domingo, 29 de novembro de 2009
referendum ou não referendum suiço
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Tiago Ivo Cruz
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the meaning of life
D. José Policarpo diz que a sociedade precisa de "reencontrar o sentido da vida"
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Tiago Ivo Cruz
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sábado, 28 de novembro de 2009
O despertar angolano
[texto de Reinaldo Miranda] É na frescura do cacimbo que se dão os primeiros passos numa nova manhã na capital angolana. O cheiro do mar, o calor característico dos trópicos, a distinta luz daquele Sol tão único, tão sinónimo dos países africanos, parecem ser sinais de um paraíso que me espera mal saia de casa. Mas esse Paraíso não existe, a realidade é bem diferente. Logo que meto os pés na rua, parece que acordei para um pesadelo que me envolve. A cidade já acordada reflecte ainda os vestígios de uma desorganização, fruto do imenso período de guerra civil. Para as Zungueiras, mulheres que deambulam pela cidade tentando “vender o seu peixe”, o dia começou há muito. Levam consigo as suas criancinhas às costas, na cabeça vai a mercadoria, quanto ao coração, bem, esse só leva a esperança de poder sobreviver a mais um dia nessa metrópole que é moeda de dupla face. E as crianças esfarrapadas que encontro no meu caminho, quem são? Onde estão os seus pais? Coitadas, brincam à beira estrada correndo atrás de rodas de latas, como se não tivessem preocupação, esquecendo-se que foram esquecidas pelo País. Este é o bairro suburbano que me cumprimenta pela manhã. Ainda mal acordei. Na estrada que me leva ao centro de Luanda intensifica-se a minha revolta ao deparar-me com um imenso musseke, onde as casas não são mais do que blocos de cimento organizados e protegidos por um suposto tecto de chapa, preso por calhaus para que não voe ao sabor do vento. Junto às casas encontram-se entulhos, lixo e mais lixo, e mais lixo ainda, e valetas, e enormes poças de águas paradas, tão propícias à malária ou paludismo, como bem entenderem, que é a enfermidade mais notória no país. Esta é a Angola injusta que eu conheço e tão bem merece a distinção de 5º país com maior fosso social entre ricos e pobres, um país com uma larga percentagem da população a viver com menos de 450 dólares por mês. Quem aqui nasce e nestas condições, dificilmente ultrapassará a barreira dos 46.5 anos de idade (esperança média de vida). São estas e muitas mais as questões que me envolvem durante as duas horas de viagem que faço para percorrer não mais do que 30km. No centro da cidade deparo-me com uma Luanda completamente diferente; um canteiro em obras, como alguns já a ousaram chamar. No meio destas grandes construções está uma oportunidade para muitos imigrantes alcançarem uma vida melhor, ou pelo menos, escapar a algo bem pior. Chineses, brasileiros ou até mesmo portugueses procuram em Angola uma nova oportunidade de vida, uns sujeitando-se a mais sacrifícios do que outros, explorando uns, explorados outros. Um ciclo vicioso onde a exploração já vem bem de trás. Assim é o gigante africano que despertou para o mundo, menos para si próprio. Um país que não é nem de perto nem de longe um mar de rosas, e vermelha é somente a cor da terra que é pisada diariamente. Um inferno quotidiano principalmente para os milhões de excluídos e excluídas sociais: mutilados, invisuais, meninos de rua, todos eles subjugados aos interesses de uma minoria que detém a maior parte da riqueza nacional. Por vezes gostava de que tudo isto fosse um pesadelo, que tivesse um fim e pudesse acordar. Mas quando durmo e desperto, acordo para a verdadeira realidade que é o próprio pesadelo. Tudo isto corrói-me por dentro, tudo isto é falta de escrúpulos, nada é humano, tudo é selvagem. Tomara amanhã despertar numa outra dimensão.
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Tiago Ivo Cruz
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sábado, 21 de novembro de 2009
Foi bonita a marcha, pá
Desde 2005 que se dizia: o movimento estudantil no Ensino Superior estava morto. Desde esse Novembro, em que a manifestação com dois mil estudantes, mais coisa, menos coisa, se tinha partido em Entrecampos, não se ousava convocar uma manifestação à escala nacional, com as AAEEs zangadas, o movimento estudantil descredibilizado e os estudantes desmoralizados.
Nestes 4 anos muitas foram as vezes em que teria sido necessário juntar esforços para contestar as medidas que foram sendo tomadas: a plena (e errada) implementação de Bolonha, o novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior, os cortes no financiamento público das instituições, os inúmeros casos de abandono por falta de meios económicos e as propinas a chegarem perto dos 1000€, os estudantes a passar fome e a Acção Social tão escassa.
Em 4 anos... nada. Ou umas tentativas muito tímidas (por exemplo no RJIES) de mobilização estudantil, com concentrações mal organizadas e tão pequenas que quem ia mal tinha vontade de repetir. Nada, ou ainda pior.
A Marcha pelo Ensino Superior, de dia 17, não foi grandiosa nem parou a vida das faculdades, mas foi o despontar de qualquer coisa, um grito de quem já estava farto de aguentar tanto e calar sempre.
Neste Novembro, alguns milhares de estudantes vieram de quase todo o país - Coimbra, Minho, Lisboa, Porto, Trás-os-Montes.
Neste Novembro, muita gente marchou, gente que nunca tinha estado em qualquer manifestação, gente que nunca tinha pensado "vale a pena estar lá", gente que de sorriso nos lábios gritava bem alto "Ensino universal, direito fundamental". Gente que no final dizia "foi lindo".
Finalmente exigimos a uma só voz um financiamento público adequado às necessidades das faculdades, uma Acção Social à medida das nossas vidas: um real investimento na educação universal, como base de uma sociedade mais qualificada, mais crítica e informada.
Neste Novembro abriu-se uma nesga para o movimento estudantil. Agora é preciso rasgá-la.
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Ana Bastos
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
se foi a sogra que indicou então tudo bem
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Tiago Ivo Cruz
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Marcha pelo Ensino Superior
Os motivos são mais do que conhecidos. Amanhã, às 15h, na Alameda da Cidade Universitária, marchamos.
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Ana Bastos
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venham as purgas, from russia with love
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Tiago Ivo Cruz
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sábado, 14 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
quietos que quem manda aqui somos nós
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Tiago Ivo Cruz
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009
somos os máiores
Como sou assinante do público recebi há três dias atrás um e-mail a anunciar a nova direcção do jornal diário, ou antes, o novo rumo rumo glorioso do jornal. E aparentemente os leitores do Público são os melhores. Não sabia que ser assinante de jornais também nos habilitava a receber estas pequenas sessões de lambebotice saloia, mas vale a pena. Ora vejam, transcrevo a última frase do e-mail: “Os nossos leitores - 250 mil por dia - são pessoas que sabem e que querem saber mais. São os melhores - e os mais severos - leitores.”
Tomem e embrulhem.
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Tiago Ivo Cruz
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
Introdução aos Não Seis - cinquenta mil palavras sem história.
Isto não é uma história. Muito menos um poema. A bem dizer, são palavras. São folhas com tinta preta. Isto não é um tratado, nem um manifesto, nem uma enumeração das coisas que isto não é. Nem uma carta. Nem um romance – e muito menos alguma coisa decente, disso não fazemos, valha-nos Alguém, Seja Quem For.
(...)
Não sei. Falar de Não sei é fácil porque é algo com que estamos em contacto todos os dias porque não sabemos, agora escrever não sobre Não sei mas com Não sei é bastante mais difícil e requer alguma imaginação e uma mente muito afectada por alguma qualquer doença que nos tire a lucidez, ou a menos que achemos isto que aqui está escrito lúcido, coisa que não achamos, uma vez que nem história nem personagens tem, e devia ser uma história. Por isso dizemos que isto não é uma história.
Ponhamos as coisas desta maneira: isto não é uma história, nem um texto a falar sobre Não sei, não tem personagens, não tem enredo, não tem localização espácio-temporal e tão-pouco é uma enumeração das coisas que isto é ou não é. Assim, e uma vez que não será este andar em círculos o tema da história, perdão, texto, perdão, palavras sem sentido, perdão, sentidos, o tema será, na verdade e apenas e unicamente, Não sei. Portanto não um andar em círculos mas um vaguear por entre Não seis com o único objectivo de cansar, ou frustrar, ou entediar, ou confundir, o leitor."
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santa-rita
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