quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

L'anné Canard

Para 2010 aqui fica a capa da revista que inspira este blog.

Orçamento participativo

A Comissão de Alunos do Mestrado Integrado em Eng. da Energia e do Ambiente da FCUL fez uma proposta para o Orçamento Participativo. 




 Esta proposta contemplava a reconversão de todo o sistema de iluminação pública através de candeeiros a LEDs e alimentados por painéis fotovoltaicos.  Desta forma, a iluminação  pública passaria a ser praticamente auto sustentável.
Depois de ter sido rejeitada na primeira fase, agora aparece alterada, sendo a  sua área reduzida para apenas um bairro.

De qualquer forma, penso que vale a pena votar na proposta. Pode ser que depois se alargue a Lisboa toda.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

afinal... não há final

Já estávamos à espera de sangue mas afinal a Ministra e os sindicatos ainda não se chatearam de vez. Dia 7 reúnem novamente, ficamos à espera.

acaso infeliz

Passear pela Fnac tem destas coisas, de vez em quando apanha-se um susto. Encontrar Os Diários de Reagan por cima da Bíblia é mau agoiro para 2010.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

belas palavras

José Lello dizia agora mesmo na rtpN que o PS queria obviamente, tal como todos os presentes, combater a corrupção e tornar a justiça eficaz. Enquanto Lello dizia isto João Teixeira Lopes comentava: "belas palavras, belas palavras..."
JTL tem razão. É só isto que o PS tem para nos oferecer? belas palavras?

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Chama-se precariedade

Na reportagem da RTP sobre os que hoje trabalham no call center da EDP, a jornalista fala de "exemplos de coragem".
Mas que lata.

Parece que é Natal



I'm dreaming of a white Christmas 
Just like the ones I used to know

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

I don't believe in ...





Mais uma do Banksy.

E, já agora, acrescento um artigo de opinião do James Garvey no Guardian.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

ardeu... era bom que se fizesse um novo

O prédio da Praça da Alegria, em Lisboa, onde está instalado o Hot Clube de Portugal ardeu esta madrugada. Segundo o presidente da Junta de Freguesia de S. José, o edifício ficou sem condições para voltar a albergar aquele que se orgulha de ser um dos mais antigos clubes de jazz do mundo. O Hot Clube fez no ano passado 60 anos de existência. [via Público]

Temos de pensar em reconstruir o edifício, e se possível com condições para ser um verdadeiro pólo de jazz e investigação musical. Já agora, para quem não se lembra, o auditório do Conservatório Nacional, um dos melhores auditórios de Lisboa, ainda está a cair apesar das promessas do governo.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

soberba de natal...

César das Neves teve um sonho e escreveu por isso um conto no DN, para nós. No sonho, há um grande desfile inter-religioso e os cristãos são humildes, por contraste com o Islão. No sonho, o cortejo dos cristãos não passa de um homem levando um burro com uma mulher e um bebé, enquanto que o do Islão era um minarete alto e ostensivo. No sonho, os marxistas também têm um carro no desfile, cheio de foices e martelos e palavras de ordem. No sonho, os protestantes são uma malta que por acaso estava para ali a protestar mas que no fundo no fundo no fundo são católicos.

Soberba, é um pecado, dos sete mortais. Revisionismo é uma prática que provoca o esquecimento. Padecimentos de Natal do João César das Neves.

domingo, 20 de dezembro de 2009

-Damos a mão mas não o braço!

No passado dia 17 de Dezembro de 2009, foi aprovado em Conselho de Ministros a proposta de lei de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, diploma este que será discutido na AR entre os dias 14 e 15 de Janeiro.
Caso esta proposta de lei seja aprovada e posteriormente promulgada pelo Presidente da República, Portugal, em termos comparativos (mais uma vez vem ao de cima o nosso gosto pela comparação) aproximar-se-á de alguns dos seus vizinhos europeus no que toca a igualdade de direitos, ou melhor, de direito.
A verdade é que sendo esta proposta de lei aprovada, pessoas do mesmo sexo poderão finalmente casar-se, no entanto sem a possibilidade de adopção. Uma autêntica canoa que é remada em direcções opostas e acaba por não sair do mesmo lugar.
Segundo o Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, a proposta discutida em Conselho de Ministros "não diz respeito à adopção", fazendo questão em lembrar que também o programa eleitoral do PS não fazia referência a adopção por casais homossexuais. Sublinhou ainda que "o Governo está disposto a cumprir o programa, que diz respeito apenas a remover obstáculos" à legalização do casamento homossexual, não especificando se a proposta que será aprovada proibirá expressamente a adopção.
Enquanto por cá ainda estamos neste pára - arranca, países como a Holanda já se esforçam em sensibilizar a população para a tolerância com a diferença
Um cenário por enquanto impensável para o nosso "pequeno jardim plantado à beira mar".






História do mercado de emissões

No rescaldo do falhanço de Copenhaga, e depois do post anterior, fica aqui um vídeo dos autores da "Story of Stuff" sobre o sistema "Cap and trade":



sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

você não acha...?

um leitor anônimo deixou este comentário no meu post anterior:
De facto são coisas que parecem banalidades, lugares comuns; etc

Mas o que não é menos verdade é que não existe outra forma (mais elaborada e intelectual)de as exprimir.

Talvez por serem coisas tão simples ninguém quer dar sequer ouvidos (e muito menos levá-las à prática). Nós gostamos mesmo é de conversa de intelectuais exóticos de políticos, etc. De de facto verbalizam que até parece música.
É disso que nós gostamos. Isso é que é falar. É com esta forma superior de discurso que nós nos identificamos. Coisas simples (simplórias, banalidades de taxista) são para o medícres, não para nós.

Então se somos assim tão superiores a essas pequenas coisas, porque é que não conseguimos sequer praticá-las ?

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Precisamente o problema é que não houve uma única ideia discutida naquele programa. Não sei bem o que é que o leitor entende por discurso intelectual mas aplicado a um programa como o prós-e-contras significa apenas discussão. Discussão simples: exposição de uma ideia seguido de contraditório e, se possível, uma conclusão de ideias para o ouvinte. O que não pode haver é uma sucessão de perguntas de resposta certa:

você não acha que as empresas devem ser mais competitivas? acho
você não quer produzir a melhor pêra rocha? quero
você não quer criar produtos inovadores? quero
você não quer que Portugal exporte cada vez mais? quero
você não quer que as empresas portuguesas criem trabalho? quero
...

agora pergunto eu ao leitor:

-você não acha que discutir lugares comuns não adianta nada a ninguém?
-você não acha que uma verdadeira discussão cujo objectivo seja criar novas soluções exige contraditório?
-você não acha que a procura de soluções simples exige um debate complexo?
-você não acha que um programa de discussão pública deveria procurar que diferentes estratégias podemos tomar e, a seguir, quais dessas estratégias queremos tomar?
-você não acha que o que interessa saber é que estratégias é que as empresas presentes no debate tomaram segundo a sua situação específica?
-você não acha que o que era realmente interessante para o público era ficar a conhecer as complexidades com que uma empresa se depara e saber que rumos e opções é que toma?

Então se acha estava na altura de exigir que o debate público se elevasse um pouco, talvez a seguir consigamos praticar as ideias simples.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

as banalidades dos nossos empresários... medíocres

Prós e Contras. Fátima Campos reuniu quatro empresários de sucesso para nos vir dizer a nós, os tugas, porque é que eles são homens de sucesso (nem uma mulher estava disponível?).
São apresentados casos, fórmulas, exemplos, muitos exemplos sobre como é que Portugal pode ser melhor. Sim, porque Portugal tem capacidade para ser melhor, precisamos é de mais... sucesso, mais homens como eles.

É extraordinário como cada vez que se juntam empresários num programa de debate temos de levar com umas horas de conversa sobre a necessidade de trabalhar, planear, investir, arriscar, definir objectivos, criar equipas, ter vontade, muita muita vontade... tudo isto dito com um discurso básico, muito básico porque sem dúvida nós devemos ser muito estúpidos.
Pelo meio surgem frases fabulosas:
"nao se pode ser ambicioso sem ser humilde, quem não é capaz de ser ambicioso sem ser humilde espatifa o Ferrari..."
"não basta produzir pêra rocha, é preciso fazer a melhor pêra rocha..."
Obrigado pela sabedoria.

Gostava, por uma vez que fosse, que esta malta, a malta do empresarialismo, fosse capaz de apresentar um discurso bem construído que escapasse aos lugares comuns e acrescentasse alguma coisa ao debate público. Estou a ser sincero, gostava mesmo. É que a única coisa que fica clara é que são todos uns incapazes que por acaso estavam no lugar certo à hora certa e, por isso e apenas por isso, têm sucesso. Desculpem mas não lhes dou legitimidade para me vir dar sermões na televisão pública enquanto não tiverem nada para dizer.
Era preferível que simplesmente estivessem calados, a trabalhar, a fazer sucesso.

Se querem banalidades de taxista aqui lhes deixo a minha:
O verdadeiro problema é que a nossa classe empresarial é ainda pior do que a nossa classe política.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Who is afraid of December?

Foto de Tilemahos Efthimiadis

One year ago, on December 6 2008, 15 years old Alexis Grigoropoulos was murdered in cold blood by the bullets of a policeman’s gun. What followed was beyond any prediction.

A huge wave of protests and fury was immediately expressed all over Greece sweeping away the general climate of resignation and political apathy the greek youth seemed to be living in. And it brought to a dead end the established political system which had decided to defend to the end the version of an unfortunate “isolated incident’

It is obvious that this irrational, insane and brutal murder was the spark. The flammable material that fed the fire were the accumulated dead ends faced by the young people. These dead ends are known and acknowledged: the huge crisis of the educational system, the insecure employment future which deprives the young people of the prospect of independence and individual freedom, the serious economic crisis and the labour and financial precarity.

In brief, the certainty that this generation will have a worse life than all the previous generations.

These problems were filling the cup that spilled over with Grigoropoulos’ murder. This is what caused this unprecedented rage that exploded in the streets, in the squares and in front of police stations. But it did not stop there. While the main exponents of the established political system and the big mass media were trying to present this outbreak just as blind violence and shop windows breaking, tens of thousands of young people were demonstrating for days in a massive, dynamic but peaceful way. And almost at the same time, the working people took to the streets of Greek cities, in demonstrations that were among the most massive and better organized protests of the last decade.

SYRIZA was the only political force that defended the rights and the causes of this uprising, without calculating the cost. And it paid the price. Very quickly the public debate stopped focusing on the flammable materials and focused on the ashes. Those of us who dared to focus on the real issues were accused of being moral perpetrators to the shop burnings and lootings.

We did not regret our stand and did not step back. Our defence of the young people was a principled stand. We defended them from the organized slanders and the misinformation. And we steadfastly brought to the fore the dead ends that cause their anger. At the same time we tabled proposals that could have opened a way out. Proposals that had to do with the restriction of repression and police arbitrariness, the defence of the public and social character of education, the abolition of social inequalities, the measures to face unemployment and work precarity.

We are still unrepentant for December; for the hard battle of principles we waged against the whole political and mediatic establishment. We have no regrets for what we did mainly because we believe that these demands are still valid in the conscience of society and emerge more lively, clearer and more mature in the coming social struggles.

One year later we know more. We know that the spark of doubt exists in the hearts of the young people.

We know that the ruling political and economic strategy, which is leading society towards a deep crisis in order to allow the few to accumulate gains, is without the support or the consent it needs to continue.

We know that stating you belong to the left and waving the hammer and sickle does not necessarily set you against the established power system.

But the most important thing we know is that the power system, in spite of its total
apparent mastery of the situation, has grave weaknesses and is afraid.

It is not afraid of the wrathful outbreaks of violence because those it can handle and turn to its own advantage. It is afraid of the people who contest their unalienable rights in the streets, in universities, schools, at the working place.

The power system is afraid of the coming December when the outbreak will be more conscious, with its political and social demands expressed more coherently: resistance, solidarity, dignity.


Article by Alexis Tsipras, President of SYNASPISMOS on the 2008 December events (4/12/2009)

"Esta não é a minha Suiça"


No passado dia 29 de Novembro a Europa teve mais um déjà vu com a vitória do Sim suíço à interdição da construção de minaretes, fazendo-nos lembrar um bocado este nosso país, onde se pretendem seguir as pisadas dos nossos semi-vizinhos europeus com a proposta de referendo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Para começar, será que este referendo foi realmente necessário? A verdade é que segundo o 18º artigo da Declaração Universal dos Direitos do Homem "toda a pessoa tem o direito à liberdade (...) de religião; este direito implica a liberdade de (...) manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos". Aliás, ao que parece estes minaretes tão controversos actualmente não são utilizados para a difusão do Islamismo, servindo somente como elementos decorativos das mesquitas. Deixando direitos de lado, o referendo culminou num resultado vergonhoso, que não só reflecte a imagem distorcida do Islamismo e que os media insistem em passar, como também demonstra a tolerância cada vez menor com todas e todos aqueles que são diferentes da maioria.
Uma receita ideal para quem quer esquecer que a Europa enquanto identidade cultural nasceu da miscigenação de várias culturas e também para aqueles que insistem em afirmar uma posição paroquial onde "só a nossa opinião é válida".

No passado dia 29 de Novembro a Suíça teve um ataque de amnésia, oxalá não perdure por muito tempo.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Copenhaga

O cientista James Hansen diz que seria preferível que a Cimeira de Copenhaga falhasse e se começasse tudo do zero, eliminando o sistema de mercado de emissões.




Tudo aponta, no entanto, para que Copenhaga mantenha o sistema de cap-and-trade, para que alguns possam continuar a comprar e vender CO2, mesmo que já seja tarde demais.


Ouvir a entrevista aqui.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

patavina

quem é que acompanhou a tristeza do evento de assinatura do Tratado de Lisboa? e quem é que acompanhou a cobertura da Sic?
os meus momentos favoritos são:
1. discurso do primeiro-ministro termina assim: "...afirmar uma europa unida na união europeia."
2. o jornalista da Sic pergunta ao analista de serviço: "Martim, o taxista perguntaria para que é que estas cimeiras servem?" resposta: "é sempre melhor falar do que andar aos tiros"
3. o jornalista da Sic pergunta: "Martim, o que é que este tratado significa para os 500 milhões de europeus?" resposta: "no imediato absolutamente nada."

Patavina portanto.