quarta-feira, 31 de março de 2010

They did it


Ver aqui e aqui.

Como cozinhar uma manif à là JCP


Ingredientes:
Luta, luta, luta.
Policopiadoras q.b.

Reivindicações cristalizadas
Preparação:
- Marque uma manifestação nacional numa reunião de estudantes comunistas.
- Lance as indicações do partido através de uma associação pequena e desconhecida.
- Deixe marinar para ver se cola.
- Imprima cartazes, muitos, assinados por “estudantes do ensino superior” (ou secundário, adaptar conforme a receita), para ninguém desconfiar.
- Certifique-se que os ingredientes são os correctos e que as tentativas de adaptar a receita não têm sucesso.
- Por fim, adicione as reivindicações cristalizadas juntamente com palavras de ordem do tempo da sua avó – para dar aquele gosto que tão bem conhecemos.

- No final, diga que o bolo deu para 3000 pessoas, quando na realidade apenas 600 o comeram.

terça-feira, 30 de março de 2010

O senhor 60%

[deixo-vos o meu artigo de hoje no Diário Económico]

O senhor 60%

Sem surpresa, Pedro Passos Coelho foi eleito Presidente do PSD. Com uma expressiva votação acima dos 60% e vitórias em todas as distritais do Partido – à excepção da Madeira – Passos Coelho tem agora a responsabilidade de ter de ser um líder bem mais efectivo que os seus predecessores.

Não só porque ganhou com o apoio expressivo e declarado dos militantes, como também porque não deve ter dos seus adversários o comportamento que ele - Passos Coelho - teve com a líder cessante; em especial se o agora líder laranja convidar ambos para os principais órgãos do partido.

É, portanto, num clima de alta expectativa que tomará posse o próximo Presidente do PSD; até porque a recente aprovação do PEC na Assembleia da República lhe permite que não tenha de no imediato reagir politicamente (e ter de cumprir a promessa de chumbar o mesmo PEC) e possa dispor de um período de adaptação à situação política portuguesa. Resta então saber se o novel presidente do PSD manterá o rumo que denunciou na campanha eleitoral interna (onde manifestou em diversas ocasiões o desejo de eleições antecipadas), mesmo sabendo que essa estratégia o coloca em confronto com Cavaco Silva.

O que disse na noite da vitória parece dar a entender que terá compreendido que não pode - imediatamente - causar uma crise política. Até porque se entende que Cavaco Silva, neste momento, tenha mais confiança no PS vinculado a este PEC que no projecto defendido por Passos Coelho. Assim, resta saber se estarão, o líder do PSD e a sua equipa, dispostos a esperar pelo verão do próximo ano para poder levar o PSD ao poder ou se, pelo contrário, e como já defendeu, o objectivo central da estratégia laranja passa neste momento por atingir a cátedra de São Bento o quanto antes. Neste sentido, Passos Coelho terá - e em breve - de escolher entre ser um líder agressivo na procura do poder (o que significaria, por exemplo, apresentar uma moção de censura) ou um líder passivo, de respeito institucional, que salvaguarde em primeiro lugar a (re)eleição de Cavaco Silva e só depois pense na sua ascensão à liderança do país. O problema que Passos Coelho terá é que a primeira solução desagrada a Cavaco Silva, e a segunda não satisfaz os seus principais apoiantes; até porque neste momento Passos Coelho tem muito pouco palco institucional onde brilhar (não é deputado nem controla o grupo parlamentar, não é autarca ou Presidente da Câmara, nem pode de Bruxelas fazer oposição). Resta saber o que o senhor 60% (e a sua ‘entourage') quererá fazer, e em que sentido cortará este verdadeiro nó Górdio.

Paradoxalmente, a eleição de Passos Coelho, conjuntamente com a aprovação do PEC, acaba por aproximar o PS de Cavaco Silva. A apresentação do PEC - que agradou à Presidência e causou alguns arrepios à esquerda do PS, onde me incluo - posicionou os socialistas demasiado à direita (liberal), justamente o campo predilecto de Passos Coelho; pelo que o PS deve continuar a apostar na parlamentarização da vida política portuguesa (até porque não tem estratégia presidencial definida) e forçar o erro a Passos Coelho.


sem dogmas: The New Yorker sobre o papa e o mundo



Jane Krane, colunista da New Yorker, escreve ontem sobre a ascensão de Ratzinger ao papado que por sua vez explica a posição absurda com que a igreja católica, ou parte da igreja católica, se tenta isentar e fechar os olhos aos sucessivos escândalos de pedofilia e ao abuso de poder que a instituição impõe aos sues fiéis.

Nota: aconselho também a lerem os comentários ao texto, a sua qualidade faz-me pensar que talvez fosse útil o Público impor alguma moderação de comentários.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Garantir a diversidade não é ser polícia do gosto - texto de Catarina Martins

[Catarina Martins, Público 27 de Março 2010]

Utilizar ideias estéticas para definir uma política cultural é utilizar o aparelho estatal para impor uma orientação

Em Janeiro de 2009, Sarkozy anuncia em França um conselho para a criação artística, a que ele próprio preside, explicando que este é um tempo de "economia" em que se têm de fazer escolhas "justas". E, uma vez que na arte grassam os "subsídios", cabe ao Estado recentrar os apoios na "excelência artística". Sabendo Sarkozy que a criação artística é uma tarefa difícil, como reconheceu, entende que deve chamar a si e à ministra da Cultura a missão de encontrar a "qualidade", já que, como explica, acabada a época da abundância, acaba também a da diversidade.


A política de Sarkozy choca, mas não espanta. É esta a crueza de alguma direita, a quem nunca interessou a diversidade cultural ou a acessibilidade da oferta artística. O que espanta é que, um ano volvido, Gabriela Canavilhas venha dizer exactamente o mesmo na entrevista que concedeu ao PÚBLICO. 


Afirma Gabriela Canavilhas que "o Ministério da Cultura (MC) tem que ter a coragem de diminuir o número de apoios e apostar na qualidade". E explica que é necessário identificar os "projectos meritórios", porque é preferível "apoiar mais e melhor menos intervenientes do que espalhar pouco por muitos, o que leva não a um crescimento sustentado na qualidade mas apenas a ter mais intervenientes no sistema". E assim, em três ou quatro frases, copiando Sarkozy, a ministra vira do avesso a democracia e decide que ao Estado não cabe criar mecanismos de acesso da população à cultura, à pluralidade, escolha e diversidade. Não, ao Estado, sabemos agora, cabe escolher e decidir o que é bom para todos nós.


Devemos ser claros: utilizar ideias estéticas para definir uma política cultural é utilizar o aparelho estatal para impor uma orientação. O clientelismo do MC resume-se a um problema de escolha política. Face a um cenário de escassos recursos, os sucessivos ministros limitam-se a apostar na manutenção da sua base de legitimação. E é exactamente a recusa em implementar uma política cultural consequente que tem permitido, desde sempre, que o MC funcione ao ritmo dos caprichos do responsável do momento.


Que este discurso apareça embrulhado numa pretensa valorização da cultura, que teria agora encontrado o seu lugar ao sol no mercado, não espanta. É o argumento preferido de quem não tem nem quer ter meios para a cultura e que brinca à modernidade enquanto se conforma com a inevitabilidade do estado das coisas. É a desculpabilização de um governo que reitera promessas de investimento apenas para sistematicamente as quebrar. 

Descoberto o impacto do sector cultural na economia, atira-se as responsabilidades para um mercado em crise e incapaz de dar resposta. Um impulso irresponsável de quem recusa perceber que os desafios do desenvolvimento são os da diversidade, participação, pluralidade e conhecimento. Deputada do Bloco de Esquerda

domingo, 28 de março de 2010

alguns políticos



Going inland. Campaign in Kecskemêt

[este é o segundo artigo acerca da campanha hungara]

Going inland. Campaign in Kecskemêt

After a day campaigning in Budapest (actually in Buda and in Pest), we went south-east of the city, to Kecskemêt, a nice city in the Bács Kiskun county, an agricultural / rural area dominated by the right (Fidesz). The campaign rally occurred in the local Primary School Sports Hall, and again it attracted a big turnout. This event gave me the opportunity to personally meet the current prime-minister candidate for MsZP, Attila Mezsterházy; another young politician with a strong and energetic message; and also gave me the opportunity to experience firsthand the brand new Hungarian highway system (which is really surprising, not only be the commodity and comfort of the roads, but for the technology associated), one of the better outcomes of socialist government.
All the meeting was very lively, with folk singer Rezso Soltesz entertaining the crowd, and keeping the pace high. I’ve been before in Hungary, campaigning – I was here last Women’s Day (last year) supporting a PES Women initiative, and also in this event we had some folk singers entertaining (a good idea that keeps the rhythmic of the meeting high), so that was not a new thing. The new thing was meeting Mister Mezsterházy, another strong and young socialist politician (as Molnar Csaba that I’ve meet the day before). Seeing all this new faces really makes be believe that MsZP could have a good future ahead, although they should do more when regarding integrating women and more young people in their campaigns (I haven’t meet a women candidate in Hungary yet, and although some of the leaders are young people under 40, the majority of the candidates are much more older).
Apart from these remarks, the rally in itself was very interesting. The message Mezsterházy put forward was not so different from the one I had listened the day before coming from Molnar Csaba, what means that the socialists know they discourse and have a defined strategy plan. Again the issues of the socialist government came to the stage, and as I am becoming more comfortable with Hungarian politics I really believe that the socialists did a good job during the last years, taking in consideration the difficult times we are living. More, having in mind Fidesz record from 1998 to 2002 I really don’t believe the populist could have done anything better; by the contrary, they would have gone after the people with less resource – pensioners, senior citizens, women, etc.
In Kecskemêt Mezsterházy mentioned the fact that the right wing is really not making any positive campaign. They hide their program, they hide their ideas, they even hide from public debates, where the population could be enlighten and faced with the different solutions that are to be voted in two weeks. I actually think this situation should be illegal. No campaign should exist without at least a public and televised debate between the main political parties. In Portugal that would not be seen well by our population and electorate; they will find very strange the fact that the party ahead in the poles would try by all means escape public debate ; they will think they are not serious and that they could be trying to hide something. And political live, today, it’s a serious business, and should be the more open as possible. We don’t give blind checks away anymore to anyone. We believe and support coherent and public political projects, not hidden agendas. And the behavior of Fidezs is not just serious as it is not democratic, I would say. They are just playing with the media and the poles, trying to keep peoples attentions for their flaws and incoherent proposals. They just try to make no mistakes, and get advantage from the fact that the hard decisions the MsZP government had to make in order to face the international economic and financial crisis; unpopular and austere decisions that although saved the country from an economic meltdown, paid its toll in the poles and public opinion. The price of governing for the good of the people, some would say. It’s clear to me now that the MsZP put Hungary first when they decided to execute the austerity plan last year; and although they knew there was a strong possibility of losing public opinion and the votes of the Hungarian people, nevertheless they didn’t look the other way and run. They stayed and did their best.
In end of the session we had the opportunity to meet Mezsterházy; again introduced by Mati Matyas (coordinator of PES activists in Hungary), and again I had the impression that it were the activists the «soul» and energy of the campaign. Don’t take me wrong, senior citizens deserve all my respect and admiration (more and more in a place like Hungary – because a lot of then fought totalitarian communism, and even Nazism), but I think that the energy of a campaign should be coming from the youth. The old have done their job; they have given their contribute already; so it’s time for the young to came forward, take their legacy and continue the building of an open, progressive and inclusive society for Hungarian people. And it is with pleasure that I see that in the Hungarian socialist Party this role is been played by the activists.
So it was another interesting session, one with strong political message and an intelligent speech presented by the candidate for prime-minister for the MsZP, Attila Mezsterházy. We meet the other candidates as well, namely Laszlo Balogh and Jozsef Kiraly (again two men), and had the opportunity to listen to some folk music and socialize with the locals. The activists were very well received; we shared some gifts (as it should be), wished good luck to «Attila» and returned to Budapest (again taking the new highway). In the night we went to an anti-fascist event. The fight continues.

The first campaign experience in Budapest with Csaba Molnár Minister, MP.

[Acabei de chegar de Budapest, onde estive a ajudar os nossos amigos socialistas locais na sua (difícil) campanha eleitoral. Tive a oportunidade de escrever um par de artigos (publicados online pelos PES activists hungaros), que aqui partilho convosco. Este é o primeiro artigo acerca da experiência em Budapeste]


I just discover a new Hungarian politician. His name is Molnar Csaba. He is the Minister for the Prime Minister’s Office, a MP candidate for the upcoming general elections and a proud member of MsZP. Today I met him at a political rally in GAZDAGRET community house, at the XI District of Budapest. A full house of pensioners and senior citizens were drinking his words and a clever presentation let in the air that the situation in Hungary is really not as bad as the right wing media try to demonstrate, again and again. He said, among other things, that in fact Hungary is a better country today that it was eight years ago. It’s a proud member of the European Union; with levels of development that doesn’t let anyone ashamed. Today Hungarians have the opportunity of enjoying a series of new infrastructures, as a new highway system (Csaba remember that in the year 2000 there were only 500 km of highways, and today more than 1200km, almost three times more); or a series of modernized public services, especially if we look at hospitals, education institutions or universities.

An overview of Hungarian development in the last years could also be seen in the level and quality of consumption within general population; and that could only happen in a society that believes in its country and in its government, that believes in its future. The level and modernization of communications is today a reality. More and more Hungarians are taking use of new forms of communication, visible in the internet penetration or the use of cell phones, for example. Csaba also mentioned that, although also Hungary suffered the effects of the international economic and financial crisis – started by the right, remember –, the consequences were not as bad in Hungary as in other countries because of the intervention of the government; and it did not affected pensioners and senior citizens and that was due to the good work of MsZP government.
After Mister Molnar speech, we witnessed a series of qualified interventions from the crowd. Mainly they were critical with the lack of information of MsZP ideas and program, the lack of visibility of the socialists in the campaign (it’s hard to see any MsZP outdoors in the streets, for example), and the lack of general enthusiasm in the campaign.
After the meeting, I had the opportunity to personally meet Csaba, and talk to him a little about Hungarian politics. I said that it was very important that the MsZP supports the PES activists in Hungary, as we can bring extra energy to the campaign and rise the awareness that these are very important elections for the Europeans, and not just for Hungarians, as what we see here in Hungary is (also) a fight against extremism and fascism, against civil liberties and equal justice. And so, as a European citizen, I am extremely concern that such fascists forces could be raising in such an important country as Hungary.
Molnar Csaba agreed with most of the points I was putting, and he realized that this is not a good time to be socialist, to be pro-government. Fidesz is really not making any positive campaign, or even present a coherent and serious program. They are only taking advantage of the fact the socialists have been in government for 8 years and are a little burn out. I accepted the explanation; in fact alternative and the possibility to change the government are one of the good things in democracies, but at least for some worldly adversaries. Not to some quasi-hooligans, proto-fascists demagogues. Anyway, for me the best was to have the opportunity to meet Csaba, certainly a politician with a strong future within the MsZP and Hungary; and knowing that Hungarian left could produce such leaders, let me more at ease, because we know that the future will belong to us.

1ª Conferência de Jovens Estudantes, intervenção de Ana Bárbara

Eu queria falar-vos sobre o entrismo, porque algumas das discussões que temos nesta conferência só se percebem se conhecermos o que é o entrismo e porque é que ele tem a lógica que tem.
O entrismo é uma organização pequena que sabe que nunca será grande se não entrar dentro de uma organização grande para tentar construir-se a si própria à custa da outra organização. É a ideia de que pequenas seitas devem fazer de partidos de massa barrigas de aluguer para sobreviverem e, quando juntarem muita gente, poderão sair e tornar-se autónomos. É uma política de confusão, porque implica estar dentro de um partido com o qual, em geral, não se concorda. Porque implica ser membro de um partido mas ter como objectivo construir uma organização que combate esse partido.
É o oposto do espírito com que nasceu o Bloco. O Bloco fundou-se em torno de uma coerência. Não achamos que devíamos estar dentro do PS para combater o PS. Não achamos que devíamos ser um grupo dentro do PCP para lhes arrancar os militantes. Não: somos um partido com um programa próprio, no qual acreditamos e pelo qual nos batemos de cara lavada. Não estamos dentro de outros partidos porque só estaremos num partido em que acreditemos.
O entrismo é uma estratégia de correntes dentro do trotskismo. Os entristas defendiam que, nos países em que os estalinistas reinavam absolutos, os trotskistas deveriam juntar-se a partidos comunistas e militar dentro deles, objectivando influenciarem-nos e conduzirem-nos à esquerda que queriam. Estavam dentro dos PCs para tentar conduzi-los à linha certa. Como sabemos, tem dado um enorme resultado, já se vê.
Noutros casos, quando os partidos social-democratas eram os grandes partidos de massas de trabalhadores, os entristas defendiam que deveria militar-se no PS para o destruir: havia uma corrente em Portugal que até defendia isso, e teve gente a militar no PS (a Militant). Com os resultados fabulosos que se conhecem. No entanto, entendiam, ingenuamente, que esta táctica lhes permitiria manter uma contacto quotidiano com milhares de trabalhadores, ganhando o seu direito a participar na luta e na discussão sobre os objectivos do movimento, ao mesmo tempo que lhes dava a oportunidade indispensável de provar os seus ideais.
O problema é que o entrismo é uma prática desprezível e totalmente inconsequente.
Primeiro, uma pessoa entra num partido com o qual não concorda e que acha reformista, coisa que já de si é horrível (eu nunca o faria). Milita nesse partido que acha que é reformista e traidor (e devo dizer que me parece óbvio que o Bloco não é um deles, e afirmá-lo é ingénuo, mas que encerra indubitavelmente o maior avanço à esquerda), sujeita-se a tudo para entrar nesse partido: as astúcias e as capitulações são não somente admitidas como necessárias. Parasitismo cego, sem escrúpulos, profissional, ousaria dizer. E depois, todas as opiniões políticas são definidas a partir de como fazer uma polarização com a direcção desse partido para trazer gente do partido à corrente, ao grupo, cuja identidade é ser contra a direcção do partido, que é sempre, claro, traidora e a um passo da capitulação. Hoje o argumento pode ser um, amanhã pode ser outro. Tanto faz. Para o Ruptura, por exemplo, o Bloco capitulou quando defendeu as 36 horas de trabalho. Uma grande traição porque devia defender 35. Mas mantiveram-se no Bloco e passados dias já nem se lembravam disso. O Bloco depois capitulou porque não quis transformar a campanha do aborto numa campanha contra o Sócrates. Mas depois ganhamos o referendo e já nem se ouviu falar disso. O Bloco capitulou definitivamente porque não quis fazer um Governo com o Manuel Alegre a primeiro-ministro e com o PC, mas passadas duas semanas, o Alegre já era um “carrasco dos trabalhadores”. Tanto faz. A única coisa que conta é arranjar uma coisa qualquer para os outros capitularem, mesmo que depois isso não interesse nada.
As organizações entristas não têm uma estratégia própria. Pode ser o que seja, o que em cada momento permitir traçar uma linha definitiva entre eles, revolucionários, e os outros, reformistas. Mas essa linha varia ao sabor das decisões com as quais se pretende polemizar. E a variação é a única coisa que é definitiva.
Os entristas não têm uma linha política, uma direcção para o país, uma ideia de um caminho. Saltitam conforme lhes dá jeito com argumentos sempre dramáticos de que é hoje e aqui que se traça a linha entre os puros e os traidores.
No essencial, essa é a prática do Ruptura – e por isso é sempre tudo tão dramático, sempre à beira do momento final, mas percebe-se que amanhã será outra coisa qualquer.
É essa lógica entrista que a Ruptura/FER, da qual a maioria dos subscritores da moção B é membro, faz dentro do Bloco de Esquerda. Por isso entende o Bloco como uma mera barriga de aluguer – uma “mediação táctica”, nas palavras da Internacional do Ruptura. Estão aqui de passagem, para crescerem.
O Bloco nasceu, contudo, do espírito oposto: várias organizações a juntarem-se para fazer um novo partido, o Bloco, a maior conquista da luta social dos últimos dez anos em Portugal. Para o Ruptura, pelo contrário, o seu Partido é o Ruptura, não é o Bloco.
Nós recusamos esta visão. Para nós, o Bloco não é nenhuma mediação táctica. O Bloco é a nossa estratégia e a nossa organização. Os jovens do Bloco não são o espaço onde um outro partido pode crescer. Os jovens são o Bloco e o Bloco é o nosso partido. E esta é uma das grandes diferenças entre a moção A e a moção B.
O Bloco é uma força socialista para a luta dos trabalhadores, para a luta anti-capitalista e para a luta contra as opressões. O Bloco não é uma agremiação reformista das classes médias. O Ruptura diz do Bloco o mesmo que o PCP diz do Bloco. O Ruptura pensa do Bloco o que o PCP pensa do Bloco. As teses da LIT dizem que o Bloco é "um remake pouco original das velhas e reaccionárias utopias do reformismo europeu". (Teses congresso LIT)
Nós nunca estaremos num partido que seja um remake de utopias reaccionárias e reformistas. Somos revolucionários. Como tal, se estamos no Bloco é porque achamos que ele é um instrumento da luta socialista. Temos princípios. Por isso, ao contrário do Ruptura, não estaremos nunca numa organização que consideremos reformista e reaccionária.
Essa é a nossa diferença com o entrismo. Um movimento entrista não acredita no partido que parasita. Um movimento entrista jamais luta pelo bem do partido que parasita. Um movimento entrista serve-se do partido que parasita, objectifica-o, tenta descredibilizá-lo, tirar-lhe a militância, tirar-lhe a força, sendo cego em razão e ingénuo em objectivos. Por esse motivo, correntes como o Ruptura não objectivam o engrandecimento do Bloco de Esquerda, não objectivam a melhoria do Bloco de Esquerda, não objectivam o bem do Bloco de Esquerda.
A militância entrista é má para as pessoas, porque forma militantes que têm de fazer discursos duplos, que têm de estar sempre a dramatizar posições e a inventar polarização. A militância entrista deforma porque não junta as pessoas em torno de uma ideia política, de uma direcção para o país, mas em torno de permanentes demarcações da estratégia dos outros.
Isso deforma a militância no Bloco. O Bloco não deve ser um meio, uma forma de o Ruptura crescer, um objecto que deve ser usado. Eu recuso-me a esse papel e a construir um partido para isso.
Eu, como os restantes 101 delegados pela moção A, como as pessoas das plataformas independentes e como milhares de pessoas por esse país fora, creio no Bloco, sou do Bloco, o Bloco é o partido em que quero estar. Sei que este Bloco não é social-democrata, que este Bloco encerra uma multiplicidade de visões e opiniões necessárias a uma luta forte e concisa e sei como é o Bloco que mais afronta o Governo e as suas políticas. Sei que este Bloco quer crescer por ele e trazer a revolução ao país. Sei que é este Bloco a alternativa às políticas direitistas. É o este Bloco – socialista e sempre socialista – a voz bem timbrada de homens e mulheres que vêem os seus direitos negados, que têm más condições de vida, que são explorados por políticas neoliberais que se têm espraiado pelo país. É a voz das minorias cujos direitos têm sido negados e a voz de todos aqueles que buscam uma alternativa à esquerda.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Angola: Marcha contra as demolições e desalojamentos forçados

Nesta Quinta feira, 25 de Março de 2010, foi convocada para a cidade de Benguela uma marcha contra as demolições e desalojamentos forçados, pela associação Omunga.


Sob a direcção do governador da província de Huíla, Isaac dos Anjos, milhares de pessoas foram desalojadas à força e viram as suas pobres habitações demolidas, muitas sem sequer puderem salvar todos os seus parcos haveres.O arcebispo de Lubango da Igreja Católica, Dom Gabriel Mbilingui, visitou o local onde as pessoas acabaram por ser "literalmente despejadas" relatando à rádio as "condições indignas" e a "situação calamitosa em relação aos direitos humanos".

O arcebispo relata ainda que o governador reuniu com os parceiros sociais apenas para os informar que as demolições em massa iam começar, na época das chuvas ao contrário do que estava inicialmente definido e violando todo o projecto inicial. Perante o protesto dos parceiros, incluindo padres e pastores de várias religiões, exclamou:"Não rezem pelo que acontece, rezem por mim!".O arcebispo responde: "Rezamos pelo bem de todos. Não é para alguém que faça uma acção totalmente maligna contra as populações e nós vamos pedir que Deus o ajude...".

O governador da Huíla também pretendeu impedir que a marcha contra as demolições se realize, mas a associação Omunga manteve a convocatória, que conta com apoios amplos da sociedade civil e de muitas personalidades entre as quais, políticos, jornalistas e escritor@s.

Hoje enquanto angolano, mas acima de tudo enquanto SER HUMANO, junto-me a esta luta dos nossos camaradas da associação OMUNGA (que se o meu umbundo não falha, quer dizer todos juntos) e apresento o meu incondicional apoio. Pesso-vos que também se juntem a esta luta, enviando mensagens de solidariedade para os seguintes emails:



ou ainda


Portanto

No dia 25 de Março de 2010, simplesmente grita "Não partam a minha casa, sou ser humano!", "Não me obriguem a viver em tendas, tenho dignidade!"

I Conferência Nacional de Jovens Estudantes do Bloco de Esquerda


Caros leitores
Ainda no seguimento da Iª CNJEBE ocurrida no último fim de semana (19 a 21 de Março), deixo-vos o depoimento de Catarina Príncipe, membro da Cordenadora eleita.



terça-feira, 23 de março de 2010

Em Abril... conversas Mil



segunda-feira, 22 de março de 2010

I Conferencia Nacional de Jovens Estudantes do Bloco de Esquerda

Aqui fica a minha intervenção na I Conferência Nacional de Jovens Estudantes do Bloco de Esquerda:



O Governo apresentou há dias o Programa de Estabilidade e Crescimento. Um programa feito à medida dos mercados financeiros e à custa dos nossos direitos.
As medidas inscritas neste programa não representam nem mais nem menos do que o maior plano de liberalização alguma vez apresentado em Portugal. O FMI não faria melhor, prova disso é o elogio que fez a Teixeira dos Santos pelo trabalho realizado.
O plano que nos apresentam para promover o crescimento económico e reduzir o défice inclui:
• Redução do subsídio de desemprego e do Rendimento Social de Inserção e perseguição aos seus beneficiários;
• Redução das transferências orçamentais para a Segurança Social;
• Aumento da penalização aplicada às reformas antecipadas;
• Redução de salários;
• Reforço da regra dois por um na função pública, abrindo espaço para a implementação de uma regra três por um;
• Privatização de todas as empresas estruturais e estruturantes da nossa economia (muitas delas essenciais para o equilíbrio orçamental).
Mas, ao mesmo tempo que implementa estas políticas:
• Recusa-se a agir relativamente aos offshores, em especial o da Madeira;
• Tem medo de taxar as mais-valias bolsistas;
• Ignora os lucros astronómicos da banca e do sector financeiro.
O Governo não quer exigir sacrifícios do grande capital e por isso compromete os trabalhadores. Aliás, não só não exige sacrifícios como ainda está disposto a perdoar. Está disposto a perdoar todas as empresas e pessoas que cometeram crimes fiscais através de offshores, em troca de 5% do capital ilegal. É o Estado a ser cúmplice de um saque criminoso, cúmplice daqueles que o roubam.
Houve ainda quem tentasse sugerir que as medidas do PEC seriam as nossas medidas fiscais. Que fique bem claro que este não é o nosso PEC!! Este é o PEC dos mercados financeiros, do Sócrates, do CDS e do PSD. Este é o PEC da direita liberal!
E é por isso que o nosso objectivo nos próximos quatro anos deve ser derrotá-lo. Derrotá-lo à esquerda, apresentando alternativas viáveis e com responsabilidade.
Alternativas que promovam o crescimento económico através do emprego, do investimento público e de uma política fiscal justa.
Uma política económica democrática e de coragem que não tenha medo de exigir à finança e ao grande capital os sacrifícios necessários!
A luta é hoje diferente. Não estamos a falar de uma ou duas medidas liberais propostas por este ou aquele partido. Falamos de um plano coordenado para liberalizar o país, para destruir o Estado Social e chantagear os trabalhadores!
É essencialmente por isso o que a resposta exige clareza! Quem está a favor do PEC está com eles. Quem está contra, contra a redução salarial e o empobrecimento generalizado, está connosco nesta luta. E este não é o momento de desperdiçar aliados!
Para combater o PEC precisamos de uma forte mobilização social, de agregar contestação e descontentamentos. Este trabalho tem que ser feitos nas escolas, nos locais de trabalho, na rua e no parlamento.
Teremos tanto mais força quanto mais descontentes conseguirmos reunir! E para isso é essencial um movimento estudantil forte, combativo, e consciente. Sem medo de discutir as politicas económicas que regem as nossas vidas. É por este movimento que voto na moção A.

I Conferência Nacional de Jovens Estudantes do BE


Desde que, em 2005, Bolonha entrou em vigor, muita coisa mudou. Se durante o período 1995-2005,a percentagem de alunos com baixos rendimentos no Ensino Superior diminuiu para um terço, hoje esta situação agravou-se ainda mais. O conjunto de medidas que deu origem ao chamado “Tratado de Bolonha”, na verdade um processo, foi aprovado e posto em prática sem que existisse um referendo, em que a voz dos maiores interessados, os estudantes, fosse ouvida.
As consequências desta monstruosidade para com os estudantes do Superior e não só, estão à vista:
Ø O aumento exponencial das propinas (lembrem-se que os nossos pais não pagaram e quando passaram efectivamente a existir, no Governo de Cavaco Silva, estas não ultrapassavam o equivalente a 300€) reduziu ainda mais a possibilidade dos jovens ingressarem no Superior;

Ø As bolsas de Acção Social, que poderiam amenizar este problema, passaram a estar envoltas num conjunto de burocracias que faz com que somente uma pequena parte dos candidatos tenha direito a recebê-las

Ø O novo modelo organizativo do Superior, em Licenciaturas, Mestrados e por aí adiante que obriga os estudantes a acabar o curso o mais depressa possível, impossibilita uma maior intervenção política dentro dos recintos estudantis.

Quem perde com isso são os estudantes, pois a escola é um “espaço de pensamento crítico e acção política”, e não um recinto de programação humana para a realização de trabalhos específicos.
Aliado a Bolonha, adicionaram-se as medidas do Governo Sócrates, na era de Mariano Gago.
O estrangulamento financeiro na ordem de 200 M€ levou a um conjunto de consequências catastróficas para estudantes do Superior:
Ø Despedimento de professores e funcionários
Ø Pior qualidade da alimentação fornecida nas cantinas
Ø Residências caras e sem condições

E é por isso que devemos agir, é por isso que devemos sair às ruas e contestar, defender os nossos interesses!
A classe estudantil do Superior está a ser fortemente atacada.
A Moção A apresentou-se na primeira conferência nacional de jovens estudantes do Bloco com um conjunto de medidas consensuais e plausíveis, que combatem as políticas neoliberais que nos atacam:
Ø Alargamento dos horários e qualidade das cantinas
Ø Multiplicação de espaços culturais e de intervenção nas faculdades
Ø Aumento do número de cursos em período nocturno
Ø Melhoramento das residências universitárias

Opormo-nos ao RJIES é norma imperativa da nossa luta. Não tem sentido nenhum que entidades exteriores às instituições do Ensino Superior façam parte dos órgãos de Gestão. Os maiores interessados somos nós, nós é que devemos ocupar esses lugares!

Relembro: é necessário agir, lutar, vencer!

Por uma radicalidade dos jovens em todas as lutas pelo Socialismo!

sexta-feira, 19 de março de 2010

o que a lei da rolha pode fazer...

imaginem que Pacheco Pereira é obrigado a esconder as palavras, mas ainda pode entoar... seria este o resultado. Mais ou menos.



quarta-feira, 17 de março de 2010

Boys

[artigo no Diário Económico publicado ontem, 16 de Março 2010. Comentem, se assim o entenderem, no site do DE]


Alguns acontecimentos recentes na vida política portuguesa têm relembrado a célebre expressão de António Guterres quando, em referência à herança cavaquista (que tinha partidarizado ferozmente o aparelho de Estado), assumiu publicamente que não haveria – no seu governo - ‘jobs for the boys’.

Sabemos hoje que tal acabou por não ser verdade; como sabemos não há nenhum governo que não recorra a ‘boys', seja ele do PS, PSD ou CDS.

Estes ‘boys' têm sido apresentados como jovens vigaristas sedentos de poder e influência. E há, de facto, gente com estas características na política; como os há na academia ou na sociedade civil. Mas a verdade é que o sistema político português - ou qualquer um, para esse efeito - necessita de ‘boys'. São eles afinal algum do pessoal de confiança política dos detentores de cargos públicos; e só quem entende a vida política como um lugar seminarista - onde se tem uma relação directa não com Deus mas com o Estado - pode pensar que qualquer político em exercício de cargos públicos pode dispensar, na sua ‘entourage', de pessoas da sua estrita confiança.

Os ‘boys' são - na maioria dos casos - criados no caldo dos partidos, nas suas juventudes partidárias, onde adquirem uma sólida cultura política e uma forte rede de relações partidárias. Fazem vida de gabinete quando o seu partido está no poder, sendo apoio essencial à produção legislativa ministerial; e, a maioria deles, regressa mesmo à vida privada ou à academia quando na oposição. Muitos são bem qualificados, com mestrados e doutoramentos. E desengane-se quem julgue que esta não é a norma verificável; o que não quer dizer que não haja quem - visivelmente - lhe escape.

Dito isto, não me revejo na forma como se tem operado algumas nomeações por parte dos governos em Portugal, especialmente no que respeita às indicações para algumas empresas públicas ou semi-públicas. Assim como não entendo como pode qualquer nomeação política onerar mais que o Presidente da República. É necessário, e eu defendo-o, uma maior profissionalização da vida política; o que não significa uma partidarização do Estado. Para tal o jogo tem de ser bem claro. Devemos saber quem necessita de nomear e para onde, de forma clara e transparente. Com conhecimento prévio e em processos públicos e publicitados. Entendo, por exemplo, que a Assembleia da República e as novas formas de comunicação podem desempenhar um papel importante nesta área. Deveria, por exemplo, existir um sítio na internet onde se possa consultar todas as nomeações de determinado executivo; e o Parlamento devia de ter o poder de confirmação sobre (mais) algumas nomeações, em particular quando se trata de colocações em empresas onde o Estado é accionista.

Nos Estados Unidos, no começo de cada ciclo governativo, sabe-se a priori que vagam cerca de 7000 cargos de nomeação directa do Presidente. Em Portugal não há certezas desses números, e o processo de nomeação escapa-se por entre as últimas páginas do Diário da República. E enquanto não se definir com critérios transparentes estas necessárias nomeações, não saberemos distinguir entre os ‘boys' que tem de existir e os que se aproveitam dos esquemas que o sistema permite

domingo, 14 de março de 2010

o portuguesing do Zeinal




[edições TV canard]




sábado, 13 de março de 2010

armas no mundo global

quinta-feira, 11 de março de 2010

Um país, rico como o nosso, gastou mais de 90 milhões de euros com a Gripe A.
E quanto gastou com as outras doenças não mediáticas?

segunda-feira, 8 de março de 2010

domingo, 7 de março de 2010

Happily ever after

 

  
  

And they lived happily ever after...






sábado, 6 de março de 2010

Permacultura na universidade


A permacultura, um conceito desenvolvido por Bill Mollison e David Holmgren na década de 70, pode ser definida como a cultura desenhada para ser permanente – não num sentido estático, mas pelo contrário, num sentido altamente dinâmico que utiliza aquilo que são as características e os processos físicos e biológicos de um dado local para planear a organização social e a produção de recursos, reduzindo a dependência dos processos industriais. 

A permacultura, apelidada de «design for living» parte da observação integrada do sistema natural e social. As suas diversas componentes e respectivos inputs, outputs, características principais e o modo como interagem, bem como a cultura local e as práticas ancestrais, são analisadas de forma a potenciar as sinergias entre os diversos constituintes do sistema, reduzindo o consumo de energia, minimizando a necessidade de intervenção humana e a produção de desperdícios. Esta prática é compatível com os espaços urbanos, permitindo a produção alimentar descentralizada em meio urbano e promovendo novas formas de vida e de organização das cidades, mais sustentáveis, mais diversas e criativas e em harmonia com o meio natural. «O problema é a solução», uma das ideias chave da permacultura, significa que mesmo os factores que se apontam à partida como problemas podem ter utilidade e são o ponto de partida para soluções criativas e diversas.


Esta noção corresponde a uma ideia de utilidade do conhecimento e da técnica profundamente diferente do conceito moderno: a ciência não está ao serviço da dominação da natureza e o conhecimento das regras que gerem os processos naturais serve para que sejamos, criativamente e em conjunto com a natureza, cocriadores da vida e da diversidade ecológica, social e cultural.

As imagens são da Horta da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, um dos projecto protagonizado por estudantes, muito interessante na medida em que alia o conhecimento que por lá se produz e aprende, a reflexão teórica sobre sustentabilidade, mas também cria dentro da própria  faculdade um espaço de experimentação e de participação na mudança,  aberto a todos. 
Para quem quiser saber mais sobre a Horta da FCUL, há uma entrevista no IMPROP, de  onde as fotografias foram retiradas.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Is European Identity a myth?

According to Greek mythology, Europe was a pretty young girl who had the capacity to bewitch Zeus, the Almighty God of the Olympus. Still today we can describe this continent as a magical place where intercrossing of different cultures continues to arouse the curiosity of the men and women of the whole world.
With a population of around 760 million inhabitants, and being one of the smallest continents of the planet, Europe is located in the western part of the Euro-Asian continent. Is it effectively a continent? It isn’t. But the historical circumstances, political organization and the cultural union of these people made this territory in a continent, with a huge importance in the international context. Here there are 60 languages, most of the Indo-European family and spoken by different peoples who are distributed since Scandinavia until the Mediterranean. This ethnic and cultural diversity, many times take-in questioning if really exists a connector link that is characteristic to all the Europeans. In fact, there is.
At the age of the Greek-roman civilization, the inhabitants of the European space shared customs and traditions, many times acculturated themselves. The formation of the Roman Empire led to various lands were to become united under the power of the Emperor, and they had to follow the same laws. The influence of this classic civilization left marks that had lasted per the centuries until the present. The alphabet, the laws, the political organization, the architecture, literature among other aspects had been adoptees in diverse regions of the continent, since the British islands until the Balkans.
In the Middle Ages, people took again a common identity through conversion to Christianity. It is true that there were divisions and disagreements with Catholicism and later led the creation of the Lutheran Church, Anglican and Protestant, but the truth is that most of the European population remained Christian.
Looking back we see a Europe tainted by successive wars, but these disputes have made more quickly have developed proposals for alliances and community associations. In the seventeenth century Eméric Crucé formulated the idea of creating a European Council that would end the conflict that took place across the continent. Many other intellectuals such as Rousseaux, Karl Marx, Emmanuel Kant or Leibniz supported the same idea to achieve a desirable policy objective in the long term. Unfortunately this idea was slowly taking place. Two world-wide wars and millions of lost lives had been necessary so that the leaders of the biggest European powers made pacts that safeguarded the peace and stimulated the reconstruction of infrastructures and the economy. The Creation of the ECSC (European Coal and Steel Community) made possible the existence of the EEC (European Economic Community) that throughout the following years it organized the Europe in a political model that lasts to the present: the European Union.
Today the new challenge of the European Union passes for strengthening a common identity to all the Europeans, which sometimes is refuted by some skeptics who guarantee that the European citizenship is a statute that was used “to sell the idea of the Europe”. In fact, the perception of many Europeans who believe that Brussels takes essentially economical and bureaucratic decisions tends to persist. It is urgent that the educative systems have an active role in combating a widespread misinformation and promote strongly the European identity that really exists. This identity that passes for the tolerance, freedom and respect for the human rights and democracy is the mainstay of the European ideal. Active participation in the society is also common to the identity of all the Europeans.
Indeed, it is not necessary that all the citizens feel loyal to and identified with a common cultural identity (which is a utopia), but with constitutional principles that fully guarantee its rights and freedoms.
I believe then that if in the past the European identity was a myth, today is a reality that is part of our quotidian. More and more Europeans have this notion and each time more we should to engage to keep a Europe that defends its own ideals.