.



os PPRs da malta e os escandalizados

Quem tem um PPR perde dinheiro, Francisco Louçã que o diga. Tem apenas trinta mil euros para a reforma e ainda se enganou a investir o pouco que tinha.

Eu não tenho um PPR mas já pensei em ter, e ainda bem que alguém me chamou a atenção nesta campanha para este problema. Da próxima vez que forem atacados por um anúncio de um banco, qualquer que ele seja, reparem bem que nenhum deles vende produtos financeiros: BCP vende oportunidades, CGD vende sonhos, BANIF vende força (aliás com uma simbologia visual proto-fascista-homoerótica digna de qualquer família reaccionária). A forma predadora com que os bancos encaram o consumidor e a falta de transparência que um consumidor tem de enfrentar para não ser enganado exige discussão pública sobre o assunto. É responsabilidade dos políticos alertarem para estes problemas e o único que o tem feito com responsabilidade é o Bloco de Esquerda. Os escandalizados podem estar escandalizados à vontade, votar no PS é fechar os olhos ao problema.

O escandalizado aliás é uma figura típica do eleitorado moderno, e o seu desenvolvimento está em relação directa com o jornalismo de pacotilha. Os apocalípticos de serviço, José Pacheco Pereira e Vasco Pulido Valente (Júdice não está incluído porque escreve mal), bem vão avisando que o mundo acaba com esta gente mas ninguém lhes dá ouvidos.

É que os factos são que Francisco Louçã investiu num PPR em 2007, e em 2008 percebeu que aquilo não servia para nada e transferiu tudo para fundos públicos. Ainda bem que não tem vergonha nenhuma em fazer disto um tema central da campanha do bloco, porque o facto é que isto É um tema central que deve estar presente na discussão pública, de preferência pela boca de alguém que sabe do que está a falar. O editor do expresso, em conluio com a Sic, decidiu arranjar uma notícia que acabasse de vez com a altivez moral daquela malta esquerdalha, malta aliás que ele e José Manuel Fernandes conhecem bem (ambos fizeram parte da UDP e eram editores da Voz do Povo). Como não arranjou nenhum escândalo podre debaixo da cama de Louçã decidiu pegar no que era público e torná-lo... público. Sim, toda a informação apresentada na notícia do Expresso provém das declarações financeiras públicas dos visados. Fico feliz por assim ser, afinal nenhum deles tinha uma conta na Suíça, ou uns terrenos na Portela, ou um apartamento na rua castilho, ou uns microondas para distribuir.

Os escandalizados podem continuar escandalizados que o problema não deixa de existir.

domingo, 20 de setembro de 2009

JMF passou-se (II)


Aconselho todos a lerem o artigo do Provedor do leitor do jornal Público. Dois pontos essenciais ressaltam: 1) JMF é mal-educado e pouco profissional; 2) existe de facto um favorecimento do Presidente da República por parte de JMF.
Transcrevo o último parágrafo do provedor do leitor: Do comportamento do PÚBLICO, o provedor conclui que resultou uma atitude objectiva de protecção da PR, fonte das notícias, quanto aos efeitos políticos que as manchetes de 18 e 19 de Agosto acabaram por vir a ter. E isto, independentemente da acumulação de graves erros jornalísticos praticados em todo este processo (entre eles, além dos já antes referidos, permitir que o guião da investigação do PÚBLICO fosse ditado pela fonte da PR), leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar: haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?
Noutras crónicas, o provedor suscitou já diversas observações sobre procedimentos de que resulta sempre o benefício de determinada área política em detrimento de outra - não importando quais são elas, pois o contrário seria igualmente preocupante. Julga o provedor que não é essa a matriz do PÚBLICO, não corresponde ao seu estatuto editorial e não faz parte do contrato existente com os leitores. É, pois, sobre isso que a direcção deveria dar sinais claros e inequívocos. Não por palavras (pois a coisa mais fácil é pronunciar eloquentes declarações de isenção), mas sim por actos.
JMF tem de se demitir ou ser despedido.

sábado, 19 de setembro de 2009

as mercearias não deviam ser donas de jornais

Aparentemente Bárbara Reis substituirá José Manuel Fernandes na direcção do Público. Aparentemente porque a fonte é o jornal Sol.
O Público pertence a Belmiro de Azevedo, dono da Sonaecom, o merceeiro-mor, portanto. Alguém o viu a rir-se hoje em declarações sobre o caso das escutas à comunicação social? É que ele sabe muito bem que basta martelar as notícias certas para o preço da uva subir e cobrir numa semana os prejuízos anuais do Público (a última vez que vi andava à volta de 10 milhões).
Bárbara Reis era até agora directora executiva do diário da Sonaecom. Parece-me que o preço da uva vai subir.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Quando o progressismo ibérico é atraente (ou segundo outros, sexy)

Queríamos escrever este post mais para a próxima semana, quando começarmos a receber activistas de toda a Europa, mas como a Sábado de ontem deu destaque ao assunto, decidimos antecipar a nossa comunicação. Em causa o convite, por parte dos activistas portugueses do Partido Socialista Europeu (PES activists Portugal), a militantes de outros partidos socialistas, sociais-democratas e trabalhistas do espaço Europeu. Assim, neste post exponho, resumidamente, o que são os PES activists; qual o historial do PES activists Portugal e que iniciativa é esta que estamos a organizar.

O intercâmbio eleitoral organizado pelo PES activists Portugal
O Partido Socialista é – hoje – um partido inserido no espaço europeu. Faz parte do Partido Socialista Europeu [PES – Party of the European Socialists] que é, de longe, o mais bem organizado e estruturado partido político que actua na esfera política europeia.
Em 2006, no Congresso do PES, foi lançada uma nova e inédita iniciativa: os activistas do PES (PES activists), dinâmica que procurava potenciar as relações entre os mais de 2 milhões de militantes socialistas, sociais-democratas e trabalhistas que tem militância activa por essa Europa fora. Depois do Porto, os activistas começaram a organizar-se. Em alguns países decidiu-se por estruturas formais, noutros por núcleos informais. Há países com onde os activistas se organizaram nacionalmente, outros onde foram potenciados os grupos locais. Há de tudo, como se pode perceber.
A história dos PES activists em Portugal é construída de avanços e recuos. Decidido desde o dia 1 a ter uma denominação nacional (daí PES activists Portugal), rapidamente desenvolvemos um trabalho que apostou na qualidade dos nossos conteúdos e no alargar da nossa rede nacional e da nossa influência (no universo do PES e no mundo dos activistas). Entre outras iniciativas, promovemos uma série de debates sobre assuntos europeus (de onde destacamos uma importante conferência sobre o «childcare»), associamo-nos a diversas iniciativas do Partido Socialista (nomeadamente Universidades de Verão de várias Federações) e divulgámos o nosso trabalho em diversos Congressos Partidários (nacionais e federativos). Aproveitámos ainda para estabelecermos uma relação privilegiada com a Delegação Portuguesa no Parlamento Europeu, bem como com o Departamento de Relações Internacionais do PS.
Mas o nosso trabalho e contributo de maior folgo foi, sem dúvida, a construção das propostas apresentadas pelo PS para o Manifesto comum que o Partido Socialista Europeu colocou a votos na recente eleição europeia. Nesta iniciativa trabalhámos com as diversas estruturas do PS (Delegação Portuguesa no Parlamento Europeu, Juventude Socialista, Departamento Nacional das Mulheres Socialistas, diversas Federações do PS, Grupo Parlamentar do PS na Assembleia da República), com a sociedade civil (diversas associações e sindicatos) e ainda com a sociedade académica (junto de diversas Universidades). No total recolhemos mais de 70 propostas, de Ministros a Deputados, de Militantes anónimos a dirigentes nacionais, de académicos a sindicalistas, de Eurodeputados a assistentes e assessores. Foi um processo muito participado (que pode ser consultado aqui), cujo produto foi este. Deste paper saíram algumas das propostas que o PES apresentou aos europeus, no passado mês de Junho.
Este é algum do nosso historial, onde não realçamos a nossa presença activa em diversos encontros promovidos pelo PES, como no Congresso do Porto, nos Conselhos de Sofia e de Madrid, nos Fórum dos activistas de Viena e de Dublin e outras reuniões e encontros.
Entretanto, os nossos colegas europeus (amigos, companheiros e camaradas) foram desenvolvendo uma série de encontros de natureza eleitoral, para os quais eram convidados activistas com o propósito directo de auxiliarem em acções de campanha. Estas «campaign Exchanges», ou intercâmbios eleitorais, são hoje um clássico no mundo dos activistas do PES. Já estivemos no porta-a-porta em Dublin, aquando da última eleição geral na Irlanda; em Paris a auxiliar a eleição presidencial de Segolene Royal, na Roménia a auxiliar o PSD (local), em Espanha a garantir o segundo mandato de Zapatero, e um pouco por toda a Europa aquando das eleições de Junho.
Foram vários os activistas portugueses que já se envolveram nestes intercâmbios, e agora é a vez de retribuirmos o convite. E para o efeito lançámos um convite aos nossos amigos europeus que, mesmo com tão pouco tempo de decisão, responderam em massa. Recebemos mais de 60 respostas (individuais e de diversos grupos) e seleccionámos quase 30 activistas. A selecção obedeceu a critérios geográficos, de género e à prática de «first came first served», que é como quem diz «os primeiros e inscreverem-se tem lugar». Assim, e a partir da próxima segunda-feira, vão começar a chegar a Lisboa alemães, romenos, húngaros, bósnios, espanhóis, belgas, polacos, austríacos e gregos. Vêem a Portugal para contribuir para que o nosso governo progressista continue o seu bom trabalho. Sabem que a Península Ibérica é, hoje, uma referência da social-democracia europeia, com a dupla Sócrates - Zapatero a somar pontos em todas as frentes, em especial as sociais, e querem participar activamente na defesa das nossas ideias e ideais.
Esta iniciativa, inédita na vida política portuguesa, coloca o PS na vanguarda política europeia; relembra que a União Europeia é uma realidade e que já não faz sentido olharmos para a política apenas como um espaço de acção nacional (como alguns querem ainda fazer crer). Hoje, com 20 anos de integração europeia, sabemos que grande parte das decisões que nos afectam são tomadas em Bruxelas, o tempo dos isolacionismos acabou. E é com muito gosto, e algum prazer, que verificamos que tantos cidadãos e cidadãs dessa Europa fora querem vir a Portugal para connosco lutar pelo nosso futuro.
Eu irei coordenar esta iniciativa, que como disse começará na próxima segunda-feira. E em breve vos daremos mais detalhes.

JMF passou-se de vez e Cavaco Silva concorda com a cabala

ele sempre escreveu mal, sempre foi mau analista e opinador de segunda, mas o nível de ridículo a que JMF chegou com esta cabala que só existe nas cabeças de Belém e de JMF obrigaria à demissão de qualquer director de um órgão de comunicação social.

Cavaco Silva continua sem falar, sem comentar. É um irresponsável. O Presidente tem a obrigação política de acabar com este caso, se não o faz está simplesmente a alimentar a cabala.
Tudo isto cheira mal.

mas o primeiro-ministro não sabe estar calado?!

Em declarações à TSF O primeiro-ministro disse que acha que JMF tem imaginação fértil. Mas será que o caso TVI não o ensinou a estar calado?

um abraço e vai-te a eles!

É assim que termina o mail do editor nacional do Público referente às escutas de Belém. É tão divertido que acho que vai substituir o mítico Porreiro, pá!

JMF é que é o porta-voz de Belém?!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Nada de novo no ENDA

O ano lectivo de 2008/2009 foi marcado pelo acentuar das dificuldades dos estudantes para pagar as propinas, o que levou muitos a abandonarem a faculdade. Foi também um ano em que surgiram críticas de todos os lados ao modelo de financiamento das instituições do ensino superior e ao desinvestimento público no Ensino Superior. São conhecidos os casos de universidades ou politécnicos com sérios problemas financeiros, ou até mesmo em ruptura. Sabe-se também que os estudantes portugueses (e respectivas famílias) pagam mais do que o Estado pela sua educação, sendo dos que mais gastam (em % do PIB per capita) com educação, a nível europeu.
Por tudo isto, no final do ano lectivo passado, houve um Encontro Nacional de Direcções Associativas (ENDA) em que se discutiu precisamente este problema e em que ficou "apontado" um protesto para o início deste ano lectivo, em Outubro. Outubro parecia uma data adequada para preparar toda uma campanha de informação e mobilização dos estudantes para uma manifestação nacional,  além de que coincidia com o início do ano,  altura em que andamos todos com menos trabalho. No entanto havia  algo de suspeito numa decisão de "apontar" um protesto, adiando a decisão para uma data que deixava um prazo curto até Outubro.  

Os ENDAs são assim, têm uma lógica que escapa à maioria dos estudantes que quer ver os seus problemas resolvidos, e finalmente as suspeitas desvanecem-se: afinal já não se vai organizar nenhum protesto em Outubro. Não é que os estudantes tenham finalmente visto solução para os seus problemas: em 2009/2010  a maioria vai pagar mais de 1000€ em propinas e  taxas, e não há qualquer garantia que o desinvestimento no Ensino Superior se inverta. 
Parece que é por estarmos em período eleitoral e porque as AAEE estão muito ocupadas a organizar recepções aos novos alunos (onde, onde, que eu não a vi?). Brilhante conclusão... Será que em Maio não se sabia já que Outubro seria período de campanha eleitoral? Será que as AAEE não sabiam já que Outubro seria o primeiro mês de aulas de milhares de estudantes pelo país fora? Será que não pensaram que até podiam aproveitar a recepção para informar os novos alunos sobre o que se está a passar e mobilizá-los para o hipotético protesto? 
Ou será que "apontaram" a manifestação em Maio, porque estavam já à espera de a chumbar em Setembro, num ENDA talvez mais favorável às Jotinhas?

A lógica dos ENDAs não tem nada a ver com a realidade estudantil. Apenas com os jogos de bancada de meninos que se estão a treinar para deixar tudo como está.


sábado, 12 de setembro de 2009

Só falta o chinelo

Acabou o debate Sócrates-Ferreira Leite.

Sócrates usa a técnica habitual do ataque fácil e das interrupções. Manuela ainda tenta puxar do canudo e do suposto reconhecimento académico para ver se ganha alguma autoridade, mas ao longo do debate vai escorrengando para um tom ríspido e irritado. Para a fotografia de velha ressabiada, só falta mesmo o chinelo na mão.



É por cenas destas que a malta se afasta da política.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

CDS-PP : PSD ... Estratégia


Foi, basicamente, um debate fácil de adivinhar tendo em conta os últimos desenvolvimentos e posicionamentos no espectro político. Paulo Portas descai para a direita tentando mostrar um PSD centrão e, como o próprio disse, "ambíguo". Manuela Ferreira Leite descai com umas nuances ao centro.
Portanto, foi um debate estratégico.
Paulo Portas chama pelos eleitores do PSD que acham que Manuela Ferreira Leite não consegue fazer contra-ponto na direita a Sócrates e Manuela Ferreira Leite desmarca-se do CDS para tentar chamar voto útil no centrão.

Logo com a primeira pergunta, relativamente à relação entre ambos os partidos, o Paulo Portas abriu com precaução e afirmando-se como um partido independente e não uma sucursal de outro partido. Obviamente que é independente, mas se puder servir de moleta para governar, não vai hesitar muito com certeza.
Manuela Ferreira Leite (MFL) entrou copiando o discurso de Sócrates com o Louçã. Afirmar o centrão como o foco das eleições: Ou ganha o PS ou o PSD. Tendo em conta as últimas sondagens da Católica, é boa estratégia para o PSD. Aí, ganhou pontos. Teve foi uma 'saída' importante, dizendo que o PSD não precisaria do CDS para ser governo. Paulo Portas fechou o ouvido à afirmação e repetiu para o seu segmento de eleitores "CDS é um voto de clarificação", afirmando que o CDS é claro onde o PSD é ambiguo. Pudera... O programa mínimo do PSD foi o maior barrete. Um partido, supostamente, de governo que não consegue ser claro nas suas propostas ao país, é um partido que parte em falso para as eleições.

O debate continuou com as políticas sectoriais e diferenças de programa.. Aí começou a parte forte do PSD e CDS. A demagogia.
Logo partindo da pergunta que Judite de Sousa fez, referindo o TGV, aeroporto, relançamento da economia, ambos fugiram. Fizeram bem, porque ambos em acordo mudo seguiram para o ponto importante do debate entre Louçã e Sócrates, a política fiscal.
Uma coisa ficou bem visível. A direita não tem propostas reais para o país. Quando MFL perguntou a Portas que impostos ia baixar, Portas enrrolou na areia até chegar com o taco a Sócrates. Quem falava em não ser ambíguo, ora aí está...
MFL disse aquilo que todos os partidos têm dito, só não apresentou medidas concretas. "Manter as empresas abertas e não fechadas, trabalhadores terem emprego, apoio às pequenas (piquenas)e médias empresas...". Bem. Aquilo que todos queremos. Portas foi muito mais esperto, escolheu um bom termo... Descida "selectiva" de impostos. Trés bien.
MFL ao ouvir tão selectiva frase saiu-se com algo que, fora do contexto, até conseguiria parecer um convite. "Gostaria de ver o PP executar isso no governo.". Risota geral da sala.
A medida do PP, das poucas realmente verbalizadas por ambos, foi a revisão do regime das SCUTS para reduzir os impostos. Segundo as contas de Portas daria 600 milhões. Acho que Portas tem noção que 600 milhões é pouco para tanto que é desejado pelo próprio, mas pronto. Fica a intenção.

No tema do Rendimento Social de Inserção, deu-se novos passos.
Portas teve o discurso já bem conhecido. Conseguiu até verbalizar no meio da discussão "não querem trabalhar e só querem viver às custas dos outros.". Brutal.
Os novos passos foram dados por Manuela Ferreira Leite. Desmarcou-se brutalmente do discurso e dos argumentos de Portas colocando-se no centro do espectro político. Foi bem preparada para essa questão e notou-se: "As pessoas não podem ser estigmatizadas.". E tinha o trabalho de casa feito. Puxou para cima da mesa um dos grupos mais aproveitados nos discursos do CDS, os agricultores e o interior. Na NBA diriam, great steal.

Na questão do Código Penal, que obviamente teria de ser discutida entre os dois, o Portas novamente, foi coerente com o que tem dito sempre e agarrou-se aos argumentos de sempre que cativa apenas os seus. Mais polícias, mais policiamento, julgamentos mais rápidos (em 48 horas, o meu ouvido resumiu-me para "julgamento sumário", mas sou suspeito). MFL novamente, surpreendeu e até parecia uma esquerdalha a falar. Falou de prevenção. Apoio à prevenção de deliquência juvenil, prevenção da pequena e média criminalidade e disse algo um tanto ou caricato (ou hilariante) como : "Não vale a pena procurar pormenores no programa porque não vai encontrar". Novamente, risota geral da sala.

Sobre a temática, tão recorrente e bandeira para estas eleições do PSD, "asfixia democrática", foi bonito ver MFL a fugir da cruz.
Para MFL não é possível fazer comparações entre Madeira e o Continente porque a maioria crescente que o povo lhe dá, proporciona condições a Alberto João para dizer e fazer o que quiser incluindo proibir entrada na Assembleia Legislativa da Madeira a deputados eleitos, chantagem com as pessoas de Machico (único sítio na Madeira que não era PSD até Jardim dar umm toque da sua magia), enfim... Apetecia-me perguntar a MFL o que ela achava daquele país que ela tanto deve chamar proto-fascista, Venezuela. Problema grave, grave, de coerência. Muitos pontos retirados a MFL.
Portas ao contrário, ganhou muitos pontos com uma única frase para MFL: "Seja oposição na Madeira". Touché.

Seguiram-se três questões rápidas...
Polémica da TVI. Portas estava no governo que influenciou a saída de Marcelo Rebelo de Sousa e o Portas bem preparado, puxou o cartão de fundador do Independente. Boa defesa.
MFL perdeu pontos novamente lançando um repto... Se a situação actual é igual à de Marcelo Rebelo então, que se tenha o mesmo tratamento. Enfim, lá vai a RTP contratar a Manuela Moura Guedes. Louco.
Sobre entendimentos entre os dois, mais do mesmo com uma alteração. MFL simplesmente não fala de cenário. Portas foi mais preciso e até disse "Manuela Ferreira Leite não ganha sozinha."

Enfim. Foi um debate frouxo com alguns momentos mais aquecidos. No todo, pecou por falta de medidas concretas. De boas ideias estamos todos cheios. Construir medidas concretas partindo de ideias é que complica.
As suas posições tácticas para estas eleições ficaram bem patentes. CDS puxa para a direita. Puxa os argumentos mais populistas no que toca aos temas que tanto gosta, segurança por exemplo. MFL tentou-se colocar ao centro noutras questões como por exemplo as questões sociais.
Acho que Portas teve mais êxito na sua estratégia mas Manuela Ferreira Leite, com os seus erros habituais e tiros ao lado, conseguiu demonstrar alguma novidade.

Se tivesse que fazer alguma análise futebolística, diria que foi um empate. Um empate com um remate ao poste e outro à trave de Paulo Portas. É um peixe a nadar no seu mar. MFL não está habituada a nadar no centro.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Queremos Manuela de volta"


Quando os líderes conversam à vontade...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Debate Portas x Jerónimo. Apreciações soltas um par de dias depois

Foi um debate morno, entre opositores de campeonatos diferentes. Ambos jogavam para a manutenção dos seus eleitorados, entrando pouco em confronto (foi, aliás confrangedor assistir aos elogios de parte a parte em relação ao bom trabalho de ambos…).
No geral Portas esteve melhor. Procurou tirar proveito do protagonismo do caso- BPN (que levou o Nuno Melo a Bruxelas) – e onde aproveitou para atacar Constâncio -; e vender um pacote económico próximo do do PSD (ataque aos escalões do IRS e promessa de menos IRC). Ainda nas questões económicas, destaque para o alerta de Portas acerca do mau exemplo que o Estado dá a sector económico, por ser mau pagador (devia pagar juros quando se atrasa nos seus pagamentos).
Já Jerónimo saiu pouco das apreciações Macro-económicas e do discurso comunista, proferindo frequentes ataques aos grandes grupos económicos, ao «Grande Capital», etc. Ainda procurou apregoar uma nova politica económica é necessário uma nova política fiscal. Não disse foi quais… Apostou na questão da redistribuição da riqueza, velho cliché comunista. Jerónimo esteve bem no contra-ataque que proferiu na área da saúde quando referiu que os privados ficaram com o filet mignon da área da saúde, fugindo às áreas de maior «desgaste médico» e de pouca rentabilidade e apostando nas práticas de saúde mais rentáveis.
O debate teve alguma picardia na questão das nacionalizações. Aí Portas esteve melhor, defendendo a economia de mercado com o exemplo da competitividade do sector das operadoras móveis (que fez que, nos últimos anos, os preços das chamadas de telemóvel, dos SMS’s e outros produtos, baixassem o preço final para os consumidores). Já Jerónimo não conseguiu responder de forma eficaz.
Ambos estiveram bem no ataque ao Ministro da Agricultura, área onde aliás se elogiaram mutuamente (Portas disse mesmo que só o CDS e o PCP se preocupavam com a Agricultura). Aqui os piropos foram tantos que quase se esperava um abraço fraternal entre ambos os protagonistas, esquecendo-se que um deles defendia o Agricultor e o outro o Proprietário. Coisa sem importância quando a intenção de ambos era atacar o inimigo comum.
No fundo até foi um bom debate, sem esquemas ou subterfúgios, fluido e esclarecedor entre um comunista e uma melange de conservador, às vezes liberal, populista e com uma pitada democrata-cristão. Isto também foi possível por não partilharem eleitorado, o que diminuiu o interesse do confronto. A Diferença de estilos e de escola foi notória, Jerónimo colectivista utilizando a terceira pessoa («nós pensamos») e Portas individualista («eu penso»). Nas contas finais, no confronto directo, Portas foi mais forte. Procurou não só segurar o seu eleitorado como entrar no PSD; enquanto Jerónimo apenas procurou segurar o que já tem. Uma última nota para referir que – ao contrário do debate Louçã x Manuela Ferreira Leite – José Sócrates e o PS não foram o terceiro elemento do debate, com excepção do tema da Agricultura.

[Em stereo na Sábado, no Eleições 2009 e na Loja de Ideias]

terça-feira, 8 de setembro de 2009

TIC X


Então e a governabilidade? A PS usou a sua maioria absoluta para atacar os professores, acantonar o país na pobreza, favorecer os amigos do costume. O que separa PS e Bloco, mais do que as diferenças de estilo, são as diferenças de propostas. Sócrates ataca Louçã tentado marcá-lo como inimigo da classe média. Louçã responde dizendo que o problema de Sócrates é que ele sabe que Louçã fala para o eleitorado socialista. Vai ser aí que o Bloco mais vai crescer.

JRS 20

Parece dificil, mas Socrates está hoje mais proximo de Jerónimo do que de Louçã (o que é pena)

TIC IX


Sobre números do desemprego: Louçã diz aquilo que as estatísticas já há muito indiciam, existem pelo menos uns 50000 desempregados que não estão nos números oficiais, não tem acesso a subsísidio social de desemprego, não têm esperança.

JRS 19

louça prefere atacar nao os numeros do emprego mas a metodologia dos mesmos. Assim é facil.

JRS 18

socrates reforça o papel do PS nas politicas sociais. Relembra que resolvemos o deficit. e vira à direita (onde o BE nao entra...)

TIC VIII


Sobre o subsídio de desemprego: o que é que o PS fez para que os jovens recibos verdes tivessem protecção social? rien de rien.

TIC VII


Sócrates diz que promoveu o emprego e a protecção social aos desempregados. Louçã rebate lembrando que o investimento público tem de ser de qualidade, sustentado, vocacionado para fomentar a procura e incentivar a retoma económica toda.

JRS 17

No twitter só dá socrates. onde andam os bloquistas twitteiros?

JRS 16

socrates fez bem em insistir no ataque à classe média por parte do BE. Marcou claramente a diferença entre PS e BE e asustou muitos votantes BE.

JRS 15

Via twitter:
RT @PauloQuerido: O sonho de Louçã cumpriu-se: Sócrates leu o programa eleitoral do Bloco
RT @AscensoSimoes: Voltou o PSR e UDP. Aqui esta o PREC. Voltaremos ao 11 de Março. Força companheiro Vasco.
RT @vtmoutinho: Louça não consegue justificar a propost do programa e atira mais rectórica sem ser objectivo!
RT @czorrinho: Louçã com uma estratégia de casos para encandear o projecto do PS para o País
RT @paulogorjao: Sócrates tem como estratégia assustar a classe média relativa/ ao BE. Bem visto.

TIC VI


Louçã diz que toda a vida foi socialista, republicano e laico. Sócrates diz que sempre foi um moderado. A fantasia situacionista de Sócrates deu no que deu: depradação dos serviços públicos em tempos de crise é sinónimo de descalabro social.

JRS 14

ambos os politicos querem debater um com o outro. E mantem o ritmo elevado. voltam com frequencia a pontos pouco esclarecidos no debate.
acho que se vai marcar outro debate entre socrates e louça de tanto estao a gostar de debater um com o outro...

JRS 13

socrates cola Louçã à subida dos impostos. JS volta a ler do programa do BE. Louçã volta a estranhar.

JRS 12

Ambos os protagonistas sairam das regras (e bem). O ritmo construido levou a isso. Bom debate.

JRS 11

contra ataque de Socrates com a politica fiscal. agora é Louçã que estranha a investida.

TIC V


Sócrates diz que o seu foi o governo que mais fez pelo combate à evasão fiscal. Louçã sorri. Os portugueses que estão em casa a ouvi-lo sorriem. O país sabe bem que este tem sido o PM dos casos de falcatruas e de negociatas, que apadrinhou Jorge Coelho e criticou João Cravinho, na hora h nada fez pela transparência fiscal.

JRS 10

lá vem o professor. Louçã: «deixe-me explicar...». O debate continua vivo e bem interessante. Sócrates lê do programa do BE. Parece que Louçã se esqueceu...

TIC IV

A esquerda democrática está com medo das nacionalizações. É a táctica do medo, Sócrates mente quando diz que o programa do bloco se reduz às nacionalizações.

JRS 9

Ataque de Sócartes à esquerda-radical. A questao das nacionalizações. Louçã, qua antes interrompia com frequência, calou-se.

JRS 8

ESou num ambiente totalmente adverso. Um socialista e 10 bloquistas (quase todo o blog). «Eles» falam contra Sócrates enquanto ele fala.

TIC II

José Sócrates - o BE quer lutar contra o PS e não contra a direita. O choradinho da esquerda democrática não muda o facto da necessidade de uma nova esquerda.

JRS 7

Louçã: «eu nao faço insinuações» . O que foi a colagem de Jorga Coelho à Mota Engil?

JRS 6

demagogia barata de Louçã- "Candidato-me para vencer a crise" - Louçã. Isso todos se candidatam.

JRS 5

Lá vem o grafico. Louçã ganha a medalha de quem apresentou o primeiro documento / gráfico.

JRS 4

socrates lembra a ingerencia do BE (e de Louça) nos assuntos do PS. e o facto de Louçã ter escolhido o PS como o alvo preferencial do BE.
Sócrates quer vencer a direita. Palavra de um Homem de esquerda.

JRS 3

Sócrates responde no tema (Louçã tinha saido do tema à primeira oportunidade). Apela ao voto util e recorda que a escolha para primeiro ministro se trava entre ele a Manuela Ferreira Leite, o que é verdade.

Depois do piscar de olhos à convergencia rápido disparo às adjudicações «eternas» do governo PS.
(insinuação fácil a colagem de Mota Engil a Jorge Coelho)

TIC III

Tudo se decide na economia, e economia é desemprego.

TIC I

O PS e o PSD não são iguais.

JRS 1

Louça começa ao ataque e lembra já a José Sócrates a campanha conjunta no referendo à IVG.

Debate - Sócrates x Louçã

Daqui a momentos eu e o Tiago Ivo Cruz vamos transportar o debate para o blog.

Igualdade(s) em debate – Iniciativa do Movimento pela Igualdade

Porque a política ainda se faz deste tipo de combates:

O MPI - MOVIMENTO PELA IGUALDADE no acesso ao casamento civil é um movimento que junta milhares de cidadãos e cidadãs muito diferentes entre si mas unidos/as por uma mesma vontade: que o acesso ao casamento civil por parte de pessoas do mesmo sexo seja uma realidade legislativa em Portugal. Este movimento, lançado publicamente a 31 de Maio no Cinema São Jorge, conta hoje com quase 10.000 subscritores/as do seu manifesto fundador, entre os quais Alexandra Lencastre, António Avelãs, António Costa, António Marinho Pinto, Boaventura de Sousa Santos, Bruno Nogueira, Carlos Fiolhais, Catarina Furtado, Diogo Infante, Fátima Lopes, Fernando Rosas, Herman José, José Saramago, Julião Sarmento, Miguel Sousa Tavares, Maria de Fátima Bonifácio, Maria Rueff, Maria Velho da Costa, Merche Romero, Paulo Pires, Pedro Marques Lopes, Piet-Hein Bakker, Ricardo Araújo Pereira, Rui Rangel, Sérgio Godinho, Soraia Chaves, Teresa Beleza, Teresa Guilherme e Vasco Rato; bem como muitos cidadãos e cidadãs, activistas e outras personalidades.



Desde o seu lançamento, o MPI recolheu assinaturas através do seu portal online, em diversas acções junto das populações e organizou algumas iniciativas por todo o país. Agora organiza um debate denominado “Igualdade(s) em debate”, no dia 9 de Setembro, às 21h, no Hotel Íbis Saldanha. Este debate contará com a presença de representantes dos partidos políticos com assento parlamentar, sendo que os nomes neste momento confirmados são os de Miguel Vale de Almeida, candidato independente pelas listas do Partido Socialista, José Soeiro pelo Bloco de Esquerda, Odete Santos pelo Partido Comunista Português e Heloísa Apolónia pelos Verdes, estando ainda a aguardar uma resposta por parte do PSD e tendo sido informados/as que o CDS-PP não poderá estar presente. O debate será introduzido pela jornalista Ana Sousa Dias e o escritor José Luís Peixoto.



Gostaríamos de contar com a sua presença

Atenciosamente,

O Movimento pela Igualdade

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Manuela Ferreira Leite concorda parcialmente com Francisco Louçã

A crítica é unânime. Foi um debate civilizado e esclarecedor das diferenças entre o Partido Social Democrata e o Bloco de Esquerda. A líder do PSD nem sempre soube defender o seu espaço e foi apanhada, por diversas vezes, a concordar com Louça, mas no geral surpreendeu pela positiva (temos que levar em consideração as reduzidas expectativas relativamente à sua prestação). Francisco Louçã soube, com a determinação habitual, controlar o debate, procurando evidenciar as diferenças entre ambos os partidos. Não surpreendeu uma vez que esteve à altura de todas as expectativas saindo, quanto a mim, vencedor do seu segundo debate neste ciclo.
O debate estruturou-se em torno de quatro temas principais: Economia, Segurança Social, Saúde e as chamadas causas "fracturantes".
As nacionalizações voltaram a estar na ordem do dia, bem como o desemprego e a recuperação económica. Louçã manifestou-se contra os monopólios criados na sequência dos processos de privatização de sectores-chave da economia portuguesa, que, para além de garantir prémios astronómicos aos seus gestores, impõem a toda a economia preços acima do razoável privando o Estado de uma importante fonte de receita. A líder do PSD, por seu lado, defendeu menos Estado na economia, uma vez que o aumento do peso deste irá conduzir necessariamente a um aumento asfixiante da carga fiscal, e o fim das nacionalizações.
A urgência da luta contra o desemprego e a necessidade de aumentar o apoio aos desempregados levou a candidata do PSD a concordar com as palavras de Louçã, pelo menos com os seus princípios, embora nenhum dos dois tenha optado por avançar com medidas concretas.
No que diz respeito ao tema das reformas, Manuela Ferreira Leite afirmou "não vou mexer na Segurança Social", dando a entender que pretende respeitar as reformas realizadas durante a legislatura do PS. Mais uma vez Francisco Louçã procurou demarcar-se, lembrando que no programa Social Democrata está prevista uma diminuição da taxa social única (com vista a diminuir a contribuição dos empregadores para a Segurança Social), bem como a diferenciação nas formas de pagamento. Ferreira Leite, à semelhança do que fez noutros momentos deste frente-a-frente, preferiu barricar-se por detrás do seu programa que todos sabemos ser bastante "abstracto". Ficamos assim sem saber se o PSD, no caso de ganhar, irá ou não remeter parte do sistema de pensões para o sector privado.
Manuela ferreira Leite defendeu ainda que o acesso à saúde deve ser universal, nem que para isso seja necessário recorrer ao sector privado e incorrer em perdas financeiras, afirmando que "não se pode reduzir o problema da saúde ao aspecto financeiro". O líder do Bloco de Esquerda, por seu lado, defendeu que a universalidade dos serviços públicos apenas poderá ser garantida, com qualidade, pelo sector público, recordando que a saúde não deve nem pode ser considerada um negócio.
Louçã foi cauteloso quanto às questões sociais, quanto aos costumes. Sem nunca referir especificamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo afirmou que a base de qualquer sociedade é a liberdade. "A inquisição já acabou (...) O Estado não dita o amor de uma pessoa", afirmou. O lado conservador do Partido Social Democrata ficou aqui bem explicito e Ferreira Leite não surpreendeu ao referir que a família é o centro da sociedade e o casamento uma instituição que deve existir em torno da possibilidade de procriação e, como tal, reservada a casais heterossexuais.
Francisco Louçã e Manuela Ferreira leite concordaram, agora não apenas parcialmente, na condenação da suspensão do Jornal da Noite da TVI, que ambos consideram ser um atentado à liberdade de expressão.

Foram estes alguns dos pontos altos do debate de ontem que penso ter ajudado a clarificar algumas mentes, embora o PSD tenha optado, quanto a mim, por se restringir ao pouco escrito no seu programa recusando-se a discutir ideias e politica. Fiquei, depois deste debate, sem conhecer as verdadeiras intenções de Manuela Ferreira Leite relativamente a temas como a privatização da Segurança Social, da Educação e da Saúde mas saí com uma certeza. Com o Partido Social Democrata não caso!

sábado, 5 de setembro de 2009

E de repente...

... Sócrates é de esquerda, sempre foi de esquerda, e tudo o que fez ao longo de 4 anos foram políticas de esquerda.

No debate contra o PCP, Sócrates fez tudo o que podia para mostrar que as medidas que tomou ao longo do mandato foram medidas de defesa dos direitos dos trabalhadores, de promoção da equidade social e de defesa dos serviços públicos.
Foi até capaz de defender o código de trabalho - que precarizou as relações laborais e, já agora, as vidas de milhares de pessoas - e de afirmar que tinha melhorado as condições de quem se encontra no desemprego. Esqueceu-se (claro) de lembrar que foi no seu mandato que se atingiu o valor mais alto de desemprego desde o 25 de Abril - mais de 500000 desempregados, muitos dos quais sem direito a qualquer subsídio de desemprego por causa dessa mesma precarização das relações laborais. Elogiou até o complemento solidário para idosos como a grande medida de combate à pobreza, esquecendo-se que a taxa de pobreza em Portugal atinge já cerca de 20% da população, e que há cada vez mais trabalhadores pobres. Assumiu-se como o grande defensor dos serviços públicos, pela implementação das aulas de substituição e da escola-a-tempo-inteiro, esquecendo-se claro, de falar no modelo de gestão quer das escolas quer das universidades que as coloca ao serviço dos interesses económicos.

É pena que Jerónimo também se tenha esquecido disso...

Eu sei o que tu fizeste no verão passado: prudência, cautela e caldos de galinha

Alguém que explique o soundbyte estratégico lançado primeiro por José Sócrates: "eu sei o que tu fizeste no verão passado", seguido pelo de Paulo Portas já à saída do estúdio: "prudência, cautela e caldo de galinha".
Quem são os assessores que aconselharam Sócrates e Portas e inventaram estas frases? É que se tivesse sido só um deles com esta ideia a coisa não seria preocupante, mas não, tanto um como outro tem alguém que lhes escreveu estas frases. Saloice insuportável.

Apetece dizer que este debate não teve qualquer interesse político. O eleitorado de um e outro não estava em disputa política, Sócrates não se preocupou e Portas teve apenas de se afirmar para marcar pontos nomeadamente na segurança e na educação. Portas conseguiu inclusivamente pôr José Sócrates a explicar as teorias do CDS-PP sobre a escola privada e a negar o aumento da insegurança geral seja ela hipotética ou não.
Constança Cunha e Sá não existiu. Atrapalhou-se, comeu palavras, foi incapaz de manter o rumo do debate e impedir a degeneração do debate. O formato é nitidamente pouco adequado ao nosso sistema político, um modelo norte-americano que tenta formatar o debate em prol da clareza de posições e acaba invariavelmente numa falsa homogeneização política do debate. Só mesmo o Luís Delgado para dizer bem deste formato.


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Afinal foi hoje lançado o programa eleitoral do PSD.

O recente episódio da TVI -Manuela Moura Guedes tem contornos muito estranhos. Já toda a gente bem informada sabia em Julho de que a senhora pivot do Jornal de Sexta ia lançar algo sobre o Freeport justamente em Setembro, para cumprir com o calendário eleitoral. Já toda a gente sabia que a dita senhora (e companhia) ia lançar toda a lenha na fogueira para queimar José Sócrates, porque lhe apetecia (a ela e ao marido). E já toda a gente sabia que o PSD ia cavalgar atrás da agenda noticiosa criada pela jornalista da TVI. Coisas da Política de Verdade (lá diz o ditado popular que «quem não tem cão… »).
Claro que para a oposição dita «governamental» pouco interessava a validade e o teor dessa verdadeira campanha difamatória da ex-cantora / groupie dos anos 80; assim como pouco interessa qualquer ideia de proporcionar um debate eleitoral informado e civilizado em torno do que se pretende para o país. Para o PSD o que importa é dominar a agenda mediática, não com propostas ou ideias para Portugal, mas spinando insinuações, comentando boatos e fabricando fait divers. Disto já todos nos tínhamos apercebido.
A novidade da season não é, portanto, o conteúdo do discurso do PSD (que nunca houve), mas a forma do mesmo. Vale tudo para denegrir a imagem do Primeiro-ministro, mesmo recorrer à imbecilidade e ao ridículo e, quando todos os partidos políticos – sem excepção – pedem explicações à Prisa pelo sucedido, o PSD decide enveredar por uma estratégia de ataque pessoal infundado e insinuador, com contornos ridículos de falta de lucidez e percepção. Afinal, parece que foi hoje lançado o programa do PSD. E até é curtinho, como alguns pediam e resume-se a uma ideia: cavalgar a onda de fumaça que diariamente criam ou potenciam.
Reparem: num dia como o de hoje, com tanta insinuação, quando todos os partidos políticos exigem um esclarecimento cabal da entidade «promotora» do escândalo o que faz o PSD? Assume uma postura de Estado? Não? Assume e respeita a separação entre a esfera pública e a económica? Não. Prefere comparar o estado da nossa democracia actual – e da nossa liberdade de expressão – com o do PREC. Ninguém reparou que o que este senhor disse é uma barbaridade. Quase apetece lhe perguntar «onde é que estava no 25 de Abril?». É verdade que muito se opina sobre as férias que muitos senhores de outro regime tiraram entre 1974 e os anos 80 (tem havido muitas reportagens recentes sobre o assunto) e, sem querer acusar o senhor porta-voz do PSD de alguma adesivagem, estranho a falta de memória histórica de tão prestigiado e destacado elemento da corte laranja. Então não deve o país a liberdade conquistada após o 25 de Abril ao PS? Não é este Partido o principal responsável para que haja hoje liberdade de expressão em Portugal? Tem alguma ideia esse senhor do que é viver num regime sem liberdade de expressão? Decerto que não terá televisão, ou então não acompanha nenhum dos programas de debates que correm por essa TV fora… Adiante. Vive de fumaça este PSD.
Não fossem estas declarações suficientemente infames, logo veio o eurodeputado-emigrado-mas-que-afinal-não-sai-de-cá apelar ao um levantamento popular. Bem, se ao senhor do Porto lhe falta história, o novo delfim excede-se nas invocações colectivas e decide-se, vejam lá, apelar a uma nova Maria da Fonte… Vá lá, podia ter pedido a alguns amigos que se mudassem as bandeiras em todos os estádios de futebol… Claro que depois de gastas estas pérolas os senhores da laranja terão poucas munições para comentarem (em directo) a esperada e já quasi-anunciada e, dizem, acordada saída de José Manuel Fernandes do Público. Talvez uma intervenção da NATO em Portugal, deixo a sugestão. Mais fumaça não dá.
Agora novamente num tom mais sério. São, naturalmente inaceitáveis as declarações de destacados dirigentes do PSD. Espera-se muito mais de quem quer ser governo. E ainda mais preocupante é que comentam – com pouquíssima informação - assuntos do foro íntimo de uma empresa privada (não deviam esses senhores, como liberais novecentistas que apregoam ser, defender uma clara separação entre o foro político e o foro económico?). Afinal, para quem pretende defender o privado face ao público estranha-se o rápido comentário político sobre um assunto da competência exclusiva de uma empresa privada; mas enfim, com tanta fumaça decerto serão poucos os atentos a estas contradições contra-natura do discurso liberal do PSD - que deixam aliás bem claro quem é que se está a tentar aproveitar deste episódio, colocando inclusivamente no ar a ideia de uma concertação MMG-Freeport-PSD.
Claro que a questão fulcral em todo este affair – que nada tem a ver com a governação do país ou com as propostas para o governar no futuro - é então a de saber quais as razões que levaram a administração da TVI a tomar esta decisão a três semanas das eleições. Há ainda pouca informação disponível e, neste momento, todas as leituras são extemporâneas. Para o necessário esclarecimento deste caso, é exigível e urgente, que a administração da TVI esclareça publica e cabalmente quais os motivos que levaram a esta decisão. Entretanto, vão-se posicionando mais um par de bandarilheiros pelos lados da São Caetano à Lapa…
[também no Simplex]

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Estamos prontos

Será provavelmente o debate mais amigável de todo o ciclo: Jerónimo e Louçã alinharam as armas na denúncia dos resultados desastrosos de anos e anos de "centrão" e na necessidade de uma resposta à esquerda. E bem. Nos sectores da banca e da energia, investimento público, políticas de emprego, segurança social, educação, a convergência é óbvia, porque é a convergência pela democratização da economia e pela justiça social.
Apesar de Jerónimo ter várias vezes levantado a bandeira da "alternativa", a avaliação dos professores revelou no debate a diferença fundamental entre os dois: Louçã apresentou as propostas concretas do BE para estabelecer um outro modelo de avaliação, enquanto que Jerónimo falou apenas na revogação do estatuto da carreira docente e num modelo alternativo de avaliação, sem explicar qual.
Ficou claro que na economia, políticas sociais, resposta à crise, o Bloco é a força de proposta, enquanto que o PCP se mantém agarrado a uma história e a um programa, que parece já nem saber bem porquê. E esta é a diferença que conta, apesar de Clara de Sousa (que conduziu muitíssimo bem o debate) ter insistido em perguntar, quando já não era preciso.

as tristezas da manela

Tenho as maiores dúvidas que o governo tenha responsabilidades na suspensão do jornal da TVI. Seria um tiro no pé demasiado evidente. É bom percebermos a quem isto serve primeiro de tudo e o primeiro líder partidário a comentar o caso foi Paulo Portas que não hesitou em declarar o caso como um acto de censura socialista. Não tarda Ferreira Leite virá falar do ambiente de claustrofobia democrática. Até ao momento só posso concluir o caso como pura orquestração de direita.
É demasiado pidesco. Tudo cheira a esturro.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

As minhas questões a PSL (2 de 2)

Questão sobre ética:
A questão do recrutamento político é um dos meus temas de eleição nos debates contemporâneos da área da Ciência Política e, dentro deste, a questão da formação de listas e da selecção de candidatos a apresentar a eleições.
Sobre este assunto escrevi recentemente no Diário Económico um artigo intitulado «Da República» onde, entre outras reflexões, escrevi que «Na República ideal os políticos têm vergonha do mau candidato e os princípios suplantam o amiguismo e a partidarite. Na nossa República requentamos políticos gastos e tudo é aceite. Com toda a tranquilidade».
Como aprecia esta afirmação à luz da construção das listas do PSD para a Assembleia da República no Distrito de Lisboa e da selecção dos seus candidatos à AML e à CML? Que critérios teve na construção das suas listas? Qual foi o processo que utilizou? E, provocatoriamente, aceitava ter arguidos na sua equipa?

As minhas questões a PSL (1 de 2)

Questão sobre Governabilidade da Câmara Municipal de Lisboa e da sua estrutura administrativa.
Gostava de lhe perguntar o que pensa da actual estrutura administrativa e institucional existente da Autarquia de Lisboa?
Tem-se falado, há muito, de uma reorganização administrativa e institucional da Cidade de Lisboa, o próprio António Costa tem promovido esse debate (assim como você, aliás). Que ideias tem para a sua reorganização?
Colocando a tónica na AML.
Que reflexão lhe suscita a AML? Devem a AML funcionar como um parlamento da cidade e ter, neste sentido, apenas elementos directamente eleitos? Ou deve manter a sua actual constituição híbrida com elementos directamente eleitos em listas e representantes das Freguesias? Que propostas tem para o papel da Assembleia Municipal, para a sua composição e para as suas competências?
Mais, neste meio-mandato foi experimentado uma coabitação entre uma AML de uma cor partidária e um executivo camarário de outra cor. Com resultados que podem ser considerados preocupantes, na medida em que a maioria PSD na AML assumiu – tacticamente – uma posição de autentica força de bloqueio. Que leitura faz desta situação?

(mais uma) Blogconf

Estarei daqui a umas horas na blogconf organizada pela candidatura do Pedro Santana Lopes.
Podem seguir a conferência aqui (acho):


Da República

O discurso político em Portugal desilude. Esquiva-se com agilidade ao debate sério e construtivo. É demasiado ad hominem e personificado, corriqueiro mesmo.

A caça ao voto tudo parece permitir, mesmo dizer verdades hoje que ontem acusávamos de serem mentiras.

Esquecemos com demasiada facilidade qual o desígnio que nos impele a querer participar nos processos da política, a ser decisores e a ter a oportunidade de contribuir para a melhoria da vida das pessoas. Ser cidadão-eleito, membro do governo ou autarca é - ou devia ser - um acto nobre de humilde recato. "Servir o Estado e os Outros", era o lema dos que sentiam o apelo colectivo de querer participar na gestão da Res Publica. Servir os outros, e não os próprios, era condição virginal de uma Administração competente e altruísta, que pretende apoiar a construção de uma sociedade próspera e solidária, onde todos os cidadãos tenham direito a um conjunto de oportunidades que lhes permita a procura da sua felicidade individual.

Já não sei em que página da História estes conceitos se perderam, mas hoje abundam os casos dos seus contrários. Os velhos almanaques das virtudes republicanas saíram com demasiada facilidade das prateleiras das bibliotecas dos agentes do poder, sendo substituídos por conceitos ‘pret a porter' de desgaste rápido e de consumo imediato.

No campo das ideias, um bom governo não tem de ter cor partidária. É composto por um conjunto eleito de Bons Homens, sábios ungidos de virtudes cívicas, que tratam - com recursos ilimitados - de assegurar a felicidade da sua comunidade. No mundo real a escassez de recursos implica que governar significa fazer escolhas - muitas vezes baseadas em ideologias -, desenhar futuros e traçar rumos.

Como frequentemente nos recordavam os pais fundadores da República Americana, nenhum homem devia ter a responsabilidade última da gestão dos assuntos públicos, por esta ser manifestamente superior às suas capacidades. Governar nunca foi, assim, um acto só; e por isso é tão importante seleccionar quem nos rodeia, em quem depositamos a nossa confiança, e quem escolhemos para apresentar aos eleitores e ao país. Portugal tem hoje uma sociedade qualificada e bem informada que sabe apreciar as opções políticas que lhe são oferecidas. Sabe que estamos longe do mundo das ideias e dos virtuosismos clássicos. É exigente consigo e reivindica qualidade dos seus governantes. Na República ideal os políticos têm vergonha do mau candidato e os princípios suplantam o amiguismo e a partidarite. Na nossa República requentamos políticos gastos e tudo é aceite. Com toda a tranquilidade.
[publicado no Diário Económico]